<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-16935532</id><updated>2012-01-20T15:29:33.320-02:00</updated><category term='Perseguição'/><category term='teorias da conspiração'/><category term='Galeno'/><category term='Antigo Testamento'/><category term='Autoria'/><category term='Mitologia'/><category term='Cristologia'/><category term='Novo Testamento'/><category term='Youtube'/><category term='serie constrangimento e diferença'/><category term='Igreja Católica'/><category term='Constantino'/><category term='Literatura'/><category term='Série quem eles dizem eu sou?'/><category term='Série Jesus e seus adversários; Magia'/><category term='Profeta'/><category term='Porfírio'/><category term='Celso'/><category term='metodologia'/><category term='Livros'/><category term='Variedades'/><category term='Geza Vermes'/><category term='Teologia'/><category term='critérios históricos'/><category term='Outras Religiões'/><category term='dicas de livros'/><category term='Messianismo'/><category term='minimalismo'/><category term='maximalismo'/><category term='Apolonio de Tiana'/><category term='Ad Cummulus Lonely Planet'/><category term='Sabio'/><category term='Cristianismo Primitivo'/><category term='Pilatos'/><category term='Mara Bar Serapion'/><category term='Judaísmo'/><category term='Zeitgeist'/><category term='Eventos'/><category term='Humor'/><category term='Budismo'/><category term='Apócrifos'/><category term='Apocaliptismo e Manuscritos do Mar Morto'/><category term='Dicas de outros blogs'/><category term='Série Jesus e os Fariseus'/><category term='Testimonium Flavianum'/><category term='Tiago'/><category term='Série Jesus na História'/><category term='Joseph Klausner'/><category term='Qumran'/><category term='Arqueologia'/><category term='Cartas Paulinas'/><category term='Mani'/><category term='Jesus Histórico'/><category term='Talmude'/><category term='Série Jesus Sábio'/><category term='Apocalíptica'/><category term='Crítica Textual'/><category term='Tertuliano'/><category term='Fariseus'/><category term='Existência de Jesus'/><category term='Música'/><category term='Luciano'/><category term='Política e Religião'/><category term='Justino'/><category term='Curas'/><category term='Arte'/><category term='Testemonium Flavianum'/><category term='tradição oral'/><category term='Crucificação'/><category term='Ortodoxia'/><category term='Perseguição aos Cristãos'/><category term='Sites (dicas)'/><category term='Roma'/><category term='Protestantismo'/><category term='Ad Cummulus'/><category term='Josefo'/><category term='Ensino'/><category term='Saduceus'/><category term='Cinema e TV'/><category term='Epistemologia'/><category term='Fraudes'/><title type='text'>AD         CUMMULUS</title><subtitle type='html'>Estudos sobre Religião - Biblioblog</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://adcummulus.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16935532/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://adcummulus.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16935532/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Flávio Souza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10196278644485524807</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://3.bp.blogspot.com/_AfFKEmylAKU/SXnsJFkzoAI/AAAAAAAAIWc/6bHgRsfAg1U/S220/IMG_7828.JPG'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>129</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16935532.post-8705140431992796081</id><published>2012-01-18T00:07:00.000-02:00</published><updated>2012-01-20T15:29:33.337-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Qumran'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Novo Testamento'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Outras Religiões'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cristologia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Messianismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Judaísmo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='metodologia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ortodoxia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cristianismo Primitivo'/><title type='text'>Cristologia e Messianologia Centrífuga e Centrípeta no livro de Hebreus</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Em uma postagem, “&lt;a href="http://adcummulus.blogspot.com/2009/06/transculturalismo-e-retorica-no.html"&gt;Transculturalismo e retórica nocristianismo nascente&lt;/a&gt;”, fiz umas asserções polêmicas em relação a questão da evoluçãoda cristologia e do ideário em torno da figura de Jesus ao longo do períodoinicial de desenvolvimento do cristianismo.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Ela bate de frente com a perspectiva da formação paulatinaatravés do sincretismo e assimilação de idéias alheias as quais não encontravamfundamento ou ressonância em períodos anteriores, emergindo assim destasincorporações, uma configuração completamente nova em relação à matiz judaicada igreja nascente.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Nesta postagem, trabalhei primeiramente com pontos deretórica paulina, argumentando que ela adotava estratégias e pontes queconsistiam em “em reapresentar e/ou confrontar termos e formulações dedoutrinas ou pensamentos alternativos e/ou divergentes de maneira a usa-loscomo apoio ao seu evangelho, como instrumento de demonstração do papel de Jesusnum quadro de pensamento mais amplo numa atividade fagocitária.” E mais adianteafirmei que (...)”O autor de Efésios, na linha do ambiente de Paulo, utiliza amesma estratégia”.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Para poder ter uma visualização mais próxima, nesta postagemagora debruçaremos especificamente em um documento importante no NovoTestamento, emanado de e para um ambiente judaico helenizado. Já foramencionada na postagem sobre a qual comentara, que “Perspectivas, crenças eexpectativas judaicas que eram polêmicas para com o cristianismo poderiam sersujeitas do mesmo recurso tal como mencionamos em relação às outras linhas depensamento ou visões de mundo. O livro de Hebreus ilustraria isso através dasdiversas&amp;nbsp;&lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Pardes"&gt;drashs&lt;/a&gt;&amp;nbsp;-'interpretação; descobrir o significado através da midrash, por comparaçãopalavras e formas e também por ocorrências semelhantes noutros locais'-desenvolvidas envolvendo a figura de Melquisedeque, Moisés, os serviços rituaisdo Templo...”&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-AuJ07n8GDg8/TxYo09S5jtI/AAAAAAAABRg/e5JcQeYXG4w/s1600/download.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="127" src="http://3.bp.blogspot.com/-AuJ07n8GDg8/TxYo09S5jtI/AAAAAAAABRg/e5JcQeYXG4w/s200/download.jpg" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;Este livro possui datação controversa, variando entre osespecialistas de ser dos meados dos anos 60 a última década do século I. Eu meinclino a considerar ser de pouco após a destruição do Templo de Jerusalém. Oautor é ainda mais controverso, para o qual temos menos dados aproximativosainda e o grau especulativo é bem maior. É notório que se trata de algum judeuhelenizado e bastante culto, conhecedor de técnicas rabínicas de exegese eexposição.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Já&lt;a href="http://adcummulus.blogspot.com/2011/12/quem-eles-dizem-que-eu-sou-os.html"&gt; foi apresentado&lt;/a&gt; aqui no blog um importante autor e pesquisador,David Flusser, com um ímpar conhecimento de fontes judaicas do século I a.C., edos sécs. I e II. Em um importantíssimo trabalho [1],&amp;nbsp; ele se debruça sobre a retórica e matiz hermenêutica do autor deHebreus. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Flusser apresenta uma série de discussões presentes emMidrashs (sobretudo de Salmos como o 8, 22, 68, 84, 110), targuns aramaicos(sobretudo do livro de Isaías e Zacarias), comentários presentes nosmanuscritos do Mar Morto, Documento de Damasco, Pergaminho de Ação de Graças, debatesentre rabinos e escolas rabínicas, em que se debate o papel e o grau do statusdo Messias; em que são justapostas as figuras do Messias Sacerdotal, dedescendência levita e referenciando-se a Aarão, com o Messias de Realeza, referenciando-seem Davi, com escolas diferentes exaltando um a mais do que outro. Discussõesenvolvendo traduções e interpretações bíblicas, incluindo a versão daSeptuaginta, sobre interpretações diferentes dos status dos anjos, ante àfiguras importantes no imaginário judaico, como Moisés, Abraão, Davi,Zorobabel, e o Messias, com diversas apontando o status superior deste. Tambémcom Melkizedeque, que é visto como uma figura de expressão de Deus, até mesmocom um ser arquetípico da realeza davídica (&lt;i&gt;Malkhi-Zedek&lt;/i&gt; = Rei de Justiça). Essasfiguras apareciam em diversas expressões, como mais exaltadas ontologicamentedo que qualquer outro ser humano, a nível acima do humano.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;O autor de Hebreus teria se engajado então em toda essamatiz, em que haviam debates contemporâneos a ele, que permaneceram por tempos,mas também diversos textos atestando controvérsias anteriores, como os Salmosde Salomão, que permaneciam fortes em seu tempo. Ele teria usado um método deargumentação semelhante às discussões rabínicas, pegando o gancho para trazerpara discussões internas nas igrejas cristãs judaico-helênicas, com uma noçãonova, em que imagens e artes retóricas são tomadas de empréstimo de forma útilpara apresentar a superioridade de Jesus Cristo e seu papel elevado exaltado aolado de Deus. Combinaria já na glorificação de sua missão terrena o papelpresente do Mais Alto Sacerdote, junto com Deus, com sua obra presente, ainda aser consumada, de Grande Juiz e Rei sobre o cosmo. Sua eternidade com aressurreição, sua preexistência na hipóstase da “Sabedoria” de Deus, seu papelde Filho ante aos ministradores e servos, o testemunho direto de Deus, sãomotivos invocados ligados com passagens-chave dos debates.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Segundo Flusser (pg 38, 39),&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;blockquote class="tr_bq"&gt;Por um lado, o tema principal de Hebreus é a tentativa deprovar, a partir das Escrituras, que a nova dispensação é superior à antiga eque, para esse propósito, o autor tenta persuadir seus leitores da vantagem deCristo como Filho de Deus sobre várias personalidades, instituições e criaturascelestiais do Velho Testamento. Por outro lado, a justaposição não se originade uma luta espiritual entre a nova comunidade cristã e a velha comunidade deIsrael, ou um de seus grupos. Pelo contrário, o autor cristão toma, para suapolêmica, material literário do judaísmo de seu tempo. Os próprios judeus, emdebates internos ou num esforço comum, estavam então discutindo o grau maisalto ou mais baixo de personalidades bíblicas e criaturas celestiais.(...)&lt;br /&gt;A fusão de idéias e motivos judaicos com a nova perspectivacristã é típica não apenas da Epístola aos Hebreus, mas também de todos osescritos do segundo estrato do cristianismo.&lt;br /&gt;(...)Temos de lembrar que nem todos os motivos usados nocristianismo do Novo Testamento a fim de descrever o caráter divino de Cristo esua tarefa cósmica são especificamente cristãos. Muitos deles se originaram deespeculações judaicas sobre a pessoa e grau do Messias e figuras bíblicas, bemcomo de outros&lt;i&gt; theologoumena&lt;/i&gt; judaicos. &lt;/blockquote&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Outros pesquisadores de formação diversa detêm-se em pontosespecíficos que ampliam nossa percepção a respeito deste trabalho no livro. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Christopher Richardson [2], PhD pelo Covenant TheologicalSeminary, argúi a respeito da discussão do autor de Hebreus circundando afigura enigmática de Melquisedeque, que sua discussão visa ao ponto de que&lt;i&gt; “(...)ComoMelquisedeque , a quem 'não tem fim de dias' mas 'para semprepermanece sacerdote', &amp;nbsp;o sacerdócio deJesus também 'é dependente da....qualidade de vida' que ele possui(78). No caso de Jesus , é vida ressurreta que é decisiva , já que ele se 'tornou-se um sacerdote ... através do poder de uma vida indestrutível' (7:16 , ver também 7:24-25)"&lt;/i&gt; .&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Tratando da arte argumentativa do autor, Herbert W. Bateman,professor de Novo Testamento no Southwestern Baptist Theological Seminary emFort Worth, Texas, faz [3] uma contribuição colocando as abordagens das Escrituraspelo autor de Hebreus em paralelo com documentos de Qumrã e as &lt;a href="http://pt.scribd.com/doc/61361100/Sete-Regras-de-Hillel"&gt;sete regrasexegéticas atribuídas a Hillel&lt;/a&gt;,no que frisa a questão messiânica da realeza davídica.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;a href="http://www.iliff.edu/index/learn/your-faculty/pam-eisenbaum/"&gt;Pamela Eisebaum &lt;/a&gt;[4] professora Associada de Estudos Bíblicose Origens Cristãs,no Center for Judaic Studies da Universidade de Denver,&amp;nbsp;escreveu uma importantíssima dissertação em que ela expõesobre Hebreus 11, traçando paralelos com listas de heróis da Bíblia Hebraica,da literatura judaica do século I e listas greco-romanas de heróis. Ela entrevêalusões com retóricas em Aristóteles, Quitiliano, Isócrates e Cícero, deixandoevidente, contudo, a proximidade bem maior com as listas judaicas, ainda que emsua complexidade, não fica nada a perder com a retórica helênica, que ofereceuma caracterização considerável, em sua multidimensionalidade, para o estudo docapítulo, na estratégia de legitimação da comunidade cristã à qual o livro éendereçado.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Análises de pequenas partes-chave do livro servem paraassentar de maneira mais opaca este vislumbre. &amp;nbsp;&lt;a href="https://sites.google.com/site/drckeener/"&gt;Craig Keener&lt;/a&gt;, Ph.D. na Universidade de Duke,professor de Novo Testamento no&amp;nbsp; AsburyTheological Seminary, discorre sobre 2.10 [4]:&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;blockquote class="tr_bq"&gt;O termo &lt;i&gt;archçgos&lt;/i&gt;, traduzido “autor”, ou “príncipe”,significa “pioneiro”, “líder” ou “campeão”. O termo era usado para heróishumanos e divinos, fundadores de escolas ou aqueles que cortavam um caminhoadiante para os seus seguidores.&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Sobre 1.5, uma passagem-chave, Keener explica:&lt;br /&gt;&lt;blockquote class="tr_bq"&gt;O autor citao Salmo 2.7 e 2 Samuel 7.14, textos que já haviam sido ligados a especulaçõessobre a vinda do Messias (nos Manuscritos do Mar Morto). Os intérpretes judeusfrequentemente ligavam os textos por meio de uma palavra-chave comum; a palavraaqui é “Filho”. Como muitos outros textos messiânicos, o Salmo 2 originalmentecelebrava a promessa para a linha davídica em 2 Samuel 7; a “geração” se refereà coração real – no caso de Jesus, sua exaltação (cf. similarmente a At.13,33). &lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;Como ressaltado na postagem “Transculturalismo e retórica”,esta estratégia abre campos de pesquisa ampliados sobre a retórica eapologética no cristianismo nascente, com imensa demanda de pesquisadores etrabalhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há um amplo campo sob o escopo do que se mostra como um espectro de tentativas de pensar o divino e sua relação com o mundo à medida que se busca comunicar as convicções do cristianismo nascente acerca do papel de Jesus para com o a história e com o culto e seu papel redentor, de acordo com as matizes culturais do ambiente de vida da igreja nascente. Um marco em amplitude de abordagem e que abre diversos caminhos a serem explorados, dentro do que trabalhamos nesta postagem espeficicamente, relacionando com um ângulo alternativo, o impacto e reação dos rabinos e os reflexos e reações nos movimentos gnósticos, &amp;nbsp;é a &lt;a href="http://www.twopowersinheaven.com/"&gt;obra&lt;/a&gt; de &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Alan_F._Segal"&gt;Alan F. Segal&lt;/a&gt;, "&lt;a href="http://books.google.com.br/books?id=LRzCB9xSRFsC&amp;amp;printsec=frontcover&amp;amp;hl=pt-BR&amp;amp;source=gbs_ge_summary_r&amp;amp;cad=0#v=onepage&amp;amp;q&amp;amp;f=false"&gt;Two Powers in Heaven:&amp;nbsp;Early Rabbinic Reports about Christianity and Gnosticism&lt;/a&gt;".&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;[1] Flusser, David. “Messianologia e Cristologia na Epístolados Hebreus”, captulo II de “&lt;a href="http://www.submarino.com.br/produto/1/162018/judaismo+e+as+origens+do+cristianismo,+o+-+vol.+2"&gt;O Judaísmo e as Origens do Cristianismo&lt;/a&gt;”, volume2. Rio de Janeiro, Imago, 2001.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;[2] Richardson, Christopher; “The Passion: ReconsideringHebrews 5.7–8” , em Bauckham, Richard; Hart, Trevor; MacDonald, Nathan; Driver,Daniel. eds. “&lt;a href="http://books.google.com.br/books?id=lSXL4g_XM44C&amp;amp;pg=PA51&amp;amp;lpg=PA51&amp;amp;dq=Christopher+Richardson+hebrews&amp;amp;source=bl&amp;amp;ots=qIQSidGTFs&amp;amp;sig=xcGaV5Qm-CxpGDYLE1PXe-pOMtc&amp;amp;hl=pt-BR&amp;amp;sa=X&amp;amp;ei=2MQUT6qDHciUgweT6qH0Aw&amp;amp;ved=0CDMQ6AEwAg"&gt;A Cloud of Witnesses: The Theology of Hebrews in its AncientContexts&lt;/a&gt;". Library of New Testament. Studies 387&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;[3] Bateman, Herbert W. “&lt;a href="http://hwbateman.com/contact.html%20http://www.amazon.co.uk/Early-Jewish-Hermeneutics-Hebrews-Interpretation/dp/0820433241"&gt;Early Jewish Hermeneutics andHebrews 1:5-13: The Impact of Early Jewish Exegesis on the Interpretation of aSignificant New Testament Passage&lt;/a&gt;”.&amp;nbsp; AmericanUniversity Studies, Series 7: Theology and Religion 193. New York: Peter Lang,1997. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&amp;nbsp;&lt;/o:p&gt;[4] Eisenbaum, Pamela Michelle. “&lt;a href="http://www.amazon.com/Jewish-Heroes-Christian-History-Literary/dp/0788502468"&gt;The Jewish Heroes ofChristian History: Hebrews 11 in Literary Context&lt;/a&gt;”. SBL Dissertation Series156. Atlanta: Scholars Press, 1997.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&amp;nbsp;&lt;/o:p&gt;[5] Keener, Craig S. “&lt;a href="http://www.bondfaro.com.br/preco--livros--comentarios-biblicos-atos-novo-testamento-craig-s-keener-857607026x.html"&gt;Comentário Bíblico Atos – NovoTestamento&lt;/a&gt;”. Belo Horizonte. Ed. Atos, 2004. “Hebreus” PPS 669-707.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16935532-8705140431992796081?l=adcummulus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://adcummulus.blogspot.com/feeds/8705140431992796081/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16935532&amp;postID=8705140431992796081&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16935532/posts/default/8705140431992796081'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16935532/posts/default/8705140431992796081'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://adcummulus.blogspot.com/2012/01/cristologia-e-messianologia-centrifuga.html' title='Cristologia e Messianologia Centrífuga e Centrípeta no livro de Hebreus'/><author><name>informadordeopiniao</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06489998336259307860</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://3.bp.blogspot.com/_Yf2-PPTyb0I/SmO7mVKQ0zI/AAAAAAAAAPs/rh8W4tpIWGI/S220/Close.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-AuJ07n8GDg8/TxYo09S5jtI/AAAAAAAABRg/e5JcQeYXG4w/s72-c/download.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16935532.post-8302499423498791424</id><published>2012-01-13T14:28:00.000-02:00</published><updated>2012-01-13T14:38:15.267-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Perseguição aos Cristãos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Apocaliptismo e Manuscritos do Mar Morto'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Messianismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Curas'/><title type='text'>Artigos acadêmicos sobre perseguição aos cristãos, curas, pretendentes messiânicos e manuscritos do mar morto - de acesso livre e em português!!!!</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-rHsUdrTyRGU/TxBd4X8ptgI/AAAAAAAAAPY/uEMFu3EKNks/s1600/220px-Brooklyn_Museum_-_Saint_Philip_%252528Saint_Philippe%252529_-_James_Tissot_-_overall.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5697156751706142210" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 126px; CURSOR: hand; HEIGHT: 200px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-rHsUdrTyRGU/TxBd4X8ptgI/AAAAAAAAAPY/uEMFu3EKNks/s200/220px-Brooklyn_Museum_-_Saint_Philip_%252528Saint_Philippe%252529_-_James_Tissot_-_overall.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Abaixo vai uma seleção de artigos acadêmicos interessantes, publicados em português, com os respectivos links. Uma vez que a grande maioria dos artigos acadêmicos sobre as origens cristianismo esta em jornais não acessíveis ao público não vinculado a universidades (jornais acadêmicos especializados de subscrição paga) e/ou lingua estrangeira, é interessante compartilhar esses "achados". Os artigos também tratam de assuntos que discutimos aqui no adcummulus recentemente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;1)&lt;/strong&gt; &lt;a href="http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?metodo=apresentar&amp;amp;id=K4164210D5"&gt;Diogo Pereira da Silva &lt;/a&gt;(2011) &lt;em&gt;&lt;a href="http://www.revistajesushistorico.ifcs.ufrj.br/arquivos7/ARTIGO-DIOGO-DA-SILVA.pdf"&gt;As Perseguições aos cristãos no Império Romano (sec. I a IV): Dois Modelos de Apreensão&lt;/a&gt;,&lt;/em&gt; Revista Jesus Histórico e sua Recepção - Ano IV [2011] - volume 7&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"&lt;strong&gt;Resumo&lt;/strong&gt;:No âmbito da pesquisa em torno das perseguições aos cristãos pelo Império romano nos quatro primeiros séculos, podem-se observar intensas discussões eruditas. Nesse texto, busca-se evidenciar que as abordagens acadêmicas divergentes podem ser conjugadas formando um modelo explicativo globalizante&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Palavras-chave&lt;/strong&gt;: Perseguição aos cristãos, martírio, Império Romano. &lt;/em&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;(Observação&lt;/strong&gt;: aqui no adcummulus abordamos as Perseguição da Igreja Primitiva pelo Império Romano no post "&lt;a href="http://adcummulus.blogspot.com/2010/08/porque-os-cristaos-foram-perseguidos.html"&gt;Porque os cristãos foram perseguidos&lt;/a&gt;"? (agosto de 2010), e, tangencialmente, quando abordamos a referência do historiador romano Tácito sobre Jesus no contexto da perseguição aos cristãos de Roma por Nero &lt;a href="http://www.blogger.com/%22http://adcummulus.blogspot.com/2010/07/significancia-de-jesus-e-escala-richter.html"&gt;A Significância de Jesus e a Escala Richter de Impacto Histórico Parte 2D: Historiadores Romanos&lt;/a&gt;.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;2)&lt;/strong&gt; &lt;a href="http://lattes.cnpq.br/8265934627165129"&gt;Lolita Guimarães Guerra&lt;/a&gt; (2011) &lt;a href="http://www.revistajesushistorico.ifcs.ufrj.br/arquivos7/ARTIGO-LOLITA-GUERRA.pdf"&gt;&lt;em&gt;Cura e Experiência Religiosa no Cristianismo Primitivo&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt;, &lt;/em&gt;Revista Jesus Histórico e sua Recepção - Ano IV [2011] - volume 7&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Resumo&lt;/strong&gt;:&lt;em&gt;As primeiras comunidades cristãs, ao comporem narrativas acerca das atividades religiosas de seu líder, lançaram mão de um vasto conjunto de práticas e conceitos relativos à cura de doenças e à ressurreição dos mortos. Noções judaicas de causa, tratamento e cura de doenças se modificam no interior desses grupos no debate com práticas presentes, por exemplo, nos cultos a Esculápio, Ísis e Serápis. Para além do mundo divino, cura e ressurreição foram associadas, tanto no judaísmo como para além dele, a mortais como Apolônio de Tiana, Hipócrates e Salomão, assim como a figuras públicas como Vespasiano e Pirro. Nos primeiros séculos da Era Comum, este diálogo toma forma através da atribuição do poder de curar exclusivamente a Cristo, o qual inclusive lança mão de outros personagens para exercer milagres. As comunidades cristãs sintetizam, neste único personagem, os papéis do sábio/médico à terapia e à cura&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Palavras-chave&lt;/strong&gt;: início da Era Comum; experiência religiosa; doença; possessão; cura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3) &lt;a href="http://www.pej-unb.org/vicente_br.htm"&gt;Vicente Dobraruka&lt;/a&gt; (2002) &lt;a href="http://www.pej-unb.org/downloads/art_josefo_apoc.pdf"&gt;Josefo, a literatura apocalíptica e a revolta de 70 na Judéia&lt;/a&gt;, Phoinix. Vol.8. Rio de Janeiro: UFRJ, 2002.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Este artigo discute as relações entre escatologia e concepção de história na obra do historiador judeu Flávio Josefo, tomando-se por eixos de análise tanto a relação por ele estabelecida entre as expectativas messiânicas dos judeus quanto às concepções metahistóricas de sua obra, em si mesmas credoras da literatura apocalíptica.Entre 74 e 79 d.C., o historiador judeu Flávio Josefo redigiu uma obra que teria lugar assegurado postumamente como um dos textos historiográficos mais famosos da Antigüidade - a Guerra dos judeus&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Observação&lt;/strong&gt;: o assunto messianismo foi discutido aqui no adcummulus no post "&lt;a href="http://adcummulus.blogspot.com/2010/12/josefo-jesus-os-cristaos-messianismo-e.html"&gt;Jesus, os Cristãos, Messianismo e Apocaliptismo no Judaismo do Primeiro Século: Tudo Junto e Misturado&lt;/a&gt;"(janeiro de 2011), e no que se refere aos pretendentes messiânicos, como Judas Galileu, Simão de Peréia e o Profeta Egípcio em "&lt;a href="http://adcummulus.blogspot.com/2011/06/significancia-de-jesus-e-escala-richter.html"&gt;A Significância de Jesus e a Escala Richter de Impacto Histórico Parte 4.1: O Rei dos Judeus entre os Revolucionários&lt;/a&gt;" (junlho de 2011).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4) &lt;a href="http://lattes.cnpq.br/4323981692424724"&gt;Edgard Leite &lt;/a&gt;(2008) &lt;em&gt;&lt;a href="http://www.revistajesushistorico.ifcs.ufrj.br/arquivos1/edgar.leite.pdf"&gt;Os Manuscritos de Qumran e a Teologia do Cristianismo Antigo&lt;/a&gt;,&lt;/em&gt; Revista Jesus Histórico e sua Recepção – Ano I [2008] - volume 1&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"Os manuscritos de Qumran introduziram novos elementos nos estudos sobre o cristia-nismo antigo. Antes de sua descoberta o conhecimento do universo religioso da Judéia do século I era muito limitado. Tanto os evangelhos canônicos quanto os apócrifos, por exemplo, eram pouco esclarecedores. Seu principal objetivo era a reafirmação das mensagens de Jesus – tais como diferentes tradições as entendiam - e não uma reflexão sobre as forças e tendên-cias conceituais que as envolviam."&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Outros artigos como este podem ser encontrados na &lt;a href="http://www.revistajesushistorico.ifcs.ufrj.br/"&gt;Revista Jesus Histórico.&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16935532-8302499423498791424?l=adcummulus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://adcummulus.blogspot.com/feeds/8302499423498791424/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16935532&amp;postID=8302499423498791424&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16935532/posts/default/8302499423498791424'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16935532/posts/default/8302499423498791424'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://adcummulus.blogspot.com/2012/01/artigos-academicos-sobre-perseguicao.html' title='Artigos acadêmicos sobre perseguição aos cristãos, curas, pretendentes messiânicos e manuscritos do mar morto - de acesso livre e em português!!!!'/><author><name>Nehemias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05093459549722450363</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-rHsUdrTyRGU/TxBd4X8ptgI/AAAAAAAAAPY/uEMFu3EKNks/s72-c/220px-Brooklyn_Museum_-_Saint_Philip_%252528Saint_Philippe%252529_-_James_Tissot_-_overall.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16935532.post-8110613094285775640</id><published>2012-01-10T12:05:00.008-02:00</published><updated>2012-01-10T18:00:00.417-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Série quem eles dizem eu sou?'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='metodologia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Jesus Histórico'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cristianismo Primitivo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='critérios históricos'/><title type='text'>Quem Eles Dizem Que Eu Sou - Os Historiadores, Jesus e os Evangelhos - Parte III - Critérios e Julgamentos</title><content type='html'>&lt;strong&gt;Continuando a Série&lt;a href="http://adcummulus.blogspot.com/search/label/S%C3%A9rie%20quem%20eles%20dizem%20eu%20sou%3F"&gt; "Quem ele dizem que eu Sou"&lt;/a&gt;:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;Martin Goodman&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-J-HTDHxYecc/TwWh_FMlNlI/AAAAAAAAAO0/J9dYSVIcK5Q/s1600/180px-Dura-europos-paralytic.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5694135408978638418" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 126px; HEIGHT: 200px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-J-HTDHxYecc/TwWh_FMlNlI/AAAAAAAAAO0/J9dYSVIcK5Q/s200/180px-Dura-europos-paralytic.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.orinst.ox.ac.uk/staff/hjs/mgoodman.html"&gt;Martin D Goodman&lt;/a&gt; é professor de estudos judaicos na Faculty of Oriental Studies e &lt;a href="http://www.classics.ox.ac.uk/faculty/directory/buscard.asp?IDno=1817"&gt;fellow&lt;/a&gt; do Wolfson College da Universidade de Oxford, e sua pesquisas concentram-se nos aspectos sociais, religiosos e politicos dos judeus no Império Romano, e tem publicado extensamente sobre judaismo do segundo templo e seus grupos (inclusive o então nascente cristianismo), Josefo, os judeus no mundo greco-romano, e da historia do Imperio Romano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em seu livro &lt;em&gt;"The Roman World 44 BC-AD 180" &lt;/em&gt;(1997)&lt;em&gt;,&lt;/em&gt; Goodman busca uma perspectiva integrada, holística, do desenvolvimento do Império Romano, de Júlio Cesar a Marco Aurélio, entre os tópicos abordados, ele analisou as origens do cristianismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Primeiramente, o Professor Goodman aborda as fontes do cristianismo primitivo e suas peculiaridades, em vista disso, como analisa-las.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"the early history of christianity has to be puzzled out by examination and elucidation of inconsistencies within the Christian literature itself. &lt;strong&gt;The preservation of so much literature makes such an investigation possible on many topics - thus, for instance the different accounts of Jesus' carreer and teaching in the four canonical Gospels can profitably be compared&lt;/strong&gt; - but it is not easy, and theological preoccupations of most modern scholars who study early Christianity so predispose them to particular interpretations of the evidence that the subject has achieved much less scholarly consensus than any other in the history of Early Empire" &lt;/em&gt;&lt;em&gt;(&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;&lt;strong&gt;tradução&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;) "a história do cristianismo primitivo e como um quebra-cabeças a ser montado a partir do exame e elucidação da literatura cristã, em que pese suas incosistências. &lt;strong&gt;A preservação de tão volumosa literatura faz essa investigação possível sobre muitos temas - assim, por exemplo, os diferentes relatos dos feitos e ensinos de Jesus nos quatro evangelhos canônicos podem ser proveitosamente analisados&lt;/strong&gt; - mas não é fácil, e as preocupações teológicas da maioria dos acadêmicos atuais que estudam o cristianismo primitivo os predispôem a interpretações particulares das evidências, de forma que o assunto alcançou um nivel de consenso acadêmico inferior ao de qualquer outro da história do Império Romano&lt;/em&gt; [dos Julio-Claudianos, Flavianos e Antoninos (45 AC a 180 DC).[1]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Goodman passa analisar então a vida de Jesus, e suas fontes, fazendo algumas considerações sobre as dificuldades enfrentadas, como elas devem ser analisadas sempre no contexto do Judaísmo do I Século, como abordar sob o aspecto histórico suas concordâncias e diferenças, e o fato de terem sido escritas na forma de biografia com forte interesse teológico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"&lt;strong&gt;Most contentious of all is the reconstruction of the life and teaching of Jesus himself&lt;/strong&gt;, &lt;strong&gt;which need to be placed firmly within the context of first century Judaism in the land of Israel&lt;/strong&gt;. The accounts of Jesus' carreer in the four canonical gospels included in the New Testament agree on the main events of his life, and Luke and Matthew agree so closely on some of Jesus' teaching that a common (oral) source ("Q") is often posited, but the Gospels differ in detail and in some of the teaching ascribed to Jesus; the apocryphal gospels differ even more, which is probably one reason for their exclusion from the canon by Christians of the second century. &lt;strong&gt;The problem arose because the use of these biographical accounts as the main vehicles of theological ideas from the first generation of the Church, so that religious significance was from early on read into each of Jesus' recorded actions and statements&lt;/strong&gt;. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;(tradução) &lt;/span&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;strong&gt;O tópico&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;strong&gt; mais controverso de todos é a reconstrução da vida eo ensinamento do próprio Jesus, que precisam ser colocados firmemente dentro do contexto do judaísmo do primeiro século na terra de Israel.&lt;/strong&gt; Os relatos da carreira de Jesus nos quatro evangelhos canônicos incluídos no do Novo Testamento concordam no que se refere aos principais acontecimentos de sua vida, e Lucas e Mateus concordam tão bem em alguns dos ensinamentos de Jesus que uma fonte (oral) comum ("Q") é muitas vezes proposta, mas os Evangelhos diferem em detalhes e, em alguns dos ensinamentos atribuídos a Jesus; os evangelhos apócrifos diferem ainda mais, que é provavelmente uma das razões para sua exclusão do cânon pelos cristãos do segundo século. &lt;strong&gt;O problema surgiu pelo uso desses relatos biográficos como os principais veículos de idéias teológicas da primeira geração da Igreja, de modo que significado religioso foi desde cedo impresso em cada uma das ações e declarações que relatam sobre Jesus&lt;/strong&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; [1]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Goodman passa então as considerações metológicas na analise das fontes de Jesus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;A&lt;strong&gt; minimalist solution for such conflicting testimony is to accept as true only those elements of the tradition which conflict with later Christian doctrine, on the grounds that such material cannot owe its inclusion to latter invention&lt;/strong&gt;, but even this procedure is hardly secure: too much of the history of the first generation of the christians after the ressurection is itself obscure to state for certain that any particular teaching was not found among them, and some continuity between Jesus' teaching and his followers is inherently plausible because they took his name to define themselves" &lt;/em&gt;&lt;em&gt;(&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;&lt;strong&gt;tradução&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;) &lt;strong&gt;Uma solução minimalista para este testemunho conflitante é aceitar como verdadeiros apenas os elementos da tradição que conflitam com a doutrina cristã posterior, com o fundamento de que tal material não poderiam ter sido inventado pela igreja&lt;/strong&gt;, mas mesmo este procedimento não é garantido: muito d&lt;/em&gt;&lt;em&gt;a história da primeira geração dos cristãos depois da ressurreição é obscuro para afirmar com certeza que qualquer ensino particular não foi encontrado entre eles, e alguma continuidade entre o ensino de Jesus e seus seguidores é inerentemente plausível uma vez que definiam a identidade de seu grupo pelo seu nome"&lt;/em&gt; [1&lt;em&gt;]&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Ou seja, os evangelhos foram produzidos pelos cristãos para trazer pessoas a fé, e edificar e confortar aqueles que já estavam nela. A vida de Jesus foi narrada para atingir esses objetivos. Desta forma, houve claramente um &lt;em&gt;víes &lt;/em&gt;na elaboração desses escritos, o que poderia levar os autores a criarem ou modificarem ditos e feitos de Jesus para atender seus objetivos. Goodman observa então que uma abordagem minimalista que o pesquisador pode adotar é de aceitar como verdadeiros apenas os elementos que conflitam ou não se ajustam ao viés dos cristãos primitivos. Por um princípio fundamental da crítica textual, elementos no texto, que vão contra a sua tendência global sugerem que alguma informação autêntica sobreviveu ao processo editorial, esse princípio é a base dos critérios da diferença da igreja primitiva e do contrangimento, utilizados na pesquisa do Jesus Histórico. Como &lt;a href="http://adcummulus.blogspot.com/2010/08/os-criterios-do-constrangimento-e-da.html"&gt;já escrevemos aqui &lt;/a&gt;(citando Gerd Theissen e Dagmar Winter) &lt;em&gt;"em geral, fontes históricas não são compostas e preservadas por autores desisteressados ou neutros, mas são elaboradas com propósitos e motivos, assim, os elementos que não corroboram esses interesses e motivos são particularmente dignos de confiança".&lt;/em&gt; Se elementos que não atendem ou mesmo conflitam com interesses e motivos dos cristão primitivos são mantidos na tradição, podemos inferir que a principal razão e que fossem suficientemente conhecidos para serem negados ou omitidos, e utilizados, por exemplo, por adversários dos cristãos, e dessa forma, tinham que ser explicados de alguma forma, mesmo que não fosse convincente. Como também já &lt;a href="http://adcummulus.blogspot.com/2010/08/os-criterios-do-constrangimento-e-da.html"&gt;observamos&lt;/a&gt; (citando o Professor &lt;a href="http://www.history.upenn.edu/faculty/lecturers.shtml"&gt;Murray G Murphy&lt;/a&gt;, da Universidade da Pensilvânia) :&lt;em&gt; "Em outras palavras, se uma narrativa relata um fato que vai contra a tendência do autor, haverá maiores razões para acreditar nele, uma vez que o viés do autor nos levaria a esperar sua omissão, a menos que sua ocorrência fosse tão bem conhecida que não pudesse ser excluída".&lt;/em&gt; Murphy esta utilizando justamente o exemplo do batismo de Jesus por João, um caso quase sempre citado de fato autenticado pelo criterio do constrangimento, como um belo exemplo do &lt;em&gt;"papel dos fatos nos relatos históricos", &lt;/em&gt;&lt;em&gt;"uma vez que o viés de todos esses escritores [os evangelistas] vai contra a inclusão do batismo, o fato de três deles o mencionarem, dois deles contra a vontade, depõe em favor da autenticidade do acontecimento em Marcos" [2]&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Goodman, em seu livro "Rome and Jerusalem: The Clash of Ancient Civilizations", utiliza um principio semelhante para avaliar a obra de Flávio Josefo &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;"To accept Josephus' often tendentious evaluation of the motives and characters of the Jews and Romans whose actions constitute his narrative would be rash, but to &lt;strong&gt;accept the details of his narrative, particularly when they contradict his own explanations of events, and so survive in the narrative only because they happened,&lt;/strong&gt; is reasonable.(&lt;/em&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;tradução&lt;/span&gt;) Aceitar as avaliaçãoes frequentemente tendenciosas de Josefo sobre os motivos e caráter dos judeus e romanos cujas ações são descritas em sua narrativa seria imprudente, &lt;strong&gt;mas aceitar os detalhes de sua narrativa, particularmente quando eles contradizem sua própria explicação dos eventos, e assim foram incorporados a seu relato simplesmente porque realmente aconteceram&lt;/strong&gt;, é razoavel [3&lt;/em&gt;&lt;em&gt;]&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;Por exemplo, o autor do Evangelho de Mateus, geralmente datado de 80-100 DC, apresenta Jesus comissionando seus discípulos (capítulo 10) &lt;em&gt;"as ovelhas perdidas da casa de Israel",&lt;/em&gt; os orienta a não irem as cidades dos samaratinos e dos gentios, e promete que, diante de obstáculos e perseguições, em que fugiriam de cidade em cidade, &lt;em&gt;"em verdade vos digo que não acabareis de percorrer as cidades de Israel antes que venha o Filho do homem" &lt;/em&gt;(Mt 10:23). Dificilmente este dito pode ter sido inventado pelo autor do evangelho; aquela altura, na segunda ou terceira geração de cristãos, a nova fé já tinha percorrido não só as cidades de Israel, quanto as da Síria, Asia Menor, Grécia e Roma, e a vinda do Reino de Deus não havia acontecido; o próprio Mateus afirma que Jesus ordenou que seus discipulos pregassem a todas as nações, (cf Mt 28:19). O mais provável, então, é que esse dito atribuido a Jesus já circulasse a muito tempo entre as comunidades cristãs e que sua inclusão nesse contexto se devesse a uma tentativa de explica-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo assim, Goodman observa que essa abordagem minimalista apresenta duas vulnerabilidades intrinsecas, que limitam nossa segurança quanto aos seus resultados. A primeira é que existem muitas coisas que não sabemos em relação aos cristãos do século I, então podem haver ensinos e feitos relatados nos evangelhos que atendem expectativas deses cristãos desconhecidas por nós, e assim podemos aceitar precipitadamente como dissimilares ou constrangedores elementos da tradição que não eram vistos desta forma pela primeira e segunda geração de cristãos. Pelo extremo oposto, o fato é que se considerarmos como fatos apenas aquilo que diferencia Jesus de seus seguidores, ou os constrange, estamos excluindo justamente os elementos que fizeram com que ele atraisse esses seguidores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No que se refere ao primeiro problema, se há muitas coisas que não sabemos sobre o cristianismo do 1º século e início do 2°, &lt;a href="http://www.earlychristianwritings.com/"&gt;o número de fontes ainda é significativo &lt;/a&gt;(a maior parte do Novo Testamento, e possivelmente o &lt;a href="http://www.earlychristianwritings.com/thomas.html"&gt;Evangelho de Tomé&lt;/a&gt;, o &lt;a href="http://www.earlychristianwritings.com/didache.html"&gt;Didaque&lt;/a&gt;, as cartas de &lt;a href="http://www.earlychristianwritings.com/barnabas.html"&gt;Barnabé&lt;/a&gt; e 1ª &lt;a href="http://www.earlychristianwritings.com/1clement.html"&gt;Clemente&lt;/a&gt;) de forma que temos um volume de informações significativo. E, de qualquer forma, sempre haverá lacunas em nosso conhecimento, por mais que ele aumente, e isso vale não só para o cristianismo primitivo, mas para qualquer outra área do conhecimento. Sempre haverá coisas que desconhecemos. Isso não impede de prosseguir com base no conhecimento presente, e revisar as conclusões a medida que ele aumenta. Quanto ao segundo problema, o princípio da diferença ou constrangimento nos permite isolar alguns fatos prováveis associados a Jesus, mas não deve ser tomado isoladamente como única ferramenta para avaliar os evangelhos. Ele deve ser complementado com outros críterios e metodos. Ainda, como observa Goodman, o efeito geral de aceitar como verdadeiros apenas os elementos da tradição que conflitam com a doutrina cristã posterior é fundamentalmente minimalista. Em outras palavras, são testes severos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Goodman, utilizando as premissas acima, apresenta seu próprio sumário do Jesus Histórico&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;"Jesus was a jew from Galilee who during the period when Pontius Pilate was governor of Judea gathered a considerable following of Jews&lt;/strong&gt;, first in his home region, then in Jerusalem. His disciples seem to have been peasant Galileans, but his activites aroused sufficient interest in Jerusalem to attract opposition from the ruling elite in Jerusalem, &lt;strong&gt;who then handed him over to Pilate for execution like a common criminal&lt;/strong&gt;. After his death, his followers believed that he was phisycally resurrected for a brief period before his ascent to heaven, and that he was the Messiah, a belief that he probably encouraged while he was alive. Specif teachings are more difficult to attribute to Jesus with any certainty. Those doctrines ascribed to him in the Gospels which cannot be paralleled in contemporary Judaism (and there are few) all coincide too closely with later Christian teachings for certainty that they are not a reflection of such later communities; but &lt;strong&gt;his unparalleled emphasis on the Kingdom of God (either in the present or the near future) reflect a distinctive intensity in his call to individual to repent&lt;/strong&gt; " &lt;/em&gt;&lt;em&gt;(&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;tradução&lt;/span&gt;)Jesus era um judeu da Galiléia que, durante o período em que Pôncio Pilatos era governador da Judéia, reuniu um considerável número de seguidores, primeiro em sua região de origem, em seguida, em Jerusalém. Seus discípulos parecem ter sido camponeses galileus, mas suas atividades despertaram interesse suficiente em Jerusalém, para atrair a oposição da elite governante, que em seguida entregou-o a Pilatos para execução como um criminoso comum. Após sua morte, seus seguidores acreditavam que ele era ressuscitou fisicamente por um breve período antes de sua ascensão ao céu, e que ele era o Messias, uma crença de que ele provavelmente encorajou enquanto estava vivo. Ensinamentos específicos são mais difíceis de atribuir a Jesus com segurança. As doutrinas atribuídas a ele nos Evangelhos, que não encontram paralelo no judaísmo contemporâneo (e são poucas) coincidem todas com os ensinamentos cristãos posteriores, para que possamos afastar totalmente a possibilidade que não são um reflexo de tais comunidades posteriores, no entanto, sua ênfase sem precedentes no Reino de Deus (ou no presente ou no futuro próximo) refletem uma intensidade particular em seu apelo aos indivíduos para se arrependerem "[4]&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;John P Meier&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-_W9MxwOMq14/Twb1b6UiuFI/AAAAAAAAAPA/TKvcfukabIk/s1600/220px-Representation_of_the_Sower%252527s_parable.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5694508638717261906" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 200px; HEIGHT: 150px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-_W9MxwOMq14/Twb1b6UiuFI/AAAAAAAAAPA/TKvcfukabIk/s200/220px-Representation_of_the_Sower%252527s_parable.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.mphp.org/resenhalivros/meier-john-p..-um-judeu-marginal.html"&gt;Jonh P Meier&lt;/a&gt; é &lt;a href="http://theology.nd.edu/people/all/meier-john/index.shtml"&gt;Professor&lt;/a&gt; de Novo Testamento e titular da William K. Warren Foundation Chair do Departamento de Teologia da Universidade de Notre-Dame, e padre católico. Sua obra acadêmica inclui numerosos artigos publicados e a monumental obra "Um Judeu Marginal, Repensando o Jesus Histórico", iniciada em 1991, ainda em curso, já em seu quarto volume.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meier, ele mesmo um sacerdote católico, inicia seu livro reconhecendo as dificuldades religiosas e ideológicas na pesquisa do Jesus Histórico. Ele explica sua proposta de trabalho utilizando a ilustração de um "Conclave sem Papa". Quatro historiadores - objetivos, honestos e com profundo conhecimento dos movimentos religiosos da Palestina do 1° Século - um católico, outro protestante, outro judeu, e um outro agnóstico, seriam trancados nos porões da Biblioteca da Harvard Divinity School, com objetivo de escrever um documento consensual sobre quem Jesus de Nazaré era e o que pretendia, sendo o principal requisito é que seriam utilizados unicamente fontes e argumentos históricos [5]. Com isso Meier se compromete a uma análise objetiva e crítica, utilizando a metodologia histórica disponivel, sobre as fontes de Jesus de Nazaré, visando reconstruir o "Jesus Histórico". Ao longo dos anos, o trabalho de Meier tem ganho aceitação e respeito de estudiosos de diferentes visões e concepções religiosas e filosoficas; entre os endossos de seus livros temos estudiosos judeus como o Rabino Prof. &lt;a href="http://www.jtsa.edu/x1338.xml?ID_NUM=100589"&gt;Burton L Visotsky&lt;/a&gt; (Jewish Theological Seminary), Prof. &lt;a href="http://www.nelc.fas.harvard.edu/icb/icb.do?keyword=k56744&amp;amp;panel=icb.pagecontent606276%3Ar%241%3Fname%3Dcohen.html&amp;amp;pageid=icb.page306619&amp;amp;pageContentId=icb.pagecontent606276&amp;amp;state=maximize"&gt;Shaye J D Cohen&lt;/a&gt; (Universidade de Harvard), e o Professor &lt;a href="http://home.yu.edu/faculty/new/default.aspx?id=lfeldman"&gt;Louis Feldman&lt;/a&gt; (Yeshiva University); bem como os católicos &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Joseph_Fitzmyer"&gt;Joseph Fitzmeier &lt;/a&gt;(Catholic University of America) e &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Daniel_J._Harrington"&gt;Daniel J Harrington&lt;/a&gt; (Boston College School of Theology), e protestantes como &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Paul_J._Achtemeier"&gt;Paul J. Achtemeier&lt;/a&gt; (Union Presbiteryan Seminary) [4].&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em seu primeiro livro, Meier apresenta seu método de trabalho, relacionado cinco critérios primários de historicidade: &lt;strong&gt;o critério do constrangimento&lt;/strong&gt;, o critério da discontinuidade ou diferença, &lt;strong&gt;o critério da múltipla atestação&lt;/strong&gt;, o &lt;strong&gt;critério da rejeição da execução de Jesus&lt;/strong&gt; (uma aplicação do critério do constrangimento voltada especificamente a crucificação de Jesus, o mais bem atestado fato de sua vida) e o &lt;strong&gt;critério da coerência&lt;/strong&gt; (os elementos conexos aos fatos já autenticados por outros critérios primários são provavelmente históricos). Meier considera outros quatro critérios secundários: o de traços de aramaico, ambientação no contexto palestino, vividez de narração, e tendências de desenvolvimento da tradição de sinótica. Por conveniência vamos considerar aqui o critério do constangimento (em conexão com o da rejeição a execução), e o da múltipla atestação, ambos em conjunto com o critério da coerência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meier escreve:&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"Considerando-se a natureza da história antiga em geral e a dos evangelhos em particular, os critérios de historicidade normalmente levarão a julgamentos que são apenas mais ou menos prováveis; raramente se chega a uma certeza. Com efeito, já que na Busca do Jesus Histórico quase tudo é possível, para o realmente provável, examinar as várias probabilidades e decidir qual das alternativas é a mais provável. Via de regra, os critérios não se propõem a mais que isso" [5]&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ponto colocado por Meier é importantíssimo. Os critérios de historicidade não são mágicos. Eles são expressões de principios de análise histórica, com algumas adaptações para a realidade específica do cristianismo primitivo. Na verdade aplicamos raciocício análogo quotidianamente para avaliar, julgar e decidir entre várias alternativas possíveis. Existem &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/An%C3%A1lise_de_cr%C3%A9dito"&gt;critérios&lt;/a&gt; para um Banco conceder empréstimos a seus clientes (como renda, histórico de relacionamento, estabilidade e variabilidade da renda, perfil do cliente, nível de endividamento), para investir dinheiro, para contratar funcionários, escolher um(a) namorada (o), apostar no "bolão" do campeonato brasileiro com seus amigos ... Em cada uma dessas atividades utilizamos critérios para avaliar e decidir entre alternativas possíveis, que possuem base objetiva na experiência comum, mas permitem, em alguns casos mais outros menos, elementos subjetivos. Tais critérios não são infalíveis ou totalmente seguros, por exemplo, os bancos fazem empréstimos para clientes que não conseguem pagar suas dívidas, investidores perdem dinheiro em aplicações consideradas seguras, um bom partido pode se transformar em um "traste e cafajeste" ou uma "dona encrenca", e o &lt;a href="http://globoesporte.globo.com/futebol/times/internacional/noticia/2011/12/o-pior-dos-dias-derrota-para-o-mazembe-completa-um-ano.html"&gt;Mazembe&lt;/a&gt; pode ganhar do Campeão da Libertadores da América e o &lt;a href="http://www1.folha.uol.com.br/esporte/1012742-barcelona-cai-ante-o-getafe-e-ve-real-mais-longe-no-espanhol.shtml"&gt;Barcelona perder para o Getafe&lt;/a&gt;. No entanto, na grande maioria dos casos, os acertos superam os erros, e a maioria dos clientes pagam as suas dívidas, os investidores recebem algum retorno por sua poupança, e os times grandes e mais fortes ganharão a maior parte dos jogos contra os menores e mais fracos tecnicamente. A lógica dos critérios de historicidade é parecida, os estudiosos podem errar em seus julgamentos, mas vão acertar também, e mais frequentemente. No entanto, em todos esses casos a precisão pode ser refinada e o processo sofisticado com modificação e substituição dos critérios existentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meier descreve o critério do constrangimento:&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;"O critério do "constrangimento" (segundo Schillebeckx) ou da "contradição" (segundo Meyer) enfoca os atos ou palavras de Jesus que poderiam ter constrangido ou criado dificuldades para a Igreja Primitiva&lt;/strong&gt;. O ponto essecial desse critério é que a Igreja em seus primórdios dificilmente teria se afastado de sua linha para criar material que pudesse constranger seu criadores e enfraquecer sua posição nas discussões com adversários. Ao contrário o material constrangedor seria suprimido ou atenuado nos estágios posteriores da tradição do evangelho; muitas vezes, a supressão ou a atenuação progressivas podem ser detectados ao longo dos quatro evangelhos"[6 ]&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dos exemplos clássicos de aplicação desse critério é o batismo de Jesus por João Batista. Meier continua:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"&lt;strong&gt;Um ótimo exemplo é o batismo de Jesus de Jesus, supostamente superior e sem pecado, por João Batista, considerado seu inferior, e que proclamava "um batismo de arrependimento para remissão de pecados".&lt;/strong&gt; Misterioso, lacônico e severo, Marcos relata o evento sem qualquer explicação teológica para o fato de o superior e virtuoso se submeter a batismo destinado a pecadores (Marcos 1:4-11). Mateus introduz um diálogo entre Batista e Jesus antes do batismo, o primeiro claramente confessa-se indigno de batismo, o primeiro claramente confessa-se indigno de batizar seu superior e só cede quando Jesus assim o ordena, para que se cumpra o plano de Salvação de Deus (Mateus 3:13-17, uma passagem marcada pela linguagem típica do evangelista). Lucas encontra uma solução surpreendente para o problema, ao falar da prisão de João batista por Herodes antes de narrar o batismo de Jesus; essa versão sequer menciona quem batizou Jesus (Lucas 3:19-22). João o inflexivel quarto evangelista, envolvida numa luta com os discípulos contemporâneos de Batista, que se recusaram a reconhecer Jesus como Messias, adota o expediente radical de suprimir inteiramente o evento do batismo de Jesus, que simplesmente não existe em seu evangelho. Tomamos conhecimento do testemunho do Pai e da descida do Espírito Santo sobre Jesus, porém não nos é dado saber qunado ocorre a Teofania (João 1:29-34). É bem possível que a Igreja de então, vendo-se "atrapalhada" com um acontecimento considerado cada vez mais embaraçoso, tivesse procurado atenua-lo de varias formas, até que o João evangelista finalmente o suprimiu de seu evenagelho. &lt;strong&gt;É bastante improvável que a Igreja tivesse se afastado de seu caminho para criar a "causa" de seu próprio constrangimento&lt;/strong&gt; [6]&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como já vimos acima,&lt;em&gt; &lt;/em&gt;em seu trabalho de historiografia, o Professor Murphy utiliza o batismo de João como exemplo do &lt;em&gt;papel dos fatos nos relatos históricos. &lt;/em&gt;Uma vez que os potenciais leitores do evangelho, cristãos ou não, na palestina e imediações sabiam que Jesus tinha sido batizado por João, e que era um fato conhecido que João batizava para remissão de pecados, e para eles Jesus não tinha pecado, os evangelistas não podiam se furtar de mencionar, e tentar explicar, esse fato perturbador. Nesse ponto, a análise do Padre e Professor Meier concorda perfeitamente com a do historiador ateu &lt;a href="http://www.nytimes.com/2004/10/25/obituaries/25grant.html?_r=1"&gt;Michael Grant&lt;/a&gt;, Professor das Universidades de Edinburgo, Cartum e Belfast.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"But the forgiveness of Jesus' own sins&lt;strong&gt;, when he was baptized by John,&lt;/strong&gt; has set the theologians of subsequent centuries a conundrum. &lt;strong&gt;For how could Jesus have been baptized for the forgiveness of his own sins when, according to the Christology which developed after his death, he was divine and therefore sinless?&lt;/strong&gt;The embarrassment caused by this dilemma is enough to refute modern denials that the Baptist ever baptized Jesus at all. &lt;strong&gt;For, once again, the evangelists would have been only too glad to omit this perplexing event; but they could not&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;(tradução&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;) &lt;em&gt;&lt;strong&gt;Mas o perdão dos pecados do próprio Jesus, quando ele foi batizado por João, gerou um dilema para os teólogos dos séculos subsequentes. Pois como poderia Jesus ter sido batizado para o perdão dos seus próprios pecados, quando, de acordo com a cristologia que se desenvolveu depois de sua morte, ele era divino e, portanto, sem pecado?&lt;/strong&gt; O embaraço causado por este dilema é suficiente para refutar tentativas modernas de negar que João Batista tenha batizado Jesus. &lt;strong&gt;Mais uma vez, os evangelistas gostariam muito de omitir este evento desconcertante, mas eles não podiam &lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;[7 ]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De fato, o Professor &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Alan_F._Segal"&gt;Alan Segal&lt;/a&gt;,do Barnard College (Universidade de Columbia), resume alguns dos fatos passíveis de autenticação pelo critério do constrangimento:&lt;br /&gt;&lt;em&gt;For all the rigor of the standard it sets, the criterion demonstrates that Jesus existed. Here are some facts in the Gospels that embarrassed the early church: &lt;strong&gt;Jesus was baptized by John&lt;/strong&gt; (a great theological problem). &lt;strong&gt;He preached the end of the world&lt;/strong&gt; (which did not come). &lt;strong&gt;He opposed the Temple in some way&lt;/strong&gt; (and this opposition led directly to his death). &lt;strong&gt;He was crucified&lt;/strong&gt; (a disreputable way to die). &lt;strong&gt;The inscription on the cross was "Jesus of Nazareth, King of the Jews"&lt;/strong&gt; (the church never preached this title for Jesus and shortly lost interest in converting Jews). &lt;strong&gt;No one actually saw him arise&lt;/strong&gt; (though evidently his disciples almost immediately felt that he had). &lt;strong&gt;Ironically, it's the embarrassing nature of these facts that assures us of their authenticity&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;strong&gt;.&lt;/strong&gt; (&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;tradução&lt;/span&gt;) &lt;em&gt;"Pelo grande rigor com que foi definido, o critério [do embaraçamento] demonstra que Jesus existiu. Aqui estão alguns fatos nos evangelhos que a igreja foram embaraçosos para a Igreja Primitiva: &lt;strong&gt;Jesus foi batizado por João &lt;/strong&gt;(um grande problema teológico). &lt;strong&gt;Ele pregou o fim do mundo&lt;/strong&gt; (que não veio). &lt;strong&gt;Ele se opôs ao Templo de alguma forma&lt;/strong&gt; (e esta oposição o levou diretamente para a morte). &lt;strong&gt;Ele foi crucificado&lt;/strong&gt; (uma maneira desonrosa de morrer). &lt;strong&gt;A inscrição na cruz "Jesus de Nazaré, Rei dos Judeus"&lt;/strong&gt; (a Igreja nunca pregou este título para Jesus e logo perdeu o interesse em converter judeus). &lt;strong&gt;Ninguém, de fato, viu quando ele ressuscitou&lt;/strong&gt; (embora, evidentemente, seus discípulos, quase que imediatamente perceberam que ele estava&lt;/em&gt; &lt;em&gt;vivo). Ironicamente, é a natureza embaraçosa desses fatos que nos garante que são autenticos&lt;/em&gt; .[8]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro dos critérios primários para Meier é o da Multipla Atestação ou Confirmação:&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"&lt;strong&gt;O critério da múltipla confirmação (ou "corte transversal") dirige seu foco sobre as palavras de Jesus que são atestadas em mais de uma fonte literária independente (por exemplo: Marcos, Q, Paulo, João) e/ou em mais de um gênero ou forma literária (por exemplo: parábolas, historias de debates, história de milagres, profecia, aforismo)&lt;/strong&gt;. A força desse critério aumenta quando um determinado motivo ou tema é encontrado tanto em diferentes fontes literárias quanto em diferentes formas literárias.&lt;/em&gt; [9]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E dá um exemplo clássico de fato autenticado por esse critério:&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;''Uma das razões pelas quais os críticos afirmam sem vacilar que Jesus de alguma forma realmente falou no Reino de Deus (ou Reino dos Céus)&lt;/strong&gt; é que a frase aparece em Marcos, em Q, na tradição especial de Mateus, na tradição especial de Lucas e João, com ecos em Paulo, apesar do "Reino de Deus" não ser a forma preferida de expressão desse último. Ao mesmo tempo a frase é encontrada em diversos gêneros literários (beatitudes, preces, aforismos, história de milagres). Dada a grande quantidade de testemunhos em diferentes fontes e gêneros, vindo principalmente da primeira geração de cristãos, fica bastante díficil alegar que tal material é apenas uma criação da Igreja [9]&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meier cita também o trabalho do Professor Harvey K McArthur, que sumarizou vários elementos da tradição evangélica autenticados por esse critério:&lt;br /&gt;"&lt;strong&gt;&lt;em&gt;McArthur (The burden of proof, 118)&lt;/em&gt; &lt;/strong&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;afirma que os seguintes motivos são testemunhados por todas as quatro correntes de tradição sinótica (ou seja, Marcos, Q, M e L): A proclamação do Reino de Deus por Jesus, a presença de discípulos a seu redor, ligação com João Batista, uso de parábolas&lt;/strong&gt;, preocupação com os proscritos, em especial coletores de impostos e pecadores, uma ética radical, ênfase sobre o mandamento do amor, o apelo para que os discipulos praticarem o perdão, choque com seus contemporâneos quanto a observância do sábado, palavras sobre o Filho do Homem e o vocábulo hebraico amém para introduzir as palavras de Jesus [ 10]&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;&lt;strong&gt;Jona Lendering &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-rojnetwldCY/TwMWEVPmM2I/AAAAAAAAAOc/Lg58Fe30pOI/s1600/300px-Prodigalsonguercino.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5693418617604289378" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 162px; HEIGHT: 200px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-rojnetwldCY/TwMWEVPmM2I/AAAAAAAAAOc/Lg58Fe30pOI/s200/300px-Prodigalsonguercino.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Professor &lt;a href="http://www.livius.org/about.html"&gt;Jona Lendering &lt;/a&gt;é um historiador holandês e um dos fundadores da &lt;a href="http://www.livius.nl/"&gt;Livius Onderwijs&lt;/a&gt;, uma associação de professores voltados para a historia antiga, sediada em Amsterdã, que promove cursos e palestras sobre a Antiguidade Clássica. Lendering se graduou nas Universidades de Leiden e Livre de Amsterdã, e nesta última lecionou Teoria da História e História Antiga por vários anos. Professor Lendering é também o mantenedor do site &lt;em&gt;&lt;a href="http://www.livius.org/"&gt;Livius&lt;/a&gt;,&lt;/em&gt; que eu recomendo como um dos mais completo do assunto disponíveis na Web, uma excelente fonte sobre a Antiquidade, e uma verdadeira enciclopedia online sobre pessoas, lugares e conceitos das principais civilizações da Antiguidade como greco-romana, persa, judaica, egípcia entre outras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em vários artigos, Lendering abordou o fenômeno do &lt;a href="http://www.livius.org/men-mh/messiah/messiah00.html#overview"&gt;messianismo&lt;/a&gt; entre os judeus da Antiguidade, bem como os vários &lt;a href="http://www.livius.org/men-mh/messiah/messianic_claimants00.html"&gt;pretendentes messiânicos&lt;/a&gt; ao longo do período. Lendering analisa então Jesus de Nazaré, bem como outros pretendentes messiânicos do período como &lt;a href="http://www.livius.org/men-mh/messiah/messianic_claimants04.html"&gt;Judas Galileu&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://www.livius.org/men-mh/messiah/messianic_claimants03.html"&gt;Atronges&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://www.livius.org/men-mh/messiah/messianic_claimants02.html"&gt;Simão de Peréia&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://www.livius.org/men-mh/messiah/messianic_claimants08.html"&gt;Teudas&lt;/a&gt;, e o &lt;a href="http://www.livius.org/men-mh/messiah/messianic_claimants09.html"&gt;Profeta Egípcio&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao abordar &lt;a href="http://www.livius.org/men-mh/messiah/messianic_claimants05.html"&gt;Jesus de Nazaré&lt;/a&gt;, e as fontes evangélicas, Lendering observa:&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"To solve this problem, &lt;strong&gt;we must find out which elements in the gospels are early Christian elaborations and which elements are historically accurate. The second problem is therefore how we separate the authentic from the inauthentic&lt;/strong&gt;. As we will see below, there are very strong indications that Jesus was considered the Messiah before he died. The third and most important question is in what sense he was called the Messiah - as a &lt;a href="http://www.livius.org/men-mh/messiah/messiah_07.html#Military_leader"&gt;military leader&lt;/a&gt;? as a &lt;a href="http://www.livius.org/men-mh/messiah/messiah_10.html#Moseslike"&gt;Moses-like teacher&lt;/a&gt;? &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Scholars usually solve the second question by invoking 'criteria of authenticity', such as embarrassment&lt;/strong&gt; (some things are too embarrassing for Christians to be invented) and &lt;strong&gt;multiple attestation&lt;/strong&gt; (when independent sources tell the same, it is likely to be authentic). Using criteria like these, we may conclude that many stories about Jesus are late fabrications&lt;/em&gt;."&lt;br /&gt;(&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;tradução&lt;/span&gt;) &lt;em&gt;&lt;strong&gt;Para resolver este problema, temos de descobrir quais os elementos nos evangelhos são elaborações dos primeiros cristãos e quais elementos são historicamente exatos&lt;/strong&gt;. &lt;strong&gt;O segundo problema é, portanto, como nós separamos o autêntico do inautêntico&lt;/strong&gt;. Como veremos abaixo, há indícios muito fortes de que Jesus era considerado o Messias antes de morrer. A terceira questão e mais importante é em que sentido ele foi chamado o Messias - como um líder militar? Um mestre como Moisés ? &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Estudiosos costumam resolver a segunda questão, invocando "critérios de autenticidade, tais como constrangimento&lt;/strong&gt; (algumas coisas são muito embaraçosas para os cristãos para terem sido inventadas) e &lt;strong&gt;atestação múltipla&lt;/strong&gt; (quando fontes independentes dizem o mesmo, é provável que seja autêntica). Usando critérios como estes, podemos concluir que muitas histórias sobre Jesus são fabricações tardias.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lendering apresenta então sua análise em relação as tradições autênticas contidas nos evangelhos. Ele passa então a utilizar os critérios de historicidade. (É interessante, como já observamos em outro &lt;a href="http://adcummulus.blogspot.com/2010/09/os-criterios-do-constrangimento-e-da_14.html"&gt;post&lt;/a&gt;, que Lendering utiliza metodologia similar para analisar as fontes sobre &lt;a href="http://adcummulus.blogspot.com/2010/09/os-criterios-do-constrangimento-e-da_14.html"&gt;Apolonio de Tiana&lt;/a&gt;).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;The following stories from the gospels, however, can stand the test of literary criticism, and prove that Jesus was seen as the Messiah&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.livius.org/pi-pm/pilate/pilate01.htm"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Pontius Pilate&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt; condemned Jesus to the cross as king of the Jews&lt;/strong&gt; (multiple attestation; embarrassment). The word 'king', which may be a translation of the messianic title &lt;/em&gt;&lt;a href="http://www.livius.org/men-mh/messiah/messiah_13.html#49.8-12"&gt;&lt;em&gt;Nasi&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt;, can be used as a synonym for 'Messiah', as we can observe in the quote from Matthew above. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Too many messianic titles are applied to Jesus to be incidental&lt;/strong&gt;. &lt;/em&gt;&lt;em&gt;In several contexts, he is called &lt;/em&gt;&lt;a href="http://www.livius.org/men-mh/messiah/messiah_12.html#David"&gt;&lt;em&gt;son of David&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt;, &lt;/em&gt;&lt;a href="http://www.livius.org/men-mh/messiah/messiah_12.html#man"&gt;&lt;em&gt;son of man&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt;, and &lt;/em&gt;&lt;a href="http://www.livius.org/men-mh/messiah/messiah_13.html#Prince"&gt;&lt;em&gt;king&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt;. Jesus was -in a way- anointed at Bethany (multiple attestation: Mark 14.3-9 and John 12.1-9). Elements of Jesus behavior are in line with what was expected from the Messiah: he explained the Law of Moses (multiple attestation) and was able to cast out demons (multiple attestation, in one case embarrassment). Jesus wanted to restore Israel - the Messiah's core activity.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;He did not want his disciples to go to the pagans, but urged them to look 'for the lost sheep of the house of Israel'&lt;/strong&gt; (Matthew 10.5 and 18.11-14). This is in marked contrast with the first Christians' missionary activity among the pagans and cannot be invented.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Jesus regarded his own ministry as the inauguration of the 'kingdom of God'&lt;/strong&gt; (several stories, all attested in several sources; to a certain extent, these stories are embarrassing, because God did not intervene in human history)&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Jesus wanted to purify the Temple&lt;/strong&gt; (multiple attestation; embarrassment), which the Messiah was expected to do. The two most important stories are Jesus' triumphal entry in Jerusalem (Mark 11.4-11; John 12.12-16) and his attempt to cleanse the sanctuary (Mark 11.15-18 and John 2.13-22). The fact that John places this story as far away from the crucifixion as possible, indicates embarrassment. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;(tradução&lt;/span&gt;) &lt;em&gt;&lt;strong&gt;As seguintes histórias dos evangelhos, entretanto, resistem aos teste da crítica textual, e demonstram que Jesus era visto como o Messias&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Pôncio Pilatos condenou Jesus à cruz como rei dos judeus&lt;/strong&gt; (múltipla atestação; constrangimento). Rei é uma tradução possível do título messiânico Nasi, que por sua vez pode ser usado como sinônimo de "Messias", como podemos observar na citação de Mateus acima. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Muitos títulos messiânicos são aplicadas a Jesus para serem mera coincidência&lt;/strong&gt;. Em vários contextos, ele é chamado de filho de David, filho do homem, e rei. Jesus foi ungido em um caminho de Betânia (múltiplo atestado: Mark 14,3-9 e 12,1-9 John). Elementos do comportamento de Jesus estão em linha com o que se esperava o Messias: ele explicou a Lei de Moisés (atestação múltipla) e foi capaz de expulsar os demônios (atestação múltipla, e, em um dos casos, constrangimento). Jesus queria restaurar Israel - a atividade principal do Messias. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Ele não queria que seus discípulos para ir para os pagãos, mas exortou-os a olhar "para as ovelhas perdidas da casa de Israel"&lt;/strong&gt; (Mateus 10,5 e 18,11-14). Isto está em contraste marcado com a atividade os primeiros cristãos "missionário entre os pagãos e não pode ser inventado. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Jesus considerava o seu próprio ministério como a inauguração do "reino de Deus&lt;/strong&gt;" (várias histórias, todas atestadas em várias fontes; até certo ponto, essas histórias são constrangedoras, pois Deus não interveio na história humana). &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Jesus queria purificar o Templo&lt;/strong&gt; (múltipla atestação; constrangimento), que o Messias era esperado para fazer. As duas histórias mais importantes são a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém (Mc 11,4-11; João 12,12-16) e sua tentativa de purificar o santuário (Marcos 11,15-18 e João 2,13-22). O fato de que João coloca essa história o mais longe possível a crucificação, indica constrangimento. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Como o leitor pode observar, Lendering opta, em geral, pelos elementos autenticados por ambos os critérios. De fato, comparando os elementos da tradição autenticados pelo critério do constrangimento, com os múltiplamente atestados, temos que Jesus estava associado a João Batista no início de seu ministério, que após a morte desse, passou a pregar a vinda iminente do Reino de Deus, que realizou exorcismo e recebeu títulos associados ao Messias, que em uma visita a Jerusalém, se opôs a (condução dos negócios no) Templo e as suas autoridades, e em seguida, foi preso e crucificado por Poncio Pilatos, que considerou a associação ao Messias como alta traição, ou tentativa de ser proclamado Rei dos Judeus. É um esboço de biografia, da associação de vários elementos plausíveis e, que, em conjunto formam uma narrativa coerente e verossimilar.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Um exemplo de como os criterios podem interagir de forma produtiva em vários casos. Por exemplo, em Marcos temos:&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;"Nós o ouvimos dizer: Eu destruirei este santuário, construído por mãos de homens, e em três dias edificarei outro, não feito por mãos de homens (Mc 14:58)&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Esse dito é lembrado pelos acusadores de Jesus em seu julgamento, que teriam deposto falsamente, Mateus 26:61 relata dito semelhante, com duas testemunhas concordando. Lucas, que também depende da narrativa da paixão de Marcos, não menciona essa acusação, mas ela reapareçe em Atos, contra Estevão, &lt;em&gt;"Jesus, o nazareno, há de destruir este lugar [o Templo] e mudar os costumes que Moisés nos transmitiu"&lt;/em&gt; (Atos 6:14). Os evangelistas parecem incomodados com o dito, embora registrem uma profecia de Jesus de destruição do Templo&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;E, saindo ele do templo, disse-lhe um dos seus discípulos: Mestre, olha que pedras, e que edifícios! E, respondendo Jesus, disse-lhe: Vês estes grandes edifícios? Não ficará pedra sobre pedra que não seja derrubada&lt;/em&gt;. (Marcos 13:1-2).&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Marcos (e Mateus) relatam a predição de Jesus como profecia (algo que Jeremias também fez, cf Jr 7), e não como uma ameaça. Uma acusação de que Jesus teria ameaçado destruir o Templo, o faria parecer como um revolucionário perigoso, aos olhos de judeus e romanos. O Templo de Jerusalém era um dos maiores santuários do Império. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Nesse ponto da narrativa, pela teoria das duas fontes, Mateus e Lucas são dependentes de Marcos. No entanto, em outra corrente de tradição, o Evangelho de João, temos Jesus dizendo:&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;"Jesus respondeu, e disse-lhes: Derribai este templo, e em três dias o levantarei"&lt;/em&gt; (João 2:19)&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;João observa prontamente que o "Templo" a qual Jesus se refere é seu próprio corpo (v. 21), e que seus discípulos entenderam isso após a ressureição (v. 22). Mas os oponentes de Jesus não tiveram esse esclarecimento, e um dito como esse poderia ser facilmente utilizado contra Jesus. No entanto, o &lt;a href="http://www.gnosis.org/naghamm/gthlamb.html"&gt;evangelho de Tomé &lt;/a&gt;também registra uma versão desse dito &lt;em&gt;"Eu destruirei esta casa, e ninguém poderá reconstrui-la"&lt;/em&gt; (dito 71).&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Ou seja, o dito é &lt;strong&gt;multiplamente atestado&lt;/strong&gt; (Marcos e João, e possivelmente Tomé), os evangelistas demonstram certo &lt;strong&gt;constrangimento&lt;/strong&gt; com o dito, Marcos afirma que os adversários inventaram/distorceram o que Jesus havia dito, João espiritualiza o seu significado, e Lucas simplesmente omite essa acusação do julgamento de Jesus.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Professor &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/David_Flusser"&gt;David Flusser&lt;/a&gt;, da Universidade Hebraica, observa que os 3 dias poderiam não estar na forma original do dito, mas sim relacionados a ressureição de Jesus [12]. Em todo caso, Flusser chama atenção para uma profecia que era interpretada como relacionada a vinda do Messias:&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;"Assim diz o SENHOR dos Exércitos: Eis aqui o homem cujo nome é RENOVO; ele brotará do seu lugar, e edificará o templo do SENHOR." (Zc 6:12).&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Também os manuscritos do Mar Morto, no rolo do Templo, descrevem uma esperança de reconstrução do Templo na era messiânica, que não seria feito por mãos humanas, mas pelo próprio Deus:&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;"E Eu consagrarei meu [T]emplo por minha glória, (o Templo) o qual estabelecerei minha glória, até o dia de (uma nova) criação, quando criarei Meu Templo e o estabelecerei para Mim, para todo o sempre, de acordo com o pacto que fiz com Jacó em Betel (Rolo do Templo 29:9-10)"&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Em suma, em alguns círculos, se esperava que a vinda do Messias implica-se na substituição do Templo feito pelas mãos humanas, por outro construido e consagrado pelo próprio Deus. No contexto judaico, um afirmação desse porte implicava no reconhecimento da chegada iminente do Reino de Deus e de seu ungido, justificando a reação de parte da aristocracia judaica, uma vez que especulações como essa facilmente poderiam se converter em rebelião contra a ordem estabelecida e o domínio romano. Caífas teria todos os motivos para ficar alarmado, e não admira a pergunta seguinte "És tu o Cristo?". E, se uma das concepções, e provavelmente, a mais popular, era que o Cristo restabeleceria o Reino de Davi, a acusação de &lt;em&gt;"majestas" &lt;/em&gt;fica ainda mais pálpavel, explicando porque alguns dos principais sacerdotes (cujo o poder dependia de sua associação com Roma) tenham decidido se livrar de Jesus. (Devemos observar que o dito faz total sentido no contexto palestino antes da queda do Templo, mas totalmente deslocado entre cristãos depois de 70 DC; para compreende-lo eles espiritualizam seu sentido, como João faz). &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;"As palavras e as ações de Jesus em Jerusalém precipitaram a catástrofe. O sacerdócio saduceu, desprezado por todos, encontrou seu único apoio no Templo. Este profeta da Galiléia, diante da multidão reunida para a festa, havia não só previsto a destruição do santuário, mas o término da casta sacerdotal. Ademais, explorando os sentimentos amargos sobre o comércio que ali tinha lugar, desferiu um golpe doloroso contra as autoridades. As mesmas, trinta anos mais tarde, entregarão aos romanos Josué, filho de Ananias, por também profetizar a ruína do Templo. Os romanos protegiam com diligência todos os santuários religiosos do Império. Assumiam igualmente a tarefa de proteger o sumo sacerdote de agitadores inoportunos." [12]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:130%;"&gt;André Chevitarese&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-oe0Whj6oNLs/Twrhy05MicI/AAAAAAAAAPM/d9s0OJot6cQ/s1600/170px-Cristo_crucificado.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5695612942071663042" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 134px; HEIGHT: 200px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-oe0Whj6oNLs/Twrhy05MicI/AAAAAAAAAPM/d9s0OJot6cQ/s200/170px-Cristo_crucificado.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.andrechevitarese.com/autor.html"&gt;André Leonardo Chevitarese &lt;/a&gt;é Professor de História Antiga, do Departamento de História, do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). É um principais expontes da pesquisa do cristianismo primitvo no Brasil, coordenando o Grupo de Pesquisas do &lt;a href="http://dgp.cnpq.br/buscaoperacional/detalhegrupo.jsp?grupo=0202705S2ENV41"&gt;Jesus Histórico e sua Recepção&lt;/a&gt;, a &lt;a href="http://www.andrechevitarese.com/revistajesushistorico/index.html"&gt;Revista Jesus Histórico&lt;/a&gt;, e editando várias publicações importantes na área, como &lt;em&gt;"Judaísmo, cristianismo e helenismo: ensaios acerca das interações culturais no Mediterrâneo Antigo", "Jesus de Nazaré, uma Outra História" e "Cristianismos: Questões e Debates Metodológicos",&lt;/em&gt; que reunem contribuições de vários pesquisadores nacionais sobre o cristianismo primitivo, judaísmo do segundo templo e história romana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em seu artigo&lt;em&gt; "Da traição é morte de Jesus de Nazaré: Em torno de Judas Iscariotes", &lt;/em&gt;publicado no livro &lt;em&gt;"Jesus de Nazaré, uma Outra História",&lt;/em&gt; Chevitarese analisa as narrativas cristãs da traição de Judas Iscariotes, utilizando os critérios do constrangimento e múltipla atestação, com vistas a identificar um eventual núcleo histórico:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"&lt;em&gt;O objetivo deste capítulo é discutir uma importante questão em torno da crucificação e da morte de Jesus de Nazaré; &lt;strong&gt;a traição de Judas pode ser assumida como fato histórico?&lt;/strong&gt; [13]&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chevitarese considera então as fontes, que se resumem unicamente as narrativas cristãs. Pode o historiador utiliza-las? E se a resposta for positiva, como?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;"Dependemos exclusivamente do material cristão para responder a esta questão&lt;/strong&gt; (...) &lt;/em&gt;&lt;em&gt;Na sua monumental obra, que ainda esta em curso, sobre o Jesus histórico, John Meier (2003:155) elencou uma série de procedimentos metodológicos, entre os quais nos interessam aqui dois deles, &lt;strong&gt;os critérios do constrangimento e da múltipla confirmação&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Podemos analisar, &lt;strong&gt;partindo desses dois critérios metodológicos, o material que foi apresentado na primeira parte desse capítulo&lt;/strong&gt;, o qual pode ser sistematizado em três pontos: [14]&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os três pontos listados por Chevitarese são: &lt;em&gt;"Jesus escolheu pessoalmente o grupo dos doze apóstolos", "o agente ativo, responsável pelo ato de traição de Jesus", "A morte de Judas".[14]&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Chevitarese&lt;em&gt; &lt;/em&gt;destaca os motivos pelo qual Judas foi incluido na tradição.&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"&lt;strong&gt;Admitindo que a traição de Judas&lt;/strong&gt; - por estar diretamente conectada com os desdobramentos que levaram a crucificação e a morte de Jesus - &lt;strong&gt;fosse um fato amplamente conhecido entre cristãos e não aderentes do cristianismo&lt;/strong&gt; (como por exemplo: seguidores de João, cognominado de Batista, e demais judeus) era de se esperar que ele &lt;strong&gt;fosse utilizado&lt;/strong&gt; pelo último grupo &lt;strong&gt;como uma importante "arma" discursiva&lt;/strong&gt; nos ataques contra os primeiros [14]&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como já destacamos acima, o pesquisador, ao se deparar com um elemento supostamente constrangedor, deve sempre considerar que ele foi incluido por um motivo. Uma possibilidade é o que consideramos embaraçoso hoje não o fosse para os cristãos primitivos, ou para o grupo específico para qual o texto foi direcionado. A outra, é que determinados eventos da Vida de Jesus, como o batismo por João Batista, a crucificação sob acusação de alta traição, as predições sobre a vinda da Reino de Deus que, aparentemente, não haviam se concretizado, fossem de conhecimento de grupos rivais, potenciais conversos e, claro, dos já convertidos, e estivessem sendo usados como arma de debate, e de invalidação das reinvindicações cristãs. Logo, esses detalhes precisam, de alguma forma, ser explicados, uma vez que são de conhecimento público, não podendo ser ignorados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Corroborando com este argumento, convém observar que Celso (Orígenes, Contra Celso 2:11) no século II, lançar mão deste fato para criticar a origem divina de Jesus. Para um aprofundamento desses usos pelos grupos rivais religiosos, ver Chevitarese, 2004 [15]&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Ou seja, o ponto do professor Chevitarese é que, sob um certo aspecto, os evangelhos são uma obra de "propaganda". Eles reinvidicam não só a apresentação de um testemunho verdadeiro, mas são declaradamente compostos com o objetivo de demonstrar que Jesus é o Messias, e o Filho de Deus. Nesse intuito, primeiramente eles apresentam elementos positivos, ensinos e feitos de Jesus que são comparados ou moldados de forma a serem demonstrados como prova de que as Escrituras se cumpriram. No entanto, os cristãos desde cedo enfrentaram "contra-propaganda" negativa, e seus escritores se preparam para responder isso. Então, adversários do cristianismo poderiam certamente dizer, "Como pode Jesus, sendo o Messias, e o Filho de Deus, escolher para seu circulo mais íntimo, entre aqueles que conviviam mais próximo, o seu próprio traidor?". Uma analogia seria com seguidores de um lider político com problemas com um antigo auxiliar, que tem rebater a utilização disso por seus adversários.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"O &lt;strong&gt;fato do tema fazer parte das narrativas evangélicas pode ser explicado, menos por uma tradição histórica que valesse a pena ser recuperada pelas comunidades cristãs, e mais por uma necessidade de contra-argumentar os dircusrsos produzidos pelos não-aderentes ao cristianismo, principalmente, mas não exclusivamente, de alguns setores do judaísmo&lt;/strong&gt; (...). [16]&lt;br /&gt;"&lt;strong&gt;Ao reconhecer como histórico o tema da traição de Judas, não estamos considerando aqui todos os detalhes contidos nesta narrativa&lt;/strong&gt;, estamos também admitindo como histórica a tradição relacionada aos doze apóstolos. &lt;strong&gt;Muito mais do que ser pensada como uma 'invenção" posterior das comunidades cristãs, a sua existência tem bases para ser associada a Jesus. Os dois critérios metodológicos apontados acima - do constrangimento e múltipla confirmãção - se constituem em elementos chaves para tal admissão.&lt;/strong&gt; É justamente ai que reside o foco central da críticafeita pelos grupos não aderentes ao cristianismo: &lt;strong&gt;Como pode ser admitido que Jesus de Nazaré seja o Cristo, se não foi capaz de saber que um dos seus apóstolos o trairia?&lt;/strong&gt; Mas, se ele convenceu tantos judeus no seu próprio tempo histórico, acerca de seu caminho, como não foi capaz de convencer aquele que estava todos os dias com ele?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Em suma, há fortes elementos no material cristão para sugerir como real e histórica a narrativa de traição de Jesus por Judas.[16]&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Referências Bibliográficas&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;[1]&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;Martin Goodman e Jane Sherwood (2002), &lt;em&gt;The Roman world, 44 BC-AD 180&lt;/em&gt;, fls. 317-318&lt;br /&gt;[2] Murray G Murphy (2009), &lt;em&gt;Truth and History&lt;/em&gt;, fl. 87-88&lt;br /&gt;[3] Martin Goodman (2007), &lt;em&gt;Rome and Jerusalem: The Clash of Ancient Civilizations&lt;/em&gt;, fl. 6&lt;br /&gt;[4] Martin Goodman e Jane Sherwood (2002), The Roman world, 44 BC-AD 180, fls. 318&lt;br /&gt;[5] John P Meier (1991) &lt;em&gt;Um Judeu Marginal: Repensando o Jesus Histórico&lt;/em&gt;, Vol. 1, fl. 1&lt;br /&gt;[6] John P Meier (1991) &lt;em&gt;Um Judeu Marginal: Repensando o Jesus Histórico&lt;/em&gt;, Vol. 1, fl. 170-171&lt;br /&gt;[7] Michael Grant (1979), &lt;em&gt;An Historian's Review of the Gospels&lt;/em&gt;, fl. 49&lt;br /&gt;[8] Alan F. Seagal (2005), &lt;em&gt;Jesus and the Gospels-What Really Happened - [1]: Believe only the Embarrassing&lt;/em&gt;, Slate, 21.12.2005 &lt;a href="http://www.slate.com/id/2132974/entry/2132989/"&gt;http://www.slate.com/id/2132974/entry/2132989/&lt;/a&gt;, acessado em 06.01.2012&lt;br /&gt;[9] John P Meier (1991), &lt;em&gt;Um Judeu Marginal .... Volume 1&lt;/em&gt; , fl. 177&lt;br /&gt;[10] John P Meier (1991), &lt;em&gt;Um Judeu Marginal ....&lt;/em&gt;, Volume 1 , fl. 191, nota 31&lt;br /&gt;[11] Jona Lendering, &lt;em&gt;Messianic claimants (6) Jesus of Nazareth (30 CE), &lt;/em&gt;em &lt;a href="http://www.livius.org/men-mh/messiah/messianic_claimants05.html"&gt;http://www.livius.org/men-mh/messiah/messianic_claimants05.html&lt;/a&gt;, acessado em 09.01.2012 [12] David Flusser (1997), Jesus, fl. 111-112&lt;br /&gt;[13] Ancré L Chevitarese (2006) &lt;em&gt;"Da traição é morte de Jesus de Nazaré: Em torno de Judas Iscariotes" &lt;strong&gt;In&lt;/strong&gt; &lt;/em&gt;Andre L Chevitarese, Gabrieli Corneli e Monica Selvatici (2006), Jesus de Nazaré, Uma Outra História, fl. 121&lt;br /&gt;[14] Chevitarese, Corneli e Selvatici (2006), fl. 125-127&lt;br /&gt;[15] Chevitarese, Corneli e Selvatici (2006) fl 127, nota 9&lt;br /&gt;[16] Chevitarese, Corneli e Selvatici (2006) fl. 129&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16935532-8110613094285775640?l=adcummulus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://adcummulus.blogspot.com/feeds/8110613094285775640/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16935532&amp;postID=8110613094285775640&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16935532/posts/default/8110613094285775640'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16935532/posts/default/8110613094285775640'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://adcummulus.blogspot.com/2012/01/quem-eles-dizem-que-eu-sou-os.html' title='Quem Eles Dizem Que Eu Sou - Os Historiadores, Jesus e os Evangelhos - Parte III - Critérios e Julgamentos'/><author><name>Nehemias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05093459549722450363</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-J-HTDHxYecc/TwWh_FMlNlI/AAAAAAAAAO0/J9dYSVIcK5Q/s72-c/180px-Dura-europos-paralytic.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16935532.post-3839372210062671713</id><published>2011-12-28T11:40:00.001-02:00</published><updated>2012-01-02T16:51:51.393-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Série quem eles dizem eu sou?'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cristologia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Jesus Histórico'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cristianismo Primitivo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='critérios históricos'/><title type='text'>Quem Eles Dizem Que Eu Sou? Os Historiadores e Jesus Parte II: Tradição, Narrativa e História</title><content type='html'>Continuado nossa &lt;a href="http://adcummulus.blogspot.com/2011/10/quem-eles-dizem-que-eu-sou-os.html"&gt;série&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;a) David Flusser &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-6YCqpPpUHT8/Tr0m-m3xbcI/AAAAAAAAANs/qgE7ur3br9A/s1600/170px-Jesus-Christ-from-Hagia-Sophia.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5673733962584911298" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 170px; HEIGHT: 195px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-6YCqpPpUHT8/Tr0m-m3xbcI/AAAAAAAAANs/qgE7ur3br9A/s200/170px-Jesus-Christ-from-Hagia-Sophia.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/David_Flusser"&gt;David Flusser &lt;/a&gt;(1917-2000) foi Professor de Judaismo do Segundo Templo e Cristianismo Antigo do &lt;a href="http://religions.huji.ac.il/"&gt;Departamento de Religiões Comparadas&lt;/a&gt; da &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Hebrew_University_of_Jerusalem"&gt;Universidade Hebraica de Jerusalém&lt;/a&gt;. Flusser era membro da &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Israel_Academy_of_Sciences_and_Humanities"&gt;Academia Israelense de Ciências e Humanidades&lt;/a&gt;, e recebeu o &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Israel_Prize"&gt;Israel Prize &lt;/a&gt;em 1980, por sua contribuição ao estudo da História Judaica. Flusser nasceu em Viena (Austria), mas foi criado na atual República Tcheca. Com a crescente ameaça do nazismo, ele emigrou para Israel em 1939, onde continuou sua carreira acadêmica. Seu interesse pelo estudo do cristianismo e da figura de Jesus surgiu com sua amizade com cristãos menonitas na República Tcheca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um de seus principais livros foi o Livro Jesus (1965), escrito em alemão, ampliado e revisado em 1998, em uma nova edição, agora em Inglês, "Jesus, The Sage from Galilee". Flusser, que era adepto do judaismo ortodoxo, dedicou seu livro a seus "amigos menonitas". Em sua prefácio da versão revisada, Flusser faz considerações em relação a seu método de trabalho:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"A edição alemã de meu livro foi muito bem recebida na Europa, encontrando somente tênue oposição por parte de alguns círculos cristãos extremamente conservadores. Seus pares americanos devem compreender que, em virtude da minha origem judaica, não posso ser mais cristão que a maioria dos crentes em Jesus. &lt;strong&gt;Minha interpretação dos evangelhos, porém é mais conservadora que a de muitos estudiosos do Novo Testamento na atualiadade. Atribuo minha abordagem conservadora a minha formação, que não foi de um teólogo, seja ele judeu ou cristão mais de um classicista. Meu método fundamenta-se nas disciplinas de estudos clássicos, cujo interesse são os textos gregos e latinos&lt;/strong&gt;. &lt;strong&gt;Estou confiante que os três primeiros evangelhos refletem, fidedignamente, o Jesus Histórico&lt;/strong&gt;. Além disso não gosto da dicotomia feita entre o "Jesus Histórico" e o "Cristo Querigmático". [1]&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez alguns dos leitores, e certamente muitos estudiosos, tenham ficado chocados com a afirmação de Flusser, de que os evangelhos sinóticos &lt;em&gt;"refletem fidedignamente o Jesus Histórico"&lt;/em&gt;. No entanto, essa afirmação não deve ser considerada fora de contexto. Flusser qualifica cuidadosamente seu posicionamento como veremos adiante. (E, além disso, o ponto é que os evangelhos sinóticos foram elaborados a partir de fontes mais antigas compostas pelos discípulos de Jesus e o Igreja de Jerusalém). De qualquer forma, ele ressalta que sua abordagem é, comparativamente, mais conservadora que de muitos estudiosos do novo testamento, justamente por sua formação e vivência como classicista e historiador da antiguidade grego-romana. Ele acrescenta mais detalhes de sua&lt;em&gt; &lt;/em&gt;abordagem e método:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"&lt;strong&gt;Não estou sugerindo , em absoluto, que a leitura dos textos deva ser isenta de críticas&lt;/strong&gt;. Isto deve ficar claro apóa a leitura do primeiro capítulo, onde analiso sucintamente meu método crítico. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;"Meu enfoque conservador dos evangelhos origina-se também da minha identidade judaica&lt;/strong&gt;. Como judeu, estudei, tanto quanto possível, as várias tendências dentro do judaismo antigo. Esta direção é deveras útil para a interpretação dos evangelhos, particularmente das palavras e dos feitos de Jesus&lt;/em&gt;"[1]&lt;em&gt; &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou seja, Flusser estabelece dois níveis de comparação para análise dos textos evangélicos. O primeiro é o mundo greco-romano. O segundo é o judaismo do segundo templo, seus escritos e seus grupos variados. Assim, os evangelhos são textos como vários outros textos elaborados no contexto local, do judaismo antigo, quanto global, da Antiguidade romana. Os ditos e feitos de Jesus são então comparados com os de vários outros carismáticos, pregadores e profetas da Antiguidade. Flusser continua, abordando a questão do sabemos e podemos saber sobre Jesus:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"Realmente, possuimos registros mais completos sobre as vidas de imperadores seus contemporâneos e de alguns poetas romanos. &lt;strong&gt;Entretanto, a exceção do historiador Flávio Josefo, e possivelmente de São Paulo, Jesus é o judeu, de épocas posteriores ao Antigo Testamento, sobre quem mais sabemos. &lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Toda biografia tem seus próprios problemas peculiares. Dificilmente esperaríamos encontrar informação de Jesus em documentos não cristãos. Ele compartilha deste destino com Moisés, Buda e Maomé, que, do mesmo modo, tampouco recebem menção alguma de relatos de não crentes (...)"&lt;/em&gt; [2]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Flusser observa que mesmo quando fontes externas e contemporâneas existem, as informações mais relevantes sobre um líder carísmático serão obtidas nos seus próprios ensinos e nos documentos produzidos por seus seguidores ("lidos de forma crítica, é claro")[2]. Flusser introduz dois exemplos modernos [2], o primeiro é o do fundador da Igreja de Jesus Cristo dos Ultimos Dias (Mormóns), Joseph Smith, cujas fontes biográficas são, basicamente, seus próprios escritos e documentos elaborados por seus seguidores. O outro é o do líder religioso africano &lt;a href="http://www.dacb.org/portuguese/pstories/drdocongo/p-kimbangu_simon.html"&gt;Simon&lt;/a&gt; &lt;a href="http://www.dacb.org/stories/demrepcongo/kimbangu1_simon.html"&gt;Kimbangu&lt;/a&gt;, a qual são creditados milagres de cura realizados entre março e setembro de 1921 no antigo Congo Belga. Kimbangu atraiu multidões com suas pregações e foi considerado suspeito de sedição pelas autoridades coloniais, que o aprisionaram em Leopoldville (Kinshasa) a mais de 1000 km de sua vila. Kimbamgu morreu lá em 1950. Entretanto, sua mensagem inspirou a Igreja Kimbangista. Flusser observa que devido a brevidade de seu ministério, e por ele nada ter escrito, sabemos muito pouco sobre o que Kimbangu pensava sobre si mesmo, e nesse ponto especifífico, &lt;em&gt;"o testemunho das autoridades belgas no Congo, é no seu caso, de tanta valia quanto os arquivos do governador Pilatos, ou os registros de chancelaria do sumo sacerdote no caso de Jesus"[2].&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Professor Flusser expressa seu ponto de vista em relação aos evangelhos como fontes históricas, e qualifica sua observação anterior de que os evangelhos sinóticos refletem fidedignamente o Jesus Histórico:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;" (...) Os três primeiros Evangelhos apresentam um retrato razoavelmente fiel de Jesus como um judeu típico de sua época, e também preservam consistentemente seu mode de falar do Salvador em Terceira Pessoa. &lt;strong&gt;Uma leitura imparcial dos evangelhos sinóticos resulta num quadro que é mais característico de um fazedor de milagres e pregador judeu do que de redentor da humanidade&lt;/strong&gt; (...) &lt;strong&gt;O Jesus retratado nos Evangelhos Sinóticos é, pois, o Jesus histórico, não o "Cristo Querigmático.&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Para a cristandade judaica&lt;/strong&gt; - mesmo em séculos posteriores, quando a Igreja em geral considerava sua visão herética - o &lt;strong&gt;papel de Jesus como fazedor de milagres , mestre, profeta, e messias era mais importante que o Senhor ressurecto do querigma&lt;/strong&gt;. &lt;/em&gt;&lt;em&gt;Já nos primórdios, esta ênfase começou a mudar entre as congregações cristãs helênicas fundadas por judeus gregos e formadas predominante por não-judeus. Nelas, a redenção através do Cristo crucificado e ressurecto tornou-se o cerne da pregação. Não é por acaso que os escritos oriundos destas comunidades - por exemplo, as cartas de São Paulo - mal mencionam a vida e pregação de Jesus. Talvez seja um golpe de sorte, até onde vai nosso conhecimento de Jesus, que os Evangelhos Sinóticos tenham sido escritos relativamente tarde - ao que parece por volta de 70 DC - quando a criatividade dinâmica dentro das congregaçõe paulinas declinara. Na maioria dos casos, este estrato posterior da tradição sinótica encontrou sua primeira expressão na redação, no estilo grego, dos evangelistas separados. &lt;strong&gt;Se exarminarmos este material com um espírito sem preconceitos, aprenderemos de seu conteúdo e forma de expressão que ele não esta relacionado com declarações querigmáticas mas com platitudes cristãs.&lt;/strong&gt; [2]&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou seja, Flusser observa que a imagem geral, o contorno, da figura de Jesus nos sinóticos é de um realizador de milagres e pregador, que esta em dissonância, em discontinuidade, com o Cristo das epístolas e da pregação cristã posterior. Podemos acrescentar, na &lt;a href="http://adcummulus.blogspot.com/2011/10/quem-eles-dizem-que-eu-sou-os.html"&gt;linha de nosso post anterior&lt;/a&gt;, as observações do Professor &lt;a href="http://www.guardian.co.uk/books/2000/feb/10/historybooks.obituaries"&gt;GEM de Ste Croix&lt;/a&gt; de que o mundo retratado nos evangelhos sinóticos, das pequenas vilas e lugarejos rurais da Galiléia, esta em discontinuidade com os grandes centros helenísticos em que os primeiros cristãos viviam. Também vale a pena recordar as observações do Professor &lt;a href="http://www.orinst.ox.ac.uk/staff/hjs/fmillar.html"&gt;Fergus Millar&lt;/a&gt;, de que os evangelhos refletem um mundo que se foi com a primeira guerra judaica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Flusser pergunta, retoricamente "&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Seria verossínil sugerir que, quando os Evangelhos Sinóticos são estudados cientificamente, apresentam um retrato fidedigno do Jesus histórico, apesar da pregação da fé querigmática por parte da Igreja?"&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; [2]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estudiosos como Flusser afirmam que os sinópticos refletem o Jesus Histórico, o sentido é que eles mostram, em muitos de seus aspectos, uma figura que é &lt;strong&gt;plausível&lt;/strong&gt; e &lt;strong&gt;verossimilar&lt;/strong&gt; com o contexto histórico em que viveu (uma vez que, como diz Flusser, &lt;em&gt;"o papel de Jesus como fazedor de milagres , mestre, profeta, e messias era mais importante que o Senhor ressurecto do querigma"&lt;/em&gt;). A teoria mais aceita das fontes dos evangelhos sinóticos, é a das duas fontes, Marcos e Q (devemos registrar que Flusser é cético da Teoria das Duas Fontes, preferindo a &lt;a href="http://www.mindspring.com/~scarlson/synopt/faq.htm"&gt;prioridade lucana&lt;/a&gt;). Postula-se que Q seja a fonte comum de material encontrado em Mateus e Lucas, e não presente em Marcos. Q é, basicamente, uma fonte de ditos, reunindo material como ensinos (parte do Sermão do Monte), parábolas, e pregações apocalipticas. É plausível que parte significativa desses ditos fizessem parte da pregação de um galileu do século I, baseado no que encontramos em outras fontes do período como os Manuscritos do Mar Morto. Quanto a Marcos, a grande maioria dos historiadores vai rejeitar milagres de domínio sobre a natureza como Jesus andando sobre o Mar ou acalmando a tempestade, por exemplo. No entanto, o milagre mais comumente encontrado nos evangelhos sinóticos é o exorcismo, pratica atestada na Antiguidade por toda a parte, e na Judeía a torto e a direito. Josefo narra um exorcismo que ele, e o futuro Imperador Vespasiano testemunharam:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"Vi, por exemplo, como um dos nossos, de nome Eliazar, libertou, na presença de seus filhos, de tribunos, e de outros soldados, os possuídos por maus espíritos. A cura se deu da seguinte maneira: ele pôs sob o nariz do possuído um anel que continha uma das raízes prescritas por Salomão, fez o doente cheira-la e então arrancou o mau espírito através do nariz. O possesso veio abaixo imediatamente, e Eliezer adjurou o Espírito a nunca mais retornar ao homem, enquanto proferia o nome de Salomão e os encantamentos compostos por ele"&lt;/em&gt; (Flávio Josefo, Antiguidades Judaicas 8:46-47).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, obviamente, observadores e adversários do cristianismo não usaram como linha principal de argumentação a negação dos milagres de Jesus. O que vemos, repetidamente, são os oponentes atribuindo os supostos milagres a utilização de magia ou feitiçaria. Assim, &lt;a href="http://adcummulus.blogspot.com/2009/05/jesus-como-mestre-e-sabio-na-visao-das.html"&gt;como já vimos&lt;/a&gt;, a parte considerada autêntica do Testemunho Flaviano, fala dos &lt;em&gt;"paradoxa"&lt;/em&gt; (feitos controversos ou surpreendentes) de Jesus. Em meados do século II, &lt;a href="http://www.earlychristianwritings.com/text/justinmartyr-dialoguetrypho.html" target="_blank" rel="nofollow"&gt;Justino&lt;/a&gt; e &lt;a href="http://www.earlychristianwritings.com/text/tertullian01.html" target="_blank" rel="nofollow"&gt;Tertuliano&lt;/a&gt; defendem Jesus da acusação de ser um mágico (em Dialogo com Trifo, 69:5 e Apologetica, 21:17, respectivamente). Celso, o ferrenho adversário do cristianismo, comparando os feitos de Jesus a atos comuns de feitiçaria &lt;em&gt;"realizados pelos mágicos egípcios que no meio das praças e feiras, por alguns trocados, demonstram conhecimento nas mais venerandas artes, expulsam demônios, curam enfermidades, e invocam a almas de heróis"&lt;/em&gt;, e Celso pergunta, "&lt;em&gt;Visto, então, que essas pessoas podem realizar tais feitos, teremos que concluir que são "filhos de Deus" ou que procedem de homens iníquos sob a influência de espiritos malignos?(&lt;/em&gt;Orígenes, Contra Celso 1:68)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seja qual forem nossas convicções sobre isso, o fato é que em quase todas as culturas as pessoas acreditam que demônios podem possui-las, que causam enfermidades e que certas pessoas são capazes de expulsar espíritos malignos. Muitas vezes essas manifestações foram atribuidas a quadros psiquiátricos, como o &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Dissociative_identity_disorder"&gt;transtorno dissociativo de identidade&lt;/a&gt;, ou doenças como a epilepsia. Existe também um grande contingente de pessoas com doenças causadas ou com sintomas agravados por vetores &lt;a href="http://www.med.umich.edu/1libr/aha/umpsysom.htm"&gt;psicosomáticos&lt;/a&gt;, bem como &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Conversion_disorder"&gt;transtornos de conversão &lt;/a&gt;(que em casos extremos podem levar a parestesia, paralisia ou cegueira), e vários &lt;a href="http://www.scielo.br/pdf/rlpf/v11n4/v11n4a11.pdf"&gt;estudos médicos &lt;/a&gt;apontem que &lt;a href="http://www.fundamentalpsychopathology.org/art/jun2/monica.pdf"&gt;placebos&lt;/a&gt; &lt;a href="http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC1044120/pdf/medhist00020-0130.pdf"&gt;muitas&lt;/a&gt; &lt;a href="http://www.sageofasheville.com/pub_downloads/WHAT_IS_THE_PLACEBO_IN_PSYCHOTHERAPY.pdf"&gt;vezes&lt;/a&gt; &lt;a href="http://opinionator.blogs.nytimes.com/2010/05/03/enhancing-the-placebo/"&gt;são&lt;/a&gt; &lt;a href="http://www.plosone.org/article/info%3Adoi%2F10.1371%2Fjournal.pone.0015591"&gt;eficazes&lt;/a&gt; [3]. Alguém pode sair de casa e ir a uma Igreja Universal, ou a um Centro Espírita, ou Terreiros de Umbanda, em que encontrará centenas de pessoas afirmando ter recebido ou sido liberta de Espíritos, sendo curada e falando com seus entes queridos mortos (como as que afirmam ter sido curadas pelo médium que "recebe" o &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Dr._Fritz"&gt;Dr. Fritz&lt;/a&gt;).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então é altamente plausível que Jesus fosse um exorcista. O que não prova, isoladamente, que Jesus exorcisasse pessoas, mas a verossimilhança desses elementos no contexto, a intensidade com que essa característica é ressaltada na tradição cristã, e o fato de que os oponentes ao invés de negar esses feitos, repetidamente os atribuem a ação de poderes demoníacos, indicam fortemente que a imagem geral de Jesus como curandeiro e exorcista é histórica, ainda que a historicidade dos eventos individuais seja bem mais díficil de avaliar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;b) Geza Vermes&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-RDxbofJMYhs/Ttj-fzm8zmI/AAAAAAAAAOE/IzBU9OPsoYU/s1600/170px-Wga_Garofalo_Ascension_of_Christ.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5681570752310857314" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 133px; HEIGHT: 200px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-RDxbofJMYhs/Ttj-fzm8zmI/AAAAAAAAAOE/IzBU9OPsoYU/s200/170px-Wga_Garofalo_Ascension_of_Christ.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Em muitos aspectos a visão de Flusser se aproxima de outro peso pesado dos estudos do cristianismo primitivo, com origem e historia de vida semelhante, o &lt;a href="http://www.britac.ac.uk/fellowship/directory/ord.cfm?member=2443"&gt;Professor Geza Vermes&lt;/a&gt;. Vermes também nasceu no leste Europeu, em Mako, Hungria, em 1924, em família de ascendência judaica. Aos sete anos, ele e seus pais foram batizados como catolicos-romanos. Vermes viveu a atmosfera tensa dos anos anteriores a II Guerra Mundial, e passou a sofrer os horrores do nazismo quando, em março 1944, as tropas alemãs ocuparam a Hungria. Seus pais e a maior parte de seus familiares foram presos e assassinados. Vermes, que estava cursando o seminário, conseguiu escapar refugiando-se em várias cidades [4].&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o fim da Guerra, ele chegou a ser ordenado padre, e iniciou sua carreira acadêmica, imigrando para Louvain, na Bélgica. Em 1953, conclui seu doutorado, elaborando uma das primeiras dissertações sobre os recém descobertos &lt;a href="http://dss.collections.imj.org.il/project"&gt;Manuscritos do Mar Morto&lt;/a&gt;. Em 1957, Vermes abandonou o sacerdócio e a Igreja Católica, e voltou ao seio do Judaismo, se afiliando em 1970 a &lt;a href="http://www.ljs.org/about-us/"&gt;Jewish Liberal Synagogue&lt;/a&gt;, de Londres, para onde havia se mudado, ligada ao &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Reform_Judaism"&gt;Judaismo Reformista&lt;/a&gt;. Na Inglaterra, ele foi Professor da Universidade de Newcastle upon Tyne, e a partir de 1965, do &lt;a href="http://www.wolfson.ox.ac.uk/about"&gt;Wolfson College &lt;/a&gt;e da &lt;a href="http://www.orinst.ox.ac.uk/"&gt;Faculty of Oriental Studies&lt;/a&gt;, da Universidade de Oxford, onde se tornou Professor Emérito de Estudos Judaícos, sendo também escolhido como membro da &lt;a href="http://www.britac.ac.uk/"&gt;British Academy&lt;/a&gt;, por sua contribuição ao estudo dos manuscritos do mar morto, e da historia do cristianismo primitivo, e do judaismo do segundo templo [4].&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em seu livro "As Várias Faces de Jesus", o Professor Vermes analisa historicamente, e em separado, a forma como Jesus é apresentado no evangelho e nas cartas de João, nos esritos paulinos, em Atos dos Apóstolos e nos Evangelhos Sinóticos. A partir da análise desses quatro perfis principais, a luz do contexto histórico do judaísmo do sec I DC, ele elabora um quinto, o do Jesus histórico, presente nos estagios mais primitivos da tradição. Ele observa que:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"(...)&lt;em&gt;&lt;strong&gt; o retrato de Jesus nos Evangelhos Sinópticos toma a forma de um esboço biográfico&lt;/strong&gt;. Marcos, Mateus e Lucas não eram, admitidamente, historiadores profissi&lt;/em&gt;o&lt;em&gt;nais em busca de objetividade crítica; não obstante atuaram como narradores da vida, das idéias, das atividades, do magistério e da morte de um homem santo de carne e sangue que viveu poucas décadas antes deles decidirem registrar as tradições construidas em volta dele. Finalmente e, sucintamente, os evangelistas testemunharam sua crença na ressureição de Jesus" [5]. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;"os traços mais notáveis do retrato de Jesus nos Sinópticos&lt;/strong&gt;, o de um curandeiro e exorcista carismático, mestre e campeão do Reino de Deus, &lt;strong&gt;são essencialmente dependentes da figura histórica que outros escritores do Novo Testamento progressivamente mascararam.&lt;/strong&gt;"&lt;/em&gt; [5]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E acrescenta com base na análise das narrativas, títulos e ensinamentos de Jesus nas fontes em comparação ao contexto cultural, religiosos e político da Palestina do século I.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"&lt;strong&gt;Nossa abordagem tripartida - com base em histórias, títulos e ensinamentos - do Jesus de Marcos, Mateus e Lucas produziu um quadro coerente, o retrato de Jesus pretendido pelos Sinópticos. Ele espelha de algum modo, sem ser idêntico a ele, o Jesus da História&lt;/strong&gt;. Infelizmente, devido a natureza do material do Evangelho, a precisão histórica estrita irá fatalmente esquivar-se, mas é possivel fazer um esforço denodado - que será tentado presentemente - para autenticar essa imagem o máximo possível, integrando-a ao contexto cultural e religioso do judaísmo palestino contemporâneo. &lt;strong&gt;Para começarmos com uma observação negativa, mas fundamentalmente importante, o Jesus dos sinópticos, como aquele dos Atós dos Apóstolos, não é uma figura sobrenatural, mas alguém firmemente plantado&lt;/strong&gt; em nosso universo de homens. Sua apoteose não foi súbita, foi alcançada passo a passo. Começou com o nascimento milagroso registrado em Mateus e Lucas, e continuou, através de Paulo e João, pelos patriarcas e concílios da Igreja gentílica. A deificação formal, embora avultando-se no horizonte a partir do século II, não foi concluida até o Concílio de Nicéia em 325 DC. " (...) [6] &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em seguida, Vermes observa que na visão de judeus palestinos do século I, nenhum ser humano, mesmo alguém celebrado como "Filho de Deus", poderia, concebivelmente, partilhar a natureza do Todo-Poderoso. Ele especifica então, suas conclusões em relação a crença dos primeiros cristãos sobre Jesus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;"O Jesus de Marcos, Mateus e Lucas (e o de Atos) entra em cena como pregador galileu itinerante, curandeiro e exorcista&lt;/strong&gt;, admirado e seguido por muitos, mas também objeto de suspeição por outros tantos, especialmente o Establisment religioso central, responsável pela manutenção da Lei e da Ordem na Jerusalém sob ameaça de rebelião. Segundo o testemunho comum dos sinópticos, contudo, onde quer ele fosse, Jesus era reconhecidocomo o porta-voz de Deus, pela gente simples da Galiléia. Sabemos que viam nele um profeta. &lt;strong&gt;De fato, os Evangelhos nos dão todas as razões para acreditarmos que Jesus considerava pessoalmente como tal, e que esta também foi a primeira quase definição aplicada a ele no começo da pregação cristã: "Jesus, o Nazareno, foi por Deus aprovado diante de vós com milagres, prodígios e sinais&lt;/strong&gt;". [6]&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vermes destaca os termos "homem sábio" e "realizador de feitos extraordinários" como elementos centrados na memória popular judaica no século I, que levaram a interpretações diferentes pelos cristãos, por Josefo, e pelos inimigos de Jesus. (Inclusive, já analisamos aqui, &lt;a href="http://adcummulus.blogspot.com/2009/11/observando-jesus-pelas-lentes-de-seus.html"&gt;no&lt;/a&gt; &lt;a href="http://adcummulus.blogspot.com/2009/12/observando-jesus-pelas-lentes-de-seus_21.html"&gt;final de 2009&lt;/a&gt;, a tese de Geza Vermes [7] que a descrição de Jesus como &lt;em&gt;"homem sábio"&lt;/em&gt; e "&lt;em&gt;realizador de feitos maravilhosos&lt;/em&gt; (milagrosos) espelha a imagem de Jesus que circulava na Palestina como uma tradição popular, interpretada de forma neutra por Josefo, e como testemunho sobre um mago e enaganador, na polêmica judaica do século II, em Celso e nos rabinos do Talmude. Inclusive, Celso, até onde sabemos, usou a mesma palavra que Josefo para descrever os feitos de Jesus, &lt;em&gt;"paradoxa" (Contra Celso 1:6;17-18), &lt;/em&gt;um termo ambiguo&lt;em&gt; (&lt;/em&gt;maravilhoso, surpreendente, mas também controverso) [8].&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"ao descrever Jesus com a ajuda dessas duas expressões basicamente positivas &lt;strong&gt;"homem sábio" e "realizador de obras extraordinárias"&lt;/strong&gt;, Josefo logrou formular um julgamento distanciado sobre Jesus. &lt;strong&gt;Seu esboço, embora frio, coincide fundamentalmente com o retrato, pintado em cores mais quentes, de Jesus que descobrimos oculto sob os Evangelhos Sinóticos&lt;/strong&gt;"&lt;/em&gt; [8].&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou seja, tanto para observadores neutros, como para amigos e adversários a memória de Jesus entre os judeus do século I é a de um mestre carismático e realizador de feitos extraordinários, que morreu em confronto com as autoridades, políticas e/ou religiosas. Os adversários alegavam que as multidões eram seduzidas por um impostor e mago, em conluio com forças demoníacas. Os cristãos diziam que os ensinos, os milagres e a morte (aparentemente) desonrosa, eram o cumprimento das escrituras, e, assim, Jesus era o Cristo (o Messias).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, a tese de Vermes vai além. Como dito acima, ele acredita que ao longo dos séculos, a imagem de Jesus &lt;em&gt;"poderoso em palavras e atos"&lt;/em&gt;, , que "espelha de certa forma o Jesus da história, sem ser identico a ele", foi sendo substituida por reflexões teológicas sobre o relacionamento de Jesus e Deus, e sua natureza, pré-existência e relacão entre o elemento divino e humano na pessoa de Jesus. Isso pode ser ilustrado na pregação inicial da igreja primitiva, em Atos dos Apóstolos. No discurso atribuido a Pedro no Dia de Pentecostes, temos o que parece ser uma das primeiras confissões da Igreja &lt;em&gt;"Varões Israelitas: escutai estas palavras: &lt;strong&gt;Jesus, o nazareno, varão aprovado por Deus entre vós com milagres, prodígios e sinais&lt;/strong&gt;, que Deus por ele fez no meio de vós, como vós mesmos bem sabeis; a este, que foi entregue pelo determinado conselho e presciência de Deus, &lt;strong&gt;vós matastes, crucificando-o pelas mãos de iníquos; ao qual Deus ressuscitou&lt;/strong&gt;, rompendo os grilhões da morte, pois não era possível que fosse retido por ela"&lt;/em&gt; (Atos 2:22-24, ver também Lucas 24:19). Ou seja, Jesus é apresentado como um homem de Deus, que realizava feitos poderosos, foi executado como mártir e justificado pela Resssureição, o que, como vimos acima, é quase um sumário dos evangelho sinóticos.&lt;br /&gt;Cerca de 150 depois, com a Igreja já firmemente estabelecida no contexto gentio, &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Tertullian"&gt;Tertuliano&lt;/a&gt; (200 DC), apresenta em seu livro &lt;em&gt;"&lt;a href="http://www.newadvent.org/fathers/0311.htm"&gt;Prescrição contra os Hereges&lt;/a&gt;",&lt;/em&gt; uma &lt;a href="http://www.ccel.org/ccel/schaff/anf03.v.iii.xiii.html"&gt;regra ou (Confissão) da Fé&lt;/a&gt; recebida dos apóstolos &lt;em&gt;"(...)Sua Palavra enviou, e esta Palavra é chamada de Seu Filho, e, sob o nome de Deus, foi visto "de diversas maneiras" pelos patriarcas, ouvido em todos os momentos nos profetas, e finalmente desceu pelo Espírito e Poder do Pai para a &lt;strong&gt;Virgem Maria, se fez carne em seu ventre, e, nascendo dela, foi conhecido como Jesus Cristo&lt;/strong&gt;, então, doravante, &lt;strong&gt;Ele pregou a nova lei e a nova promessa do reino dos céus, operou milagres, e tendo sido crucificado, ressuscitou ao terceiro dia&lt;/strong&gt;; e tendo ascendido aos céus, Ele se sentou à direita do Pai&lt;/em&gt;"[9]. Ou seja, ao núcleo sumarizando o ministério de Jesus, sua morte, ressureição e glorificação (como nos sinóticos), são acrescentados elementos joaninos, paulinos e dos evangelhos de infância de Mateus e Lucas ("o Verbo que se faz carne", pré-existente, participante da substância divina, nascido virginalmente).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas no mesmo Tertuliano, "&lt;a href="http://www.newadvent.org/fathers/0317.htm"&gt;Em Contra Praxeas&lt;/a&gt;" e &lt;a href="http://www.tertullian.org/anf/anf04/anf04-09.htm#P545_113997"&gt;"Do Véu das Virgens&lt;/a&gt;"[10], encontramos versões variantes (e mais curtas) da confissão , em que a frase "&lt;em&gt;pregação da nova Lei, nova promessa, e do Reino, bem como aos milagres operados por Jesus"&lt;/em&gt; esta ausente. De fato, com a omissão dessa frase, a confissão é, no que se refere ao Filho, quase identica ao &lt;a href="http://www.newadvent.org/cathen/01629a.htm"&gt;Simbolo de Fé Romano&lt;/a&gt;, a versão mais antiga do Credo dos Apóstolos afirma &lt;em&gt;"Creio em &lt;strong&gt;Jesus Cristo&lt;/strong&gt;, seu único Filho, Nosso Senhor,que foi concebido pelo poder do Espírito Santo;&lt;strong&gt;nasceu da Virgem Maria;padeceu sob Pôncio Pilatos,foi crucificado, morto e sepultado&lt;/strong&gt;; &lt;strong&gt;ressuscitou ao terceiro dia&lt;/strong&gt;; subiu aos Céus,onde está sentado à direita de Deus Pai todo-poderoso,de onde há-de vir a julgar os vivos e os mortos".&lt;/em&gt; Isto indica, já no início do século III, o crescimento do elemento teológico em detrimento do histórico; a fé vai se definindo mais em torno da natureza de Jesus do que relativamente a seus feitos.&lt;br /&gt;Esse processo se aprofunda ainda mais no IV Século, quando, por exemplo, no &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Nicene_Creed"&gt;Credo de Niceia &lt;/a&gt;(325 DC), os bispos confessam a Fé "&lt;em&gt;em um só Senhor &lt;strong&gt;Jesus Cristo&lt;/strong&gt;, o unigênito Filho de Deus, gerado pelo Pai antes de todos os séculos, Luz da Luz, verdadeiro Deus de verdadeiro Deus, gerado, não criado, de uma só substância com o Pai, pelo qual todas as coisas foram feitas; o qual, por nós homens e por nossa salvação, desceu dos céus, foi feito carne pelo Espírito Santo e da Virgem &lt;strong&gt;Maria, e tornou-se homem, e foi crucificado por nós sob Pôncio Pilatos, e padeceu e foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia&lt;/strong&gt;, conforme as Escrituras, e subiu aos céus e assentou-se à direita do Pai, e de novo há de vir com glória para julgar os vivos e os mortos, e o seu reino não terá fim".&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;Também no século IV, o Patriarca Atanásio de Alexandria, ao &lt;a href="http://pt.wikisource.org/wiki/Credo_de_Atan%C3%A1sio"&gt;sintetizar a Fé necessária a salvação &lt;/a&gt;em 40 artigos, a grande maioria referente a Jesus na condição de 2ª Pessoa da Trindade, dedica apenas três (em parte) ao Jesus terreno ao afirmar &lt;em&gt;" (27) que se creia fielmente na &lt;strong&gt;encarnação do nosso Senhor Jesus Cristo&lt;/strong&gt;" &lt;/em&gt;que&lt;em&gt; "(29) &lt;strong&gt;homem porque nasceu&lt;/strong&gt;, no tempo, da substância da sua Mãe"&lt;/em&gt; e que &lt;em&gt;"36. (...) &lt;strong&gt;sofreu e morreu&lt;/strong&gt; por nossa salvação, desceu ao Hades, &lt;strong&gt;ressuscitou dos mortos ao terceiro dia".&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Por fim, os bispos reunidos no &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Council_of_Chalcedon"&gt;Concílio de Calcedônia&lt;/a&gt;, em 451 DC, ao elaborarem o famoso &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Credo_da_Calced%C3%B4nia"&gt;Credo&lt;/a&gt; afirmam que &lt;em&gt;"se deve confessar um só e mesmo Filho, nosso Senhor &lt;strong&gt;Jesus Cristo&lt;/strong&gt;, perfeito quanto à divindade, e perfeito quanto à humanidade;verdadeiramente Deus e verdadeiramente homem, constando de alma racional e de corpo,consubstancial com o Pai, segundo a divindade, e consubstancial a nós, segundo a humanidade; em tudo semelhante a nós, excetuando o pecado;gerado segundo a divindade pelo Pai antes de todos os séculos, e nestes últimos dias, segundo a humanidade, &lt;strong&gt;por nós e para nossa salvação&lt;/strong&gt;, &lt;strong&gt;nascido da Virgem Maria&lt;/strong&gt;, mãe de Deus; um e só mesmo Cristo, Filho, Senhor, Unigênito, que se deve confessar, em duas naturezas, inconfundíveis, imutáveis, indivisíveis, inseparáveis;a distinção de naturezas de modo algum é anulada pela união, antes é preservada a propriedade de cada natureza, concorrendo para formar uma só pessoa e em uma subsistência;não separado nem dividido em duas pessoas, mas um só e o mesmo Filho, o Unigênito, &lt;/em&gt;&lt;a title="Logos" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Logos"&gt;&lt;em&gt;Verbo&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt; de Deus, o Senhor Jesus Cristo, &lt;strong&gt;conforme os &lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;a title="Profeta" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Profeta"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;profetas&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt; desde o princípio acerca dele testemunharam, e o mesmo Senhor Jesus nos ensinou&lt;/strong&gt;, e o Credo dos santos Pais nos transmitiu. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Esse processo pode ser explicado, em parte, pela natureza das controvérsias que levaram a redação dos credos. O objetivo de cada um desses credos era identificar hereges. As controvérsias &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Arianism"&gt;Ariana&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Nestorianism"&gt;Nestoriana&lt;/a&gt; e &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Monophysitism"&gt;Monofisista&lt;/a&gt;, dos séculos IV e V, não versavam sobre os evangelhos ou novo testamento, já estabelecidos como autoritativos, antes, cada lado buscava demonstrar que biblica e filosoficamente que sua visão da relação do Deus Pai e Filho, e do elemento humano e divino na pessoa de Cristo era a correta. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;No contexto dos séculos II e III, até onde se sabe, os grupos proto-ortodoxos e seus adversários não discutiam os feitos de Jesus, mas a natureza de sua manifestação e sua relação com os poderes celestiais. Por exemplo, adversários como o arqui-herege &lt;a href="http://ecole.evansville.edu/glossary/marcion.html"&gt;Marcião&lt;/a&gt;, subscreviam uma &lt;a href="http://ecole.evansville.edu/articles/docetism.html"&gt;cristologia docética&lt;/a&gt;. Yahweh criara um mundo mau e corrupto, e, assim, Jesus, como salvador, não poderia participar de criação corrupta. Assim, para Marcião, Jesus é um ser celestial que vem ao mundo em semelhança de carne, em forma humana. A concepção docética utiliza um conceito semelhante aos dos anjos que apareceram a Abraão (Genesis 18), que conversam com ele, sentam em sua mesa, comem e bebem em sua presença; o deixam, vão até Sodoma, resgatam a família de Ló, e quase são molestados pelos sodomitas; ou então com o anjo que lutou com Jacó no Vau do Jaboque e, no fim da luta, acerta o pobre patriarca no nervo ciático, que fica lá com a coxa deslocada. (Crenças docéticas podem ser estranhas, mas eram disseminadas na antiguidade, tanto na forma de anjos e deuses em forma humana, quanto em figuras como &lt;a href="http://plato.stanford.edu/entries/pythagoras/"&gt;Pitágoras&lt;/a&gt; e &lt;a href="http://www.iranicaonline.org/articles/mani-founder-manicheism"&gt;Mani&lt;/a&gt; como seres celestiais com aparência humana para transmitir conhecimentos superiores [11]. Essas crença possui paralelos modernos bizarros, como seitas como o &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Raelian"&gt;Raelianos&lt;/a&gt;, que acreditam que Jesus, Buda, Maomé e Joseph Smith eram extraterrestes em forma humana, ou dos seguidores de &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/David_Icke"&gt;David Icke&lt;/a&gt;, que &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/New_World_Order_(conspiracy_theory)#Alien_Invasion"&gt;acreditam&lt;/a&gt; que o ex-Presidente Bush e a Família Real Britanica, e varios outros líderes mundiais são humanoides reptilianos cuja real identidade é encoberta por uma grande conspiração). &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Os marcionitas utilizavam o &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Gospel_of_Marcion"&gt;Evangelho do Senhor&lt;/a&gt;, uma versão do evangelho de Lucas (ou de um hipotético proto-evangelho de Lucas), sem as narrativas de infância e as citações do Velho Testamento que apresenta Jesus &lt;a href="http://www.gnosis.org/library/marcion/Gospel1.html"&gt;ensinando em Cafarnaum&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://www.gnosis.org/library/marcion/Gospel1.html#Choosing"&gt;escolhendo díscipulos&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://www.gnosis.org/library/marcion/Gospel2.html#Healing"&gt;pregando as multidões&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://www.gnosis.org/library/marcion/Gospel1.html#Centurion"&gt;curando pessoas&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://www.gnosis.org/library/marcion/Gospel1.html#Box"&gt;sendo ungido pela mulher do vaso de alabastro&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://www.gnosis.org/library/marcion/Gospel6.html#Last"&gt;participando da ultima ceia&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://www.gnosis.org/library/marcion/Gospel6.html#Betrayed"&gt;sendo entregue as autoridades&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://www.gnosis.org/library/marcion/Gospel6.html#Tortured"&gt;interrogado, torturado&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://www.gnosis.org/library/marcion/Gospel6.html#Crucified"&gt;crucificado&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://www.gnosis.org/library/marcion/Gospel6.html#Dead"&gt;e seu corpo, chega a ser enterrado&lt;/a&gt;. No clima filosófico da época, uma opinião comum era que a matéria era uma forma corrompida da existência, e o corpo uma prisão do espirito, nossa parte divina. Muitos diziam que o mundo material era resultado da ação de um deus inferior, o &lt;a href="http://www.iep.utm.edu/gnostic/#SH2a"&gt;Demiurgo&lt;/a&gt;, mau, ou ignorante e/ou apenas limitado. Os &lt;a href="http://www.iep.utm.edu/gnostic/"&gt;gnósticos&lt;/a&gt;, em geral, adotavam essa concepção. Se a matéria é maligna, Cristo, o espírito redentor divino não poderia possuir carne verdadeira. Não obstante, eles aceitavam que Cristo veio ao mundo, pregou, ensinou o verdadeiro conhecimento, realizou maravilhas, e foi eventualmente crucificado. As crenças parecem contraditórias, mas os gnósticos encontraram duas maneiras de conciliar seus conceitos teológicos com a tradição evangélica. A maioria dos gnósticos adotava uma cristologia separacionista[12], emprestando conceitos ebionitas que afirmavam que Jesus era um homem comum, que foi escolhido para receber o poder do Espírito. Assim, Jesus Nazareno recebeu em seu corpo o Aeon Cristo, e assim realizou atos poderosos e pregou a palavra do Senhor. Assim, eles conciliavam a pureza de um ser Divino, que se associava transitoriamente a um ser humano, sem se encarnar efetivamente, mas apenas "enchendo" ou"possuindo" um corpo. Diferentemente dos ebionitas, porém, esses gnósticos mantinham que, quando Jesus foi preso e executado, Cristo deixou seu corpo, deixando-o sofrer sozinho, enquanto nosso Aeon via de longe, intocado pelo sofrimento [12]. Já os docéticos conciliaram suas concepções filosóficas com as tradições evangélicas, desenvolvendo a crença que Cristo era um ser divino, que vem ao mundo com "roupa", aparência, disfarce humano, vivendo como um rabi galileu chamado Jesus Nazareno. Na concepção deles ele vive uma vida como um homem (mais ou menos) comum, como pregador e profeta itinerante, exorcista e curandeiro, como os evangelhos descrevem, mas sua verdadeira natureza de ser celestial com "roupa humana" só é conhecida por alguns, para todos os que viam ou conheciam, le seria "Jesus de Nazaré, carpinteiro e pregador", com CPF e Carteira de Identidade.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Assim, como nos diz o Professor &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Maurice_Goguel"&gt;Maurice Goguel&lt;/a&gt;, mesmo os &lt;em&gt;"docéticos não contestavam a história evangélica. Eles eram cristãos idealistas, agarrados acima de tudo a noção da divindade de Cristo e o caráter celestial de sua pessoa, e que tentavam dar uma interpretação harmonizadora com suas idéias (...) Os docéticos tornam-se assim testemunhas da tradição evangélica"[13].&lt;/em&gt; A questão não era sobre os feitos de Jesus, sua pregação e milagres, de que tinha sido enviado por Deus. O ponto era a natureza da sua manifestação. O grosso da tradição evangélica não opôs doceticos, separacionistas e proto-ortodoxos. Bart Erhmann acredita que o verso em que Jesus está em agonia no Getsemane, suando sangue, foi adicionado a Lucas, para frear o uso do do texto pelos docéticos [14], que também utilizaram os eventos narrados na tradição, como a escolha dos díscipulos, as grandes mensagens, e a crucificação. É a &lt;em&gt;interpretação&lt;/em&gt; dessa tradição, e conceitos filosóficos particulares dos docéticos, que os levam a uma &lt;em&gt;opinião teológica diferenciada &lt;/em&gt;da narrativa comum. Assim, proto-ortodoxos, marcionitas, gnósticos docéticos e marcionitas, bem como os ebioniotas, compartilhavam uma tradição evangélica comum e antiga, apostólica, um verdadeiro "elo perdido", sobre "Jesus Nazareno, varão aprovado por Deus com milagres, prodígios e sinais, que foi entregue pelo determinado conselho e presciência de Deus, e crucificado; e a qual Deus ressuscitou. Esses fatos comuns geraram interpretações teológicas e filosóficas diferentes por parte desses grupos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;c) John M Roberts&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-lw-3NyX8yyo/Tr0mrhH5xyI/AAAAAAAAANg/PvmUi5oR9gY/s1600/180px-Trevisani_baptism_christ.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5673733634624440098" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 153px; HEIGHT: 200px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-lw-3NyX8yyo/Tr0mrhH5xyI/AAAAAAAAANg/PvmUi5oR9gY/s200/180px-Trevisani_baptism_christ.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/J_M_Roberts"&gt;John M Roberts &lt;/a&gt;nasceu na cidade de Bath, Inglaterra. Se graduou em Oxford, e iniciou sua carreira acadêmica, em 1953, como professor visitante nos EUA, como membro do Institute for Advanced Study, em Princeton, e posteriormente nas Universidades da Carolina do Sul e de Colúmbia. Retornando ao Reino Unido, voltou para Oxford e ministrou também na Universidade de Southampton.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Roberts não era especialista em cristianismo primitivo, judaísmo do segundo templo, ou antiguidade clássica, seu campo de atuação foi a história moderna, temas como a revolução francesa. No entanto, ao escrever uma "história do mundo", com objetivo de situar o leitor leigo "das origens nas savanas africanas a 2007", Roberts situa as origens e desenvolvimento do cristianismo no seio do Império Romano, e apresenta algumas questões importantíssimas sobre a compreensão de nossas fontes, com grande poder de sintese e objetivamente, o que nos permite uma perspectiva mais global, em relação a uma abordagem mais aprofundada e pontual de um historiador especialista. Além disso, incluo Roberts em nossa lista, por apresentar a visão de um historiador de um outro período, que pode (e traz) alguns "insights" em relação aos desafios de nossas fontes sobre o cristianismo primitivo, em particular, e da Antiguidade em geral:&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;"&lt;em&gt;Into this electric atmosphere Jesus was born in about 6 BC, into a world in which thousands of his countrymen awaited the coming of the Messiah, a leader who would lead them to military or symbolic victory and inaugurate the last and greatest days of Jerusalem. &lt;/em&gt;&lt;em&gt;The evidence for the facts of his life is contained in the records written down after his death in the gospels, the assertions and traditions which the early Church based on the testimony of those who had actually known Jesus.&lt;/em&gt;&lt;em&gt;(&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;tradução)&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt; Nesta atmosfera carregada, por volta de 6 AC, Jesus nasceu, em um mundo em que milhares de seus compatriotas esperavam o advento do Messias, um lider que levaria a vitória militar ou simbólica e inauguraria os últimos e mais gloriosos dias de Jerusalém. A evidência para os fatos da sua vida está contida nos registros escritos após sua morte nos evangelhos, afirmações e tradições nas quais a Igreja Primitiva se baseava no testemunho daqueles que haviam conhecido Jesus[15].&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;Assim, Roberts posiciona o nascimento de Jesus no contexto amplo das expectativas messiânicas do Judaismo de seu Tempo, e passa a analisar os evangelhos, e principalmente, as tradições que teriam sido baseadas na memória oral dos seguidores de Jesus.&lt;em&gt; &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;The gospels are not by themselves satisfactory evidence but their inadequacies can be exagerated. They were no doubt written to demonstrate the supernatural authority of Jesus and the confirmation provided by the events of his life for the prophecies which had long announced the coming of Messiah. This interested and hagiographical origen does not demand sceptism about all the facts asserted; many have inherent plausibility in that they are what might be expected of a jewish religious leader of the period. They need not be rejected ; much more inadequate evidence about far more intractable subjects has often to be employed. There is no reason to be more austere or rigorous in our canons of acceptability for early christians records than for, say, the evidence in Homer which illuminates Mycanae. Nevertheless, it is very hard to find corroborative evidence of the facts stated in the Golspels in other records.[15] &lt;/em&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;(tradução)&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt; "Os evangelhos, isoladamente, não são evidência \satisfatória, mas seus problemas podem ser as vezes exagerados. Sem dúvida, foram escritos para demonstrar a autoridade sobrenatural de Jesus e que os eventos de sua vida eram confirmações das antigas profecias da vinda do Messias. Sua origem hagiográfica e por partes interessadas, não exige, contudo, ceticismo em relação a todos os fatos que narram. Muitos são inerentemente plausíveis com base no que se esperaria para um líder religioso judeu do período. Não é necessária sua rejeição; emprega-se frequentemente evidência muito mais problemática sobre assuntos bem mais intratáveis. Não há razão para sermos mais austeros ou rigorosos em nossos canons de aceitabilidade para os registros da igreja primitiva do que, por exemplo, as evidências em Homero que iluminam o periodo Micênico. Dito isto, e muito difícil encontrar elementos corroborativos dos fatos narrados nos evangelhos em fontes externas.[15]&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Roberts apresenta assim as dificuldades e os desafios envolvidos no uso dos evangelhos como fonte histórica. Ele começa observando que não são o tipo de material com o qual os historiadores sonham, por terem sido elaborados com um viés, com o objetivo de trazer pessoas a nova fé (João 20:31) e confirmar os já evangelizados ou convertidos (Lc 1:4), buscando vigorosamente demonstrar que os eventos da vida de Jesus cumpriam as escrituras, e não "historiadores profissionais em busca da objetividade crítica"(como diria Geza Vermes). No entanto, como observa Roberts, esses problemas não nos devem levar a jogar o bebê com as águas do banho, levando-nos ao ceticismo total sobre os fatos narrados. Apesar das dificuldades e possível utilizar o método histórico-crítico nos evangelhos. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Em primeiro lugar, Roberts observa que muitos elementos dos evangelhos &lt;em&gt;"inerentemente plausíveis com o que se esperaria de um líder religioso judeu da período", &lt;/em&gt;ou seja, são altamente plausíveis no contexto.&lt;em&gt; &lt;/em&gt;Podemos acrescentar já visto no post anterior, há muitas evidências de uma tradição oral vibrante anterior aos evangelhos (L Michael White), que tem seu valor reconhecido como fonte histórica, junto com Josefo, para o mundo judaico do periodo anterior a destruição de Jerusalém (Fergus Millar), que várias tradições individuais (e complexos de tradição) contém tanto "colorido local" e tantos "indicios de familiaridade" que devem ter surgido na Palestina, no periodo em que Jesus exerceu seu ministério (Gerd Thiessen), os evangelistas apresentam Jesus consistentemente pregando nas pequenas vilas e aldeias da Galiléia, um mundo distinto dos cristãos primitivos nos grandes centros urbanos da civilização greco-romana, ainda que fosse interessante para esse cristãos ver Jesus discutindo filosofia com os filósofos em Séforis ou Tiberiades, indicando fortemente que nesse aspecto os evangelistas reproduziram o que encontraram em suas fontes (Geofrey M de Ste Croix). Acima já refletimos sobre como os evangelhos sinóticos apresentam um contorno geral de Jesus poderoso em palavras e atos, nas pequenas vilas e aldeias da Galíleia, em dissonância com a pregação do Cristo querigmático posterior; proto-ortodoxos, ebionitas, marcionitas, gnosticos docéticos e separacionistas conservam o esqueleto básico dessa narrativa, quase como um ancestral comum, mesmo que não o enfatizem (David Flusser e Geza Vermes). &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;A identificação de elementos que plausivelmente podem ser organizados em uma narrativa comum coerente com o contexto histórico em que teriam se originado, e que são mantidos em várias tradições cristãs concorrentes e rivais, em alguns casos indo contra as tendências de desenvolvimento dessas tradições, formam a base do critério de plausibilidade histórica. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Como observa um colega e contemporâneo de John M Roberts, &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Louis_R._Gottschalk"&gt;Louis Gottschalk&lt;/a&gt;, que foi Professor da Universidade de Chicago, em seu Manual, "Understanding History", na análise de um documento, o historiador deve se ater mais a cada parte relevante do documento, do que ao documento como um todo. Em relação a cada um desses elementos relevantes e particulares, ele deve se perguntar: "Isso é crível ? Por crível não se entende "&lt;em&gt;o que realmente ocorreu", &lt;/em&gt;mas sim o "&lt;em&gt;que é mais proximo do que realmente pode ter acontecido com base no exame crítico das melhores fontes disponíveis"[16]. &lt;/em&gt;Ou seja, os elementos com alto grau de verossemelhança, o que, enfatiza Gottschalk, é bem mais do que não ser falso, e ainda acima do que meramente plausível[16]. Em outras palavras, o historiador tem condições de estabelecer verossemelhança, ao invés de verdade objetiva[16]. Foi justamente isso que os estudiosos já citados fizeram com os evagelhos. A partir da analise dos elementos relevantes das fontes, estabeleceram a partir de vários elementos plausíveis, um retrato verossimilar de Jesus, tendo em vista o contexto em que viveu, e o impacto que causou. É semelhante a montagem de um quebra-cabeça, onde as peças são arranjadas de forma a formarem um figura, reconhecendo que muitas peças podem estar faltando, e as vezes seja possivel apenas esboçar, ou nem isso, a figura original.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Roberts observa ainda que fontes com problemas similares ou maiores que os evangelhos são utilizados pelos historiadores em outros campos. Ele cita o caso dos escritos homéricos em relação ao período micênico, mas temos ainda as narrativas de Tito Lívio (século I AC) em relação a &lt;a href="http://adcummulus.blogspot.com/2010/08/os-criterios-do-constrangimento-e-da.html"&gt;República&lt;/a&gt; &lt;a href="http://adcummulus.blogspot.com/2010/09/os-criterios-do-constrangimento-e-da.html"&gt;Romana primitiva &lt;/a&gt;(séculos V e IV AC); a &lt;a href="http://adcummulus.blogspot.com/2010/09/os-criterios-do-constrangimento-e-da_14.html"&gt;biografia de Apolonio de Tiana &lt;/a&gt;(sec I DC) por Filostrato de Quios (século III DC); os &lt;a href="http://adcummulus.blogspot.com/2010/11/os-criterios-do-constrangimento-e-da.html"&gt;livros históricos do Velho Testamento e as tradições orais de povos africanos &lt;/a&gt;na reconstrução do passado pré-colonial. Também a atestação de Jesus em fontes externas semi-contemporâneas é consistente com a de outros pretendentes messiânicos como &lt;a href="http://adcummulus.blogspot.com/2011/06/significancia-de-jesus-e-escala-richter.html"&gt;Simão de Peréia, Judas Galileu e o Profeta Egípcio&lt;/a&gt;. Por fim, Roberts reconhece que ainda se terá o problema de que as narrativas evangélicas, salvo em alguns pontos específicos (existência, crucificação, atividade como mestre e realizador de curas e exorcismos), não encontram paralelo em fontes não-cristãs, o que permite um ampla variação nos detalhes específicos do ministério de Jesus. Tais situações são relativamente comuns na História Antiga e Medieval, e os historiadores tem que viver com isso, e podemos concluir com as observaçoes dos Professores &lt;a href="http://www.columbia.edu/cu/history/fac-bios/Howell/faculty.html"&gt;Martha Howell&lt;/a&gt;, da Univ. de Columbia e Walter Prevenier, da Univ. de Ghent:&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;“&lt;em&gt;Historians never have just what they want or need. At one extreme is the historian limited to one source. Einhard’s Life of Charlemagne is, for example, the only source scholars have about the private life of Europe’s first emperor. Like many of the political biographies written today, this one is more hagiography than critical biography, and in the best of worlds historians might refuse to use it as evidence about Charlemagne’s life and his character. But historians, although conscious they are prisoners of the unique source and bear all the risks that this involves, use it because it is all they have&lt;/em&gt;.” (&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;tradução&lt;/span&gt;) &lt;em&gt;Os historiadores nunca tem exatamente o que eles querem ou precisam. Em um extremo está o historiador limitado a uma única fonte. Vida de Carlos Magno, de Einhard, é, por exemplo, a única fonte disponível para os estudiosos sobre a vida privada do primeiro imperador da Europa. Como muitas das biografias políticas escrito hoje, é mais uma hagiografia do que biografia crítica, e no melhor dos mundos ,historiadores poderiam se recusar a usá-lo como evidência sobre a vida de Carlos Magno e seu caráter. Mas os historiadores, embora conscientes que são prisioneiros de uma única fonte e todos os riscos que isso envolve, a utilizam porque é tudo que eles têm.&lt;/em&gt; "&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Referências Bibliográficas&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;[1]&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;David Flusser (1998), Jesus, fl. XVIII (Prefácio)&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;[2] David Flusser (1998), Jesus, fl. 1-3; A biografia de referência de Joseph Smith foi escrita por Fawn McKay Brodie (1945): &lt;a href="http://www.amazon.com/No-Man-Knows-My-History/dp/0679730540"&gt;&lt;em&gt;No Man Knows My History: The Life of Joseph Smith&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt;, &lt;/em&gt;por ter sido a primeira obra escrita sobre uma perspectiva não hagiográfica (ou polêmica)&lt;em&gt; &lt;/em&gt;sobre o fundador do mormonismo&lt;em&gt;.&lt;/em&gt; Os escritos de Joseph Smith podem ser consultados no site &lt;a href="http://josephsmithpapers.org/"&gt;http://josephsmithpapers.org/&lt;/a&gt; . Sobre Simon Kimbangu, o &lt;em&gt;site &lt;/em&gt;&lt;a href="http://www.dacb.org/portuguesehomepage.html"&gt;&lt;em&gt;"Dicionário de Biografias Cristãs da Africa"&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt; ,&lt;/em&gt; relata "&lt;em&gt;Além de fontes de arquivos (Archives Africains, Brussels; BMS archives, Oxford), a principal documentação sobre a vida e o ministério de Kimbangu é de Paul Raymaekers, ed., "L'Histoire de Simon Kimbangu prophète d'après les écrivains Nfinangani et Nzungu," Archives de sociologie des religions 31 (1971): 7 - 49 and Paul Raymaekers and Henri Desroche, ed., L'Administration et le sacre. Discours religieux et parcours politiques en Afrique Centrale (1921 - 1957) (1983). A história oral foi coletada em W. MacGaffey, "The Beloved City: Commentary on a Kimbanguist Text," JRA 2 (1969): 129-147, e em Kuntima Diangienda, L'Histoire du Kimbanguisme (1984), escrita pelo filho mais jovem de Kimbangu, o último dirigente da Igreja de Kimbangu. M.-L. Martin, Kimbangu: An African Prophet and His Church (1975); Werner Ustorf, Afrikanische Initiative (1975)"&lt;/em&gt;.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;[3] Para uma análise histórica sucinta e objetiva dos milagres de Jesus numa perspectiva naturalista, ver John Dominic Crossan (1995), Jesus uma Biografia Revolucionária, fls. 104/106; para uma outra mais detalhada e aprofundada, ver John P Meier (1999) Um Judeu Marginal, Livro 2, Volume III,; Professor &lt;a href="http://www.lsa.umich.edu/history/people/faculty/ci.vandamray_ci.detail"&gt;Raymond Van Dam&lt;/a&gt; elaborou uma excelente análise histórica dos relatos de milagres de santos do século V, em seu livro &lt;em&gt;"Saints and their miracles and Late Antique Gaul&lt;/em&gt;"(1993) no que se refere a placebos, doenças psicosomática e cura pela fé, um trabalho de referência é o de Arthur e Erica Shapiro "&lt;em&gt;The Powerful Placebo: From Ancient Priest to Modern Physician"&lt;/em&gt; ver também Erney Plesmann de Camargo e Mônica Teixeira (2002) &lt;a href="http://www.fundamentalpsychopathology.org/art/jun2/monica.pdf"&gt;Sobre Placebo e Efeito Placebo&lt;/a&gt;, Rev. Latinoam. Psicopat. Fund., V, 2, 118-125; Monica Teixeira (2008) &lt;a href="http://www.scielo.br/pdf/rlpf/v11n4/v11n4a11.pdf"&gt;Placebo, um Mal Estar para a Medicina&lt;/a&gt;, &lt;em&gt;Rev. Latinoam. Psicopat. Fund., São Paulo, v. 11, n. 4, p. 653-660, dezembro 2008;&lt;/em&gt; Armando Favazza (1982) &lt;a href="http://ad-teaching.informatik.uni-freiburg.de/zbmed/Germany%20PLC/AJP/Entpackt/ajp_139_6.pdf/728.pdf"&gt;&lt;em&gt;Modern Christian Healing of Mental Illness &lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt;, Am J Psychiatry 139:6, June 1982, 728-736.&lt;/em&gt; Nicholas Humphrey (2002) &lt;em&gt;&lt;a href="http://cogprints.org/3386/1/GreatExpectations.pdf"&gt;Great expectations: the evolutionary psychology of faith-healing and the placebo effect &lt;/a&gt;&lt;strong&gt;In&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; Nicholas Humphrey (2003) &lt;em&gt;The Mind Made Flesh: Essays from the Frontiers of Evolution and Psychology,&lt;/em&gt; Ch. 19, 255-85, Oxford University Press.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;[4] Informações biográficas de Geza Vermes constantes em seu livro "As Varias Faces de Jesus", fl. 369 (contracapa). Especificamente no que se refere ao período da ameaça nazista ver sua autobiografia, &lt;em&gt;"Providential accidents: an autobiography &lt;/em&gt;(1998)&lt;em&gt;", &lt;/em&gt;fls. 32-39;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;[5] Geza Vermes (1998) &lt;em&gt;As Varias Faces de Jesus&lt;/em&gt;, fls. 177 e 263, respectivamente&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;[6] Geza Vermes (1998) &lt;em&gt;As Varias Faces de Jesus&lt;/em&gt;, fl. 246&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;[7] Geza Vermes (1987) &lt;em&gt;The Jesus Notice of Josephus Re-Examined&lt;/em&gt;, Journal of Jewish Studies 38, 1- 10;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;[8] Geza Vermes (1998) &lt;em&gt;As Varias Faces de Jesus&lt;/em&gt;, fl. 306-307&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;[9] Tertuliano de Cartago, &lt;em&gt;Prescrição contra os Hereges&lt;/em&gt;, capítulo 13.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;[10] Tertuliano, &lt;em&gt;Contra Praxeas 2&lt;/em&gt;, e do "&lt;em&gt;Véu das Virgens 1".&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;[11] Sobre Pitagoras, segundo Diogenes Laércio (cerca de 200 DC, Vida e Doutrinas de Filosofos Eminentes, &lt;a href="http://www.perseus.tufts.edu/hopper/text?doc=Perseus%3Atext%3A1999.01.0258%3Abook%3D8%3Achapter%3D1"&gt;Vida de Pitágoras&lt;/a&gt;, IX) e Porfírio de Tiro (280 DC, &lt;a href="http://www.tertullian.org/fathers/porphyry_life_of_pythagoras_02_text.htm"&gt;Vida de Pitágoras&lt;/a&gt;, 28-29), havia a crença que Pitagoras era o deus Apolo em forma humana, vindo das paradisíacas regiões &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Hiperb%C3%B3rea"&gt;hiperboreas&lt;/a&gt;. Sobre Mani (seculo III DC), O Professor Werner Sundermann, da Universidade Livre de Berlim, em seu artigo na &lt;em&gt;Encyclopaedia Iranica &lt;/em&gt;observa&lt;em&gt; "Mani vita preserved in the &lt;a href="http://www.iranicaonline.org/articles/cologne-mani-codex-parchment"&gt;Cologne Mani Codex&lt;/a&gt; (abbrev. CMC), namely Peri tēs gennēs tou sōmatos autou “About the genesis/procreation of his body,” may presuppose the transcendental precedence of his spiritual nature, as does the Parthian fragment M 6032, which states that Mani “through mercy put on the earthly garment,” that is, his material body.(&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;tradução&lt;/span&gt;) "A biografia de Mani preservada no Código Mani de Colônia (abrev. CMC), chamada Peri tes gennes tou somatos autou "Da gênese/procreação de seu corpo" possivelmente presupõe a precedência transcendental de sua natureza espiritual, como faz o Fragmento parto M 6032, que afirma que Mani, "por compaixão pôs vestes terrenas", ou seja, um corpo material. &lt;a href="http://www.iranicaonline.org/articles/mani-founder-manicheism"&gt;http://www.iranicaonline.org/articles/mani-founder-manicheism&lt;/a&gt;, acessado 28.12.2011.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;[12] Para uma bom "overview" a respeito dos docéticos e sepacionistas no gnosticismo cristão primitivo ver Bart Erhmam, "Evangelhos Perdidos", diferenciação entre doceticos e separacionistas fls 36-37; No que se refere a predominância dos separacionistas sobre os doceticos entre os gnósticos, fl. 188; quanto as crenças comuns gnósticas ver fls.171-201. Entre os rivais dos proto-ortodoxos pelas mentes e corações dos cristãos primitivos. &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Cerinthus"&gt;Cerinto&lt;/a&gt;, segundo Hipolito de Roma, &lt;em&gt;" afirma que &lt;strong&gt;Jesus não nasceu de uma virgem, mas da união natural de José e Maria&lt;/strong&gt;, como o resto da humanidade; mas que &lt;strong&gt;ele excedia em justiça, prudência e compreensão todos os outros homens&lt;/strong&gt;. E Cerinto afirma também que após o &lt;strong&gt;batismo de Jesus&lt;/strong&gt;, Cristo veio a terra em forma de pomba e desceu sobre ele, vindo da parte da Soberania que habita acima do circulo da existência, e depois disso ele &lt;strong&gt;passou a pregar o Pai, que não era conhecido, e realizar milagres&lt;/strong&gt;. E ele declara que no fim de sua paixão, Cristo o deixou, uma vez que era incapaz de sofre, sendo um Espírito da parte do Senhor&lt;/em&gt;" (Hipolito, Refutação de todas as Heresias, Livro X, Capítulo 17). Também Basilides pregava que&lt;em&gt; "o &lt;strong&gt;Pai&lt;/strong&gt; não nascido e sem nome, (...) &lt;strong&gt;enviou seu próprio primogênito Nous (aquele que é chamado Cristo) para libertar, aqueles que acreditam nele, do Demiurgo criador do mundo&lt;/strong&gt;. &lt;strong&gt;Ele apareceu então, na Terra em forma humana, para nações representadas por aquelas potestades, e realizou milagres. No entanto ele mesmo não sofreu a morte, mas Simão, um home de Cirene, sendo chamado, levou a cruz em seu lugar; e foi transfigurado para parecer com ele&lt;/strong&gt;, para que acreditassem que ele era Jesus, e o crucificassem, por ignorância e error, enquanto Jesus recebeu a forma de Simão, e estando de longe, ria deles" (&lt;/em&gt;Irineu de Lion, Contra as Heresias, Livro I, Capitulo 24, seção 4&lt;em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;[14] Maurice Goguel (1926), Jesus the Nazarene: Myth or History?, fl. 79&lt;/p&gt;[15] John M Roberts e Orde Arne Westad (2007) &lt;em&gt;The New Penguin History of World, fl. 265. (obs: &lt;/em&gt;Edição de 2003, revisada em 2007 por Orde Arne Westad)&lt;br /&gt;[16] Louis Gottschalk (1969) &lt;em&gt;"Understanding History, A Primer of Historical Method, &lt;/em&gt;fls. 139-140.&lt;br /&gt;[17] Martha Howell e Walter Prevenier (2001) &lt;em&gt;From Reliable Sources&lt;/em&gt;, fl. 81&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16935532-3839372210062671713?l=adcummulus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://adcummulus.blogspot.com/feeds/3839372210062671713/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16935532&amp;postID=3839372210062671713&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16935532/posts/default/3839372210062671713'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16935532/posts/default/3839372210062671713'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://adcummulus.blogspot.com/2011/12/quem-eles-dizem-que-eu-sou-os.html' title='Quem Eles Dizem Que Eu Sou? Os Historiadores e Jesus Parte II: Tradição, Narrativa e História'/><author><name>Nehemias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05093459549722450363</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-6YCqpPpUHT8/Tr0m-m3xbcI/AAAAAAAAANs/qgE7ur3br9A/s72-c/170px-Jesus-Christ-from-Hagia-Sophia.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16935532.post-4611859341696611481</id><published>2011-10-10T17:11:00.002-03:00</published><updated>2012-01-02T16:48:22.364-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Série quem eles dizem eu sou?'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Jesus Histórico'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cristianismo Primitivo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='critérios históricos'/><title type='text'>"Quem Eles Dizem Que eu Sou ?"- Os Historiadores, Jesus e os Evangelhos - Parte 1: Texto e Contexto</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-oQXanW9hv5M/Toxy4K40deI/AAAAAAAAANQ/0vpvBw--6zM/s1600/220px-Gyzis_006_%252528%2525CE%252597istoria%252529.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5660025141018785250" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 200px; HEIGHT: 200px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-oQXanW9hv5M/Toxy4K40deI/AAAAAAAAANQ/0vpvBw--6zM/s200/220px-Gyzis_006_%252528%2525CE%252597istoria%252529.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Uma de nossas maiores preocupações aqui no adcummulus tem sido apresentar ao leitor em lingua portuguesa recursos confiáveis para análise histórica dos textos do Velho e (principalmente) Novo Testamento, e refletir a respeito do Jesus Histórico, da origem do cristianismo, no contexto cultural e social da Antiguidade..... No entanto, não há como ignorar o fato de que uma vez que nossa cultura foi impactada, moldada, influenciada decisivamente pelo cristianismo, é díficil agir com distanciamento crítico. Existe o risco do cristão encarar a análise histórica do cristianismo como a defesa de sua fé e identidade, de seu estilo de vida, e talvez, consciente ou subconscientemente, apele por um "tratamento especial" para as narrativas sagradas. Por outro, os que forem céticos ou mesmo críticos do cristianismo e de sua influência, podem igualmente se sentir atraidos com visões que desqualifiquem, apriori, qualquer tentativa de se analisar historicamente o texto bíblico, uma vez que poderia, de alguma forma, "legitimar" a religião cristã. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Então, a busca das origens do cristianismo, não é, e não será, simples. Pois é dificil fugir da condição de parte interessada. É díficil analisar com distanciamento algo que nos cerca. Mas temos exemplos disso em outras áreas da história, que podem nos ajudar a identifcar as armadilhas que nos esperam, e tentar evita-las. A maioria das pessoas que se interessa por "História do Brasil" será de brasileiros, e vemos muitas vezes como a nossa percepção, presente, dos rumos do país, influência decisivamente nossa visão do passado. É interessante ver como a historiografia retratou figuras como &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Dom_Jo%C3%A3o_VI"&gt;D. João VI&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Tiradentes"&gt;Tiradentes&lt;/a&gt; ou os &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Bandeirantes"&gt;Bandeirantes&lt;/a&gt; ao longo do tempo. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Por exemplo, nos debates sobre a &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Decline_of_the_Roman_Empire#Transformation"&gt;"Queda do Império Romano"&lt;/a&gt; existem os "catastrofistas" e os "continuistas", &lt;a href="http://crookedtimber.org/2003/08/25/decline-and-fall/"&gt;mas inúmeras teorias já foram propostas&lt;/a&gt;, tais como a "ascensão do cristianismo", degeneração moral", "degradação ambiental", "&lt;a href="https://kb.osu.edu/dspace/bitstream/handle/1811/23252/V088N3_078.pdf;jsessionid=01AEFB1E3325E2D154F91374A1FB86A9?sequence=1"&gt;envenenamento por chumbo&lt;/a&gt;",&lt;a href="http://www.cato.org/pubs/journal/cjv14n2-7.html"&gt; "crescimento do governo"&lt;/a&gt;. Essas teorias, além de se originarem de algumas evidências específicas, frequentemente são motivadas por percepções e preocupações do presente projetadas sobre o passado. Por exemplo, o Professor &lt;a href="http://www.york.ac.uk/history/staff/profiles/halsall/"&gt;Guy Halsall&lt;/a&gt;, da Universidade de York, observa que houve uma tendência da historiografia alemã e britânica em ver na "Queda" do Império Romano uma transformação em que os povos germânicos em migração trouxeram "sangue novo" ao já decadente Império Romano [1], enquanto isso, seus colegas franceses e italianos muitas vezes viram nesse mesmo processo, a destruição da "civilização", por "bárbaros", provocando a "Idade Negra"[1], assim, estudiosos franceses lamentavam o fim da civilização romana pelas "invasions barbares" , enquanto os historiadores alemães se referiam a "migração" dos povos germânicos em direção ao Império, o "Völkerwanderungen".[1]&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Assim, o "problema" do viés, do "bias", como dizem os americanos, esta disseminado na analise histórica. Surge da necessidade, bem humana, de interpretar o passado a luz da nossa percepção, valores e expectivas no presente. O Professor &lt;a href="http://cbehanmccullagh.com/publications.html"&gt;C. Behan McCullough&lt;/a&gt;, um estudioso que tem publicado extensamente sobre a natureza do conhecimento histórico, defende a importância da construção de consensos entre estudiosos de variadas perspectivas e visões de mundo para diminuir o "problema" do viés:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;"bias in historical argument can only be checked by other historians familiar with the material, but coming at it from another point of view. This is why consensus among historians is important. Not because this guarantees credibility, but because it helps to eliminate individual bias in historical thinking" [2]&lt;br /&gt;(&lt;span style="COLOR: rgb(255,0,0)"&gt;tradução&lt;/span&gt;) vies no argumento do historiador somente pode ser contido ao ser confrontar com outros historiadores familiares com o material, mas que o abordam de uma outra perspectiva. Por isso é que o consenso entre historiadores é tão importante. Não porque tenha garantia de certeza, mas porque ajuda a eliminar a viés individual na discussão histórica"&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Assim, a implicação disso nos estudos das origens do cristianismo é que a visão de cristãos tradicionais como McCullough, deve ser analisada junto com a de outros estudiosos qualificados ateus, judeus, cristãos liberais, budistas, espitituais mas não religiosos, de todas as "tribos" que a academia se divide. Uma analogia com que o McCullough propõe, seria entender a busca do consenso e/ou maioria no debate histórico como um tipo de "Congresso" em que as proposições são discutidas aprovadas como em uma "Camara de Deputados". No entanto, indo um pouco além nessa analogia, uma vez que existe o risco um grupo ou conjunto de grupos majoritário criar uma "ditadura da maioria", seria interessante também imaginar uma espécie de Senado, onde as proposições majoritárias seriam revisadas considerando os sub-consensos de cada uma das "tribos", uma vez que cada um dos grupos tem representação igual, independente de seu tamanho. Ou seja, é interessante saber não só o que a maioria dos historiadores pensam sobre o Jesus Histórico, por exemplo, mas também quais são as variações na percepções de estudiosos ateus, judeus, cristão conservadores, esquerdistas, direitistas, feministas, humanistas, alemães, franceses, americanos, brasileiros, japoneses....&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Nas próximas semanas, nós vamos apresentar várias análises de historiadores da antiguidade, classicistas, estudiosos do novo testamento, e arqueólogos com objetivo de apresentar como historiadores de várias formações e convicções abordam a origem do cristianismo, Jesus e os evangelhos, sobre pontos como "texto e contexto das narrativas" (Hoje), "fatos básicos", "métodos" e "esboço de uma narrativa construida a partir dos evengelhos e análise histórica. O título da Série será "&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Quem eles dizem que eu sou, os Historiadores e Jesus".&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; Citamos esses estudiosos não porque concordemos sempre com eles (até porque eles discordam entre si frequentemente), mas no intuito de identificar pontos de consenso e discordância, e prover ao leitor um senso de "mainstream", posições minoritárias, consenso, quase consenso.... Acreditamos que não &lt;em&gt;"multidão de conselheiros, há sabedoria"(&lt;/em&gt;Provérbios 15:22&lt;em&gt;).&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Parte 1: Texto e Contexto nas Narrativas Evangélicas&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Os evangelhos sinóticos epresentam Jesus e seus díscipulos como pregadores itinerantes, que anunciavam o Reino de Deus, e realizam feitos que eram considerados por seus contemporâneos como milagres, notadamente curas e exorcismos, basicamente nas regiões rurais e no interior da Galiléia, governada por Herodes Antipas. Relatam também a visita de Jesus a Jerusalém, em que ele foi acusado pelos "principais sacerdotes" de se proclamar o Messias e o Rei dos Judeus, sendo crucificado por Pôncio Pilatos. Por fim, eles apresentam sua crença de que Jesus era o Messias pois Deus o ressuscitou dos mortos. O Evangelho de João relata outras visitas de Jesus a Jerusalém, por ocasião dos grandes festivais religiosos judaicos, e grande parte da narrativa é focada nessas ocasiões, mas João concorda com os sinóticos em uma base na Galiléia na atividade de Jesus e na narrativa de crucificação e ressureição.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;a) L Michael White&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-gmmusrRPhPE/TnzA2355ZoI/AAAAAAAAAMQ/tjdAgohGEBE/s1600/300px-Bloch-SermonOnTheMount.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5655607281022756482" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 179px; HEIGHT: 200px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/-gmmusrRPhPE/TnzA2355ZoI/AAAAAAAAAMQ/tjdAgohGEBE/s200/300px-Bloch-SermonOnTheMount.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://www.utexas.edu/cola/depts/classics/faculty/lmwhite"&gt;L. Michael White&lt;/a&gt;, é Professor de História Classica e Religião, e Ronald Nelson Smith Chair in Christian Origins, da Universidade do Texas (Austin). Em seu livro "Scripting Jesus", apresenta as datas geralmente aceitas para a composição dos evangelhos.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;"In turn, references in the &lt;strong&gt;gospel of Mark&lt;/strong&gt;, to be discussed latershow that Mark was written sometime near the end of first jewish revolt against Rome. &lt;strong&gt;That means sometime between 70 and 75 CE&lt;/strong&gt;, the dates used by the vast majority of new testament scholars. The remaining New Testament Gospels come in the following decades: &lt;strong&gt;Matthew: ca 80-90; Luke 90-100; John 95-120&lt;/strong&gt;. Although there is considerable debate by scholars about the dates within each of these ranges, &lt;strong&gt;the Gospels on the whole fall at least one or two generations after the death of Jesus [3]. &lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;(&lt;span style="COLOR: rgb(255,0,0)"&gt;tradução&lt;/span&gt;) Por sua vez, referências no &lt;strong&gt;evangelho de Marcos&lt;/strong&gt;, que discutiremos mais tarde, mostram que Marcos foi escrito perto do fim da primeira revolta judaica contra Roma. &lt;strong&gt;Isso se deu que em algum momento entre 70 e 75 DC&lt;/strong&gt;, as datas utilizadas pela grande maioria dos estudiosos do Novo Testamento. Os outros evangelhos do Novo Testamento teriam sido escritos nas décadas seguintes: &lt;strong&gt;Mateus: cerca de 80-90 DC, Lucas 90-100 DC, João 95-120 DC&lt;/strong&gt;. Embora haja muito debate pelos estudiosos sobre as datas específicas em cada uma dessas faixas, &lt;strong&gt;os Evangelhos como um todo teriam sido escritos, pelo menos, uma ou duas gerações após a morte de Jesus [3]&lt;/strong&gt;.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Ou seja, embora haja profundas divergências entre os estudiosos sobre quando, onde, para quem, e com que intenção os evangelhos foram escritos, é (quase) consensual que surgiram entre a I e II Guerra Judaica (entre 66 a 132 DC), mas provavelmente entre 70 a 110 DC, em grego . A maioria esmagadora dos estudiosos acredita que Marcos foi escrito primeiro, que Lucas e Mateus o utilizaram, e que por fim foi escrito o evangelho de João. [4] A posição majoritária é que Lucas e Mateus usaram uma fonte comum formada basicamente de ditos de Jesus, chamada &lt;a href="http://www.livius.org/q/q-source/q2.htm"&gt;Q&lt;/a&gt; (ou &lt;a href="http://www.livius.org/q/q-source/q1.htm"&gt;Quelle&lt;/a&gt;, "fonte" em alemão). João, também segundo a maioria dos estudiosos, constituiria uma fonte independente sobre Jesus. Assim, Marcos, Q, as fontes especificas de Mateus (M), e Lucas (L), o evangelho João, as narrativas de nascimento de Jesus, Paulo, além do &lt;a href="http://www.earlychristianwritings.com/thomas.html"&gt;evangelho de Tomé &lt;/a&gt;(principalmente para os estudiosos ligados ao &lt;a href="http://www.westarinstitute.org/Seminars/seminars.html"&gt;Jesus Seminar&lt;/a&gt;) são assim fontes potenciais para o Jesus Histórico, representando cada um visões diferentes existentes no seio do cristianismo primitivo [4]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Professor White descreve as implicações desse fato. O que significa esse deslocamento temporal (e geográfico) de quarenta a setenta anos entre a morte de Jesus e o relato de sua vida? Teriam os autores evangélicos condição e disposição de buscar tradições orais ou escritas sobre Jesus, ou eles simplesmente inventaram sua narrativa? A resposta é que uma parte significativa é proveniente de uma &lt;em&gt;"tradição oral vibrant esobre Jesus que começou a circular cerca de uma década após sua morte", que entre os estudiosos "ninguem hoje acredita que os evenagelhos foram simplesmente inventados. &lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;"The gap between the death of Jesus and the composition of the Gospels means either that the Gospels were made up out of whole cloth or that they were based on older tradition and stories&lt;/strong&gt; that had circulated only in oral form until they began to be written down many years later. Frankly&lt;strong&gt;, no one today would argue that they were merely made up. Various factors support the view that a vibrant oral tradition about Jesus had already begun to circulate within a decade or so after his death&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; [5]. &lt;em&gt;(&lt;span style="COLOR: rgb(255,0,0)"&gt;tradução&lt;/span&gt;) &lt;strong&gt;O lapso de tempo entre a morte de Jesus e a composição dos Evangelhos, implica ou que os textos foram completamente inventados ou que foram baseadas em tradições e estórias mais antigas&lt;/strong&gt; que circulavam oralmente, até que começaram a ser escritas muitos anos mais tarde. &lt;strong&gt;Francamente, ninguém hoje em dia acredita que os evangelhos foram simplesmente inventados. Vários fatores suportam a posição de que uma tradição oral vibrante sobre Jesus já tinha começado a circular dentro de uma década ou mais depois de sua morte&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; [5]&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Ainda segundo o Professor White a existência dessas tradições orais, e, possivelmente, textos escritos (como Q), implicou que a preservação das memórias sobre Jesus. No entanto, a natureza fluida dessas tradições implicaria, segundo White, que foram moldadas e remodeladas pelos evangelistas para atender as necessidades específicas de evangelização, instrução, edificação, e defesa da Fé, de suas comunidades. As comunidades para qual foram endereçadas eram, provavelmente, urbanas, em cidades como Efeso, Antioquia, Corinto, Roma. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;It is also possible that there were earlier written sources that are now lost. Though not likely whole "Gospels" as we think of them, they too represent stages in the development of the oral tradition from which the later Gospel writers could draw. Yet the nature and extent of this oral tradition (to be discussed in greater detail in Act 11 below) ensured preservation of early memories, but within fluid and malleable modes of transmission.&lt;strong&gt; The writers of the Gospels who used these oral traditions were also capable of combining and reshaping them to fit their own needs, or more precisely the own perceptions regarding what their audiences needed in order to believe in Jesus&lt;/strong&gt;. They were promoting their faith by telling and retelling the story of Jesus in new and varied situation.(&lt;span style="COLOR: rgb(255,0,0)"&gt;tradução&lt;/span&gt;) Também é possível que tenham existido fontes escritas anteriormente que tenham se perdido. Embora não seja provável que não fossem "Evangelhos" completos, tais como nós temos hoje, eles também representam estágios no desenvolvimento da tradição oral a partir do qual aqueles que posteriormente escreveram os Evangelho poderiam ter utilizado. Ainda que a natureza e a extensão dessa tradição oral (a ser discutido em maior detalhe no Ato 11 abaixo) tenham garantido a preservação das memórias primitivas, isso ocorreu a partir de modos de transmissão fluidos e maleáveis. &lt;strong&gt;Os escritores dos Evangelhos que usaram essas tradições orais também eram capazes de combinar e remodelando-os para atender suas próprias necessidades, ou mais precisamente suas próprias percepções sobre o que era mais necessário a suas audiências, a fim de crer em Jesus&lt;/strong&gt;. Eles estavam promovendo a sua fé contando e recontando a história de Jesus em situações novas e variadas.&lt;/em&gt; [5]&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Assim, o conjunto de memórias associados a Jesus foi interagindo com as necessidades específicas das comunidades cristãs sendo eventualmente postas em forma escrita, até o desenvolvimento das narrativas sistemáticas que temos hoje nos evangelhos a partir desse "núcleo" de reminiscências do Jesus Histórico e seu Ministério. O debate então se dá, quase sempre, não sobre a existência dese núcleo histórico, mas sua extensão e na forma como foi moldado até chegar nos textos atuais.&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;b) Fergus Millar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-FYEAmTyb6hs/TnzB09L36fI/AAAAAAAAAMg/9GQT6b3Jw8A/s1600/250px-Po_vodam.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5655608347592223218" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 153px; HEIGHT: 200px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-FYEAmTyb6hs/TnzB09L36fI/AAAAAAAAAMg/9GQT6b3Jw8A/s200/250px-Po_vodam.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Por sua vez, "Sir" &lt;a href="http://www.orinst.ox.ac.uk/staff/hjs/fmillar.html"&gt;Fergus Milar&lt;/a&gt;, &lt;a title="Camden Professor of Ancient History" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Camden_Professor_of_Ancient_History"&gt;Camden Professor of Ancient History&lt;/a&gt;, Emérito, da Universidade de Oxford, enfatiza os escritos de Josefo, de um lado, e os evangelhos, de outro, como representando a memória de um mundo, "que o vento (ou melhor, a guerra) levou; o do Segundo Templo do Judaísmo. O Professor Millar observa que Josefo é o ponto de partida para entender e analisar os evangelhos, e ele mesmo, embora escrevendo em Roma anos depois da destruição daquele mundo pela Grande Guerra Judaica de 66-73 DC, traz sua experiência do mundo do Templo, das familias sacerdotais, do governo e das grandes articulações políticas. Mas existe ainda um outro mundo das experiências das vilas e comunidades da Galiléia, e da vida dos judeus mais simples e humildes. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;"But of course the most profound testimony to the role of Biblical History in the shoping of popular consciousness is provided by the gospels". &lt;strong&gt;For although we cannot state when, where, by who or for whom any of them was written , it is remain beyond question that they emerged out of the same world, the jewish life of Galilee, judean Jerusalem itself, as do the works of Josephus. Indeed those works of Josephus, written far way in Rome between the 70s and the 90s, provide the essential starting point for all discussion of the Gospels.&lt;/strong&gt; For They are rooted in Josephus experience of a world which had by then disapeared: That of the self government jewish community of Jerusalem, the Temple and the High Priests, the high-priestly families, "the sanhedrim" and the great crowds coming for the major festivals. &lt;strong&gt;But there was also another world which was still there, but from which he was now cut off: that of the villages and small towns of the jewish region Gallilee and its neighboring tenets above all" [6]&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(255,0,0)"&gt;(tradução) &lt;/span&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(51,51,51)"&gt;Mas é claro que o testemunho mais profundo para o papel da História Bíblica na formação da consciência popular nos é dado pelos evangelhos ". &lt;strong&gt;Pois, embora não se pode afirmar quando, onde, por quem ou para quem qualquer um deles foi escrito, permanece fora questão que surgiram a partir do mesmo mundo, a vida judaica da Galileia, da Judeia própriamente dita e de Jerusalém, assim como as obras de Josefo. Na verdade as obras de Josefo, escritas na distante em Roma entre os anos 70 e década de 90, fornecem o ponto de partida essencial para toda a discussão dos Evangelhos.&lt;/strong&gt; Pois esta enraizada na experiência de Josefo de um mundo que tinha desaparecido: de uma comunidade judaica que se governava, de Jerusalém, do Templo, e dos sumos sacerdotes, das proeminentes famílias sacerdotais, "do Sinédrio", das grandes multidões que atendiam os principais festivais. &lt;strong&gt;Mas havia também um outro mundo que ainda estava lá, mas do qual ele estava agora separado: o das aldeias e pequenas cidades da Galileia e adjacências, acima de tudo " [6]&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;Os escritos de Josefo (principalmente) - bem como Filo (em menor grau), os manuscritos do Mar Morto, os varios autores que viviam no Mediterrâneo no período, e os dados arqueológicos - nos permitem comparar as narrativa da origem do cristianismo e de seu fundador com a paisagem, a moldura, o &lt;em&gt;background&lt;/em&gt;, em que eles emergiram. Isso nos permite fazer juizos quanto a plausibilidade, verossimilhança, e tentar formular hipóteses capazes de fornecer a melhor explicação para a evidência disponível. Por exemplo, se os evangelhos colocam Jesus no ambiente rural e judaico da Galiléia dos anos 20 e 30 DC, e sabemos que eles foram escritos para populações helenizadas, vivendo em cidades como Éfeso ou Antioquia do final do século I e/ou início do II DC, os elementos da narrativa fazem sentido a luz do que sabemos do contexto? Até que ponto a missão de Jesus, conforme as fontes, é coerente com o que sabemos sobre a Galileia dos anos 30 DC, e seus adoráveis profetas, milagreiros e revolucionários (ou ao contrário, Jesus aparece perdido e deslocado do contexto)?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;The world which the gospels reflect is precisely the same as that which Josephus experienced, but as it was in the decade before his birth, when Galille was still part of the Tetrarchy of Herod Antipas. The fact that they do genuinely reflect this world with its social division and religion disputes, as it was in the 20s and 30 s, does not mean that they were written either there or then. But They remain authoritative testimony to the concerns and historical consciouness of Jewish Society, in Galilee and Jerusalem above all, before the fall of the Temple.&lt;/strong&gt; The gospels provide an extremely vivid, and , in geographical terms quite extensive views of what the area of Jewish Setlement was in Jesus time." &lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;(&lt;span style="COLOR: rgb(255,0,0)"&gt;tradução&lt;/span&gt;) O&lt;strong&gt; mundo que os evangelhos refletem é precisamente o mesmo que Josefo experientou, só que na década anterior ao seu nascimento, quando a Galiléia ainda era parte da tetrarquia de Herodes Antipas. O fato de que eles indubitavelmente refletem este mundo com as suas divisões social e disputas religiosas, como era nos anos 20 e 30, não significa que elae foram escritas nem lá, ou naquela época. Mas eles constituem um testemunho autoritativo das preocupações e consciência histórica da sociedade judaica, na Galiléia e em Jerusalém, acima de tudo, antes da queda do Templo.&lt;/strong&gt; Os evangelhos fornecem um relato extremamente vívido e, em termos geográficos, bastante extenso do que eram os assentamentos judaicos na época de Jesus. " [6]&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Ou seja, o ponto que Millar enfatiza é que os evangelhos, embora escritos para uma outra audiência, em outra lingua, décadas depois, realmente refletem realidades e memórias históricas de um "mundo" galileu e rural dos anos 20 e 30 DC. Nesse aspecto eles são complementares a Josefo como fonte para a vida judaica do século I DC. No entanto, uma vez que foram capazes de preservar uma genuina mémoria histórica, a tal ponto de permitir a "montagem" do cenário, quais são as implicações disso para o seu protagonista?&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;c) Gerd Theissen&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;a href="http://www.theologie.uni-heidelberg.de/fakultaet/personen/theissen.html"&gt;Gerd Theissen &lt;/a&gt;, professor de teologia do novo testamento da Universidade de Heidelberg (Alemanha), em livro em co-autoria com a Professora de cultura e literatura do cristianismo primitivo da Universidade de Utrecht (Holanda) &lt;a href="http://www.phil.uu.nl/hsfl/members/Merz/index.html"&gt;Annete Merz&lt;/a&gt;, nos oferece um exemplo, entre vários de possíveis, de memória histórica incidental contida nos evangelhos. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;"(...) tradições individuais (e complexos de tradição) contêm tanto "colorido local" e tantos "indícios de familiaridade" que devem ter surgido na Palestina. &lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;Mt 11:7-9 o "caniço agitado ao vento" citado no dito é, provavelmente, uma referência irônica as moedas de Herodes Antipas, nos quais era desenhado um "caniço" e que circulavaram apenas em seu reinado "[7] &lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;No texto indicado por Theissen, com versões paralelas em Lucas 7:24-25 e no evangelho de Tomé 78, era parte, provavelmente, da fonte de ditos comum utilizada por Lucas e Mateus chamada Q. Jesus após ser questionado por emissários de João Batista, que estava na prisão, se ele era aquele que havia de vir, diz o seguinte a respeito de João:&lt;em&gt; &lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;"Que saístes a ver no deserto? um caniço agitado pelo vento? Mas que saístes a ver? um homem trajado de vestes luxuosas? Eis que aqueles que trajam vestes luxuosas estão nas casas dos reis"&lt;/em&gt;. &lt;em&gt;Mas, então que fostes ver? um profeta? Sim, vos digo eu, e muito mais do que profeta&lt;/em&gt;;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Mas qual a significância de um dito tão enigmático? Theissen sustenta a sua posição a partir da confluência de evidência numismática, geográfica, literária e contextual, que sumarizamos abaixo&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-o1r-Kd-un9k/To7-FFfnh7I/AAAAAAAAANY/wP4gEUnte5I/s1600/antipas_coin_s.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5660741144978884530" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 150px; HEIGHT: 78px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-o1r-Kd-un9k/To7-FFfnh7I/AAAAAAAAANY/wP4gEUnte5I/s200/antipas_coin_s.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;A evidência numismática&lt;/strong&gt;: No I século, os reis herodianos e governadores romanos na Judéia evitavam a prática usual no mundo antigo de colocarem rostos humanos, deuses ou semi-deuses nas moedas cunhadas, para evitar ferir sensibilidades do povo judeu quanto ao 1° e 2° mandamento. &lt;a href="http://www.livius.org/he-hg/herodians/herod_antipas.html"&gt;Herodes Antipas&lt;/a&gt;, que governou a Galiléia e &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/File:First_century_palestine.gif"&gt;Peréia&lt;/a&gt; por 43 anos cunhou moedas com a imagem de um &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Reed_(plant)"&gt;caniço&lt;/a&gt;, que circularam a partir do 23° ano de seu reinado (20 DC) [8]. Theissen, com base no trabalho do arqueólogo &lt;a href="http://members.bib-arch.org/publication.asp?PubID=BSBA&amp;amp;Volume=30&amp;amp;Issue=5&amp;amp;ArticleID=14"&gt;Yaakov Meshorer&lt;/a&gt; , da Universidade Hebraica, observa que essas moedas, de cobre, foram encontradas em pequeno número e sempre na região norte e nordeste de Israel, na mesma Galiléia e Pereia, em que Antipas reinava[8]. O uso de &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Reed_(plant)"&gt;caniços&lt;/a&gt; como simbolo nas moedas judaicas foi, até onde se sabe, uma inovação de Antipas, sendo que outras três séries com a mesma figura foram cunhadas nos anos 33, 34 e 37 de seu reinado (ou 29, 30 e 33 DC) [8][9]. Posteriormente, no ano 39 DC, em sua última série, Antipas substituiu os caniços por palmeiras em suas moedas. No mesmo ano, o &lt;a href="http://www.roman-emperors.org/gaius.htm"&gt;Imperador Galigula &lt;/a&gt;depôs Antipas, e seu território foi incorporado ao novo reino de seu sobrinho &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Agrippa_I"&gt;Herodes Agripa I&lt;/a&gt;, que após sua morte (44 Dc), foi extinto, sendo a Palestina transformada em provincia romana; Logo, as moedas com a figura do caniço, não existentes na Palestina, foram emitidas por Antipas entre 20 a 33 DC, e substituidas posteriormente, não sendo utilizadas novamente por outros governates. Adicionalmente, a &lt;strong&gt;evidência&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;geográfica&lt;/strong&gt;: Caniços e deserto, a princípio, não combinam. Os primeiros indicam fartura de água e fertilidade, o que é aparentemente incompatível com a desolação dos desertos. Mas o Vale Sul do Jordão, apresenta uma peculiaridade interessante pois oferece as duas coisas; um deserto com um oásis no meio, nas margens do rio Jordão, viabilizando o crescimento dessas plantas, (que podiam chegar a 5 metros de altura) também comum na Galiléia. A utilizar o caniço como seu emblema, Antipas passa uma mensagem a seu povo de união, mesmo com seus domínios separados pelo Rio Jordão e as cidades gregas da Decapolis, um simbolo nativo de seus teritórios, e que respeitava a Lei Judaica [8]; &lt;strong&gt;evidência histórica contextual&lt;/strong&gt;: Antipas governou por 43 anos pela seu "jogo-de-cintura" proverbial, de balançar com o vento, conforme as circunstâncias políticas, sem nunca ser levado por ele, um "caniço". Adicionalmente, as moedas com o caniço foram cunhadas por ocasião da construção de Tiberíades, a nova capital da Tetrarquia, onde ficava o Palácio (&lt;em&gt;e as vestes luxuosas, a casa dos reis&lt;/em&gt;) [8]. Flávio Josefo (Antiguidades Judaicas 18:36-38) nos diz que durante a construção de Tiberíades, verificou-se que as fundações da cidade estariam sobre um antigo cemitério, levando os judeus mais piedosos a se recusarem a morar lá. Antipas então levou muitos de seus suditos não judeus para viver lá, fornecendo, em alguns casos, terrenos e casas de graça (desde que as pessoas se comprometessem a permanecer na cidade) e construiu seu palácio, que imitava os palácios imperiais de Roma e da Ilha de Capri (o que deve ter aumentado a insatisfação de muitos com um governante "impio" em seu Palácio "pagão", numa cidade 'impura").&lt;/p&gt;Ou seja, o dito reflete um detalhe de uma realidade histórica e geografica especifica da Galiléia e Pereia, no período em que Jesus teria exercido seu ministério (decadas de de 20 e 30 DC), não se enquadrando no contexto anos anteriores, ou dos anos posteriores, assim como é uma informação de dificil obtenção por alguém que vivia distante daquela região e daquele contexto, como os evangelistas. Assim, o mais provavel é que Mateus (e Lucas) tenha uitilizados fontes (como Q), que, em última instância, retiveram memórias históricas genuinas de eventos do período em que Jesus e João Batista exerceram seus ministérios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;d) Geoffrey Ernest M. de Ste Croix&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-YLrp4DSJEXU/TnzBYJiDOzI/AAAAAAAAAMY/QiA7Jy8dHYI/s1600/120px-HealBleedingWoman.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5655607852690258738" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 139px; HEIGHT: 146px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-YLrp4DSJEXU/TnzBYJiDOzI/AAAAAAAAAMY/QiA7Jy8dHYI/s200/120px-HealBleedingWoman.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;O historiador britânico &lt;a href="http://www.guardian.co.uk/books/2000/feb/10/historybooks.obituaries"&gt;Geofrey Ernerst Maurice of Ste Croix, &lt;/a&gt;foi Professor da Universidade de Oxford, e um dos principais expoentes de um abordagem marxista para o estudo da História Antiga. Uma de suas principais obras é o livro &lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/The_Class_Struggle_in_the_Ancient_Greek_World"&gt;"The Class Struggle in the Ancient Greek World from the Archaic Age to the Arab Conquests"&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; (1982), em que aplica conceitos como a luta de classes, modo de produção e mais-valia na tentativa de explicar a estrutura e transformações ocorridas em vários períodos da Antiguidade, como as cidades-estado gregas dos seculos V e IV AC, a República Romana, o Principado, o Dominato e a "Queda" de Roma, até a ascensão do Islam no sec VI DC, cobrindo mais de um milênio. O surgimento do cristianismo não passa desapercebido. O Professor Ste-Croix utiliza os evangelhos como fonte, e repreende seus colegas de Novo Testamento por não darem a devida atenção a um padrão interessantíssimo encontrado nos Evangelhos. Apesar deles terem sido escritos fora da Palestina, voltados para Comunidades Urbanas e Helenizadas, o mundo que é refletido nos sinóticos, por exemplo, é o de comunidades e vilas rurais obscuras, destacadas do mundo grego-romano das cidades. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;"&lt;strong&gt;We must begin with the central fact about christians origins, to which theologians and New Testament scholars have never (as far as I am aware) given anything like the emphasis it deserve: that althought the earliest surviving Christian documents are in Greek , and although Christianity spread from city to city in the Graeco-Roman world, its founder lived and preached almost entirely outside the of Graecó-Roman civilisation proper.&lt;/strong&gt; Here we must go back to the fundamental distiction which I drew in I.iii above between the &lt;strong&gt;polis&lt;/strong&gt; (the Greek city) and the &lt;strong&gt;chora&lt;/strong&gt; (the countryside)- because, &lt;strong&gt;if we can trust the only information about Jesus which we have, that of the Gospels (as I believe in this respect we can), the world in which Jesus was active was entirely that of the chora and not at all that of the polis.&lt;/strong&gt; Apart from Jerusalem (a special case, as I shall explain presently) his mission took place exclusively in the chora, in its villages (komai), in the rural area (the agroi) of palestine. Mainly it was conducted altogether apart from polis territory, in areas of Galilee and Judaea admnistered not by cities but directly by Herod Antipas the "tetrach" or by the Roman governor of Judea; but it is highly significant that on the rather rare ocasions when we do find Jesus active inside polis territory, it is never in the polis itself, in the sense of its urban area, but always in its country district. As We shall see, whenever we have any specif information (as distinct from vague general statements) the terms used are such as to point unmistakably to the countryside- the &lt;strong&gt;komai, komopoleis, agroi, chora, also the mere, horia, paralios, perichoros.&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;There is of course a great dispute about how much reliable historical information can legimately be extracted from the narratives of the Gospels, even the Synoptics, But I would emphasise that in so far as we can trust the specif information given us by the gospels there is no evidence that even entered the urban area of any Greek city. That should not surprise us: Jesus belonged wholly to the chora, the Jewish countryside of Galilea and Judea&lt;/strong&gt; [10]&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(255,0,0)"&gt;(tradução&lt;/span&gt;) "&lt;strong&gt;É imprescindivel que comecemos com um fato central sobre as origens cristãs, à qual os teólogos e estudiosos do Novo Testamento não (até onde sei) tem dado ênfase merecida: a de que embora os documentos mais antigo cristãs tenham sido escritos em grego, e o Cristianismo tenha se espalhado de cidade em cidade no mundo greco-romano, seu fundador viveu e pregou quase inteiramente fora da civilização greco-romana propriamente dita&lt;/strong&gt;. Aqui devemos voltar a distinção fundamental que eu esboçei [no capítulo] I.iii acima entre as polis ( a cidade grega) e chora (zona rural) - porque, &lt;strong&gt;se podemos confiar na única fonte de informação a respeito de Jesus que nós temos, os Evangelhos (como eu acredito que a este respeito podemos), o mundo em que Jesus foi ativo foi inteiramente o da "chora" e não o da "polis".&lt;/strong&gt; Além de Jerusalém (um caso especial, como explicarei adiante) sua missão ocorreu exclusivamente na &lt;strong&gt;"chora"&lt;/strong&gt;, em suas aldeias (&lt;strong&gt;komai&lt;/strong&gt;), na área rural &lt;strong&gt;("agroi")&lt;/strong&gt; da Palestina. Basicamente sua missão foi realizada totalmente à parte do território da &lt;strong&gt;polis&lt;/strong&gt;, em áreas da Galiléia e da Judéia não administradas por cidades, mas diretamente por Herodes Antipas o "tetrarca" ou o governador romano da Judéia, mas é muito significativo que, nas rarísimas ocasiões quando nós encontramos Jesus ativo dentro do território da polis, nunca é na polis em si, no sentido de sua área urbana, mas sempre em sua periferia rural. Como veremos, sempre que temos qualquer informação específica (e não vagas declarações gerais) os termos usados apontam inequivocamente para a região rural e periférica, &lt;strong&gt;komai, komopoleis, agroi, chora&lt;/strong&gt;, ou meramente, &lt;strong&gt;horia, paralios, perichoros&lt;/strong&gt;. &lt;strong&gt;Há, naturalmente, uma grande disputa sobre quanta informação confiável histórica pode ser legitimamente extraída das narrativas dos Evangelhos, mesmo os Sinópticos, mas eu gostaria de salientar que na medida em que podemos confiar nas informações específicas nos dado pelos evangelhos não há evidências de que Jesus atuou na área urbana de qualquer cidade grega. que não deve surpreender-nos: Jesus pertencia totalmente ao chora, ao interior judaizado da Galilea e Judéia [10].&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Ste Croix faz uma observação penetrante.&lt;em&gt; &lt;/em&gt;Tomemos as cartas de Paulo; vejamos as cidades que são mencionadas: Roma (capital do império), Corinto (maior cidade da Acaia), &lt;a href="http://www.livius.org/phi-php/philippi/philippi.html"&gt;Filipos&lt;/a&gt; (uma das maiores colônias romanas na Grécia), Tessalonica (a maior cidade da Macedônia), as igrejas da Galácia, além da grandes centros como Éfeso e Colossos (se considerarmos as cartas para o qual a autoria paulina é questionada). Alguns eventos ocorrem em Antioquia (a terceira maior cidade do Império), e, claro, Jerusalém. O Apocalipse de João é endereçado as igrejas de Éfeso, e outros grandes centros urbanos da província da Asia; Sardes (onde o proconsul romano residia) , &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Thyatira"&gt;Tiatira&lt;/a&gt; , Pérgamo, Filadélfia, Esmirna. Ou seja, &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Early_centers_of_Christianity"&gt;os primeiros centros critãos foram&lt;/a&gt;, em sua grande maioria, importantes centro urbanos, em um ambiente cosmopolita e plenamente integrado a cultura helenistica no Império, e nesse contexto se inseriam os primeiros cristãos.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Por outro lado, os pilares da narrativa sinótica, Marcos e Q, bem como bem como as fontes particulares de Mateus (M) e Lucas (L), colocam Jesus na Galiléia, e ignoram completamente as duas únicas cidades (&lt;em&gt;polis&lt;/em&gt;) propriamente ditas da região em que Jesus atuou, &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Sepphoris#Early_history"&gt;Séforis&lt;/a&gt; e &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Tiberias#Jewish_and_Roman_period"&gt;Tiberias&lt;/a&gt;. Professor Ste Croix observa que nas unicas vezes em que cidades (polis) são mencionadas, são em lugares fora da Galiléia, e sempre nas redondezas, periferia, arredores, nunca na cidade em si [11]. Vemos Jesus na terra dos gerasenos ou gadarenos (Marcos 5:1), onde encontra um homem endemoniado que circulava nas tumbas e montes (ou seja, fora da cidade), e após expulso o demônio e perdidos os porcos, os habitantes da cidade (polis) vão até Jesus (ainda nos arredores da polis) pedindo que ele se retire [10]. Ou então, quando &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Caesarea_Philippi"&gt;Cesaréia de Filipe &lt;/a&gt;é mencionada, vemos Jesus na periferia ou arredores da cidade (Mc 8:27 e Mt 16:13), onde Pedro faz sua confissão, da mesma forma que ao mencionar as cidades fenícias de Tiro e Sidon (Mc 5:14, Mt 8:34 e Lc 6.23), em que a mulher siro-fenícia pede que seu filho seja curado, os evangelhos falam em &lt;em&gt;"mere", "horia"&lt;/em&gt; ou &lt;em&gt;"paralios",&lt;/em&gt; periferia, "arredores" ou "distrito costeiro" [11]. Ste Croix faz a ressalva que seu objetivo não é avaliar a historicidade de cada uma dessas pericopes individulmente, (algumas como no caso do endemoniado geraseno ou gadareno tem seus conhecidos problemas), mas demonstrar um padrão e avaliar sua implicações. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;I dare say that some New Testament scholars may object that I have made far too much of topographical evidence in the Gospels which they themselves are in general reluctant to press. To this I would reply that I am not using any of the Gospels narratives for any topographical purpose: it is a matter of indifference to me whether, for example, the pericope containing the confession of Peter (Mk VIII.27 ff.; Mt XVI.13ff.) is rightly located near Caesarea Phillipi rather than anywhere else. &lt;strong&gt;My one purpose has been to demonstrate that the Synoptic Gospels are unanimous and consistent in locating the mission of Jesus entirely in the countryside, not within the poleis proper, and therefore outside the real limits of hellenistic Civilization&lt;/strong&gt;. It seems to me inconceivable that this can be due to the Evangelists themselves, who (as we have seen) were very likely to dignify an obscure village like Nazareth or Capernaum with the title of polis but would certainly not down grade a locating by making it a country district if in their source it appeared as a polis. &lt;strong&gt;I conclude , therefore, that in this respect the Evangelists accurately reflect the situation they found in their sources ; and it seems to me that these sources are very likely indeed to have presented a true picture of the general locus of the activity of Jesus.&lt;/strong&gt; [11] &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;(&lt;span style="COLOR: rgb(255,0,0)"&gt;tradução&lt;/span&gt;) Ouso dizer que alguns estudiosos do Novo Testamento pode objetar que eu me fiei demais nas evidências topográficas nos evangelhos que eles mesmos em geral relutam em utilizar. A isso eu respondo que não estou usando qualquer uma das narrativas evangélicas para qualquer finalidade topográfica : é indiferente para mim se, por exemplo, a pericope da Confissão de Pedro foi corretamente localizada como ocorrendo perto de Cesaréia de Filipe, e não em outro lugar. &lt;strong&gt;Meu objetivo tem sido um para demonstrar que os evangelhos sinóticos são unânimes e consistente em localizar a missão de Jesus inteiramente no campo , não dentro do polis propriamente dita e, portanto, fora dos limites reais da civilização helenística&lt;/strong&gt;. Parece-me inconcebível que isso pode ser devido ao Evangelistas, que (como vimos) estavam dispostos a dignificar uma vila obscura como Nazaré, ou Cafarnaum com o título de polis, mas certamente não rebaixariam a condição dos lugares que mencionam, tornando em distrito uma polis que é mencionada em suas fontes. &lt;strong&gt;Concluo, portanto, que a este respeito os Evangelistas refletem exatamente a situação que encontraram em suas fontes, e parece-me que essas fontes muito provávelmente apresentam um retrato fiel do locus geral da atividade de Jesus&lt;/strong&gt;.&lt;/em&gt; [11]&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Ou seja, existe um abismo entre o mundo que os cristãos primitivos viviam (os grandes centros urbanos helenísticos da Siria, Grécia, Asia Menor e Roma) com o mundo em que os evangelhos retratam (as pequenas vilas e areas rurais, e , no máximo, as periferias e arredores das poucas cidades helenisticas da Galiléia e Pereia). Essa dissimilaridade ou diferença, indica a possibilidade de memória histórica. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Esse fato é ainda mais interessante pois os evangelistas, aparentemente, não tinham problemas com a &lt;em&gt;"polis". &lt;/em&gt;Eles elevam Cafarnaum e Nazaré, que tudo indica serem pequenas vilas naquele período, a condição de cidade. Certamente, seria interessante para a sua audiência ver Jesus interagindo dentro das cidades gregas, pregando nas &lt;em&gt;"agoras",&lt;/em&gt; discutindo com filosofos e autoridades sobre seus ensinos. Não havia porque manter Jesus apenas nos arredores, da periferia dessa instituição do mundo grego-romano, a cidade. Diante disso, Ste Croix conclui que o mais provável é que os evangelistas refeletiram a situação que encontraram nas fontes mais antigas que utilizaram, que apresentavam esse padrão de atuação quase que exclusivo no mundo rural galileu, e que essas fontes mantiveram uma memória histórica acurada do &lt;em&gt;locus&lt;/em&gt; de atuação de Jesus em seu ministério.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;Referências Bibliograficas&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;[1] Guy Halsall (2005), &lt;em&gt;"The Barbarian Invasions"&lt;/em&gt; , In Paul Fouracre (Ed.) New Cambridge Medieval History, fls. 35-36.&lt;br /&gt;[2] C. Behan McCullough (2004): &lt;em&gt;The logic of history: putting postmodernism in perspective&lt;/em&gt;, fl. 15&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;[3] L Michael White (2010), &lt;em&gt;Scripting Jesus: The Gospel in Rewrite,&lt;/em&gt; fls. 05-06 &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;[4] Geza Vermes (2005), A Paixão, fl. 15,; John D. Crossan (1995), Jesus, Uma Biografia Revolucionária, fl. 14; Gerd Theissen (2006), &lt;em&gt;O Novo Testamento&lt;/em&gt;, fls. 71-92 e fls. 111-122;.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;[5] L Michael White (2010), Scripting Jesus: The Gospel in Rewrite, fls. 05-06 &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;[6] Fergus Millar (1993) The Roman Near East, 31 B.C.-A.D. 337, fl. 342;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;[7] Gerd Theissen e Annete Metz (1996) &lt;em&gt;Jesus Histórico&lt;/em&gt; fl. 122&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;[8] Gerd Theissen (2004) &lt;em&gt;Gospel in Context,&lt;/em&gt; fls. 26-38, para a analise de Yakoov Meshorer (1967), em &lt;em&gt;Jewish Coins&lt;/em&gt;, fls. 66-75; Jonathan Marshall (2008) observa em&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Jesus, patrons, and benefactors: Roman Palestine and the Gospel of Luke, fl 187,&lt;/em&gt; que a proposta de Theissen foi aceita por muitos estudiosos dentre os quais &lt;a href="http://www.tcd.ie/Religions_Theology/staff/freyne_sean.php"&gt;Sean Freyne &lt;/a&gt;(2000, Galilee and the gospels, fls. 201-203), Eckhard Schanabel (2004, Early Christian Mission, Jesus and the Twelve, 1238-1239); &lt;a href="http://ltspmedia.ltsp.edu/2008/06/ltsp-emeritus-professor-john-hp-reumann.html"&gt;John Reumann &lt;/a&gt;(2006, Archeology and Early Chistology, 660-682 e 670 a 672). &lt;a href="http://www.westarinstitute.org/Fellows/reed.html"&gt;Jonathan Reed &lt;/a&gt;(2000) é também receptivo a idéia ( &lt;em&gt;Archaeology and the Galilean Jesus: a re-examination of the evidence,&lt;/em&gt; fl. 194). &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;[9] Morten Horning Jensen (2006) &lt;em&gt;Herod Antipas in Galilee: the literary and archaeological sources,&lt;/em&gt; fl 235&lt;em&gt;.&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;[10] Geoffrey Ernest Maurice de Ste Croix (1983), &lt;em&gt;The Class Struggle in the Ancient Greek World: From the Arcaic Period to the Arab Conquest&lt;/em&gt;, fl. 427 &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;[11] Geoffrey Ernest Maurice de Ste Croix (1983), &lt;em&gt;The Class Struggle in the Ancient Greek World: From the Arcaic Period to the Arab Conquest&lt;/em&gt;, fl. 429-430&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16935532-4611859341696611481?l=adcummulus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://adcummulus.blogspot.com/feeds/4611859341696611481/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16935532&amp;postID=4611859341696611481&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16935532/posts/default/4611859341696611481'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16935532/posts/default/4611859341696611481'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://adcummulus.blogspot.com/2011/10/quem-eles-dizem-que-eu-sou-os.html' title='&quot;Quem Eles Dizem Que eu Sou ?&quot;- Os Historiadores, Jesus e os Evangelhos - Parte 1: Texto e Contexto'/><author><name>Nehemias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05093459549722450363</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-oQXanW9hv5M/Toxy4K40deI/AAAAAAAAANQ/0vpvBw--6zM/s72-c/220px-Gyzis_006_%252528%2525CE%252597istoria%252529.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16935532.post-2767776242128687726</id><published>2011-07-21T12:12:00.003-03:00</published><updated>2011-07-21T12:33:22.364-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cristianismo Primitivo'/><title type='text'>Concílio de Jerusalém e os mandamentos - parte I</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-4ItYTiLhvRs/TihE8vHa7mI/AAAAAAAASgQ/6X0thZd8kzk/s1600/91b148a1d5.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="200" src="http://2.bp.blogspot.com/-4ItYTiLhvRs/TihE8vHa7mI/AAAAAAAASgQ/6X0thZd8kzk/s200/91b148a1d5.jpg" width="196" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;No livro dos Atos dos Apóstolos, encontramos um relato que seria um ponto cardeal para a história posterior da cristandade. Tal relato se encontra no capítulo 15 e trata do famoso Primeiro Concílio de Jerusalém. A partir deste relato, descobrimos que haviam alguns judeus da seita dos fariseus que haviam se convertido ao cristianismo (Atos 15:5). Descobrimos também que cristãos judaicizantes estavam pregando entre os gentios (Atos 15:1). Em sua pregação, eles afirmavam que os gentios deveriam se "circuncidar e guardar a lei" para que pudessem se tornar cristãos (Atos 15:24). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atos 15:1 e Atos 15:24 evidencia que alguns destes pregadores saíram da própria Igreja de Jerusalém. E nos mostra também que eles estavam “atormentando” os gentios, "os perturbando com palavras e atormentando a alma deles" através dessa pregação que faziam. Atos 15:2 nos mostra que Paulo e Barnabé haviam tido grandes discussões com este grupo de cristãos judaicizantes. Também é visto que os dois grupos de pregadores saíram de onde estavam e foram até Jerusalém para resolver a questão. A questão era - os gentios, para se tornarem cristãos, deveriam ser circuncidados e "guardar a lei"?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Descobrimos que quando a questão começou a ser exposta no Concílio, os cristãos oriundos da seita dos fariseus se levantaram e defenderam a tese de que "Sim - os gentios deveriam se circuncidar e guardar a lei para se tornarem cristãos". Em bom tom, os gentios inicialmente deveriam se "tornar judeus" para que se tornassem realmente cristãos posteriormente. (Atos 15:5). Atos 15:7 nos conta que houve grande contenda entre os dois lados. Ou seja, ocorreu uma forte disputa de idéias entre aqueles que defendiam que "os cristãos gentios deveriam se circuncidar e guardar a lei" (grupo dos judaicizantes) e aqueles que defendiam que "não" (grupo de Paulo e Barnabé).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A resolução do impasse é dada por Tiago o Justo, lider da Igreja de Jerusalém.  Os cristãos gentios deveriam tão somente se abster “das coisas sacrificadas aos ídolos, e do sangue, e da carne sufocada, e da prostituição”, conforme é relatado no versículo 29. Ou seja – &lt;b&gt;A Igreja de Jerusalém acabou por descredenciar a pregação sobre “a guarda da lei” por parte dos gentios&lt;/b&gt; (defendida pelos cristãos farisaicos, os quais no versículo 5 advogavam que  “era mister circuncidá-los e mandar-lhes que guardassem a lei de Moisés”, dando-lhes apenas as prescrições supracitadas do versículo 29.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma importante questão se dá a partir da análise do tipo de recomendações feitas por Tiago para os cristãos gentios. De acordo com a &lt;a href="http://jewishencyclopedia.com/view.jsp?artid=283&amp;amp;letter=S&amp;amp;search=Saul%20of%20Tarsus#973"&gt;Jewish Encyclopedia&lt;/a&gt;, o acordo estipulado entre Paulo e os apóstolos de Jerusalém implicaria que os gentios fossem admitidos no cristianismo dentro da Igreja somente “como prosélitos do portão, isto é, após sua aceitação das &lt;b&gt;Leis Noáquicas&lt;/b&gt;. (Atos 15:1-31).” Em outro artigo da &lt;a href="http://jewishencyclopedia.com/view.jsp?artid=245&amp;amp;letter=N&amp;amp;search=New%20Testament#717"&gt;Jewish Encyclopedia sobre o Novo Testamento&lt;/a&gt;, também encontramos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;“Como foi grande o sucesso de Barnabé e Paulo no mundo pagão, as autoridades em Jerusalém, insistiram sobre a circuncisão como condição de admissão de membros na igreja, até que, por iniciativa de Pedro, e de Tiago, o chefe da igreja de Jerusalém, &lt;b&gt;foi acordada a aceitação das Leis Noáquicas&lt;/b&gt; - ou seja, sobre a abstenção da idolatria, da prostituição, do consumo de carne de um animal vivo -  as quais deveriam ser exigidas dos gentios desejosos de entrar na Igreja.”&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;O primeiro registro mais direto sobre as chamadas Leis Noáquicas (ou Leis Noéticas) pode ser encontrado no apócrifo&lt;a href="http://wesley.nnu.edu/index.php?id=2127"&gt; Livro dos Jubileus&lt;/a&gt;, datado do século II a.C. Assim encontramos no seu capítulo 7:20-28: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;“E no ano do vigésimo oitavo jubileu, Noé começou passar para seus filhos as ordenanças, mandamentos e todos os julgamentos que ele sabia. E ele exortou seus filhos a observar a justiça, a cobrir a vergonha da sua carne, a abençoar o seu Criador, a honrar pai e mãe, a amar o próximo e a guardar as suas almas da fornicação, da impureza e de toda a iniqüidade... Para quem derramar sangue, e todo aquele que come sangue de qualquer carne: todos serão exterminados da Terra.”&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Se somarmos os mandamentos do Decreto Conciliar de Tiago à tradicional pregação cristã sintetizada no amor a Deus e ao próximo [Mc 28b-31] teríamos praticamente a mesma pregação vista no texto de Jubileus.&lt;br /&gt;Um interessante ponto deve ser visto quando do retorno de Paulo à Jerusalém em Atos 21 quando se reencontra com Tiago e os anciãos. Este o adverte sobre os temores dos milhares de judeus convertidos ao movimento nazareno, todos eles fiéis à Torah, de que Paulo estaria desencaminhando judeus quanto ao cumprimento da Lei em suas pregações na diáspora. Logo em seguida, Tiago relembra Paulo sobre o Decreto Conciliar assim reafirmando em Atos 21:25: “Quanto aos gentios que abraçaram a fé, já lhes escrevemos sobre nossas decisões: que se abstenham das carnes imoladas aos ídolos, do sangue, das carnes sufocadas e das uniões ilegítimas”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Haveria alguma necessidade de reforço se tais prescrições estivessem sendo divulgadas e cumpridas no processo de evangelização dos gentios? Provavelmente, não. Tal reforço nos remete à posição de Paulo quanto às carnes sufocadas, bem como às sacrificadas aos ídolos vista em 1 Cor 10:25-30 e que poderia ser sintetizada no versículo 25: “Tudo o que se vende no mercado, comei-o sem levantar dúvidas por motivo de consciência.” Aparentemente, Paulo flexibilizou ainda mais a aplicação das recomendações noáquicas aos gentios notadamente no que toca às práticas dietéticas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um aspecto interessante e que possui relevância especial para o propósito de nossa análise, no entanto, é a questão da guarda do Shabbat por parte dos gentios.&amp;nbsp;Como é sabido, a guarda do Shabbat, não só faz parte dos 613 mitzvot (mandamentos) da Torah, bem como se encontra inserida no próprio texto do Decálogo [nas tábuas] da Lei. Na segunda parte deste nosso texto investigaremos se este mandamento deveria ou não ser seguido pelos gentios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16935532-2767776242128687726?l=adcummulus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://adcummulus.blogspot.com/feeds/2767776242128687726/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16935532&amp;postID=2767776242128687726&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16935532/posts/default/2767776242128687726'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16935532/posts/default/2767776242128687726'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://adcummulus.blogspot.com/2011/07/concilio-de-jerusalem-e-os-mandamentos.html' title='Concílio de Jerusalém e os mandamentos - parte I'/><author><name>Flávio Souza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10196278644485524807</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://3.bp.blogspot.com/_AfFKEmylAKU/SXnsJFkzoAI/AAAAAAAAIWc/6bHgRsfAg1U/S220/IMG_7828.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-4ItYTiLhvRs/TihE8vHa7mI/AAAAAAAASgQ/6X0thZd8kzk/s72-c/91b148a1d5.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16935532.post-3808981022629234722</id><published>2011-07-01T11:07:00.003-03:00</published><updated>2011-07-05T18:02:49.228-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Zeitgeist'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Série Jesus na História'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Judaísmo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Jesus Histórico'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Existência de Jesus'/><title type='text'>A Significância de Jesus e a Escala Richter de Impacto Histórico Parte 4.1: O Rei dos Judeus entre os Revolucionários</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-jAv-0mceKx0/Tg4ZhRzo3FI/AAAAAAAAALI/3j6Xlwxwn6I/s1600/280px-Dirk_van_Baburen_-_Kroning_met_de_doornenkroon.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5624461044138695762" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 159px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/-jAv-0mceKx0/Tg4ZhRzo3FI/AAAAAAAAALI/3j6Xlwxwn6I/s200/280px-Dirk_van_Baburen_-_Kroning_met_de_doornenkroon.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Em nossa série de posts "Jesus na Escala Richter de Impacto Histórico", iniciada em janeiro de 2010, fizemos &lt;a href="http://adcummulus.blogspot.com/2009/12/significancia-de-jesus-e-escala-richter.html"&gt;considerações gerais&lt;/a&gt; a respeito das fontes históricas sobre Jesus, e que o consenso entre os historiadores é que é possível utilizar o método crítico para extrair informações sobre o Jesus Histórico e o cristianismo a partir dos evangelhos e de outros escritos cristãos. Na sequência, analisamos o testemunho de Josefo sobre &lt;a href="http://adcummulus.blogspot.com/2010/02/significancia-de-jesus-e-escala-richter.html"&gt;Tiago&lt;/a&gt;, &lt;em&gt;"irmão de Jesus chamado o Cristo"&lt;/em&gt;, e sobre o próprio &lt;a href="http://adcummulus.blogspot.com/2010/04/significancia-de-jesus-e-escala-richter.html"&gt;Jesus&lt;/a&gt; (o Testemunho Flaviano, ou TF), do qual concluimos pela autenticidade parcial, e analisamos as &lt;a href="http://adcummulus.blogspot.com/2010/06/significancia-de-jesus-e-escala-richter.html"&gt;objeções&lt;/a&gt; &lt;a href="http://adcummulus.blogspot.com/2010/12/josefo-jesus-os-cristaos-messianismo-e.html"&gt;mais comuns&lt;/a&gt;. Vimos também a relevância das breves afirmações dos &lt;a href="http://adcummulus.blogspot.com/2010/07/significancia-de-jesus-e-escala-richter.html"&gt;historiadores romanos&lt;/a&gt;, Tácito, Plínio e Suetônio. Mais recentemente, &lt;a href="http://adcummulus.blogspot.com/2010/12/significancia-de-jesus-e-escala-richter.html"&gt;situamos a evidência histórica disponível sobre Jesus, em um contexto mais amplo&lt;/a&gt;, dos eventos que alteraram completamente a natureza do mundo antigo - verdadeiros marcos históricos como a travessia do Rubicão e a Grécia do século posterior a Alexandre Magno - verificando que mesmo nesses casos, a atestação, embora significativamente superior a que nós temos para Jesus, é muitas vezes limitada. Nesse contexto, levando em conta a importância proporcional desses eventos para seus contemporâneos, a vida de Jesus pode ser considerada como relativamente bem atestada nas fontes não-cristãs.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Estamos chegando assim, a parte final de nossa série. Nosso objetivo agora é analisar os dados disponíveis sobre Jesus no seu contexto mais imediato, a Palestina sob domínio romano, e as personalidades daquele período, pretendentes messiânicos como Judas Galileu, Simão Bar Kochba, profetas carismáticos como João Batista e Hanina Ben Dosa e líderes religiosos como Hilel, o Mestre de Justiça e Gamaliel. Vamos comparar o impacto e atestação deixado por essas figuras nas fontes literárias e arqueológicas com as disponíveis para Jesus, e também tentar avançar nas semelhanças e diferenças das perpecções de seus contemporâneos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Com a intenção de ilustrar nossa discussão,&lt;strong&gt; os resultados serão analisados de forma semi-quantitativa,&lt;/strong&gt; considerando &lt;strong&gt;quatro níveis (fraco, moderado, grande, enorme), e três parâmetros,&lt;/strong&gt; quais sejam&lt;strong&gt;,&lt;/strong&gt; a &lt;strong&gt;intensidade do impacto &lt;/strong&gt;(ou seja, se, por exemplo, estamos discutindo a ação de um agitador, se ele provocou um tumulto local, ou uma rebelião que se estendeu por uma região, como a Galiléia ou Judeia, ou até mesmo uma guerra civil de grande escala que impactou todo o Oriente Médio ou, em último caso, tenha forçado a intervenção direta do Imperador), a &lt;strong&gt;extensão do impacto&lt;/strong&gt; (local, regional, geral, global), e por fim quanto a &lt;strong&gt;duração do impacto e seus efeitos&lt;/strong&gt; (também considerando esta gradação em quatro níveis). &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;Vamos começar com três líderes revolucionários&lt;/strong&gt;: Simão de Peréia, Judas Galileu e o Profeta Egípcio. A relevância da comparação com essas três figuras reside não só no que podemos esperar em termos de evidência, tal como registro arqueológico e menção em escritores no período, mas também em um elemento intrigante: o fato de Jesus ter sido executado como um subversivo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;O Rei dos Judeus&lt;/strong&gt;: Muito poucos questionaram o fato de que Jesus foi crucificado como o Rei dos Judeus. Assim, sob o ponto de vista romano, Jesus foi julgado e condenado por dois delitos relacionados entre si, "&lt;em&gt;perduellio",&lt;/em&gt; ou seja,&lt;em&gt; &lt;/em&gt;por agir como um inímigo público dos interesses do Império e &lt;em&gt;"crimen lasae maiestatis populi romani"&lt;/em&gt; [1]&lt;em&gt; ,&lt;/em&gt; por tentar subverter a ordem estabelecida pelos representantes e/ou prepostos do Imperador, do Senado, e do Povo de Roma. Como muitos estudiosos já observaram, tal fato dificilmente seria inventado pelos cristãos, pois além do constrangimento causado pela crucificação em si, os &lt;em&gt;"cristãos não costumavam usar o título de "Rei dos Judeus" para Jesus (...) E se eles não utilizavam o título para Jesus, porque os relatos [dos mesmos cristãos] afirmam que ele foi executado por que teria reinvidicado esse título? Evidentemente porque ele foi julgado por causa do título"&lt;/em&gt;, até porque a acusação de &lt;em&gt;majestas&lt;/em&gt; contra Jesus representava riscos razoáveis para os seus seguidores, complicando ainda mais a vida de um grupo já perseguido, por ser &lt;em&gt;"propício a mal entendidos políticos",&lt;/em&gt; alem do fato que a &lt;em&gt;"Igreja rapidamente perdeu o interesse em converter judeus"&lt;/em&gt; de forma que &lt;em&gt;"os autores dos evangelhos remodelaram e adaptaram as tradições que compilaram de acordo com o ponto de vista de um público habituado a ler grego e impregnado das idéias que circulavam no antigo mundo mediterrâneo - para eles a importância de Jesus não estava em ele ter sido o Rei dos Judeus, mas sim no fato de ele ter sido o Salvador do Mundo", &lt;/em&gt;finalmente&lt;em&gt;, "as palavras da inscrição não contem alusões ao Antigo Testamento, e portanto podem não ter sido ditados pelo desejo de registrar as últimas horas de Jesus conforme a profecia divina", &lt;/em&gt;e concluindo&lt;em&gt; que "Jesus foi morto por crucificação, e que sua cruz trazia uma inscrição indicando o motivo de sua condenação são os únicos fato sólidos e estabelecidos que podem ser tomados como ponto de partida de qualquer investigação dos relatos evangélicos de seu julgamento&lt;/em&gt; [2]. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Se analisarmos os evangelhos, veremos o conceito de "Reino de Deus" multiplamente atestado nas fontes (Marcos, Q, L, M, João, Tomé e Paulo), como nas formas (parabolas, sermões, orações, aforismos, milagres...) [3]. Metade das parábolas fazem menção ao "Reino de Deus". Jesus foi crucificado entre dois &lt;em&gt;"lestai"&lt;/em&gt;, termo que embora seja traduzido comumente como "ladrão", leva uma conotação de "revolucionário" ou "guerrilheiro". Jesus teve Cristo (Messias) incorporado a seu nome, sendo que Messias, originalmente, é um conceito que possui amplas conotações políticas, envolvendo o estabelecimento de um Reino terreno, interpretado pelos judeus no I século como o fim do jugo romano. Os cristãos, reiteradamente, reinterpretaram o conceito messiânico como o de um Reino celestial, que seria estabelecido na terra apenas no fim dos tempos. Tais fatos indicam fortemente que a mensagem de Jesus da vinda iminente do "Reino de Deus" foi interpretada pela autoridades como subversiva a ordem imperial e perturbadora da &lt;em&gt;Pax Romana&lt;/em&gt;, seja qual fosse seu conteúdo ou propósito original, e que os cristãos, constrangidos e ameaçados por essa "má impressão", buscaram desfazer esse "mal entendido".&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;1) Simão de Peréia:&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-P5_J5BdroTY/Ta9KzZ1-4fI/AAAAAAAAAKE/gBQAbXzXGsw/s1600/200px-Helmet_typ_Weissenau_01.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5597775108815905266" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 150px; CURSOR: hand; HEIGHT: 200px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-P5_J5BdroTY/Ta9KzZ1-4fI/AAAAAAAAAKE/gBQAbXzXGsw/s200/200px-Helmet_typ_Weissenau_01.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Entre a morte de Herodes (4 AC) e a queda de Jerusalém (73 DC), houve uma série de agitadores, pregadores itinerantes, milagreiros, profetas que lideraram revoltas ou movimentos messiânicos. Uma lista deles é apresentada &lt;a href="http://www.livius.org/men-mh/messiah/messianic_claimants00.html"&gt;aqui&lt;/a&gt;, pelo &lt;a href="http://www.livius.org/about.html"&gt;Professor Jona Lendering&lt;/a&gt; [4]. Como pode ser observado, a principal (e na maioria das vezes única) fonte para todos eles é Josefo. No âmbito de seu primeiro livro "Guerras Judaicas", o relato de figuras contemporâneos de Josefo, com as quais ele teve oportunidade de interagir pessoalmente, como &lt;a href="http://www.livius.org/men-mh/messiah/messianic_claimants12.html"&gt;João de Giscala&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://www.livius.org/men-mh/messiah/messianic_claimants11.html"&gt;Menaem&lt;/a&gt; e &lt;a href="http://www.livius.org/men-mh/messiah/messianic_claimants14.html"&gt;Simão Bar-Giora&lt;/a&gt;, é bastante detalhado. Eles são apontados como rebeldes fanáticos que levaram o povo judeu a catástrofe que causou a destruição de Jerusalém. Então eles são, de alguma forma, a razão de ser daquela narrativa. No entanto, para os pretendentes messiânicos mencionados em Antiguidades, e mesmo nos dois primeiros livros de Guerras Judaicas (no período anterior ao incio do conflito em 66 DC), como Teudas, Judas Galileu, João Batista e Simão de Peréia os relatos são geralmente muito curtos, não excedendo alguns parágrafos. Se observamos a história desses pretendentes messiânicos, vamos perceber um padrão de aparecimento súbito, origem obscura, são seguidos por multidões, e, diante da ação repressora das autoridades, o lider é capturado ou foge, e os seguidores se dispersam [5].&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O interesse por essas figuras não foi compartilhado pelos muitos escritores que viveram no período. Por exemplo, Filo de Alexandria (20 AC - 50 DC), não menciona nenhum dos pretendentes messiânicos citados pro Josefo. Ele nada diz sobre as violentas revoltas lideradas por Simão de Peréia, Atronges, ou Judas Galileu, em que milhares de judeus foram mortos, com seus cadáveres sendo pisados pelas botas dos soldados romanos. Embora Filo discuta o carater violento do Governador Pôncio Pilatos ocasionalmente, não menciona o comportamento dele em relação a Jesus de Nazaré ou a repressão violenta a multidão liderada pelo &lt;a href="http://www.livius.org/pi-pm/pilate/pilate07.html"&gt;profeta Samaritano &lt;/a&gt;(episódio que levou a destituição de seu cargo). Fora dos escritos de Flávio Josefo, somente Lucas menciona a existência de alguns desses lideres populares (Teudas, o Egípcio, e Judas Galileu) em Atos dos Apóstolos, além de Tácito que faz uma breve referência a &lt;a href="http://www.livius.org/men-mh/messiah/messianic_claimants02.html"&gt;Simão de Pereia&lt;/a&gt; (único pretendente messiânico, além de Jesus, a ser citado em uma fonte greco-romana).&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;"&lt;em&gt;Houve também um certo Simão, que tinha sido escravo do rei Herodes, mas em outros aspectos, uma pessoa decente, que tinha uma compleição alta e robusta, e muito superior aos outros de sua ordem, e a seus cuidados foram confiadas coisas muito importantes. Este homem se destacou no estado desordenado em que as coisas estavam, e foi tão ousado que colocou uma diadema na cabeça, e foi seguido por muitos apoiadores, que o proclamaram Rei, convencendo-se que era mais digno do que qualquer outro. "Ele queimou o palácio real em Jericó, e saqueou o que restou dele. Ele também ateou fogo em muitas outras das casas do rei em vários lugares do país, destruindo-os totalmente, e permitiu que aqueles que estavam com ele squeassem os despojos. Teria realizado maiores proezas, se medidas repressivas não tivessem sido tomadas imediatamente. [O comandante da infantaria de Herodes] Grato juntou alguns soldados romanos as forças que tinha com ele, e foi ao encontro de Simão . E depois de uma grande e longa luta, grande parte daqueles que vieram da Peréia (um corpo desordenado de homens, lutando de forma ousada, ainda que inábil) foram destruídos. Embora Simão tenha conseguido evadir-se através um vale certos, Grato alcançou-o e cortou-lhe a cabeça." (&lt;/em&gt;Flávio Josefo&lt;em&gt;,&lt;/em&gt; Antiguidades Judaicas 17.273-276)&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;"Quando Herodes morreu, sem esperar pela decisão imperial, um certo Simão usurpou o título de Rei. Ele foi subjugado pelo Governador da Síria, Quintilio Varo, e naquela ocasião os judeus foram divididos em três reinos governados pelos filhos de Herodes. (&lt;/em&gt;Tácito&lt;em&gt;, Historias 5:9)&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Com o relatado acima, a morte de Herodes, o Grande, resultou em uma grande crise. Em várias partes da Judéia houve tumultos, e três líderes surgiram, &lt;a href="http://www.livius.org/men-mh/messiah/messianic_claimants01.html"&gt;Judas, Filho de Ezequias &lt;/a&gt;(algumas vezes identificado com Judas Galileu), na Galiléia; &lt;a href="http://www.livius.org/men-mh/messiah/messianic_claimants03.html"&gt;Atronges&lt;/a&gt;, na Judéia; e &lt;a href="http://www.livius.org/men-mh/messiah/messianic_claimants02.html"&gt;Simão&lt;/a&gt; na região em torno do Mar Morto. Os filhos de Herodes -Arquelau, Antipas e Filipe - não conseguiram sufocar a rebelião. Assim, o Legado Romano na Sírio, &lt;a href="http://www.livius.org/q/quinctilius/varus.html"&gt;Quintílio Varo&lt;/a&gt;, teve de intervir. Marchando com três legiões sobre seu comando (cerca de 20 mil soldados), as tropas romanas destruiram Sefóris e Emaus, e crucificaram cerca de 2 mil pessoas (Guerras &lt;a href="http://pace.mcmaster.ca/york/york/showText?book=2&amp;amp;chapter=1&amp;amp;textChunk=nieseSection&amp;amp;chunkId=72&amp;amp;text=wars&amp;amp;version=whiston&amp;amp;direction=&amp;amp;tab=&amp;amp;layout=split&amp;amp;go.x=11&amp;amp;go.y=11"&gt;2:72-77&lt;/a&gt; e Antiguidades 17:286-298), numa das maiores execuções em massa já realizada pelo Império. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Apesar de ter sido uma revolta violenta, sufocada a um grande custo, e com dificuldade, o fato é que Flávio Josefo constitui, basicamente, nossa única fonte remanescente. Quanto aos lideres da rebelião, Simão de Peréia foi, provavelmente, o mais proeminente, tanto pela descrição de Josefo, quanto pelo fato de ter sido o único pretendente messiânico (anterior a Primeira Guerra Judaico Romana) do qual temos registro em autores romanos (além, é claro, de Jesus de Nazaré). Simão conseguiu um parágrafo em Tácito. Um feito surpreendente. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Nesse ponto, podemos ressalvar que é possível que existam fontes a respeito de Simão de Peréia (e Atronges), hoje perdidas, principalmente aquelas que possam ter sido utilizadas ou mencionadas por &lt;strong&gt;Tácito e Josefo&lt;/strong&gt;. &lt;strong&gt;Infelizmente, nenhum dos dois nomeiam suas fontes (ou sequer declaram que utilizaram) nessa parte específica da narrativa&lt;/strong&gt;. No entanto, é sábido que em Guerras, e principalmente em Antiguidades, Josefo utilizou as obras do secretário e historiador da corte de Herodes, &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Nicolaus_of_Damascus"&gt;Nicolau de Damasco&lt;/a&gt;, contemporâneo dos eventos. O Professor &lt;a href="http://www.bib-arch.org/news/wacholder-obit.asp"&gt;Ben Zion Wacholder&lt;/a&gt;, do Hebrew Union College, observa que Nicolau é uma fonte fundamental para os livros XIII a XVII de Antiguidades Judaicas, embora Josefo apenas ocasionalmente mencione a fonte em que se baseou, e os estudiosos tenham que analisar caso a caso (por exemplo, Josefo teria utilizado um relato detalhado de Nicolau sobre os hasmoneus em Antiguidades, mas não em Guerras) [6]. Embora nenhum dos livros de Nicolau de Damasco tenha chegado a nosso tempo, existe um número significativo de &lt;a href="http://www.attalus.org/translate/nicolaus2.html"&gt;fragmentos&lt;/a&gt;, e o mais extenso é justamente o que lida com final do reinado de Herodes [6]. O relato de Nicolau seria de suma importância, uma vez que ele era um contemporâneo dos eventos, e seus escritos eram considerados confiáveis. No entanto, nesse longo fragmento Nicolau é extremamente sucinto no que se refere a revolta "&lt;em&gt;Apos esses eventos, e passado um pouco de tempo, o Rei [Herodes]&lt;/em&gt; &lt;em&gt;também morreu, e a nação se levantou contra seus filhos, e contra os gregos. Esses últimos contavam mais de dez mil. Na batalha que se seguiu os gregos foram vitoriosos"&lt;/em&gt; [7]. &lt;strong&gt;Ou seja, nos fragmentos disponíveis de Nicolau de Damasco, ele não menciona os líderes da revolta&lt;/strong&gt;. Ainda, Wacholder observa que o &lt;em&gt;"relato da revolta dos judeus como sendo direcionado contra os gregos, não é encontrado em Josefo"&lt;/em&gt; [7]. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Sobre a possibilidade das partes perdidas de Nicolau de Damasco trazerem informações sobre seus Simão e os outros líderes da revolta, Professor Eliezer Paltiel, da Universidade de Melbourne, &lt;a href="http://www.persee.fr/web/revues/home/prescript/article/rbph_0035-0818_1981_num_59_1_3318?luceneQuery=%2B%28authorId%3Apersee_199843+authorId%3A%22auteur+rbph_1802%22%29&amp;amp;words=persee_199843&amp;amp;words=auteur%20rbph_1802"&gt;escreve&lt;/a&gt;:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;"Nor can Nicolaos claim exclusive rights to Josephus' story of the actual war. Nicolaos was in Rome at the time of the hostilities. He had come in order to perform a last favor for the dead king by pleading the cause of his eldest surviving son. Nicolaos was heartily tired of Judaea, and there is no reason to assume that he ever inquired into Jewish affairs again ("). &lt;strong&gt;As we shall see, he had good reason to be acquainted with the military reports that reached Rome, but these reports were only part of the story. On them is ultimately based BJ, II, 5, 1-3 (66-79) ; AJ,XVII, 10, 9-11, 1 (286-299). In these last passages Josephus does not remember a single name of a rebel leader&lt;/strong&gt;. One name that may have been - probably was - contained in the Roman general's report was that of Simon of Peraea, which found its way into the pages of Tacitus (I2). Tacitus does too much honor to Simon, and his notice is incontradiction with BJ, II, 4, 2 (59) ;AJ, XVII, 10, 6 (276). We must conclude thatthe Roman commander's report was slightly misleading. &lt;strong&gt;Josephus, however, possessed more detailed information concerning the various rebels, which he presents to us in BJ, II, 3, 4-4, 3 (5 1 -65) and in AJ, XVII,10, 3-8 (265-285) (14)."&lt;/strong&gt; [8]&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;(&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;tradução&lt;/span&gt;)&lt;/strong&gt; Nicolau não pode reinvindicar direitos exclusivos sobre a narrativa de Josefo dos eventos da Guerra. Nicolau estava em Roma na época das hostilidades. Ele tinha ido para lá com o intuito de prestar um último serviço para o rei morto, defendendo a causa do seu filho mais velho sobrevivente. Nicolou estava profundamente cansado da Judéia, e não há razão para assumir que ele tenha tido interesse sobre os assuntos judaicos novamente. &lt;strong&gt;Como veremos, ele tinha boas razões para estar familiarizado com os relatórios militares, que chegaram a Roma, mas esses relatórios eram apenas uma parte da história. A partir deles é, em última análise, baseada Guerras Judaicas, II, 5, 1-3 (66-79); e Antiguidades Judaicas, XVII, 10, 11/09, 1 (286-299). Nestas passagens, Josefo não menciona pelo nome um único líder rebelde&lt;/strong&gt;. Um nome que pode ter sido - e provavelmente foi - mencionado no relatório do general romano era a de Simão de Pereia, que acabou encontrando abrigo nas páginas de Tácito. Tácito faz muitas honras a Simon, e seu relato esta em contradição com Guerras Judaicas, II, 4, 2 (59); e Antiguidades Judaicas, XVII, 10, 6 (276). Devemos concluir então que o relatório do comandante romano foi um pouco enganoso. &lt;strong&gt;Josefo, no entanto, possuía informações mais detalhadas sobre os diversos. rebeldes, que ele nos apresenta em Guerras, II, 3, 4-4, 3 (5 1 -65) e em Antiguidades Judaicas, XVII, 10, 3-8 (265-285) (14). [8]&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Na sequência Paltiel conclui que a descrição de Josefo sobre Simão, Atronges e Judas, Filho de Ezequias era proveniente &lt;em&gt;"de fontes desconhecidas de Nicolau de Damasco"&lt;/em&gt; [8]. Em suma, nos não temos menção a Simão de Pereia nos fragmentos remanescentes dos livros do escritor contemporâneo Nicolau de Damasco, que tratam da revolta, e mesmo a possibilidade de que tenha se referido ao lider rebelde em outras partes, hoje perdidas, de sua obra utilizadas por Josefo, é improvável. No entanto, uma vez que o relato de Tácito contradiz em pontos importantes o de Josefo, é bem possível que o escritor romano tenha utilizado um relatório militar hoje perdido, mas o qual, de qualquer forma, ele não menciona, bem como qualquer outra de suas fontes sobre a revolta. Logo, estamos reduzidos a Tácito e Josefo no nosso conhecimento de Simão de Peréia. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;("Aonde estão aquelas dezenas de historiadores contemporâneos, que viviam em torno do Mediterrâneo, quando se precisa deles! Porque eles não mencionaram Simão de Peréia e seus feitos? Bando de perguiçosos!!!!)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Como observam o Professor &lt;a href="http://www.westarinstitute.org/Fellows/crossan.html"&gt;John D Crossan &lt;/a&gt;e o &lt;a href="http://www.westarinstitute.org/Fellows/reed.html"&gt;Professor Jonathan Reed&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;"&lt;strong&gt;Na Antiguidade&lt;/strong&gt;, os governantes, os ricos ou seus escribas eram os únicos que sabiam ler e escrever, assim, &lt;strong&gt;as histórias, biografias e narrativas que sobreviveram até hoje foram escritas ou ditadas principalmente pelos poderosos&lt;/strong&gt;. Interessavam-se por pessoas públicas e por conflitos públicos. Pouco se importavam com a vasta maioria do povo e com o que acontecia nas pequenas cidades ou vilas rurais, como, por exemplo, a pequena vila de Nazaré, &lt;strong&gt;a não ser quando causavam problemas ou ameaçavam a estabilidade e a economia&lt;/strong&gt;" [9]&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Assim, assumindo que Jesus congregou multidões em número semelhante a de alguns desses pretendentes messiânicos, teriamos que a sua atestação reflete justamente o que se esperaria de um lider carismático que reune multidões alvoroçadas com a possibilidade de terem encontrado o Messias. Os autores que escreviam as grandes histórias do período, como Josefo, Tácito, Suetônio simplesmente não estavam interessados em líderes carismáticos, profetas e milagreiros populares de provincias pouco importantes; seu interesse surgia apenas quando lideram movimentos que perturbações na &lt;em&gt;pax romana.&lt;/em&gt; Nesse aspecto, para Tácito ou Josefo, por mais estranho que possa parecer em nossa perspectiva, alguém como Simão de Peréia merecia mais espaço do que Jesus, justamente por ter representado uma maior &lt;em&gt;perturbação&lt;/em&gt; a ordem estabelecida. Em sua visão Jesus e (principalmente) os cristãos representavam uma fonte de amolação e problemas, as menções a Jesus e seu movimento em Tácito, Plínio e, Suetônio se referem a tumultos em que os cristãos estavam envolvidos e o Testemunho Flaviano original muito provavelmente relatava uma atrocidade cometida contra Jesus (a crucificação de um inocente), ou um Tumulto causado por causa dele. No entanto, nesse quesito, Simão de Peréia se saiu um pouco melhor, pois forçou três legiões a sairem de seus quartéis, e alguém como Quintilio Varo pode adicionar uma importante vitória militar em seu currículo. Por isso, Josefo e Tácito dedicam a ele mais espaço do que Jesus.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O leitor não deve ter a impressão que minimizamos o impacto desses pretendentes messiânicos. Os movimentos liderados por Atronges e Simão de Peréia devem ter varrido a Judéia como um terremoto, ou um tsunami. Impactaram violentamente a vida de dezenas milhares de pessoas. A questão é que seu &lt;em&gt;"epicentro"&lt;/em&gt; estava muito distante das elites, e não representaram um impacto duradouro no curso do Império, além do problema comum a toda a antiguidade de que apenas uma pequena parte dos artefatos e escritos antigos chegou até nós. Em conjunto, a sobreposição desses fatores, atenuou seus efeitos, de forma que chegam até nós como punhados de frases em curtos parágrafos, como que se os movimentos que eles causaram tivessem sido leves tremores ou &lt;em&gt;"marolinhas".&lt;/em&gt; Na verdade, é justamente o contrário: por terem perturbado muito, foi lhes concedido esse curto espaço, quase como notas de rodapé. Assim, o simples fato de que Jesus foi mencionado por Josefo e Tácito (mesmo que brevemente) é forte evidência que ele causou muita dor de cabeça.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Assim, podemos avaliar que a &lt;strong&gt;intensidade do impacto&lt;/strong&gt; dos feitos de Simão de Peréia foi &lt;strong&gt;grande,&lt;/strong&gt; a extensão desse impacto foi &lt;strong&gt;geral (&lt;/strong&gt;3° nível em nossa escala, pois forçou a mobilização das legiões estacionadas na Síria, e a intervenção do Legado Imperial Quintilio Varo&lt;strong&gt;), &lt;/strong&gt;embora o duração da revolta e seus efeitos tenha sido &lt;strong&gt;moderada, &lt;/strong&gt;ja que, uma vez dominada, não forçou nenhum rearranjo permanente na estrutura politica e social da Palestina Romana.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;2) Judas Galileu&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-My8GfJ7brL8/TcGRmry20QI/AAAAAAAAAKk/EgfPZZm2dTI/s1600/400px-Ercole_de_Roberti_Destruction_of_Jerusalem_Fighting_Fleeing_Marching_Slaying_Burning_Chemical_reactions_b.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5602919505202696450" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 128px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/-My8GfJ7brL8/TcGRmry20QI/AAAAAAAAAKk/EgfPZZm2dTI/s200/400px-Ercole_de_Roberti_Destruction_of_Jerusalem_Fighting_Fleeing_Marching_Slaying_Burning_Chemical_reactions_b.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;"&lt;strong&gt;Havia um certo Judas, um Galileu, de uma cidade chamada Gamala, que, levando consigo Zadoque, um fariseu, tornou-se zeloso para atraí-los a uma revolta&lt;/strong&gt;. Ambos disseram que essa tributação não era melhor do que à escravidão, e exortou a nação a fazer valer sua liberdade, como se pudessem adquirir felicidade e segurança além do que já possuíam, e um gozo garantido de um bem ainda maior, que era da honra e da glória que lhe permitiria adquirir magnanimidade. Eles também disseram que Deus não lhes ajudaria, a menos que se unissem em torno de seus conselhos, de como poderiam ser bem sucedidos, e para sua própria vantagem, que se estabeleceria por meio de grandes façanhas, e não se cansassem na busca das mesmas. Então, os homens recebiam o que eles disseram com prazer, e a ousadia de seus esforços aumentou cada vez mais. Todos os tipos de infortúnios surgiram a partir destes homens, eo país estava infectado com essa doutrina a um nível incrível. Uma após outra, violentas guerras cairam sobre nós, e perdemos os nossos amigos, que aliviavam nossas dores. Houve também roubos e o assassinato de nossos principais líderes. Isto foi feito pretensamente a título do bem público, mas na realidade com esperança de ganho pessoal, fomentando a sedição, e causando mortícinios, às vezes perpetrados contra seu próprio povo (pela loucura desses homens um contra o outro, já que seu desejo era exterminar todos da parte contrária), e às vezes de seus inimigos. A fome nos atingiu, e reduziu-nos até o último grau de desespero, como fez também a tomada e a demolição de nossas cidades, e por fim, a sedição atingiu a um nível tão alto que o templo de Deus foi queimada pelo fogo de seus inimigos. Essas foram as conseqüências, uma vez que alteraram o modo de vida de nossos pais, de tal maneira, que pesaram decisivamente para trazer tudo para a destruição (Flavio Josefo, Antiguidades Judaicas 18:4-9).&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;"Judas Galileu foi o fundador do quarta seita da filosofia judaica. Estes homens aceitavam em tudo as opiniões dos fariseus; mas possuiam um vínculo inquebrantável com a liberdade, e diziam que Deus era seu único Senhor e Rei. Eles também não davam valor a suas próprias vidas, nem a vida de seus parentes e amigos, e nada os faria serem súditos de homem algum" (Flavio Josefo, Antiguidades Judaicas 18:23)&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;"(...) Depois dele levantou-se Judas, o galileu, nos dias do recenseamento, e levou muitos após si; mas também este pereceu, e todos quantos lhe obedeciam foram dispersos&lt;/em&gt;. (&lt;em&gt;Atos dos Apóstolos 5:37)&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Josefo, quase que exclusivamente entre os escritores da Antiguidade, colecionou historias dos "bandidos, profetas e" candidatos a "messias" (parafraseando o título do livro do Prof. Horsley), que tanto perturbaram a &lt;em&gt;pax romana&lt;/em&gt; na Judéia do século I. No entanto, Judas Galileu é para Josefo uma obsessão. Além de fundar uma nova seita do judaismo, ele atraiu a muitos, que ouviam com prazer sua doutrina, que como uma praga, &lt;em&gt;"infectou a nação"&lt;/em&gt;, levando a vários levantes e, ao fim, a Guerra com os Romanos e suas funestas consequências. Judas Galileu é importante também não só por seu ensino mas porque muitos de seus descendentes estiveram envolvidos em momentos decisivos de agitação revolucionária. Em 47 DC, Tiago e Simão, filhos de Judas, foram executados pelo Procurador Tibério Alexandre (Ant. 20.100-103), em um momento em que o país passava por uma grande fome (o que pode ter sido utilizado por eles para fomentar a rebelião). Durante a &lt;a href="http://www.livius.org/ja-jn/jewish_wars/jwar03.html"&gt;Guerra Judaica&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://www.livius.org/men-mh/messiah/messianic_claimants11.html"&gt;Menaem&lt;/a&gt;, descendente de Judas, proclamou-se Rei. Quando Jerusalem caiu, Eleazar ben Jair, primo de Menahem (e portanto parente de Judas), foi um dos líderes da resistência em &lt;a href="http://www.livius.org/ja-jn/jewish_wars/jwar05.html"&gt;Massada&lt;/a&gt;. A menção a Judas Galileu e sua família são essenciais para as finalidades apologéticas da narrativa de Josefo junto a seus leitores da aristocracia romana. As inovações de Judas teriam iludido e desencaminhado a nação, pois seus ensinos &lt;em&gt;"alteraram o modo de vida de nossos pais, de tal maneira, que pesaram decisivamente para trazer tudo para a destruição"&lt;/em&gt; (Ant. 18:9), o legado de sua loucura foi de agitação, fome, destruição das cidades e do Templo de Deus (18:7-8). Judas Galileu e sua escola são o bode expiatório perfeito para Josefo, e caem como uma luva para sua narrativa. Tanto Josefo, quanto Atos dos Apóstolos, localizam Judas Galileu na época do recenseamento realizado quando os romanos transformaram a Judéia em província, em 6 DC.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Deve ser observado que Josefo menciona também um certo Judas, que saqueou o palácio de Herodes na Galiléia, após sua morte, em cerca de 4 AC, e que era filho do arqui-ladrão Ezequias (Antiguidades 17:271-272 e Guerras 2:56) que Herodes, então governador da Galiléia, executou em 47 AC (14:163-177). Alguns estudiosos, como Geza Vermes [10], identificam esse Judas, Filho de Ezequias com Judas Galileu, enquanto outros, como Steve Mason, Gerd Thiessen e Annete Merz, não estão tão confiantes [11]. Se os dois forem a mesma pessoa, teríamos uma dinastia revolucionária, que se inicia com o arqui-ladrão Ezequias, em meados do sec. I AC e que atua até a Guerra Judaica, mais de 100 anos depois, com quatro gerações da família sempre na vanguarda da agitação política. No entanto, vamos considerar Judas Galileu e Judas Filho de Ezequias como pessoas distintas.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Os escritores contemporâneos de Josefo, no entanto, pareceram não estar dispostos a gastar tinta com Judas Galileu. Filo de Alexandria, importante fonte dos assuntos Judaicos no período, nada diz sobre Judas Galileu. O grande "vilão" e "aliciador" galileu também não é mencionado no relato das campanhas romanas na Judéia [12], escrito por Tácito (&lt;a href="http://penelope.uchicago.edu/Thayer/E/Roman/Texts/Tacitus/Histories/5A*.html#9"&gt;Histórias 5:9-13&lt;/a&gt;) , e nas ocasionais referências de Suetônio a grande revolta (A Vidas dos Doze Césares, Vespasiano ; Tito ). Judas "Che Guevara" Galileu não fez muito sucesso fora dos escritos de Josefo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;[E aqui, de novo, perguntamos: "Onde estão aqueles 40 escritores, mencionados na lista de Remsburg, que viviam no Mediterrâneo mais ou menos na época em que Judas viveu, quando se precisa deles? Se adicionarmos o fato de que Lucas pode ter usado Josefo como fonte, e que Josefo tinha motivos apologéticos a defender, sendo conveniente encontrar meia duzia de fanáticos como bode expiatório como causa da Guerra - e trilhando o caminho hipercético as vezes encontrado em certos círculos - poderíamos perguntar, retoricamente, "será que Josefo simplesmente não inventou Judas Galileu?" (Como dizem os americanos, "Where there is a will, there is a way", com retórica, e suficiente disposição para torturar os dados, não considerando o contexto mais amplo da antiguidade, você pode chegar a conclusão que você quiser, por mais absurdo que seja).]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, podemos avaliar que &lt;strong&gt;a intensidade do impacto,&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;por ocasião de seu surgimento,&lt;/strong&gt; dos feitos de Judas Galileu foi &lt;strong&gt;moderada&lt;/strong&gt;, e a extensão desse impacto parece ter sido apenas &lt;strong&gt;regional&lt;/strong&gt;, (por ocasião do recenseamento, apenas a Judéia foi submetida a taxação e domínio direto dos romanos). A doutrina de Judas e Zadoque atraiu a muitos, é fato, mas, naquele momento, parece não etr havido uma revolta generalizada. Por outro lado, a doutrina de Judas perdurou por décadas, sendo propagada por sua escola e seus descendentes, impregnando a nação, e levando, por fim, a Grande Revolta, ou seja, a &lt;strong&gt;duração do impacto e seus efeitos &lt;/strong&gt;foi &lt;strong&gt;grande.&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;3) O Profeta Egípcio&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-zdTA0yvoUe4/TgzSrd39z6I/AAAAAAAAAK4/C_312vCeYGA/s1600/250px-Coin_of_Porcius_Festus.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5624101678874480546" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 106px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/-zdTA0yvoUe4/TgzSrd39z6I/AAAAAAAAAK4/C_312vCeYGA/s200/250px-Coin_of_Porcius_Festus.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt;Um prejuízo maior causou os judeus o falso profeta do Egito. Chegou um milagreiro enganador ao país que se apresentava como falso profeta e reuniu 30.000 vítimas de seu engodo. Ele os conduziu até o Monte das Oliveiras e de lá pretendiam entrar com violência em Jerusalém., tomar de surpresa a guarnição romana e torna-se dominador sobre o povo com o auxílio de seus companheiros armados. Félix, no entanto, antecipou-se a seu ataque com soldados romanos; o povo também participou da defesa, de forma que o egípcio, na batalha que se seguiu, pode fugir com uns poucos. A maioria de seus seguidores, no entanto, foi morta ou capturada. O restante se espalhou, e cada um tentou se esconder em casa (Flávio Josefo, &lt;/em&gt;Guerras Judaicas, &lt;em&gt;2:261-263) &lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;[Josefo reconta basicamente a mesma história em Antiguidades 20:169-171] &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;Não és porventura o egípcio que há poucos dias fez uma sedição e levou ao deserto os quatro mil sicários? (Atos dos Apostolos, 21:38)&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;O egípcio se enquadra muito bem na categoria de profeta de sinais, que promete ao povo a libertação de seus sofrimentos e de seus inimigos, evocando o exemplo de Moisés, e, neste caso específico, Josué (que fez os muros de Jerico serem derrubados, Josué 6:20) , além de evocar a crença popular, baseada na interpretação de Zacarias 14:3-9, de que nos últimos dias o Senhor, do Monte das Oliveiras, lancaria seus exercítos contra os inimigos de Israel, ocupantes da cidade santa [13]. O Professor Jona Lendering observa que o termo utilizado por Josefo "tyrannein" , (tornar-se o soberano, um tirano), para descrever as intenções do egípcio, o que indica uma reinvindicação real. Então o egício se enquadra também na categoria de pretendente messiânico.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Em guerras o número de 30.000 seguidores do egípcio parece grandemente exagerado. A população inteira de Jerusalém no período era de cerca 50.000. Quinze anos depois de escrever as Guerras Judaicas, Josefo relata em Antiguidades que 400 seguidores do egípcio foram mortos no confronto, e outros 200 foram capturados na invasão mal-sucedida, (sendo que o egípcio e o restante de seus soldados fugiram em retirada), mas não diz o número total de seguidores do falso profeta. Atos dos Apóstolos fala em 4 mil seguidores, que parece um número (mais) plausível. Impressiona a facilidade com que o Egípcio arregimentou seguidores, convencendo-os a marchar contra uma tropa romana pesadamente armada e bem treinada em uma cidade altamente fortificada como Jerusalém. No entanto, como observa o Professor Richard Horsley, o tumulto liderado pelo egípcio encontra paralelo na ação de Teudas, 10 anos antes, e do Profeta Samaritano, 20 anos antes, e aponta uma predisposição das massas diante da mensagem de livramento imediato por parte do Senhor, e o anseio por parte dos profetas e seus seguidores de participar de um ato de libertação divino [14]. O ar estava carregado de fervor messiânico e apocalíptico. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;O caso do Profeta Egípcio, como os outros já apresentados, também é util por nos oferecer o tipo de atestação externa esperado para líderes carismaticos que conduziam multidões no século I DC, como Jesus de Nazaré ou João Batista. Embora o egípcio, conforme o relato de Josefo, tenha atuado como milagreiro (enganador) e (falso) profeta, e tenha persuadido a milhares de pessoas, e os tenha reunido para marchar contra uma das mais importantes cidades do Oriente Romano, e uma batalha tenha se seguido e , centenas, quem sabe milhares, tenham sido mortos, nos não sabemos quase nada sobre o "Egípcio", nem mesmo seu nome. E como Josefo e Atos dos Apostolos são as únicas fontes sobre o tumulto, e nenhum artefato arqueológico é associado a revolta, vamos continuar carentes de informação sobre esse episódio. Ainda que tenha sido um acontecimento que faria a "Breaking News" da CNN se ocorresse em nosso tempo. &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;E, para variar, "&lt;em&gt;Agora, onde estavam os quarenta e tantos escritores antigos contemporâneos a malograda invasão de Jerusalém, inspirada pelo profeta egípcio, que não mencionaram esse fato?&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;Podemos avaliar a &lt;strong&gt;intensidade do impacto&lt;/strong&gt; dos feitos do Profeta egipcio foi &lt;strong&gt;grande,&lt;/strong&gt; ainda que extensão desse impacto parece ter sido apenas &lt;strong&gt;regional,&lt;/strong&gt; embora o duração da revolta e seus efeitos não tenham sido duradouros, apenas &lt;strong&gt;moderados&lt;/strong&gt;.&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Referências Bibliográficas&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;[1] Gerd Thiessen e Annete Merz (1996), &lt;em&gt;O Jesus Histórico: Um Manual,&lt;/em&gt; fl. 485-486&lt;/p&gt;[2] Bart Erhman (2000), &lt;em&gt;Jesus, apocalyptic prophet of the new millennium,&lt;/em&gt; fls. 217-223, (particularmente fl. 222-223); Gerd Thiessen e Annete Merz (1996). &lt;em&gt;O Jesus Histórico: Um Manual&lt;/em&gt;, fl.485; Alan F. Seagal (2005), "Jesus and the Gospels-What Really Happened", [1] Believe Only the Embarrassing, Slate, &lt;a href="http://www.slate.com/id/2132974/entry/2132989/"&gt;http://www.slate.com/id/2132974/entry/2132989/&lt;/a&gt;, acessado em 29.04.2011; Paul Winter (1974), "Sobre &lt;em&gt;o Julgamento de Jesus",&lt;/em&gt; fls. 217 e 219.&lt;br /&gt;Além das referências acima, podemos acrescentar, como já observamos &lt;a href="http://adcummulus.blogspot.com/2009/12/significancia-de-jesus-e-escala-richter.html"&gt;anteriormente&lt;/a&gt;, que a crucificação de Jesus sob a acusação de ser o Rei dos Judeus era muito perigosa para os primeiros cristãos dado seu status legal precário no Império Romano. Os evangelhos foram escritos, provavelmente, entre a &lt;a href="http://www.livius.org/ja-jn/jewish_wars/jwar03.html"&gt;1ª Guerra Judaica (66-73 DC) &lt;/a&gt;e &lt;a href="http://www.livius.org/ja-jn/jewish_wars/jwar07.html"&gt;2ª Guerra Judaica (132-135 DC)&lt;/a&gt;. No século I DC e início do seculo II, houveram &lt;a href="http://www.livius.org/ja-jn/jewish_wars/jwar06.html"&gt;inúmeras revoltas&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://www.livius.org/men-mh/messiah/messianic_claimants15.html"&gt;provocadas&lt;/a&gt; por auto-proclamados &lt;a href="http://www.livius.org/men-mh/messiah/messianic_claimants00.html"&gt;"Reis dos Judeus"&lt;/a&gt; e &lt;a href="http://www.livius.org/men-mh/messiah/messianic_claimants17.html"&gt;"Messias", &lt;/a&gt;que causaram a &lt;a href="http://www.livius.org/ja-jn/jewish_wars/bk05.html"&gt;morte de (dezenas de) milhares de pessoas&lt;/a&gt;, dentre os quais &lt;a href="http://www.livius.org/ja-jn/jewish_wars/jwar05.html"&gt;milhares de bons soldados e cidadãos de Roma&lt;/a&gt;. No mesmo período, a igreja era &lt;a href="http://www.livius.org/cg-cm/christianity/tacitus.html"&gt;perseguida&lt;/a&gt; e o cristianismo era uma seita ilegal, sendo que alguns oficiais e magistrados suspeitavam &lt;a href="http://www.earlychristianwritings.com/text/pliny.html"&gt;que o grupo era formado por agitadores&lt;/a&gt;, desleias a Cesar e a Roma. De fato, &lt;a href="http://www.earlychristianwritings.com/text/aristides-kay.html"&gt;Aristides&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://www.earlychristianwritings.com/quadratus.html"&gt;Quadrato&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://www.earlychristianwritings.com/text/justinmartyr-firstapology.html"&gt;Justino&lt;/a&gt; &lt;a href="http://www.earlychristianwritings.com/text/justinmartyr-secondapology.html"&gt;Martir&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://www.earlychristianwritings.com/text/melito.html"&gt;Melito&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://www.earlychristianwritings.com/text/apollinaris.html"&gt;Apolinario&lt;/a&gt;, e outros, escreveram ao Imperador da época buscando incessantemente provar que os cristãos eram leais, pacíficos e produtivos e perfeitos súditos do Império. Porque, nessas circunstâncias, os cristãos inventariam que seu líder tinha sido um Messias Crucificado, executado como um criminoso político, por magistrados romanos, sob a acusação de Alta Traição? Certamente porque Jesus foi realmente crucificado, por ter sido acusado (justa ou injustamente) de se auto-proclamar "Rei dos Judeus", e essas coisas eram fatos conhecidos (e problemáticos) que os cristãos tinham que explicar.&lt;br /&gt;Entre os várias relatos em que os cristãos primitivos são pressionados a refutar acusações de alta traição e desfazer mal-entendidos em relação ao "Reino" de Jesus, temos Justino Martir, em sua &lt;a href="http://www.earlychristianwritings.com/text/justinmartyr-firstapology.html"&gt;1ª Apologia &lt;/a&gt;( cerca de 150 DC), dirigida ao Imperador Antonino Pio e ao Senado Romano, afirmando que o "Reino" que os cristãos buscavam não era humano ou terrestre, mas celestial (1ª Apologia, Capítulo 11). Da mesma forma, Hegesipo (cerca de 170 DC), relata que os netos de Judas, irmão de Jesus, foram interrogados pelo Imperador Vespasiano, no final do século I, a respeito de sua descendência Davídica, de Cristo, e da natureza de seu Reino (citado por Eusébio de Cesaréia, Historia Eclesiastica Livro 3: capítulo 20). Por fim, lemos em Atos dos Apostolos (80-90 DC), que, durante sua 3ª Viagem Missionária (50-52 DC), Paulo e seus colaboradores foram acusado em Tessalônica de "&lt;em&gt;proceder contra os decretos de César&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;dizendo haver outro rei, que é Jesus" &lt;/em&gt;(Atos 17:7)&lt;em&gt;, &lt;/em&gt;forçando Paulo e Silas a fugirem para Beréia (17:9).&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;[3] John P. Meier, Um Judeu Marginal, Livro 2, Volume 2, fl. 10.&lt;br /&gt;[4] Jona Lendering, &lt;em&gt;Messianic claimants &lt;/em&gt;&lt;a href="http://www.livius.org/men-mh/messiah/messianic_claimants00.html"&gt;&lt;em&gt;http://www.livius.org/men-mh/messiah/messianic_claimants00.html&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt;,&lt;/em&gt; acessado em 20.06.2011.&lt;br /&gt;[5] A analise acadêmica de referência sobre esses movimentos é o livro do Professor Richard Horsley, &lt;em&gt;"Bandits, prophets &amp;amp; messiahs: popular movements in the time of Jesus"; &lt;/em&gt;para o padrão mencionado, ver, principalmente, fls. 162-171.&lt;br /&gt;[6] Ben Zion Wacholder &lt;em&gt;Josephus and Nicolaus of Damascus&lt;/em&gt; in Louis Feldman &amp;amp; Gohei Hata (1988) Josephus, the Bible, and History, fl. 147, 152-157&lt;br /&gt;[7] GLAJJ, F97, linhas 53-71. (GLAJJ é a sigla para a coleção Greek and Latin Authors on Jews and Judaism, organizada por Menahem Stern, volume I, 1974; F97 = fragmento 97). O fragmento em questão é reproduzido por Ben Zion Wacholder, &lt;em&gt;Josephus and Nicolaus of Damascus&lt;/em&gt; in Louis Feldman &amp;amp; Gohei Hata (1989) ...., fls. 156-158 (ver nota 109, à fl. 169).&lt;br /&gt;[8] Eliezer Paltiel (1981) &lt;em&gt;&lt;a href="http://www.persee.fr/web/revues/home/prescript/article/rbph_0035-0818_1981_num_59_1_3318?luceneQuery=%2B%28authorId%3Apersee_199843+authorId%3A%22auteur+rbph_1802%22%29&amp;amp;words=persee_199843&amp;amp;words=auteur%20rbph_1802"&gt;War in Judaea - After Herod's death&lt;/a&gt;&lt;/em&gt;. In: Revue belge de philologie et d'histoire. Tome 59 fasc. 1, 1981. Antiquité. pp. 107-136. (especificamente fls. 110-111)&lt;br /&gt;[9] John D. Crossan e Jonathan Reed (2003) Em Busca de Jesus, fl. 65&lt;br /&gt;[10] Geza Vermes (2001) Quem é Quem na Época de Jesus, fl. xxx;&lt;br /&gt;[11] Steve Mason (2008), &lt;em&gt;Flavius Josephus, translation and commentary&lt;/em&gt;, volume 1b, Judean War (200), fl. 81, nota 724; Gerd Thiessen e Annete Merz (1996), O Jesus Histórico, Um Manual, fl. 163.&lt;br /&gt;[12] Jona Lendering, &lt;em&gt;Messianic Claimants (4), Judas the Galilean &lt;/em&gt;&lt;a href="http://www.livius.org/men-mh/messiah/messianic_claimants04.html"&gt;http://www.livius.org/men-mh/messiah/messianic_claimants04.html&lt;/a&gt;, acessado em 30.06.2011&lt;br /&gt;[13] Jona Lendering, Messianic Claimants (10), The Egyptian Prophet &lt;a href="http://www.livius.org/men-mh/messiah/messianic_claimants04.html"&gt;http://www.livius.org/men-mh/messiah/messianic_claimants04.html&lt;/a&gt;, acessado em 30.06.2011 [14] Richard Horsley e John S. Hanson (1999), &lt;em&gt;Bandits, prophets &amp;amp; messiahs: popular movements in the time of Jesus,&lt;/em&gt; fls. 168-170. &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16935532-3808981022629234722?l=adcummulus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://adcummulus.blogspot.com/feeds/3808981022629234722/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16935532&amp;postID=3808981022629234722&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16935532/posts/default/3808981022629234722'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16935532/posts/default/3808981022629234722'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://adcummulus.blogspot.com/2011/06/significancia-de-jesus-e-escala-richter.html' title='A Significância de Jesus e a Escala Richter de Impacto Histórico Parte 4.1: O Rei dos Judeus entre os Revolucionários'/><author><name>Nehemias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05093459549722450363</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-jAv-0mceKx0/Tg4ZhRzo3FI/AAAAAAAAALI/3j6Xlwxwn6I/s72-c/280px-Dirk_van_Baburen_-_Kroning_met_de_doornenkroon.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16935532.post-7188764416707871021</id><published>2011-02-23T18:00:00.002-03:00</published><updated>2011-02-23T18:13:59.963-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Josefo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Série Jesus na História'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Jesus Histórico'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Tiago'/><title type='text'>post sobre Tiago irmão de Jesus atualizado</title><content type='html'>O post sobre a referência a &lt;a href="http://adcummulus.blogspot.com/2010/02/significancia-de-jesus-e-escala-richter.html"&gt;Tiago, irmão de Jesus,  por Flavio Josefo, em Antiguidades 20:9:1&lt;/a&gt; (§ 200), na &lt;a href="http://adcummulus.blogspot.com/search/label/S%C3%A9rie%20Jesus%20na%20Hist%C3%B3ria"&gt;Série Jesus na Escala Richter de Impacto Histórico&lt;/a&gt;, foi atualizado, com algumas observações acrescentadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;" Alías, o uso de um deslize de uma figura poderosa, como pretexto para enfrace-lo, por seus adversários políticos não é algo incomum seja na Antiguidade quanto no presente.  O fato de que Josefo, explicitamente, começa seu relato afirmando que Anás era saduceu, enquanto que indica que a ação para contesta-lo teve origem nos que eram "zelosos observadores da  Lei" (fariseus), é forte indício de que o ato precipitado de Anás foi visto por alguns como uma oportunidade para indispor ele e sua poderosa família com os romanos, dando chance a um novo equilibrio de poder. Assim,  a pressa de alguns desses zelosos observadores da Lei em encontrar Albino ainda no caminho de Alexandria, não se deu tanto em razão de sua angustiados pela execução de Tiago e seus companheiros, ou porque estivessem preocupados com minúcias do direito romano,  mas porque a ação precipitada e inusitadamente ousada  do Sumo Sacerdote, usurpando poderes formais do Procurador, abriu uma avenida de oportunidades para seus adversários políticos."&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://adcummulus.blogspot.com/2010/02/significancia-de-jesus-e-escala-richter.html"&gt;Continue lendo&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16935532-7188764416707871021?l=adcummulus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://adcummulus.blogspot.com/feeds/7188764416707871021/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16935532&amp;postID=7188764416707871021&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16935532/posts/default/7188764416707871021'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16935532/posts/default/7188764416707871021'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://adcummulus.blogspot.com/2011/02/post-sobre-tiago-irmao-de-jesus.html' title='post sobre Tiago irmão de Jesus atualizado'/><author><name>Nehemias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05093459549722450363</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16935532.post-7638012040711304717</id><published>2011-02-15T17:35:00.002-02:00</published><updated>2011-02-15T17:35:11.749-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Arqueologia'/><title type='text'>Arqueólogos reivindicam ter encontrado a escrita mais antiga em Jerusalém</title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Arqueólogos afirmam ter encontrado o mais antigo documento escrito em Jerusalém. Diz-se que vêm do século 14 a.C.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Publicado em&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;i&gt;Israel Exploration Journal:&lt;/i&gt; Mazar, Eilat, Horowitz Wayne, Oshima Takayoshi, Yuval Goren e. . &lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;"&lt;a href="http://www.google.com.br/url?sa=t&amp;amp;source=web&amp;amp;cd=1&amp;amp;ved=0CBcQFjAA&amp;amp;url=http%3A%2F%2Fwww.rbmltd.co.il%2FUp%2FArticles%2F9457380.pdf&amp;amp;ei=sdRaTfXGEYWjtgeL_dWtCw&amp;amp;usg=AFQjCNHFDvdQB0BnCulSwpcY2RGgTE8nfg"&gt;A Cuneiform Tablet from the Ophel in Jerusalem.&lt;/a&gt;" &lt;/span&gt;IEJ 60 (2010): 4-21.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=kx66Rmadqr8"&gt;http://www.youtube.com/watch?v=kx66Rmadqr8&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16935532-7638012040711304717?l=adcummulus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://adcummulus.blogspot.com/feeds/7638012040711304717/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16935532&amp;postID=7638012040711304717&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16935532/posts/default/7638012040711304717'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16935532/posts/default/7638012040711304717'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://adcummulus.blogspot.com/2011/02/arqueologos-reivindicam-ter-encontrado_15.html' title='Arqueólogos reivindicam ter encontrado a escrita mais antiga em Jerusalém'/><author><name>informadordeopiniao</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06489998336259307860</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://3.bp.blogspot.com/_Yf2-PPTyb0I/SmO7mVKQ0zI/AAAAAAAAAPs/rh8W4tpIWGI/S220/Close.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16935532.post-3146683061359524862</id><published>2011-01-21T18:00:00.000-02:00</published><updated>2011-01-21T17:31:25.373-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Série Jesus na História'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Jesus Histórico'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Existência de Jesus'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='critérios históricos'/><title type='text'>A Significância de Jesus e a Escala Richter de Impacto Histórico Parte 3: Qual o Impacto de um Fato Histórico?</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_cHxPyDncuBc/TTnOVkEOmRI/AAAAAAAAAJA/Xzjceai6zis/s1600/220px-Petri_Fischzug_Raffael.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5564705684446943506" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 138px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_cHxPyDncuBc/TTnOVkEOmRI/AAAAAAAAAJA/Xzjceai6zis/s200/220px-Petri_Fischzug_Raffael.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Continuando nossa série Jesus na Escala Richter de Impacto Histórico (ano novo, vida nova), gostaria de falar um pouco de fatos históricos e suas consequências.&lt;br /&gt;O ponto de partida da série, foram as afirmações que volta e meia, e principalmente na Internet, encontramos :&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Se Jesus pregou para multidões, teve doze discípulos, realizou curas e todas aquelas coisas da Bíblia, porque quase nenhum historiador judeu ou gentio falou sobre ele?&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;em&gt;É so isso temos para o Filho de Deus? Ninguém lembrou dele? Será que ele existiu mesmo? &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;A Bíblia diz que multidões seguiam a Jesus, que sábios vinham de vários lugares para ouvir Jesus. Porque nenhum deles escreveu nada sobre ele? &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Se Jesus tivesse realmente existido, escritores como Filo de Alexandria, Veleio Paterculo, Justus de Tiberíades, Sêneca, Plínio o Velho, Lucano e Plutarco teriam dito algo sobre ele.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No &lt;a href="http://adcummulus.blogspot.com/2009/12/significancia-de-jesus-e-escala-richter.html"&gt;primeiro post &lt;/a&gt;da série nós conversamos um pouco sobre os problemas associados a esse tipo de argumento, de que a falta ou escassez de referências não cristãs a Jesus seria uma prova de sua inexistência ou irrelevância histórica. As vezes são apresentadas listas de autores que viviam no Império Romano nos 100 seguintes a morte de Jesus (em uma dessas listas, elaborada no final do séc. XIX pelo escritor&lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/John_Remsburg"&gt; Jonh Remsburg&lt;/a&gt;, são mencionados 43 autores) e pergunta-se &lt;em&gt;"se Jesus existiu, se realizou tão grandes feitos, como pode não ter sido notado por esses escritores"&lt;/em&gt;? &lt;em&gt;Como pode ter sido mencionado apenas por 3 ou 4 autores, em textos que não maiores que um parágrafo?. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquela ocasião mostramos como o consenso dos historiadores é justamente o contrário, e de que os evangelhos são usados como fonte histórica. Discutimos o fato de que se a avaliação dos pesquisadores varia muito e apresenta extremos, havendo aqueles que aceitam a tradição evangélica como basicamente confíavel até aqueles que defendem uma visão muito mais cética, concluindo que cerca de 10 % do que é atribuido a Jesus nos evangelhos teria sido provavelmente dito ou realizado por ele, e que entre estes extremos, a maioria dos críticos se posiciona em um amplo espectro de opiniões. O fato é que mesmo mesmo nessa visão bem minimalista teriamos por volta de 50 feitos e ditos de Jesus considerados como provavelmente autênticos, mesmo utilizando os critérios históricos de forma extremamente rigorosa. Na sequência, analisamos o testemunho de Josefo sobre &lt;a href="http://adcummulus.blogspot.com/2010/02/significancia-de-jesus-e-escala-richter.html"&gt;Tiago&lt;/a&gt;, &lt;em&gt;"irmão de Jesus chamado o Cristo"&lt;/em&gt;, e sobre o próprio &lt;a href="http://adcummulus.blogspot.com/2010/04/significancia-de-jesus-e-escala-richter.html"&gt;Jesus&lt;/a&gt; (o Testemunho Flaviano, ou TF), do qual concluimos pela autenticidade parcial, e analisamos as &lt;a href="http://adcummulus.blogspot.com/2010/06/significancia-de-jesus-e-escala-richter.html"&gt;objeções&lt;/a&gt; &lt;a href="http://adcummulus.blogspot.com/2010/12/josefo-jesus-os-cristaos-messianismo-e.html"&gt;mais comuns&lt;/a&gt;. Vimos também a relevância das afirmações dos &lt;a href="http://adcummulus.blogspot.com/2010/07/significancia-de-jesus-e-escala-richter.html"&gt;historiadores romanos&lt;/a&gt;, Tácito, Plínio e Suetônio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas dito isso qual o impacto de Jesus deixou no registro histórico? Qual a relevância das fontes que temos (cristãs ou não cristãs)? O que temos é o que poderíamos esperar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No primeiro post da série "&lt;a href="http://adcummulus.blogspot.com/2009/12/significancia-de-jesus-e-escala-richter.html"&gt;prometemos&lt;/a&gt;":&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Além de analisar os relatos (ou falta deles) para pessoas e eventos contemporâeos a Jesus (um século antes e depois de sua morte), vamos comparar o impacto e atestação deixado por esses eventos e pessoas nas fontes literárias, com aquele deixado por Jesus de Nazaré. Uma espécie de "Escala Richter de Impacto Histórico&lt;/em&gt;"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste post, vamos começar com eventos que alteraram completamente a natureza do mundo antigo, verdadeiros marcos históricos, e sua atestação - Pedimos, porém, aos leitores para aumentar "um pouco" o período que haviamos proposto inicialmente, para incluir eventos que ocorreram vários séculos anteriores ou posteriores a Jesus (serão exemplos interessantes, prometo). Vamos falar um pouco também de como os textos literários foram produzidos e conservados na antiguidade, e porque muitas vezes não chegaram até nós.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;1) Travessia do Rubicão&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_cHxPyDncuBc/TTWZqRN1CCI/AAAAAAAAAIg/GUcJfcNb4bA/s1600/zpage191.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5563521866141075490" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 150px; CURSOR: hand; HEIGHT: 160px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_cHxPyDncuBc/TTWZqRN1CCI/AAAAAAAAAIg/GUcJfcNb4bA/s200/zpage191.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; O Rio Rubicão, no final da República Romana, era a fronteira entre a provincia da &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/G%C3%A1lia_Cisalpina"&gt;Galia Cisalpina &lt;/a&gt;e a província da Itália (onde ficava Roma). As Lei Romana proibia os oficiais comandantes de movimentar suas legiões fora dos limites de sua provincia, sem autorização do Senado [1]. Na Itália (como prevenção contra possíveis golpes militares), tal proibição era, obviamente, muito mais séria. Somente &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Roman_consul"&gt;consules&lt;/a&gt; e &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Praetor"&gt;pretores&lt;/a&gt; podiam comandar tropas na Itália. Assim, um general que deixasse sua provincia e invadisse a Italia cometia crime capital, e os soldados que o seguissem também seriam condenados a morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.livius.org/caa-can/caesar/caesar06.html#coup"&gt;No ano 49 AC&lt;/a&gt; graves tensões sacudiam a República Romana. O &lt;a href="http://penelope.uchicago.edu/Thayer/E/Roman/Texts/secondary/SMIGRA*/Proconsul.html"&gt;proconsul&lt;/a&gt; &lt;a href="http://www.livius.org/caa-can/caesar/caesar00.html"&gt;Gaio Julio César&lt;/a&gt; havia obtido sensacionais vitórias militares, conquistando as Gálias (atuais França e Bélgica) , submetendo milhões de pessoas ao domínio de Roma. Para muitos, porém, Cesar não era bemvindo . O General vitorioso, que acumulara riqueza incalculavel, e com legiões de soldados veteranos e extremamente leais era considerado uma ameaça. Seus maiores inimigos, uma facção de senadores liderada por &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Cato_the_Younger"&gt;Catão, o Jovem&lt;/a&gt; o acusava de varios crimes (reais, supostos e imaginários) e queria que ele fosse processado e julgado. O sucesso de Cesár não lhe trouxe muitos amigos, muito pelo contrário. Senadores mais moderados, como &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/C%C3%ADcero"&gt;Cícero&lt;/a&gt;, e o antigo aliado de César, e seu companheiro de consulado, Pompeu "Magno", se voltaram contra ele. César queria condicionar seu retorno a Roma, com a possibilidade de uma nova eleição, que lhe daria imunidade legal. O Senado, de modo geral, se voltara contra Cesar. No entanto, Gaio César tinha o apoio do povo e, com massivas injeções financeiras, tivera suporte do consul Lucio Emilio Paulo e do &lt;a href="http://www.livius.org/to-ts/tribune/tribune.html"&gt;Tribuno do Povo&lt;/a&gt; &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Gaius_Scribonius_Curio"&gt;Gaio Escribônio Cúrio&lt;/a&gt;, em 50 AC, além de eleger seu comandado &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Mark_Antony"&gt;Marco Antônio &lt;/a&gt;como Tribuno do Povo no ano seguinte, o que lhe dava o poder de vetar algumas medidas do Senado. Em janeiro de 49 AC, a situação se tornou insustentavel. Pompeu e o Senado deram um ultimato para que César rendesse suas tropas e se submetesse a julgamento. Os tribunos aliados de Cesar se declararam ameaçados e fugiram da cidade. César, que estava em Ravena, soube das notícias e usando como pretexto as ameaças contra a sagrada figura dos tribunos do povo, atravessou o Rubicão com a XIII Legião e invadiu a Itália.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pompeu e a maior parte do Senado fugiram de Roma, para não serem capturados. Seguiram-se quatro anos de Guerra Civil. Em sequência, César derrotou &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Lucius_Afranius_(consul)#Civil_War"&gt;Afranio&lt;/a&gt;, na Espanha, depois Pompeu, na &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Battle_of_Pharsalus"&gt;Batalha de Farsália&lt;/a&gt; (Grécia), que fugiu e foi assassinado no Egito; depois Catão, o Jovem, em &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Battle_of_Thapsus"&gt;Tapsos&lt;/a&gt; (Numídia, atual Tunisia), que se suicidou, e, finalmente, &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Batalha_de_Munda"&gt;Pompeu, o Jovem&lt;/a&gt;, em &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Batalha_de_Munda"&gt;Munda&lt;/a&gt; (Espanha). Cesar então voltou a Roma, perdou seus inimigos, tornou-se o senhor inconteste da República, e foi assassinado. Após a morte de César, &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Augustus"&gt;Augusto&lt;/a&gt; e Marco Antônio lutaram entre si, depois contra &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Gaius_Cassius_Longinus"&gt;Cassio&lt;/a&gt; e &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Marcus_Junius_Brutus_the_Younger"&gt;Bruto&lt;/a&gt;, e depois novamente entre si, para dominar o Império. Augusto venceu e instituiu o &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Principado_romano"&gt;principado&lt;/a&gt;, depois de quase 20 anos de Guerras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então a Travessia do Rubicão é algo como o Grito do Ipiranga, o Ataque as Torres Gêmeas, a Bomba de Hiroshima, o homem chegando na Lua. Um evento que marcou o fim de uma era. O fim da República e o início do Império.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma descrição da Travessia do Rubicão nos é dada por Suetônio, com toda a pompa e circunstância:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"Quando chegou ao conhecimento de César a notícia de que o direito de intercessão dos tribunos havia sido derrogado e que estes se haviam retirado da cidade, rápida e secretamente, fez marchar na vanguarda algumas coortes (...) e arremoessou-se, acompanhado apenas de uma pequena escolta, pela estrada mais deserta. quando a chama dos archotes se extinguiu, perdeu-se e, por um longo espaço tempo, vagou absolutamente sem rumo. Quando a manhã já ia alta, apareceu, subitamente, um guia: caminhou a pé por veredas deveras estreitas e, nas ribas do Rubicão, que traça a fronteira com sua província, reuniu-se então com as coortes. Permaneceu lá por alguns instantes e, ao computar a magnitude de seus planos, dirigiu a palavra para os que acompanhavam, dizendo-lhes: &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"- &lt;strong&gt;Hoje, ainda podemos recuar. Mas caso passarmos aquela pequena ponte, cabe à sorte das armas decidir o resto"&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Permanecia ainda vacilando quando, de repente, &lt;strong&gt;deparou-se com a seguinte visão: um homem de corpo e beleza singulares apareceu ali por perto, tocando avena&lt;/strong&gt;. Os pastores, como também numerosos soldados dos postos mais vizinhos, correram ao seu encontro para ouvi-lo, entre os quais alguns corneteiros. Assim que os avistou, &lt;strong&gt;o jovem músico arrancou o clarim de um deles e, de um salto, atirou-se ao rio&lt;/strong&gt;. Fazendo-o soar com um vigor extraordinário, dirigiu-se para a margem oposta. Diante disso, César falou, então: &lt;/em&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;"Vamos para onde nos chamam os prodígios dos deuses e a iniquidade dos nossos inimigos. A sorte esta lançada"&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Suetônio nos dá um relato bastante "embelezado", e tardio, pois foi escrito 175 anos depois do fato. Mas esse deve ser o tipo de evento que as criancinhas em Roma aprendiam na escola. César comandava uma legião 5000 soldados, 300 cavaleiros, (ou seja, milhares de testemunhas oculares), e dezenas de oficiais. Centenas de senadores tiveram que sair de Roma e da Itália. assim, deve haver dezenas de referências e descrições detalhadas em livros, cartas, poesias... Certo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Errado,&lt;/strong&gt; como vc pode ver aqui, neste resumo do Prof. &lt;a href="https://mywebspace.wisc.edu/jbeneker/web/"&gt;Jeffrey Benaker&lt;/a&gt;, da Universidade de Wiscosin:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"&lt;strong&gt;Caesar’s crossing of the Rubicon in 49 BC is well known as an important milestone in the demise of the Roman Republic. It is also the case that we lack contemporary or even near-contemporary accounts.&lt;/strong&gt; Caesar himself, in his Bellum Civile, makes no mention of the river. The history of his lieutenant, Asinius Pollio, has been lost, as has Livy’s 109th book (the periocha for 109 does not mention the Rubicon). &lt;strong&gt;Velleius Paterculus, then, when he writes that Caesar crossed the Rubicon after being frustrated by the Senate, is the earliest extant author to refer to the crossing&lt;/strong&gt;, &lt;strong&gt;even if he does not comment on the event’s significance&lt;/strong&gt;. &lt;strong&gt;The first thorough treatment of the Rubicon in the surviving literature does not appear until more than a century after the fact, in Lucan’s Pharsalia, a work of epic poetry rather than historiography&lt;/strong&gt;. This version is followed by the detailed accounts in the biographies of Caesar by Plutarch and Suetonius. Appian’s history also includes the story of the crossing, but Dio shows that a historian could still write about Caesar’s civil war without mentioning the Rubicon. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;My aim in this paper is to examine the &lt;strong&gt;four extant narratives of Caesar at the Rubicon&lt;/strong&gt; (Lucan 1.183-232; Plutarch, Caesar 31-32; Suetonius, Caesar 30-32; and Appian 2.35.5). &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;(&lt;span style="color:#ff6666;"&gt;tradução&lt;/span&gt;) "&lt;strong&gt;A Travessia do Rubicão por Cesar em 49 BC é conhecida como um dos eventos mais importantes na queda da República Romana. É também um caso de típico de falta de relatos contemporâneos ou semi-comtemporâneos&lt;/strong&gt;. O próprio César, em seu livros Bellum Civile (Guerras Civis), não faz menção ao Rio. A história de seu oficial, Asinio Polio, foi perdida, assim como o 109° livro de Livio (o periocha para o livro 109 não menciona o Rubicão). &lt;strong&gt;Veleio Paterculo, ao escrever que César cruzou o Rubicão em resposta as ações do Senado, é nosso relato remanescente mais antigo, embora não comente a importância do evento&lt;/strong&gt;. &lt;strong&gt;O relato detalhado mais antigo da travessia do Rubicão hoje existente esta em Farsália, de Lucano, escrito mais de um século depois do fato, e que é mais um trabalho de poesia épica do que historiografia&lt;/strong&gt;. Esta versão é seguido pelas narrativas detalhadas nas biografias de César por Plutarco e Suetônio. A história de Apío também inclui a história da travessia, mas Dio mostra que um historiador ainda poderia escrever sobre a guerra civil de César, sem mencionar o Rubicão.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Meu objetivo neste paper é analisar as quatro narrativas hoje existentes da Travessia do Rubicão por César (Lucano &lt;a href="http://omacl.org/Pharsalia/book1.html"&gt;1.183-232&lt;/a&gt;; Plutarco, &lt;a href="http://www.livius.org/caa-can/caesar/caesar_t08.html"&gt;César 31-32&lt;/a&gt;, Suetônio, &lt;a href="http://penelope.uchicago.edu/Thayer/E/Roman/Texts/Suetonius/12Caesars/Julius*.html"&gt;César&lt;/a&gt; 30-32; e Apiano &lt;a href="http://penelope.uchicago.edu/Thayer/E/Roman/Texts/Appian/Civil_Wars/2*.html"&gt;2.35.5&lt;/a&gt;)"&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou seja, uma vez que o próprio Cesar (48 AC) não menciona o Rio, os relatos sobreviventes desse fato marcante são &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Marcus_Velleius_Paterculus"&gt;Veleio Paterculo &lt;/a&gt;(30 DC), &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Lucano"&gt;Lucano&lt;/a&gt; (61 DC), &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Plutarch"&gt;Plutarco&lt;/a&gt; (80 DC), &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Suetonius"&gt;Suetônio&lt;/a&gt; (125 DC) e &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Appian"&gt;Apiano&lt;/a&gt; (150 DC). Ou seja, cinco relatos em 200 anos. Se considerarmos um período de 100 anos temos apenas Veleio Paterculo. Provavelmente, todos esses relatos se baseiam na história escrita por Asinio Polio, um dos oficiais de César, narrativa esta que se perdeu. Com excessão de Lucano, nenhum deles gasta mais de uma folha descrevendo a história. Veleio Paterculo escreve uma unica linha &lt;em&gt;"Cesar concluiu que a Guerra era inevitável e cruzou o Rubicão com seu exército"&lt;/em&gt; ( Historia Romana, &lt;a href="http://penelope.uchicago.edu/Thayer/E/Roman/Texts/Velleius_Paterculus/2B*.html"&gt;2:49.4&lt;/a&gt;).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;(Agora, onde estavam os quarenta e tantos escritores antigos que viveram nos 100 ou 150 anos depois da travessia do Rubicão, que não mencionaram esse fato?)&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro problema é geografico. O Rubicão não era um rio caudaloso, mas um riacho cujo nascente era nos montes Apeninos e seguia até o Mar Adriático, passando pelas cidades de Rimini e Cesena. Em cerca de 40 AC, Augusto anexou a Galia Cisalpina a província da Itália, e a "relevância" do Rubicão foi em muito diminuida. Os séculos se passaram, o relevo da região foi alterado por ação natural e humana, e os cursos d'agua varias vezes tiveram seu curso alterado, de sorte que não se tem certeza onde exatamente o Rio se localizava [3]. (Em 1933, o Rubicão foi identificado, oficialmente, como sendo, muito provavelmente, o Rio Fiumicino [3]).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Apesar desses problemas geográficos e de atestação histórica, não há duvida de que havia um rio Rubicão na fronteira e César o atravessou. Primeiramente, César evita dizer que cruzou a fronteira entre a sua provincia e a Itália, e portanto não menciona o Rubicão, uma vez que ele estaria admitindo uma situação &lt;em&gt;&lt;strong&gt;constrangedora&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;, e confessando um crime [4]. César, astutamente, diz que foi informado dos tumultos e ultrajes sofridos pelos tribunos, quando estava em Ravena esperando a resposta de suas propostas de pacificação (Guerras Civis &lt;a href="http://www.perseus.tufts.edu/hopper/text?doc=Perseus%3Atext%3A1999.02.0076%3Abook%3D1%3Achapter%3D5"&gt;1:5&lt;/a&gt;), e vendo Pompeu e seus aliados se preparando para Guerra e espoliando colonias, cidades e Templos em busca de recursos (&lt;a href="http://www.perseus.tufts.edu/hopper/text?doc=Perseus%3Atext%3A1999.02.0076%3Abook%3D1%3Achapter%3D6"&gt;1:6&lt;/a&gt;), convocou suas tropas e lhes rememorou as injurias recebidas, a inveja de seus inimigos, os ultrajes sofridos pelos tribunos, e suas boas intenções (&lt;a href="http://www.perseus.tufts.edu/hopper/text?doc=Perseus%3Atext%3A1999.02.0076%3Abook%3D1%3Achapter%3D7"&gt;1.7&lt;/a&gt;), e se assegurando da boa vontade dos soldados, marchou para Rimini (&lt;a href="http://www.perseus.tufts.edu/hopper/text?doc=Perseus%3Atext%3A1999.02.0076%3Abook%3D1%3Achapter%3D8"&gt;1.8&lt;/a&gt;). Ravena ficava na Galia Cisalpina, Rimini na Itália. (Cesár, magistralmente, escreve um relato em que faltam as palavras "província" "Galia", "Cisalpina", "fronteira", "Rubicão", "ilegal" e "Itália", e como em uma espécie de "teletransporte" da Antiguidade, surge na Itália como suas tropas). &lt;/p&gt;Além disso, o fato que Cesar estava na Galia na década de 50 AC, que tomou a Itália no ano seguinte, e que houve uma Guerra Civil entre ele e Pompeu são &lt;strong&gt;fatos conexos&lt;/strong&gt; é &lt;strong&gt;atestados por multíplas fontes&lt;/strong&gt; literarias (como Cícero e Tito Lívio) e arqueológicas. Por fim, a travessia do Rubicão (que implica em invasão não consentida da Itália) é &lt;strong&gt;coerente&lt;/strong&gt; com esses e os outros fatos que conhecemos. A travessia do Rubicão é um evento histórico que explica o curso dos acontecimentos de que temos conhecimento, e sem o qual nossas fontes não fariam sentido.&lt;br /&gt;A ilustração apenas mostra que é imprudente fazer juízos históricos baseado apenas na falta de evidência, uma vez que mesmo acontecimentos de repercussão extraordinária e que mudaram a vida de milhões de pessoas de forma definitiva muitas vezes tem atestação reduzida nas fontes que chegaram até nós. Sob o ponto de vista de um cidadão do Império a travessia do Rubicão seria muito, mas muito, mais relevante do que a crucificação (e os feitos) de um pretendente messiânico, na distante Judéia, principalmente se ele não estivesse acompanhado de hordas de rebeldes sob seu comando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;2) Grecia Antiga, século III AC&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_cHxPyDncuBc/TTc0Mr7wGiI/AAAAAAAAAIo/CVpliwMLoBo/s1600/220px-Sanzio_01_Pythagoras.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5563973257195952674" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 171px; CURSOR: hand; HEIGHT: 199px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_cHxPyDncuBc/TTc0Mr7wGiI/AAAAAAAAAIo/CVpliwMLoBo/s200/220px-Sanzio_01_Pythagoras.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/em&gt;É lugar comum apontar a Grécia clássica como o "berço da civilização ocidental". Filósofos como &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Pythagoras"&gt;Pitagoras&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Socrates"&gt;Socrátes&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Plato"&gt;Platão&lt;/a&gt; e &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Aristotle"&gt;Aristóteles&lt;/a&gt; logo vem a mente; também os passos importantes para o desenvolvimento futuro da ciência dados por &lt;a href="http://www.livius.org/gi-gr/greeks/scientists.html"&gt;Tales de Mileto, Demócrito, Hipócrates e Euclides&lt;/a&gt;; assim como experiências politicas como a democracia ateniense; bem como a berço de disciplinas como a História, com &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Herodotus"&gt;Herodoto&lt;/a&gt; e &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Thucydides"&gt;Tucidiades&lt;/a&gt;. Os idéias da Grécia Clássica foram importantes, principalmente, pela influência que exerceram sobre seus conquistadores, do &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Hellenistic_civilization"&gt;Helenismo&lt;/a&gt; de Alexandre Magno, e posteriormente em prover a base cultural sobre o qual se desenvolveu o &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Ancient_Rome"&gt;Império Romano&lt;/a&gt;, e, em grande parte, o cristianismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;A wikipedia observa astutamente que a cidade de &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Classical_Athens"&gt;Atenas&lt;/a&gt;, nos séculos V e IV AC, está no epicentro de toda essa civilização. Lá estavam a &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Platonic_Academy"&gt;Academia&lt;/a&gt; de Platão, e o &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Lyceum_(Classical)"&gt;Liceu&lt;/a&gt; de Aristóteles, e onde viveram inúmeros filósofos, politicos e escritores, nós é muito bem conhecida. O&lt;strong&gt; mesmo não pode ser dito do período posterior,&lt;/strong&gt; já na fase helenistica (323 - 146 AC). No entanto, o Professor &lt;a href="http://www.clio.fr/espace_culturel/pierre_cabanes.asp"&gt;&lt;em&gt;Pierre Cabanes&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt;, &lt;/em&gt;da Universidade de Paris X Nanterre, ao ilustrar os problemas de fontes que o historiador se depara de falta de documentação mesmo onde menos se espera. &lt;/p&gt;&lt;em&gt;"O historiador da Antiguidade deve frequentemente admitir sua ignorância sobre pontos importantes da vida dos antigos, pois nosso saber é fragil, limitado, construido a partir de uma documentação fragmentária, muitas vezes lacunar. &lt;strong&gt;Se a documentação é relativamente abundante para a cidade de Atenas , nos séculos V e IV AC, não o é mais para os séculos seguintes, e a história ateniense do século III AC sai do esquecimento graças a achados de inscrições&lt;/strong&gt;. &lt;strong&gt;As regiões mais distantes sofrem ainda mais desta precariedade de documentos, que só aparecem na maioria das vezes , na tradição literária, por ocasião de uma guerra na qual tomam parte os exércitos atenienses. No resto do tempo reina o silência completo&lt;/strong&gt;. Só as excavações arqueológicas podem fazer falar esses sítios que testemunham uma civilização interessante. E o que dizer da Gália pré-romana, dos etruscos cuja escrita ainda não foi completamente decifrada e tantas outras populações cuja lingua, puramente oral, só deixou poucos trações na toponímia e onosmática? O que dizer também das multidões que viveram na escravidãoou formas de dependência coletiva? Aqui e ali aparecem algumas, graças a uma decisão de alforriagravada no muro de um santuário. &lt;strong&gt;Mas esta pobreza de documentação não deve provocar a decepção diante da falta de informação; Ela deve, ao contrário, aguçar o espírito de observação metódica para extrair o máximo de cada aporte antigo&lt;/strong&gt;. É desta busca permanente e tenaz que pode nascer um melhor conhecimento da antiguidade&lt;/em&gt; [5]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou seja, mesmo no "centro" do mundo antigo, no lugar em que escritores e cultura não faltavam, temos um período importantíssimo em que a documentação é escassa, ou até inexistente. Cabanes adiciona outro exemplo: o desaparecimento quase completo da tradição literária para certos períodos, como o século posterior as conquistas de Alexandre, o Grande (360-323 AC). Os registros primarios, como o relato do historiador da corte de Alexandre se perderam. As fontes secundárias, escritas por oficiais de Alexandre, como &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Ptolemy_(general)"&gt;Ptolomeu&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Nearchus"&gt;Nearco&lt;/a&gt; e &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Aristobulus_of_Cassandreia"&gt;Aristobolo&lt;/a&gt;, além do escritor &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Cleitarchus"&gt;Cleitarco&lt;/a&gt;, se perderam, e nossas fontes se resumem a relatos terciários de autores do período romano que se basearam nesses relatos secundários. (Uma boa introdução sobre os problemas das fontes nos é dada também por Jona Lendering, &lt;a href="http://www.livius.org/aj-al/alexander/alexander_z1b.html"&gt;aqui&lt;/a&gt; e &lt;a href="http://www.livius.org/aj-al/alexander/alexander_z1a.html"&gt;aqui&lt;/a&gt; [6])&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"Poderíamos prosseguir esta constatação desastrosa multiplicando os exemplos, mas &lt;strong&gt;vamos nos limitar a observar o desaparecimento quase completo de toda a tradição literária para algumas épocas&lt;/strong&gt;. &lt;strong&gt;Assim, para o século subsequente à morte de Alexandre o Grande, em 323, a tradição histórica é um vasto campo de ruínas.&lt;/strong&gt; Nenhuma das grandes obras históricas contemporâneas é conservada, seja a de Jerônimo de Cardia ou a de Filarco. Elas foram utilizadas posteriormente, a primeira por Diodoro, Ariano e Plutarco, e a segunda por Políbio, Troge Pompeu e Plutarco. &lt;strong&gt;O próprio relato do reinado de Alexandre não consta mais nos escritos de seus contemporâneos, cujas obras desapareceram todas,&lt;/strong&gt; mas nas obras do tempo de Augusto (Diodoro da Sicília e Troge Pompeu), do reinado de Vespasiano (História de Alexandre, de Quinto Curcio), ou do século II (A Anabasis de Arriano de Nicomédia, ou a Vida de Alexandre, de Plutarco). &lt;strong&gt;É preciso levar em conta essa defasagem cronológica entre os eventos narrados e as datas que ocorreram. Três ou Quatro séculos de distância não convencem ninguém a tomar este autor como Testemunho direto. Como se, em nossos dias, as guerras de religião emergissem simplesmente do nada"&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; [7]&lt;br /&gt;Ou seja, nossos registros literários para alguém que virou o mundo de cabeça para baixo, é limitado. Mais ainda para o período seguinte a morte de Alexandre, quando mudanças importantíssimas ocorreram e suas conquistas foram divididas entre seus generais. De novo, "&lt;em&gt;é imprudente fazer juízos históricos baseado apenas na falta de evidência, uma vez que mesmo acontecimentos de repercussão extraordinária e que mudaram a vida de milhões de pessoas de forma definitiva muitas vezes tem atestação reduzida nas fontes que chegaram até nós".&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;3) Mais porque temos tão poucas fontes?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_cHxPyDncuBc/TTdDMeGPoHI/AAAAAAAAAIw/s8l5x6Fme7s/s1600/220px-Ancientlibraryalex.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5563989746156281970" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 197px; CURSOR: hand; HEIGHT: 200px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_cHxPyDncuBc/TTdDMeGPoHI/AAAAAAAAAIw/s8l5x6Fme7s/s200/220px-Ancientlibraryalex.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Devemos aqui fazer uma considerações a essa falta de fontes e relatos da Antiguidade. Milhares de livros foram produzidos na Antiguidade, a questão é que a grande maioria não chegou até nosso tempo. O problema se dá em virtude de como os textos antigos eram produzidos e conservados para a posteridade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O professor &lt;a href="http://www.yorku.ca/smason/"&gt;Steve Mason&lt;/a&gt;, da York University, faz algumas consideração sobre a produção de livros e sua distribuição na Antiguidade observa abaixo que apenas uma ínfima parcela da população lia e escrevia no período romano e helenístico. Destes poucos letrados, somente alguns tinham condição de contratar um escriba profissional para fazer cópias dos textos que escreviam. Não havia, imprensa, maquinas de xerox, impressoras. A maioria dos livros era composta por seus autores para serem compartilhados entre seus amigos. Havia, é claro, excessões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Most of the thousands of books that were written in the ancient world did not survive into the Middle Ages, let alone into the modern world&lt;/strong&gt;. In the absence of paper, printing presses, and photocopiers, it was not a foregone conclusion that any given book would live beyond its author’s own generation. &lt;strong&gt;Publication of books was in general the prerogative of a small and literate elite&lt;/strong&gt;. Books were often published (“made public”) in oral form, by recitation before a group of interested friends. Book manuscripts, on papyrus or occasionally parchment1 rolls, were relatively rare because they had to be copied individually by hand—usually the hand of a wealthy man’s slave. Libraries and booksellers existed, but they, too, were few and far between. &lt;strong&gt;Therefore, only those books that enjoyed a lively readership or some sort of official sponsorship could remain accessible&lt;/strong&gt;. Only such committed readers would invest the necessary effort to have lengthy manuscripts copied and recopied.&lt;/em&gt; [8]&lt;br /&gt;(&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;tradução&lt;/span&gt;) &lt;em&gt;&lt;strong&gt;A maioria dos milhares de livros que foram escritos no mundo antigo, não sobreviveu à Idade Média, e muito menos chegaram a nossa época&lt;/strong&gt;. Na falta de papel, impressoras e fotocopiadoras, não havia garantia nenhuma de que determinado livro chegaria a ser lido pela geração seguinte a de seu autor. A&lt;strong&gt; publicação de livros era, em geral, prerrogativa de uma pequena elite e alfabetizados&lt;/strong&gt;. Frequentemente os livros eram publicados ("tornados públicos") em forma oral, pela recitação diante de um grupo de amigos interessados. Manuscritos do livro, em papiro ou ocasionalmente rolos de pergaminho, eram relativamente raras, porque eles tinham que ser copiados à mão, um a um, normalmente pelo escravo de um homem rico. As bibliotecas e livrarias existiam, mas também eram poucos e distantes entre si. &lt;strong&gt;Portanto, somente aqueles livros que conseguiam um público devotado ou algum tipo de patrocínio oficial se mantinham acessíveis&lt;/strong&gt;. Só esse leitores comprometidos iria investir o esforço necessário para que manuscritos extensos fossem copiados e reproduzidos.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Professor &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Jona_Lendering"&gt;Jona Lendering&lt;/a&gt;, por sua vez, observa as decisões econômicas que tiveram que ser feitas para manutenção e conservação de textos antigos. Uma vez que o papel e os escribas (insumos de produção) eram escassos e caros - e de tempos em tempos se deveria escolher quais os textos seriam copiados e quais não - se um determinado manuscrito tinha o "patrocinio" de um nobre rico (ou seja, havia demanda), ele sobreviveria, enquanto que os outros, "sem mercado", não. O mesmo pode ser dito de textos de interesse (ou desinteresse) das autoridades religiosas e políticas do momento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Ancient texts were typically written on papyrus, which is vulnerable. &lt;strong&gt;As a rule of the thumb, we can assume that a scroll had to be copied every century. If parchment was used, replacement could take place less frequently. However, preparing a skin and making parchment was extremely expensive&lt;/strong&gt;. Most texts were, therefore, written on papyrus and subject to decay and disappearance.&lt;strong&gt; If there were many copies of the same text, the chances of survival were greater, but professional writers were expensive and texts usually circulated in small numbers&lt;/strong&gt;. A surprisingly great number of ancient texts has survived in only one copy, which shows how vulnerable the process of transmission was. &lt;strong&gt;The best way to conceptualize the process is, therefore, that ancient texts always disappeared, unless a rich lord or lady decided to hire a scribe and copy a scroll&lt;/strong&gt;. Inevitably, selections were made. &lt;strong&gt;There was no need to copy the Histories of Valerius Antias once Livy had published the History of Rome from its Foundation&lt;/strong&gt;; there was no need to copy the speeches of Greek orators of the third and second centuries BCE because the sophists of the second century CE were so much more eloquent; and there was no need to copy archaic poetry like Sappho’s because it was written in a poorly understood, archaic language. &lt;strong&gt;The publication of new texts was the greatest danger for the survival of older texts&lt;/strong&gt;.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;(&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;tradução&lt;/span&gt;) &lt;em&gt;Os textos antigos eram tipicamente escritos em papiro, que é vulnerável. Como &lt;strong&gt;regra geral , podemos supor que um livro tinha de ser copiado em cada século&lt;/strong&gt;. Se pergaminho foi utilizado, a substituição poderia ocorrer com menos freqüência. No entanto, a preparar peles de animais para fazer um pergaminho era muito caro. A maioria dos textos foram, portanto, escritos em papiro e sujeitos à deterioração e desaparecimento. Se houvesse muitas cópias do mesmo texto, as chances de sobrevivência eram maiores, mas os escritores profissionais eram caros e os textos normalmente distribuídos em pequenas quantidades. Um número surpreendentemente grande de textos antigos chegou até nós em um único exemplar, que mostra o quão vulnerável o processo de transmissão foi. &lt;strong&gt;A melhor maneira de compreender o processo é ter em mente que textos antigos sempre desapareceriam, a menos que um rico senhor ou senhora decidisse contratar um escriba para recopia-los&lt;/strong&gt;. Inevitavelmente, escolhas foram feitas. &lt;strong&gt;Não se julgou necessário copiar as histórias de Valerius Antias uma vez Lívio já havia publicado a história de Roma desde a sua fundação&lt;/strong&gt;, não havia necessidade de copiar os discursos dos oradores gregos dos séculos III e II AC, pois os sofistas do século II DC foram muito mais eloqüentes, e não havia necessidade de copiar poesia arcaica como Safo, porque foi escrito em uma língua de díficil compreendida, arcaico. &lt;strong&gt;A publicação de novos textos era o maior perigo para a sobrevivência dos textos mais antigos.&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Ou seja, os textos hoje existentes sobreviveram a um longo processo de seleção por séculos a fio. Tal processo facilitava a sobrevivência de textos de determinados autores (era mais fácil um livro atribuido a um mestre famoso como Aristoteles, Galeno ou Santo Agostinho, de que de um desconhecido Escribonio da Silva ou Theopompus de Souza). Além disso, determinados períodos foram catastróficos para conservação dos livros antigos, como os séculos seguintes a queda do Imperio Romano. Por fim, esse processo de seleção e escolha, que era racional do ponto de vista das limitações dos antigos, é desfavorável para os historiadores atuais. Entre copiar cada um dos relatos mais antigos, escritos próximos a epoca dos fatos, e um síntese e/ou resumo desses relatos feita por um escritor bem posterior, a escolha dos antigos tendia a ser pela segunda opção. É o caso das histórias de &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Valerius_Antias"&gt;Valério Antias&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Quintus_Fabius_Pictor"&gt;Fábio Pictor&lt;/a&gt;, e &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Cato_the_Elder"&gt;Catão, o Velho&lt;/a&gt;, que foram fontes da &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Ab_Urbe_Condita_(book)"&gt;narrativa &lt;/a&gt;de &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Titus_Livius"&gt;Tito Lívio&lt;/a&gt;, o grande sucesso da última significou que primeiras não foram conservadas, temos conhecimento de Antias, ou Catão ou Pictor apenas pelas citações em Lívio ou outros autores antigos (para desespero dos historiadores atuais). &lt;/p&gt;&lt;strong&gt;4. As referências a Jesus na literatura antiga dificilmente seriam conseravdas&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_cHxPyDncuBc/TTnc5fQBUpI/AAAAAAAAAJI/rJNSscW-f9g/s1600/220px-Meister_der_Hofschule_Karls_des_Gro%2525C3%25259Fen_001.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5564721694792307346" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 131px; CURSOR: hand; HEIGHT: 200px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_cHxPyDncuBc/TTnc5fQBUpI/AAAAAAAAAJI/rJNSscW-f9g/s200/220px-Meister_der_Hofschule_Karls_des_Gro%2525C3%25259Fen_001.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Por fim, devemos lembrar as condições de vida e morte de Jesus. Ele exerceu seu ministério em áreas rurais e pelo interior da Galiléia. Para os escritores romanos ou gregos, isso era tão remoto quanto Burkina Faso. Para os seus oponentes, ele e seu grupo eram uma seita obscura do judaísmo, um culto estrangeiro, uma&lt;em&gt; "superstição nova e maligna"&lt;/em&gt; (Suetônio), entre centenas que existiam no Império. Jesus entrou em conflito com as autoridades políticas e religiosas da Judéia e foi crucificado, por ser acusado de ser o Messias, além de ter na cruz o explosivo título de "O Rei dos Judeus". Como nos diz Paulo, os poderosos deste mundo não compreederam Jesus &lt;em&gt;"porque se o tivessem compreendido, não teriam crucificado o Senhor da glória."&lt;/em&gt; (I Cor. 2:8). Pregar a idéia de um Messias crucificado era &lt;em&gt;"loucura para os gregos, e escândalo para os judeus"&lt;/em&gt; (I Cor. 1:23).&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Logo, se algum autor não cristão fizesse menção Jesus, ou aos cristãos, seria, provavelmente, para ataca-los. As menções a Jesus e seu movimento por Tácito, Plínio e, Suetônio se referem a tumultos em que os cristãos estavam envolvidos, e onde sempre são descritos como &lt;strong&gt;&lt;em&gt;superstição,&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; com adjetivos nada lisonjeios como &lt;em&gt;nova, depravada, irracional, mortal ... &lt;/em&gt;. A seção em que Jesus aparece em Josefo relata tumultos, tensões e calamidades, e, portanto, a versão original do Testemunho Flaviano provavelmente relatava uma atrocidade cometida &lt;strong&gt;contra&lt;/strong&gt; Jesus (a crucificação de um inocente), ou um Tumulto &lt;strong&gt;causado&lt;/strong&gt; por ele. Autores como Galeno e Luciano criticam a credulidade dos cristãos. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Ocorre que a Igreja, desde o século IV foi a principal (se não a única) mantenedora da herança literária da Antiguidade. Logo, textos e autores hostis ao cristianismo, ou que fizessem comentários desabonadores contra Jesus seriam menos propensos a serem recopiados a cada século, e, portanto, terem chegado até nós. É verdade que quase todos os autores citados acima fazem críticas ao cristianismo, mas quase todos eles ponderam que os cristãos eram inocentes das acusações inicialmente feitas contra eles (Tácito, Plínio) , tinham uma conduta correta e cuidavam uns dos outros (Luciano), ou percebiam elementos de sabedoria nos ensinos de Jesus ou do evangelho (Josefo e Galeno).&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Ocorre que, principalmente para os primórdios do cristianismo, a maioria dos críticos não deve ter sido tão compreensivo. Como já dissemos em um post em que mostramos &lt;a href="http://adcummulus.blogspot.com/2009/11/observando-jesus-pelas-lentes-de-seus.html"&gt;"&lt;em&gt;Jesus pelas lentes de seus adversários"&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt;,&lt;/em&gt; citando o Professor Maurice Goguel, que através de&lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Lucian"&gt; Luciano&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Celsus"&gt;Celso&lt;/a&gt;, das várias apologias do século II (&lt;a href="http://www.earlychurch.org.uk/justin.php"&gt;Justino&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://www.earlychristianwritings.com/info/tatian.html"&gt;Taciano&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Aristides_of_Athens"&gt;Aristides&lt;/a&gt;) e pelo &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Dialogue_with_Trypho"&gt;Dialogo entre Justino e o judeu Trifo&lt;/a&gt;, podemos ter uma visão bem detalhada dos críticos do cristianismo naquele período. Da mesma forma que há uma tradição apologética existe um outra polêmica, a qual a primeira tentava refutar. Então, vemos já por volta de 130-140 DC Justino Martir constata em circulos judaicos &lt;em&gt;"eles atribuiram [os milagres] a utilização de poderes mágicos, porque eles se atreveram a dizer que Jesus era um mágico e enganador do povo"&lt;/em&gt; (Dialogo com Trifo 69.5). Décadas depois, por volta de 175 DC, o crítico pagão Celso, em seu livro "o Verdadeiro Discurso" lança um violento ataque sobre vários aspectos da vida de Jesus - ancestralidade, concepção, nascimento, infância, ministério, morte, ressureição e influência posterior, baseado em informações que circulavam entre os judeus. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;"De acordo com Celso, os pais de Jesus eram de uma aldeia judia (Contra Celso 1.28), e sua mãe era uma pobre mulher que obtinha seu sustento como fiandeira (1.28). Ele realizou seus milagres através de feitiçaria (1.28; 2.32; 2.49; 8.41). Sua aparência física era de um homem feio e pequeno (6.75). Para seu descrédito, Jesus manteve todos os costumes judaicos, inclusive o sacrifício no Templo (2.6). Ele reuniu apenas dez seguidores e ensinou a eles seus piores hábitos, como mendigar e furtar (1.62; 2.44). Seus discipulos, que contavam só "dez marinheiros e coletores de impostos" foram os únicos a qual ele convenceu de sua divindade, mas agora seus seguidores convertem multidões (2.46). Os relatos de sua ressureição vieram de uma mulher histérica, e a crença na ressureição foi o resultado da mágica de Jesus, os desejos de seus seguidores, ou alucinação coletiva, tudo com o propósito de impressionar outros e aumentar as chances de outros tornaram-se mendigos (2.55).”&lt;/em&gt; [10]&lt;/p&gt;Justino e Celso atestam várias tradições já existentes de polêmicas e ataques contra Jesus. Um vez que ambos escrevem em meados do século II, é razoavel concluir que já havia, pelo menos no início do século II, uma literatura polêmica, incipiente, contra o cristianismo. &lt;strong&gt;Logo, provavelmente, existiram muito mais menções a Jesus e aos cristãos do que possuímos hoje&lt;/strong&gt;. Sua natureza agressiva resultou em sua não conservação, ainda que seus ecos sejam percebidos na literatura apologética que tentou refuta-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Conclusão&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;É imprudente fazer juízos históricos baseado apenas na falta de evidência, uma vez que mesmo acontecimentos de repercussão extraordinária e que mudaram a vida de milhões de pessoas de forma definitiva, muitas vezes tem atestação relativamente reduzida nas fontes que chegaram até nós. Sob o ponto de vista de um cidadão do Império a travessia do Rubicão ou eventos posteriores a Alexandre Magno, seriam infinitamente mais relevantes do que a crucificação (e os feitos) de um pretendente messiânico, na distante Judéia, principalmente se ele não estivesse acompanhado de hordas de rebeldes sob seu comando. Nesse contexto, levando &lt;strong&gt;em conta a importância proporcional desses eventos para seus contemporâneos&lt;/strong&gt;, a vida de Jesus pode ser considerada como &lt;strong&gt;relativamente &lt;/strong&gt;bem atestada nas fontes não-cristãs. Além, é claro, da extraordinária quantidade de tinta que os seus seguidores utilizaram para registrar sua significância e seus feitos. Cabe ressaltar novamente, a análise só pode ser feita do ponto de vista &lt;strong&gt;proporcional&lt;/strong&gt; e &lt;strong&gt;relativo&lt;/strong&gt;, e &lt;strong&gt;não absoluto. &lt;/strong&gt;Temos&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;muita mais registros, diretos e indiretos, da Travessia do Rubicão do que da crucificação de Jesus, simplismente porque foram eventos de escalas muito diferentes de repercussão entre seus contemporâneos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como escreve o Professor John P. Meier, da Universidade de Notre Dame:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"A dificuldade de conhecer algo sobre Jesus deve ser colocada no contexto maior de saber algo sobre Tales, Apolônio de Tiana, ou qualquer outro nome do mundo antigo (...) Portanto o problema não é exclusivo de Jesus ou das fontes que contam sua história. Na verdade, em comparação com as inúmeras figuras indefinidas da história antiga, é surpreendentemente a quantidade de informações que temos sobre Jesus"&lt;/em&gt; [11].&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim como o historiador israelense David Flusser, da Universidade Hebraica de Jerusalém,&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"Realmente, possuimos registros mais completos sobre a vida dos imperadores seus contemporâneos e de alguns poetas romanos. Entretanto a excessão do historiador judeu Flávio Josefo, e possivelmente de São Paulo, Jesus é o judeu, de épocas posteriores ao Antigo Testamento, sobre quem nós mais sabemos"&lt;/em&gt; [12]&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Referências Bibliográficas&lt;/strong&gt;:&lt;br /&gt;[1] Adrian Goldsworthy, &lt;em&gt;Caesar's civil war&lt;/em&gt;, 49-44 BC, fl. 29&lt;br /&gt;[2] Jeffrey Benaker (2007), &lt;a href="http://www.camws.org/meeting/2007/program/abstracts/09C6%20Beneker.htm"&gt;Caesar on the Brink:Writing about the Rubicon in the Early Empire&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://www.camws.org/meeting/2007/program.pdf"&gt;103th Classical Association of the Middle West and South&lt;/a&gt;, Cincinnati, Ohio, Abril 2007.&lt;br /&gt;[3] Jona Lendering (2003), &lt;em&gt;Rubico (49 BCE), &lt;/em&gt;&lt;a href="http://www.livius.org/ro-rz/rubico/rubico.html"&gt;&lt;em&gt;http://www.livius.org/ro-rz/rubico/rubico.html&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt;,&lt;/em&gt; acessado em 18.01.2011.&lt;br /&gt;[4] Kurt Raauflaub (2009) &lt;em&gt;Bellum Civile &lt;/em&gt;&lt;strong&gt;In &lt;/strong&gt;Miriam Tamara Griffin (2009) &lt;em&gt;A companion to Julius Caesar, fl. 186.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;[5] Pierre Cabanes (2001), &lt;em&gt;Introdução a História da Antiguidade&lt;/em&gt;, fl. 16&lt;br /&gt;[6] Jona Lendering , &lt;em&gt;"Alexander the Great: the 'good' sources" &lt;/em&gt;&lt;a href="http://www.livius.org/aj-al/alexander/alexander_z1b.html"&gt;&lt;em&gt;http://www.livius.org/aj-al/alexander/alexander_z1b.html&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt; e "Alexander the Great: the 'vulgate' tradition, &lt;/em&gt;&lt;a href="http://www.livius.org/aj-al/alexander/alexander_z1a.html"&gt;&lt;em&gt;http://www.livius.org/aj-al/alexander/alexander_z1a.html&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt;,&lt;/em&gt; acessado em 18.01.2011&lt;br /&gt;[7] Pierre Cabanes (2001),&lt;em&gt; Introdução a História da An&lt;/em&gt;tiguidade, fl.&lt;br /&gt;[8] Steve Mason (2003) Josephus and the New Testament, fl. 8, 2ª ed., excertos disponíveis &lt;a href="http://www.hendrickson.com/pdf/chapters/156563795x-ch01.pdf"&gt;http://www.hendrickson.com/pdf/chapters/156563795x-ch01.pdf&lt;/a&gt;, acessado em 21.01.2011&lt;br /&gt;[9] Jona Lendering (2009), &lt;em&gt;Common Errors (9): The Gnostic Gospels,&lt;/em&gt; postado em 15.05.2009 &lt;a href="http://rambambashi.wordpress.com/2009/05/15/common-errors-9-the-gnostic-gospels/"&gt;http://rambambashi.wordpress.com/2009/05/15/common-errors-9-the-gnostic-gospels/&lt;/a&gt;, acessado em 21.01.2011.&lt;br /&gt;[10] Robert Van Voorst, Jesus Outside of New Testament, fl. 66&lt;/p&gt;[11] John P. Meier (1991), &lt;em&gt;Um Judeu Marginal, Repensando o Jesus Histórico&lt;/em&gt;, Vol. I, fl. 34&lt;br /&gt;[12] David Flusser (1998), &lt;em&gt;Jesus&lt;/em&gt;, fl .01&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16935532-3146683061359524862?l=adcummulus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://adcummulus.blogspot.com/feeds/3146683061359524862/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16935532&amp;postID=3146683061359524862&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16935532/posts/default/3146683061359524862'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16935532/posts/default/3146683061359524862'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://adcummulus.blogspot.com/2010/12/significancia-de-jesus-e-escala-richter.html' title='A Significância de Jesus e a Escala Richter de Impacto Histórico Parte 3: Qual o Impacto de um Fato Histórico?'/><author><name>Nehemias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05093459549722450363</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_cHxPyDncuBc/TTnOVkEOmRI/AAAAAAAAAJA/Xzjceai6zis/s72-c/220px-Petri_Fischzug_Raffael.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16935532.post-3464107607326539411</id><published>2011-01-17T14:39:00.002-02:00</published><updated>2011-01-17T14:56:28.649-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Josefo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Série Jesus na História'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Testimonium Flavianum'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Jesus Histórico'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Cristianismo Primitivo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Fariseus'/><title type='text'>Josefo, Jesus, os Cristãos, Messianismo e Apocaliptismo no Judaismo do Primeiro Século: Tudo Junto e Misturado</title><content type='html'>Faz algum tempo, em nossa série sobre &lt;a href="http://adcummulus.blogspot.com/search/label/S%C3%A9rie%20Jesus%20na%20Hist%C3%B3ria"&gt;Jesus na Escala Richter de Impacto Histórico&lt;/a&gt;, abordamos algumas das &lt;a href="http://adcummulus.blogspot.com/2010/06/significancia-de-jesus-e-escala-richter.html"&gt;principais objeções a autenticidade (parcial) do Testemunho Flaviano&lt;/a&gt;. No entanto, "por falta de espaço", duas ficaram faltando &lt;strong&gt;i)&lt;/strong&gt; A de que Jesus e os cristãos não são citados por Josefo quando ele descreve os grupos religiosos tradicionais (ou peculiares) aos judeus &lt;strong&gt;ii)&lt;/strong&gt; Jesus e os cristãos terem crenças messiânicas e apocalípticas, e portanto Josefo os abominaria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_cHxPyDncuBc/TTBWt2TAygI/AAAAAAAAAIA/njx3s8WVuQc/s1600/CSQI3ICAIKNV61CA626OSZCACUYIAXCAK078CHCATGKIJ5CABM85YTCA2H0FGJCA44X5FTCA6M9K7HCAL114U5CAO6J2RRCAE0GOH6CA64DX8BCAME1HRKCAGJZUO1CAYM0JUPCABAHDB3.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5562040885471922690" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 126px; CURSOR: hand; HEIGHT: 101px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_cHxPyDncuBc/TTBWt2TAygI/AAAAAAAAAIA/njx3s8WVuQc/s200/CSQI3ICAIKNV61CA626OSZCACUYIAXCAK078CHCATGKIJ5CABM85YTCA2H0FGJCA44X5FTCA6M9K7HCAL114U5CAO6J2RRCAE0GOH6CA64DX8BCAME1HRKCAGJZUO1CAYM0JUPCABAHDB3.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Refletindo sobre essas questões, e já que falamos de seitas judaicas, messianismo, apocaliptismo, acho interessante aumentar o escopo da discussão. A questão das objeções ao Testemunho Flaviano servirá então como ponto de partida, para uma discussão mais ampla de como Jesus e os cristãos se inserem na "panela de pressão" da Palestina do Século I.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Os cristãos no Judaísmo&lt;/strong&gt;: Josefo afirma que os judeus por muito tempo tiveram três filosofias peculiares. Os essênios, os saduceus e os fariseus. O esboço abaixo é baseado nas descrições de Josefo em várias partes da sua obra, sintetizadas pelos Professores &lt;a href="http://www.theologie.uni-heidelberg.de/fakultaet/personen/theissen.html"&gt;Gerd Thiessen&lt;/a&gt;, da Universidade de Heildelberg, e &lt;a href="http://www.phil.uu.nl/hsfl/members/Merz/index.html"&gt;Annete Merz &lt;/a&gt;, da Universidade de Utrecht [1]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os &lt;strong&gt;saduceus&lt;/strong&gt;, segundo Josefo, não acreditavam na imortalidade da alma e negavam penas ou recompesas depois da morte. Em sua visão, o homem é responsável pelo seu próprio destino. Seguiam apenas aLei Mosaica e rejeitavam a tradição dos pais. Debatiam entre si frequente e calorosamente, mesmo com seus mestres. No entanto, sua doutrina era aceita por poucos, ainda que esses poucos fossem influentes e poderosos. Por causa disso, quando assumiam o poder, "emprestavam" idéias e conceitos farisaicos, pois, de outra forma, não teriam suporte popular.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os &lt;strong&gt;fariseus&lt;/strong&gt; acreditavam na imortalidade da alma, que Deus puniria dos ímpios e recompensaria os justos, na ressureição dos mortos, que ressuscitariam. Eram sinergistas, istoé, acreditavam que os acontecimentos decorriam vontade divina em cooepração/conflito com os atos humanos. Seguiam a escritura e a tradição oral, acrescentando mandamentos as leis dos pais. Os mestres mais experientes entre eles eram muito honrados, e, diferentemente dos saduceus, apreciavam a harmonia entre si. Eram próximos do povo, que aceitava amplamente seus preceitos e estaria mais inclinado a seguir sua liderança do que os outros grupos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os &lt;strong&gt;essênios&lt;/strong&gt; acreditavam na imortalidade da alma, no castigo dos maus e que os justos seriam recompensados com uma vida de alegrias, fora do corpo. Eram deterministas, o destino dos homens dependia da vontade de Deus. Viviam em comunidades separadas, eram celibatários, dividiam seus bens entre si, não possuiam servos, e se abstiveram do serviço do Templo de Jerusalém. Tinham livros e ensinos secretos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Josefo descreve ainda uma quarta &lt;strong&gt;escola ou filosofia&lt;/strong&gt;, aquela inspirada por &lt;strong&gt;Judas Galileu,&lt;/strong&gt; que seguiam em tudo as doutrinas e concepções farisaicas, &lt;em&gt;"mas possuiam um vinculo inquebrantável com a liberdade, e diziam que Deus era o seu único Senhor e Rei".&lt;/em&gt; Sua valentia era tanta que não davam valor a suas vidas, nem dos seus parentes e amigos. Não aceitavam ser súditos de homem algum. A ação e influência desses agitores e a inépcia dos goverdores romanos foi a causa dos tumultos e da Guerra, conforme Josefo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto ao Testemunho Flaviano, a implicação deste fato é pouco relevante para a questão da autenticidade. Um dos motivos é que &lt;strong&gt;Josefo descreve os &lt;a href="http://jewishencyclopedia.com/view.jsp?artid=252&amp;amp;letter=P&amp;amp;search=Pharisees"&gt;fariseus&lt;/a&gt;, &lt;/strong&gt;&lt;a href="http://www.livius.org/saa-san/sadducees/sadducees.html"&gt;&lt;strong&gt;saduceus&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt; e &lt;a href="http://virtualreligion.net/iho/essenes.html"&gt;essênios&lt;/a&gt;, sem citar as origens, os fundadores ou principais líderes destes grupos&lt;/strong&gt;. Portanto, não haveria porque, necessariamente, citar a origem, fundador e lideres dos cristãos. O único dos quatro grupos que Josefo menciona o fundador, foi o dos revolucionários que seguiam a filosofia de &lt;a href="http://www.livius.org/men-mh/messiah/messianic_claimants04.html"&gt;Judas Galileu&lt;/a&gt;. Mas esses eram uma facção do grupo farisaico no aspecto religioso, tendo porém concepções políticas diferenciadas. E mesmo assim, é questionavel que figuras tão diferentes como Teudas, o profeta egípcio, e Menahem possam ser postos no mesmo bolo. O mais provável é que Josefo, convenientemente, classifica esses "renegados" como um nova escola, os isolando de outros grupos, mais antigos e venerandos. Assim, foi uma filosofia nova, recente, e não os preceitos tradicionais, combinado a governadores romanos ineptos (e não o domínio romano em si) que incitou a nação e a levou a revolta. Judas Galileu é importante também não só por seu ensino mas porque muitos de seus descendentes estiveram envolvidos em momentos decisivos de agitação revolucionária. Em 47 DC, os Tiago e Simão, filhos de Judas, foram executados pelo Procurador Tibério Alexandre (Ant. 20.100-103), em um momento em que o país passava por uma grande fome (o que pode ter sido utilizado por eles para fomentar a rebelião). Durante a &lt;a href="http://www.livius.org/ja-jn/jewish_wars/jwar03.html"&gt;Guerra Judaica&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://www.livius.org/men-mh/messiah/messianic_claimants11.html"&gt;Menaem&lt;/a&gt;, descendente de Judas, proclamou-se Rei. Quando Jerusalem caiu, Eleazar ben Jair, primo de Menahem (e portanto parente de Judas), foi um dos líderes da resistência em &lt;a href="http://www.livius.org/ja-jn/jewish_wars/jwar05.html"&gt;Massada&lt;/a&gt;. A menção a &lt;strong&gt;Judas Galileu e sua família são essenciais para as finalidades apologéticas da narrativa de Josefo junto a seus leitores da aristocracia romana&lt;/strong&gt;. As inovações de Judas teriam iludido e desencaminhado a nação, pois seus ensinos &lt;em&gt;"alteraram o modo de vida de nossos pais, de tal maneira, que pesaram decisivamente para trazer tudo para a destruição" &lt;/em&gt;(Ant. 18:9), o legado de sua loucura foi de agitação, fome, destruição das cidades e do Templo de Deus (18:7-8). Judas Galileu e sua escola são o bode expiatório perfeito para Josefo, e caem como uma luva para sua narrativa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas se a menção da seita por Josefo não implica, necessariamente, em citar seus fundadores, - e a excessão no caso de Judas Galileu e sua escola é explicada pela seu papel relevante nos tumultos do seculo I DC e na Guerra Judaica, e consequente destruição de Jerusalém e do Templo - porque Josefo não relaciona os cristãos entre as seitas judaicas? Essenios, Fariseus e Saduceus eram grupos antigos e tradicionais que existiam desde meados do II seculo AC, e os revolucionários são importantes por sua função na narrativa de serem a razão da ruína da nação, assim os outros grupos e facções podem não ter sido citados simplesmente por não serem importantes e/ou tradicionais o suficiente. Seu eu digo que os britânicos estão divididos entre &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Conservative_Party_(UK)"&gt;conservadores&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Labour_Party_(UK)"&gt;trabalhistas&lt;/a&gt; e &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Liberal_Democrats"&gt;liberais democratas&lt;/a&gt;, ou os americanos entre &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Democrats_(USA)"&gt;Democratas&lt;/a&gt; e &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Republican_Party_(United_States)"&gt;Republicanos&lt;/a&gt;, isso não quer dizer que não existam &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Politics_of_the_United_Kingdom#Political_parties"&gt;partidos&lt;/a&gt; &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/List_of_political_parties_in_the_United_States"&gt;menores&lt;/a&gt;, ou &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Tea_Party_movement"&gt;subgrupos e movimentos&lt;/a&gt; relevantes cuja influência se estende tanto fora como dentro desses partidos. O mesmo pode ser dito ao mencionar &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Partido_dos_Trabalhadores"&gt;PT&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Party_of_the_Brazilian_Social_Democracy"&gt;PSDB&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Brazilian_Democratic_Movement_Party"&gt;PMDB&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Party_of_the_Liberal_Front"&gt;DEM&lt;/a&gt; e &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Progressive_Party_(Brazil)"&gt;PP&lt;/a&gt; como as forças políticas tradicionais no Brasil, sem citar os inúmeros partidos e movimentos parlamentares menores. De fato, em uma passagem do Talmude de Jerusalem, o Rabi Yehoanam (século III DC) afirma que existiam 24 seitas entre os judeus [2]. Isoladamente, a confiabilidade desta tradição é duvidosa, porém varios textos e materiais datáveis dos séculos I AC e sec I DC indicam a existência de outros grupos. Em geral, os estudiosos concordam que existiam mais grupos religiosos além de essênios, fariseus e saduceus nos anos anteriores a destruição do Templo (70 DC) [3].&lt;em&gt; &lt;/em&gt;Existe também um consenso de que esta esquematização&lt;em&gt;,&lt;/em&gt; é anacrônica e exclui importantes grupos como os samaritanos, zelotes, &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Sicari"&gt;sicários&lt;/a&gt;, grupos batistas, enoquianos, judeus seguidores de magia&lt;em&gt;, &lt;/em&gt;&lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Boethusians"&gt;betusianos&lt;/a&gt;&lt;em&gt;, &lt;/em&gt;escribas&lt;em&gt;,&lt;/em&gt; milagreiros galileus&lt;em&gt;,&lt;/em&gt; simpatizantes romanos&lt;em&gt;,&lt;/em&gt; e muitos outros que reivindicavam ser judeus seguidores da Lei, e obviamente, os seguidores de Jesus na Judeia. [3]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, independente da autenticidade do Testemunho Flaviano, o fato é que os cristãos existiam na Judéia como demonstram o complexo relacionamento entre Paulo e a Igreja de Jerusalém (Gl. 1:18-22 e 2:1-5; Rom. 15:26; I Tes. 2:14-16; I Cor. 16:1-4), e o fato de ser de conhecimento público entre os leitores de Josefo de que os cristãos - perseguidos em Roma desde o tempo do Imperador Nero (Tacito, &lt;a href="http://penelope.uchicago.edu/Thayer/E/Roman/Texts/Tacitus/Annals/15B*.html"&gt;Anais 15&lt;/a&gt;:44; Suetonio, &lt;a href="http://penelope.uchicago.edu/Thayer/E/Roman/Texts/Suetonius/12Caesars/Nero*.html"&gt;De Vita Nero&lt;/a&gt;, 16:2) - eram originários da Judéia. Isso é consistente com o fato de Josefo não oferecer uma descrição dos cristãos entre os grupos tradicionais entre os judeus - existentes a mais de 250 anos e atores principais dos acontecimentos - e os cita (provavelmente) brevemente como uma seita sem muita importância que, surpreendentemente, ainda não se extinguira 60 anos após a morte de seu fundador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_cHxPyDncuBc/TTRvdaoi4dI/AAAAAAAAAII/QNlmtme17nw/s1600/451px-John_baptist_macedonia.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5563193990865674706" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 150px; CURSOR: hand; HEIGHT: 200px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_cHxPyDncuBc/TTRvdaoi4dI/AAAAAAAAAII/QNlmtme17nw/s200/451px-John_baptist_macedonia.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Apocaliptismo, Messianismo, os Cristãos, Jesus e Josefo&lt;/strong&gt;: Deve ser observado que as seitas judaícas, de modo geral, eram messiânicas. Inclusive os fariseus, grupo a qual Josefo se identificava. Além disso, as crenças messiânicas e apocalipticas estavam no auge entre o povo, e somadas a condições econômicas, sociais e políticas bastante específicas, exerceram grande pressão na palestina no período. Entre a morte de Herodes (4 AC) e a derrota de Simão Bar Kokhba (135 DC) a Judéia foi envolvida por &lt;a href="http://www.livius.org/he-hg/herodians/herod_archelaus.htm"&gt;três&lt;/a&gt; &lt;a href="http://www.livius.org/ja-jn/jewish_wars/jwar03.html"&gt;grandes&lt;/a&gt; &lt;a href="http://www.livius.org/ja-jn/jewish_wars/jwar07.html"&gt;rebeliões&lt;/a&gt; e vários &lt;a href="http://www.livius.org/men-mh/messiah/messianic_claimants00.html"&gt;tumultos&lt;/a&gt;, enquanto que nos séculos anteriores de domínio persa, helenista e herodianos so há registro de uma única grande rebelião (a dos macabeus). Portanto, para entender essas tensões vamos analisar agora as crenças desses grupos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Josefo descreve os essênios em sua obra, com palavras de admiração e louvor:&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"Merece nossa admiração quanto aos essênios que superaram todos os outros homens que se dedicavam a virtude , e o faziam com retidão e de tal forma que jamais aconteceu entre outros homens, nem gregos, nem judeus". (Antiguidades Judaicas 18:21)&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"Há mesmo entre eles os que se tornam capazes de prever o futuro, exercitados que são no estudo dos livros santos, dos escritos sagrados e das sentenças dos profetas; e é raro que aconteça de se enganarem em suas predições"&lt;/em&gt; (Guerras Judaicas 2:159)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Filo também faz observações semelhantes em Hipotética 11:14-17.&lt;br /&gt;Mas o que sabemos sobre os essênios, e suas crenças?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Professor David Flusser, da Universidade Hebraica:&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"Ja os essênios eram de outra espécie. Originalmente, formavam um movimento revolucionário apocaliptico, que desenvolveu uma amálgama ideológica de pobreza e predestinação dupla. Eram os verdadeiros filhos da luz, os pobres divinamente eleitos. No iminente fim dos dias, pelo poder das armas e assistência das hostes celestiais herdariam a terra e conquistariam o mundo. Os filhos das trevas - o resto de Israel, os gentios e os poderes demoníacos que governam o universo - seriam aniquilados"&lt;/em&gt; [4]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Surpresa!!! Os essênios também eram messiânicos e apocalípticos. O que pode ser demonstrado analisando os Manuscitos do Mar Morto. Na opinião da grande maioria dos estudiosos, a maior parte desses textos seriam de autoria de uma comunidade de essênios, radicados em Quram, atual Jordânia [5]. De fato, os autores dos manuscritos do Mar Morto tem uma concepção apocaliptica muito agressiva. Professor &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/G%C3%A9za_Vermes"&gt;Geza Vermes &lt;/a&gt;, da Universidade de Oxford, observa:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_cHxPyDncuBc/TStoCCCBO_I/AAAAAAAAAHg/Sq7KWJTj3IA/s1600/220px-1QIsa_b.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5560652549033376754" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 167px; CURSOR: hand; HEIGHT: 200px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_cHxPyDncuBc/TStoCCCBO_I/AAAAAAAAAHg/Sq7KWJTj3IA/s200/220px-1QIsa_b.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;"A oração conhecida como a benção do Príncipe da Congregação, o futuro chefe militar da Comunidade de Qumrã, concebe uma figura guerreira semelhante dotada com características de sabedoria divina:&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;em&gt;O Mestre abençoará o Principe da Congregação&lt;br /&gt;Que há de Estabelecer o seu reino para sempre&lt;br /&gt;Que o Senhor o erga a alturas perpétuas como uma torre fortificada&lt;br /&gt;[Que derrotes os povos] com o poder de tua mão e devastes a terra com seu cetro&lt;br /&gt;Que tragas a morte para o incréu com o hálito dos teus lábios&lt;br /&gt;[Que ele derrame sobre ti o espirito do conselho] e o poder eterno do Espirito do conhecimento e o temor de Deus (1 QS 5:20-25)&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Admitidamente, essa oração não contém o termo "Messias" propriamente, mas outras passagens do Mar Morto vêm em nosso socorro e esclarecem a questão. Eles fazem referência, por exemplo, ao "Messias dos Justos" a descendência de Davi (4 Q252 6 sobre Genêsis 49:10) ou descrevem o último Príncipe da Congregação como "Descendência de Davi e que derrotará os Cetim - Romanos (4Q285)&lt;/em&gt;. [6].&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O texto é radicalmente apocalíptico. Mas, como já dissemos, o apocaliptismo e o messianismo não são uma característica apenas dos sectários essênios. Na verdade, esses traços permeavam em maior ou menor grau todo o judaísmo, antes e depois da &lt;a href="http://www.livius.org/ja-jn/jewish_wars/jwar03.html"&gt;1ª Guerra Judaico Romana &lt;/a&gt;(66-73 DC).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;"Eis que o machado esta posto sobre a raiz das árvores" - O apocaliptismo e messianismo no Judaismo do Segundo Templo&lt;/strong&gt;: O Professor Vermes também analisou as crenças apocalipticas e messiânicas dos essênios em contexto mais amplo, a luz das crenças comuns do judaismo do tempo de Jesus, tendo em vista das orações do povo judeu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"As orações são provavelmente a melhor fonte a consultar para tentarmos descobrir que tipo de libertador a gente comum esperava. Os Salmos de Salomão (17 e 18), do século I AC, bem como a maior parte dos textos messiânicos entre os manuscristos do Mar Morto de data semelhante, juntamente com a famosa oração sinagogal das dezoito bençãos, em substância atribuiveis ao século I DC, transmitem-nos um quadro vivo do esperado Messias real. Eis o governante ungido dos Salmos de Salomão (17:23-24), poderoso justo e sagrado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vê Senhor, e erige-lhes o seu rei, o Filho de Davi...&lt;br /&gt;E cinge-o de força para que possa abalar os regentes injustos&lt;br /&gt;E ele congregará um povo santo...&lt;br /&gt;E servirá as nações pagãs sob seu jugo...&lt;br /&gt;E será o Rei justo ensinado por Deus...&lt;br /&gt;E não haverá injustiça nenhuma em seu meio no seus dias&lt;br /&gt;Pois todos serão santos e seu Rei o ungido [do] Senhor"&lt;/em&gt; [6]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As dezoito bençãos, como veremos adiante, eram recitadas diariamente nas sinagogas judaicas, não só em Israel, mas em todo Império. Os Salmos de Salomão também refletem também uma concepção judaica tradicional e popular do Messias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vermes observa também:&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"Finalmente, talvez a mais influente de todas as orações judaicas, as dezoito bençãos, aqui citada a partir de sua versão palestina, também dá testemunho da esperança central da vinda de um rei ungido justo.&lt;br /&gt;"Sejas bondoso, ó Senhor, Nosso Deus, conforme as tuas grandes mercês.&lt;br /&gt;Para com Israel, o teu povo, e Jerusalém, a tua cidade, e a Sião, a residência da sua glória&lt;br /&gt;e para com teu Templo e altar&lt;br /&gt;e o reino da casa de Davi, o teu virtuoso Messias""&lt;/em&gt; [6]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Jona_Lendering"&gt;Professor Jona Lendering&lt;/a&gt; [7], &lt;a href="http://www.livius.org/men-mh/messiah/messiah00.html"&gt;observa&lt;/a&gt; que a literatura acadêmica distinguiu quatro tipos messiânicos no I século DC: o &lt;a href="http://www.livius.org/men-mh/messiah/messiah_07.html"&gt;Messias Militar&lt;/a&gt;, um Rei Guerreiro, na semelhança e descendência de Davi, que derrotará as nações impías; o &lt;a href="http://www.livius.org/men-mh/messiah/messiah_08.html"&gt;Messias Sábio&lt;/a&gt;, um mestre capaz de interpretar as escrituras de maneira correta, curar os enfermos e predizer o futuro (que também era chamado Filho de Davi); o &lt;a href="http://www.livius.org/men-mh/messiah/messiah_09.html"&gt;Messias Sacerdotal&lt;/a&gt;, que derrota os inimigos de Israel (em um sentido mais afeito as forças malignas, demoniácas), traz boas novas de salvação, seria sacerdote para sempre, restabeleceria o culto verdadeiro e julgaria as nações; e o &lt;a href="http://www.livius.org/men-mh/messiah/messiah_07.html"&gt;Messias "profeta como Moisés"&lt;/a&gt;, que apareceria para guiar o povo e seria investido da autoridade que Moisés teve. A maioria das pessoas acreditava que o Messias combinaria todos os pelo menos alguns desses aspectos. Por exemplo, João Batista pode ter sido visto como um "profeta como Moisés" e Jesus de Nazaré é descrito nos evangelhos principalmente como um "messias sábio" (alguém que traz novas leis, cura, e profetiza), mas também como um Messias sacerdotal e um "profeta como Moisés". A idéia de um Messias Militar é claramente rejeitada nos evangelhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O professor &lt;a href="http://www.yu.edu/faculty/new/default.aspx?id=lfeldman"&gt;Louis Feldman &lt;/a&gt;, da Yeshiva University, levanta mais alguns pontos, observando a prevalência das crenças messiânicas entre fariseus e rabinos posteriores&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"Zeitlin observa que tanto na obra de Filo, quanto na de Josefo, não há qualquer menção ao Messias ou a expectativas messiânicas (Zeitlin não aceita a afirmação de que Jesus era o Messias em Antiguidades 18:63 como autêntica), e que essa omissão não se deve ao temor de seus benfeitores [de Josefo], os flavianos, mas ao fato dele não compartilhar essa crença. Nos podemos, entretanto, observar que, uma vez que Josefo se declara um fariseu (Vita, 12) é díficil acreditar que ele não aceitasse uma crença tão crucial entre os fariseus. Rivkin, deve ser dito, com base em Josefo, conclui que nem os fariseus, nem a maioria do povo judeu estava esperando o Messias; mas essa opinião esta em desacordo com o sentimento generalizado e esmagador do Talmude, e o fato de que, com excessão de Hilel II, no quarto século, nenhum outro rabino é citado como sendo cético da vinda do Messias"&lt;/em&gt; [8]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_cHxPyDncuBc/TStotSczX2I/AAAAAAAAAHw/u_Iz-QlE6kY/s1600/240px-Qumran.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5560653292175056738" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 150px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_cHxPyDncuBc/TStotSczX2I/AAAAAAAAAHw/u_Iz-QlE6kY/s200/240px-Qumran.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Desta forma, mesmo que se rejeite a autoria essênia dos manuscritos do Mar Morto, o fato é que o judaismo do I Século esta permeado dessas concepções, pedindo a Deus todos os dias pelo "reino da casa de Davi seu servo" e o "teu virtuoso Messias". E seus rabinos, nos séculos posteriores, discutiriam sobre o Messias e seu advento, como pode ser visto no Talmude. Desta forma, podemos dizer que os cristãos partilhavam uma crença judaica comum generalizada no apocalipse e no Messias. Essas crenças estavam firmemente enraizadas no judaismo em geral, e fazia parte do imaginário do povo e das elites, de uma ou de outra forma, com maior ou menor intensidade. Não se discutia se haveria ou não um Messias, mas sim como seria o seu advento, e a natureza de sua manifestação (se sacerdotal, ou militar, sabio/filosofo/milagreiro ou profética) .&lt;br /&gt;É relevante que ainda que a identificação dos manuscritos do Mar Morto com os essênios seja equivocada, o ponto de vista da prevalência de crenças messiânicas entre os judeus do I século não é prejudicado, em vista das hipóteses concorrentes a posição dominante. Professor &lt;a href="http://theology.nd.edu/people/all/vanderkam-james/index.shtml"&gt;James Vanderkam&lt;/a&gt;, da Universidade Notre Dame, cita duas teorias alternativas a hipótese essênia dignas de alguma consideração [9]. O &lt;a href="http://nelc.uchicago.edu/faculty/golb"&gt;Prof. Norman Golb&lt;/a&gt;, da Universidade de Chicago, propõe que os manuscritos não foram compostos em Quram, mas em Jerusalém - por judeus de várias correntes religiosas, bem como sacerdotes do Templo - e que foram escondidos lá por refugiados da Guerra Judaico-Romana, Quram seia na verdade uma fortaleza. Já a segunda hipótese alternativa, é a do Professor &lt;a href="http://hebrewjudaic.as.nyu.edu/object/lawrenceschiffman.html"&gt;Lawrence Schiffman &lt;/a&gt;(New York University), que o grupo de Quram e os textos escritos lá eram de origem saducaica. O termo saduceu, na teoria de Schiffman, merece algumas qualificações. Para ele tanto os saduceus da elite do Templo (mencionados no Novo Testamento e Josefo), quanto os essênios, tiveram uma origem comum, um grupo de sacerdotes do Templo do século II A.C, que se auto-denominava Filhos de Zadoque, ou Zadoqueus. Mas que, nos séculos seguintes, os dois grupos tomaram caminhos bastante distintos (e, certo sentido, como nas crenças de anjos e predestinação, seu oposto). Mas, como observa Vanderkam, a teoria de Schiffman não é, na verdade, uma negação da identificação com essênios, mas uma tese sobre uma origem comum deles com os saduceus [9]. E ainda que aceitemos a teoria de Golb, se torna ainda mais claro que o messianismo e apocaliptismo estavam entranhados no imaginário e convicções judaicas (até mesmo entre sacerdotes da elite do templo da classe saduceia dominante).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Flusser observa que &lt;em&gt;"seitas radicais podem, com frequência, ser bastante afáveis&lt;/em&gt;"[10]. Ao longo de sua história o fervor apocalíptico dos essênios foi se amainando, e isso talvez explique o retrato como "monges" tranquilos, serenos, contudo arredios que fascinou Josefo, Filo e mesmo o romano Plinio, o Velho. De fato, apesar dos vários escritos apocalípticos, messiânicos, que previam a derrota dos impíos e a destruição de seu poder, que, obviamente, implicava na derrocada dos romanos, não há registro de envolvimento dos essênios nos numerosos tumultos e rebeliões ocorridos, excetuando-se a Guerra Judaica-Romana de 66-73 DC, quando os país inteiro se levantou contra os romanos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_cHxPyDncuBc/TREI0VhtkgI/AAAAAAAAAHU/PyHoV7CZF9M/s1600/220px-QumranLivingQuarters.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5553229510749295106" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 150px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_cHxPyDncuBc/TREI0VhtkgI/AAAAAAAAAHU/PyHoV7CZF9M/s200/220px-QumranLivingQuarters.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Bandidos, Profetas e Messias&lt;/strong&gt;: Josefo também descreve João Batista com algumas similaridades com os essênios (um profeta, que vivia no deserto, se dedicava a virtude, fazia banhos de purificação...). João Batista atrai multidões e causa alvoroço. Herodes Antipas fica alarmados, e tentam (e, efetivamente conseguem), silencia-lo. A acusação ou motivo da execução é a possibilidade de que as massas, excitadas pela pregação de João, fossem induzidas a rebelião (contra os Herodianos, e, em todo caso, contra Roma).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falando sobre os efeitos da pregação de João sobre as massas, Professor &lt;a href="http://www.westarinstitute.org/Fellows/crossan.html"&gt;John Dominic Crossan &lt;/a&gt;observa:&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"De repente, tudo muda, mas sem qualquer explicação. Quem são esses outros, porque são tão incitados, qual é o conteúdo desses sermãos , onde João levaria aqueles que o obedecem em tudo o que faziam e como poderia tudo isso levar a alguma forma de sedição ou mesmo a uma sublevação? Depois de ler esta segunda parte, não surpreende que Antipas tenha rapidamente decidido eliminar João"&lt;/em&gt; [11]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A possibilidade, ainda que remota, de que João Batista se torne o líder de uma revolta (para se tornar rei?), leva a sua execução. Como diz Crossan, é possível que Josefo não tenha contado toda a história em relação a João Batista, deliberadamente relatando menos que sabia, para que os detalhes não ferissem suscetibilidades de seus leitores da elite greco-romana . É concebível que em seus sermões pudessem ser interpretados de forma revolucionárias.É pouco provável que multidões se deslocassem de seus lares apenas para ouvir homílias abstratas sobre a virtude, e mesmo se o fizessem, é inverossímil que tais sermões os deixassem "excitados" a tal ponto que uma raposa como Herodes Antipas viesse a temer uma rebelião. A pregação de João era certamente virtuosa, mas, com toda probabilidade, revolucionária. Provavelmente não da forma de um Judas Galileu, mas algo como um dos profetas do Velho Testamento. Josefo sabia mais sobre João do que ele conta. É bem provável que isso também se aplique aos essênios. No seu afã de tentar provar a seus leitores romanos e gregos que existiam grupos e profetas judeus que pregavam a virtude e não seguiam a quarta filosofia, ele torce os fatos. Nem João era um simples pregador da virtude, nem os essênios eram monges inofensivos (o que é um elemento que reforça a tese de que na parte josefana do Testemunho Flaviano, ele chamou Jesus de "homem sábio" e "realizador de feitos maravilhosos", ocultando o conhecido fato de que Jesus foi executado como "Rei dos Judeus").&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E no que se refere aos cristãos, o único caso de sedição atribuído a eles, o incêndio de Roma em 64 DC, relatado por Tácito, que claramente afirma que eles foram utilizados como bode expiatório por um governante insano, Nero. Diferentemente do que a maioria dos pretendentes messiânicos a qual Josefo menciona - como &lt;a href="http://www.livius.org/men-mh/messiah/messianic_claimants03.html"&gt;Atronges&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://www.livius.org/men-mh/messiah/messianic_claimants04.html"&gt;Judas Galileu&lt;/a&gt;, o &lt;a href="http://www.livius.org/men-mh/messiah/messianic_claimants09.html"&gt;profeta egípcio&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://www.livius.org/men-mh/messiah/messianic_claimants11.html"&gt;Menaem&lt;/a&gt; e &lt;a href="http://www.livius.org/men-mh/messiah/messianic_claimants14.html"&gt;Simão Bar Giora&lt;/a&gt; - que invariavelmente se envolviam em rebeliões, e, conforme Josefo, &lt;em&gt;"agiam pretensamente a título do bem público, mas na realidade com esperança de ganho pessoal, fomentando a sedição, e causando mortícinios"&lt;/em&gt;. [Ant. &lt;a href="http://sacred-texts.com/jud/josephus/ant-18.htm"&gt;18: capítulo 1, seção 1&lt;/a&gt; (§ 7-9)]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas mesmo a respeito desses messianistas revolucionários, Josefo reflete alguma ambiguidade. A passagem citada acima é de Antiguidades Judaicas (cf Ant. 18:4-9 e 23), e basicamente reitera, nesta parte do texto, o que ele havia escrito 15 anos antes em Guerras Judaicas. Contudo, segundo o Professor &lt;a href="http://www.giorgiojossa.it/index_file/GiorgioJossawebsite.htm"&gt;Giorgio Jossa&lt;/a&gt;, da Universidade Federico Napolitano (Itália), em Antiguidades, Josefo também parece indicar uma mudança de julgamento em relação a Judas Galileu, o inspirador desses rebeldes, e seus seguidores [12]. Jossa observa que em Guerras, Judas Galileu é mestre de uma escola "peculiar, e totalmente estranha as outras" (Guerras 2:118). Já em Antiguidades, Judas (junto com o fariseu Zadoque) é referido como fundador de uma nova filosofia - junto com as tradicionais dos saduceus, essênios e fariseus - similar em suas concepções a dos fariseus (Ant. 18:23), grupo a qual Josefo diz pertencer, e difere deste grupo apenas em seu apaixonado amor pela liberdade e por não admitir nenhum outro Senhor, se não Deus [12]. Prof. Jossa aponta também o fato de que Josefo agora admite que Judas e seu grupo conquistaram a admiração da população (Ant. 18:6) - e não apenas de um grupo de fanáticos, como em Guerras Judaicas [12]. Em suma, Josefo chega perto de elogiar Judas Galileu (Geza Vermes usa o termo bajular) [13]. Agora ele não é apenas um bandido disposto a insuflar as massas para o ganho pessoal, mas também um mestre tão apegado a liberdade, e tão cioso da devoção exclusiva de Deus sobre o povo judeu, que não aceita o domínio romano. Josefo reitera sua palavras de reprovação a esse grupo, mas a descrição muda significativamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou seja, mesmo em Antiguidades, até os "bad boys", os messianistas fanáticos, tem sua avaliação melhorada. Desta forma, se Josefo diz que um perigosos revolucionário - cujos os ensinos levaram a nação a catástrofe - era também um filosofo fundador de um escola, um amante inveterado da liberdade, que acreditava que o único Senhor era Deus, porque não pode chamar Jesus de homem sábio e realizador de feitos surpreendentes?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_cHxPyDncuBc/TStoWkXgZLI/AAAAAAAAAHo/2w1NrzLgK24/s1600/200px-Durer_Revelation_Four_Riders.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5560652901847688370" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 143px; CURSOR: hand; HEIGHT: 200px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_cHxPyDncuBc/TStoWkXgZLI/AAAAAAAAAHo/2w1NrzLgK24/s200/200px-Durer_Revelation_Four_Riders.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Assim, como os essênios (e o judaismo do I seculo em geral) os cristãos eram messiânicos. Tinham crenças apocalipticas. E seus textos evidenciam isso. Entretanto, apesar dessas crenças, Josefo pode apresentar um retrato extremamente favorável dos essênios, ainda que ele mesmo fosse fariseu. De fato, ele não poderia ignorar as crenças igualmente messiânicas e apocalipticas de seus companheiros fariseus. Provavelmente, as crenças apocaliptícas cristãs não destoavam tanto assim do que o restante dos judeus acreditava, e possivelmente fossem até bastante moderadas, se considerarmos o sucesso que as idéias de messianismo radical do fariseu Zadoque e Judas Galileu tiveram entre a população, como admite Josefo. Em suma, é razoavel que Josefo tivesse uma opinião neutra ou ligeiramente favoravél de Jesus, a despeito das crenças messiânicas e apocaliptícas de seus seguidores, pois mesmo quando descreve os perigosos messianistas radicais, ele tem algumas coisas boas a dizer. Além disso, o messianismo cristão não era o único, fariseus e essênios também criam no advento do "reino da casa de Davi, o teu virtuoso Messias".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Referência Bibliográficas&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;[1] Descrição baseada em Gerd Thiesen e Annete Merz (1996), O Jesus Histórico, Um Manual, fl. 159 que esquematiza também em Antiguidades Judaicas &lt;a href="http://sacred-texts.com/jud/josephus/ant-18.htm"&gt;18: capitulo 1, (§ 11-25&lt;/a&gt;), Antiguidades Judaicas 13, &lt;a href="http://sacred-texts.com/jud/josephus/ant-13.htm"&gt;capítulo 5, seção 9 e capítulo 10, seção 5&lt;/a&gt; (§ 171-173 e 297), Guerras Judaicas &lt;a href="http://sacred-texts.com/jud/josephus/war-2.htm"&gt;2, capítulo 8 &lt;/a&gt;(§ 118-166)&lt;br /&gt;[2] Talmude de Jerusalem, Tratado Sinédrio 10.6.29.c. Ver também Louis Feldman (1996) Jewish life and thought among Greeks and Romans: primary readings&lt;br /&gt;[3] James H. Charlesworth (2006), "The Dead Sea Scrolls: Their Discovery and Challenge to Biblical Studies," in &lt;a href="http://www.amazon.com/Bible-Dead-Sea-Scrolls-Scripture/dp/1932792759?ie=UTF8&amp;amp;tag=arisbloofawe-20&amp;amp;link_code=btl&amp;amp;camp=213689&amp;amp;creative=392969" target="_blank"&gt;The Bible and the Dead Sea Scrolls: Vol 1: Scripture and the Scrolls&lt;/a&gt; ed. J.H. Charlesworth, p.7&lt;br /&gt;[4] David Flusser (1998), "Jesus", fls. 70-71&lt;br /&gt;[5] James Tabor, "Getting all the facts wrong: Time Magazine on the Dead Sea Scrolls", em &lt;a href="http://jamestabor.com/2009/03/17/getting-all-the-facts-wrong-time-magazine-on-the-dead-sea-scrolls/" target="_blank" rel="nofollow"&gt;http://jamestabor.com/2009/03/17/getting-all-the-facts-wrong-time-magazine-on-the-dead-sea-scrolls/&lt;/a&gt;, acessado em 17.03.2009&lt;br /&gt;[6] Geza Vermes (2000), &lt;em&gt;"As Várias Faces de Jesus"&lt;/em&gt;, fls 213-214&lt;br /&gt;[7] Jona Lendering, "&lt;em&gt;Messiah, From 'anointed one' to 'eschatological king'",&lt;/em&gt; artigos &lt;a href="http://www.livius.org/men-mh/messiah/messiah_07.html"&gt;7&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://www.livius.org/men-mh/messiah/messiah_08.html"&gt;8&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://www.livius.org/men-mh/messiah/messiah_09.html"&gt;9&lt;/a&gt; e &lt;a href="http://www.livius.org/men-mh/messiah/messiah_10.html"&gt;10&lt;/a&gt;,&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.livius.org/men-mh/messiah/messiah00.html#overview"&gt;http://www.livius.org/men-mh/messiah/messiah00.html#overview&lt;/a&gt;, acessado em 17.01.2011&lt;br /&gt;[8] Louis Feldman (1984),&lt;em&gt; Flavius Josephus Revisited&lt;/em&gt;, In Wolfgang Haase &amp;amp; Temporini; Aufstieg und Niedergang der römischen Welt, fl. 828&lt;br /&gt;[9] David Flusser (1998), "Jesus", fls. 70-71&lt;br /&gt;[10] James Vanderkam (2010), The Dead Sea Scroll Today, fls. 119 a 124&lt;br /&gt;[11] John D. Crossan (1994), &lt;em&gt;Jesus uma Biografia Revolucionária&lt;/em&gt;, fl. 50&lt;br /&gt;[12] Giorgio Jossa (2005), &lt;em&gt;Jews, Romans and Christians, from the Bellum Judaicum to Antiquities&lt;/em&gt; &lt;strong&gt;In&lt;/strong&gt; Joseph Sievers &amp;amp; Gaia Lembi (2005): Josephus and Jewish History in Flavian Rome and Beyond, fls. 335-337&lt;br /&gt;[13] Geza Vermes (2005), &lt;em&gt;Quem e Quem na época de Jesus&lt;/em&gt;, fls 192-193&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16935532-3464107607326539411?l=adcummulus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://adcummulus.blogspot.com/feeds/3464107607326539411/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16935532&amp;postID=3464107607326539411&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16935532/posts/default/3464107607326539411'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16935532/posts/default/3464107607326539411'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://adcummulus.blogspot.com/2010/12/josefo-jesus-os-cristaos-messianismo-e.html' title='Josefo, Jesus, os Cristãos, Messianismo e Apocaliptismo no Judaismo do Primeiro Século: Tudo Junto e Misturado'/><author><name>Nehemias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05093459549722450363</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_cHxPyDncuBc/TTBWt2TAygI/AAAAAAAAAIA/njx3s8WVuQc/s72-c/CSQI3ICAIKNV61CA626OSZCACUYIAXCAK078CHCATGKIJ5CABM85YTCA2H0FGJCA44X5FTCA6M9K7HCAL114U5CAO6J2RRCAE0GOH6CA64DX8BCAME1HRKCAGJZUO1CAYM0JUPCABAHDB3.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16935532.post-4354646787344454468</id><published>2011-01-02T22:08:00.005-02:00</published><updated>2011-01-20T03:22:18.087-02:00</updated><title type='text'>Vinho e Bíblia</title><content type='html'>Para aqueles que gostam de saber como a bíblia trata da temática do vinho, elaborei um texto com todas as citações bíblicas referentes ao tema. Elas foram agrupadas por tipos de referência, quer neutras, quer condenando o excesso ou tecendo elogiosos comentários sobre o bebida. O texto traz ainda uma apreciação sobre as palavras hebraicas e gregas referentes ao vinho, tendo por fim uma breve explicação sobre o processo de fermentação e produção vinícula na antiga Palestina. Recomendo e muito a leitura dos versículos &amp;gt;!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;br /&gt;Is 25,6: “Iahweh dos Exércitos prepara para todos os povos, sobre esta montanha, um banquete de carnes gordas, um banquete de vinhos finos, de carnes suculentas, de vinhos depurados.”&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div id="__ss_6431696" style="width: 477px;"&gt;&lt;strong style="display: block; margin-bottom: 4px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 12px; text-align: center;"&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote style="text-align: left;"&gt;&lt;strong style="display: block; margin-bottom: 4px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 12px; text-align: center;"&gt;&lt;strong style="display: inline !important; margin-bottom: 4px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 12px; text-align: center;"&gt;Para uma leitura adequada, clicar logo abaixo da caixa no ícone onde está escrito FULL&lt;/strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;object height="510" id="__sse6431696" width="477"&gt;&lt;param name="movie" value="http://static.slidesharecdn.com/swf/doc_player.swf?doc=vinhoebblia-110102180634-phpapp01&amp;stripped_title=vinho-e-bblia&amp;userName=FlvioSouza" /&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"/&gt;&lt;param name="allowScriptAccess" value="always"/&gt;&lt;embed name="__sse6431696" src="http://static.slidesharecdn.com/swf/doc_player.swf?doc=vinhoebblia-110102180634-phpapp01&amp;stripped_title=vinho-e-bblia&amp;userName=FlvioSouza" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="477" height="510"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="padding: 5px 0 12px;"&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16935532-4354646787344454468?l=adcummulus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://adcummulus.blogspot.com/feeds/4354646787344454468/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16935532&amp;postID=4354646787344454468&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16935532/posts/default/4354646787344454468'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16935532/posts/default/4354646787344454468'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://adcummulus.blogspot.com/2011/01/vinho-e-biblia.html' title='Vinho e Bíblia'/><author><name>Flávio Souza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10196278644485524807</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://3.bp.blogspot.com/_AfFKEmylAKU/SXnsJFkzoAI/AAAAAAAAIWc/6bHgRsfAg1U/S220/IMG_7828.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16935532.post-6644240208493701993</id><published>2010-12-15T00:21:00.004-02:00</published><updated>2010-12-15T23:44:46.407-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Literatura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Epistemologia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='minimalismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='maximalismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='metodologia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Jesus Histórico'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='teorias da conspiração'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='tradição oral'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='critérios históricos'/><title type='text'>Jesus Histórico no Brasil: pé atrás e pé na tábua...</title><content type='html'>Ainda, na virada para 2011, o quadro no Brasil em termos de trabalhos, leituras, publicações e pesquisas, mesmo interesse, acerca do campo de estudos históricos positivos de Jesus e das origens cristãs está num estágio incipiente e com um número relativamente pequeno de pessoas engajadas. Torcemos e buscamos contribuir para difundir este importante campo das humanidades, transdisciplinar por excelência, que abarca a arqueologia, antropologia, história, lingüística, literatura, sociologia, teologia, etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Temos alguns espaços com abertura e apoio à pesquisa, como na&lt;a href="http://www.ifcs.ufrj.br/%7Ehistoria/"&gt; UFRJ&lt;/a&gt;, a &lt;a href="http://www.metodista.br/posreligiao/"&gt;Universidade Metodista em SP&lt;/a&gt;, a &lt;a href="http://www.est.edu.br/index.php?option=com_content&amp;amp;task=view&amp;amp;id=124&amp;amp;Itemid=128&amp;amp;n1=128&amp;amp;menu_image=-1unique_itemid=0"&gt;EST de São Leopoldo&lt;/a&gt;,algumas &lt;a href="http://www.cpgss.ucg.br/home/index.asp?id_unidade=7"&gt;PUC’s, como a de Goiás&lt;/a&gt;, a &lt;a href="http://www.ufjf.br/ppcir/"&gt;UFJF,&lt;/a&gt; a U&lt;a href="http://vsites.unb.br/ih/novo_portal/portal_his/pesquisa_nucleo_labpej.html"&gt;NB&lt;/a&gt; dentre outras cujo espaço não permite esgotar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, infelizmente, nos deparamos sobretudo na internet com algumas declarações que, numa atitude oportunista diante deste cenário, buscam querer imputar às suas posições particulares o caráter de ser “&lt;span style="color: #444444;"&gt;o estado da arte&lt;/span&gt;” dos estudos, e muitas vezes, fanfarronices que desrespeitam as demais pessoas que buscam acompanhar o campo de estudo, como se pensassem “&lt;span style="color: #444444;"&gt;estou numa terra de cegos, vou ser o rei de um olho a me lambuzar no melado&lt;/span&gt;”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com todo o respeito ao esforço do professor da UFRJ &lt;a href="http://www.andrechevitarese.com/"&gt;André Leonardo Chevitarese&lt;/a&gt;, ele é um que tenho &lt;a href="http://www.istoe.com.br/reportagens/110487_PERITOS+NEGAM+QUE+OSSUARIO+DE+IRMAO+DE+JESUS+SEJA+FALSO"&gt;visto&lt;/a&gt; em &lt;a href="http://super.abril.com.br/religiao/sabemos-tao-pouco-existencia-jesus-447579.shtml"&gt;menções&lt;/a&gt; na internet exemplificar este tipo de atitude, e meu artigo aqui visa contribuir para que estas coisas tenham fim no Brasil. Para tanto, vou trabalhar em cima de um caso em que tal comportamento foi gritante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.andrechevitarese.com/downloads/resenhagruta.pdf"&gt;Nesta resenha&lt;/a&gt; do livro “&lt;a href="http://www.walmart.com.br/Produto/livros/2/3/produto.aspx?Filtro=&amp;amp;strBusca=&amp;amp;utm_source=PlanetaNews&amp;amp;idsku=75864"&gt;A Gruta de São João Batista&lt;/a&gt;”, ele trata de desancar o professor de arqueologia na Universidade da Carolina do Norte, &lt;a href="http://www.digmountzion.com/information/the-staff/shimon-gibson-director.html"&gt;Shimon Gibson&lt;/a&gt;, porque este apresentara posições contra as quais o prof. André tem um antagonismo passional e teleológico. Ele se esquiva e perde o foco em relação a matéria arqueologica propriamente dita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O professor Gibson é mundialmente renomado, autor de uma prolífica publicação científica no campo, e referência em &lt;a href="http://www.amazon.co.uk/Below-Temple-Mount-Jerusalem-Archaeological/dp/0860548201"&gt;arqueologia de Jerusalém&lt;/a&gt;. Um de seus livros é o aclamado “&lt;a href="http://www.blogger.com/.%20http://www.amazon.com/Archaeological-Encyclopedia-Holy-Shimon-Gibson/dp/0826485715/sr=8-1/qid=1170693854/ref=sr_1_1/102-1029218-8810526?ie=UTF8&amp;amp;s=books"&gt;Archaeological Encyclopedia of the Holy Land&lt;/a&gt;”. Acompanhou e participou em primeirão mão de muitas &lt;a href="http://www.pef.org.uk/monographs/beneath-the-holy-sepulchre%20%20e"&gt;escavações&lt;/a&gt; e&lt;a href="http://www.pef.org.uk/monographs/below-the-temple-mount-in-jerusalem"&gt; pesquisas&lt;/a&gt; de primeira magnitude no campo arqueológico.&amp;nbsp; Foi diretor do Departamento de Relatórios Científicos e de Pesquisa na Autoridade para Antiguidades de Israel, de 1995 a 1999.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um curriculo assim, impressionante posta em paralelo com a do nosso professor André, já serviria para ele, pelo menos, ser mais comedido em críticas, e evitar o ad homine, em nome da respeitabilidade do debate acadêmico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chevitarese coloca:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Apesar das discussões trazidas por Gibson, como por exemplo, acerca dos rituais de limpeza judaicos ou sobre o culto em torno das imagens de um pé ou de pés no Oriente Próximo, sempre seguidas de indicações bibliográficas, verifica-se, de forma sistemática, o seu tratamento acrítico em relação à documentação neotestamentária (...)Pode-se mesmo dizer que lhe falta o equilíbrio.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;A sobriedade levaria alguém a refletir que, uma pessoa capaz de dar tal tratamento, poderia ter suas posições não acríticas, mas com algum embasamento, ainda que discordantes da do prof. André. Nenhuma pessoa desanca a outra assim de forma tão descuidada, sem lhe dar o bônus da dúvida. Pode ser que André acredite que o minimalismo com relação ao N.T. seja a posição correta, contudo, não pode tropeçar nas suas próprias palavras, e “&lt;span style="color: #666666;"&gt;explorar ao máximo o seu lado sensacionalista, aproveitando a “infantilidade” do leitor para tudo o que diz respeito à religião, independentemente dos campos de experimentação&lt;/span&gt;”, buscando incutir que todos os grandes analistas seguem sua tendência, e não há aqueles que divergem dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele dá vários exemplos de como fica indignado com um tratamento não-minimalista. Não é de nosso interesse aqui discutir todos eles, mesmo porque não acompanho necessariamente o prof. Gibson em todos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há bons motivos para ser cauteloso e crítico quanto à narrativa do massacre das crianças por Herodes em Mateus. Mas o prof. André age como um amador apressado em se apoiar nisso:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Pode parecer incrível, mas em nenhum momento o autor se perguntou acerca do paralelismo entre esta história evangélica e aquela referente a Moises, contida no livro de Êxodo; esta relação seria obra do acaso ou uma clara intenção de Mateus em ler Jesus como sendo o novo Moises?&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Primeiramente, o paralelo mais próximo a natividade de Mateus não é a história do Êxodo em primeira instância, mas de forma mais afastada. Jesus na narrativa da natividade não é um adulto com protagonismo nas ações, mas uma criança e agente passivo. Não faz nem realiza nada. Está ao reboque dos pais. Não é definitivamente, como Moisés na epopéia. Alguém pode considerar que o paralelo concentra no massacre das crianças - que pode ser lendário ou não. Seria como o eixo em que o resto se encaixa numa engrenagem a girar o mecanismo do "novo Moisés". Seria uma imagem tal qual os eixos das figuras das visões de Ezequiel. Ainda que forneça materiais para a psicanálise se debruçar que de um cesto no rio seguido por uma irmã e encontrado por uma egípcia emane uma família andando num camelo, temos que criar muitas hipóteses &lt;i&gt;ad hoc&lt;/i&gt; para confabular uma saga de milhares de crianças massacradas em todo império, potenciais mão-de-obra para um faraó calculista preocupado com exércitos, com um punhado numa vila num momento em que Herodes estava massacrando inimigos até nos sonhos. Está para com isso o mesmo tanto que o peso da estadia e formação no Egito esteve para o Moisés da narrativa quanto o silêncio e mesmo desimportância da estadia do bebê Jesus no Egito em que mal sabemos se influenciou o próximo espirro que deu. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O paralelismo mais imediato é com a antiga &lt;i&gt;Agadah da Páscoa&lt;/i&gt;, dos finais do século I a.C. [para conhecê-la melhor, ver L. Filkenstein: “&lt;a href="http://www.jstor.org/pss/1508322"&gt;The Oldest Midrash, Pré-Rabbinic Ideals and Teaching in the Passover Haggadah.&lt;/a&gt;”]. Chevitarese deveria ter conhecimento disto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nessa Midrash, o protagonismo é de Jacó, sendo que no início se abre com “O arameu procurou destruir meu pai”. Se faz aí um trocadilho mesmo entre Labão e Herodes, arameu e idumeu respectivamente ( com grafias parecidas, &lt;i&gt;‘rmy&lt;/i&gt; com &lt;i&gt;‘dmy&lt;/i&gt;), ambos considerados intrusos indesejados no mundo da fé.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a perspectiva dentro do mundo do judaísmo diferia para os autores do evangelho e do &lt;i&gt;agadah&lt;/i&gt;. Por exemplo, o evangelista tinha a perspectiva dos anjos como agentes mediadores para a transcedência de Deus e sua ação na Terra; o do &lt;i&gt;agadah&lt;/i&gt; é cauteloso com a idéia – “&lt;span style="color: #444444;"&gt;Adonai trouxe-nos do Egito, não por meio de anjo, nem por mensageiro, mas pelo próprio Altíssimo, que seja bendito&lt;/span&gt;”, VII.1.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O quadro da &lt;i&gt;agadah&lt;/i&gt; oferece a moldura para o relato de Mateus, mas não o seu conteúdo, independente do nível de historicidade que se dê para as diversas cenas da “fuga e regresso da Sagrada Família”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pulemos então de analisar caso por caso, para nos atermos a um panorama geral. Pois o panorama que se apresenta o tratamento do professor André ao pesquisador e membro sênior do Instituto de Pesquisa Arqueológica em Jerusalém, editor chefe por duas décadas do "&lt;a href="http://www.aiasoc.fsnet.co.uk/aias_frontpage.htm"&gt;Bulletin of the Anglo-Israel Archaeological Society&lt;/a&gt;" por adotar uma visão a qual Chevitarese tem indisposição &lt;i&gt;ex ante&lt;/i&gt;, é absurdo. Ademais, no referido livro resenhado o professor Gibson rechaça por completo alguma historicidade na natividade de Lucas. Tal não se enquadra no retrato que de forma oportunista André quis pintar dele como um religioso acrítico por provar a Bíblia com a arqueologia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sofregamente, André Chevitarese chega a apelar em sua retórica a reverberando:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;mantém a velha tradição editorial deste país de só publicar livros que reforcem a visão fundamentalista na forma de ler e interpretar o material neotestamentário.&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Bem, fica claro para quem acompanha o professor que ele considera fundamentalista tudo o que não seja minimalista. Ainda assim, fica estranho para alguém pensar como em tal tradição se encaixa as publicações de &lt;a href="http://www.livrariaelefante.com.br/indique.asp?idlivro=17443&amp;amp;livro=EVANGELHO-PERDIDO-O-Autor-BURTON-L.-MACK"&gt;Burton L. Mack&lt;/a&gt;,&amp;nbsp; &lt;a href="http://br.gojaba.com/search/qau/ELAINE+PAGELS"&gt;Elaine Pagels,&lt;/a&gt; &lt;a href="http://compare.buscape.com.br/o-julgamento-e-a-morte-de-jesus-cohn-haim-8531203651.html"&gt;Haim Cohl&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://www.loyola.com.br/livraria/detalhes.aspx?COD=10518"&gt;Santiago Guijarro &lt;/a&gt;, os diversos livros de &lt;a href="http://br.gojaba.com/search/qau/DOMINIC+JOHN+CROSSAN"&gt;Dominic Crossan&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://www.travessa.com.br/Bart_D_Ehrman/autor/4CDE79D0-BC16-4E62-BD71-5A488E3B5BDC"&gt;Bart D. Ehrman,&lt;/a&gt; e tantos outros? É definitivamente um apelo emocional descuidado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O “X” da questão está na parte onde o professor André dispara agressivamente:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;O clímax da superficialidade das análises documentais, acrescido da necessidade que Gibson tem de reforçar todo e qualquer vínculo entre a gruta de Suba e João Batista é atingido no seguinte ponto:&lt;br /&gt;“&lt;b&gt;&lt;span style="color: #666666;"&gt;Acredito firmemente no conceito de longevidade da memória coletiva e no poder da tradição oral [...]&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;” (página 205).&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;Só mesmo os mais ortodoxos dos fundamentalistas abonariam uma posição como esta!&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesta hora, não posso me esquivar de dizer, o professor brasileiro se comporta de forma extremamente imatura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No livro lançado aqui “&lt;a href="http://www.travessa.com.br/OS_ULTIMOS_DIAS_DE_JESUS_A_EVIDENCIA_ARQUEOLOGICA/artigo/f2e7ba20-f0ef-4f89-ae85-7168588ff63a"&gt;Os Últimos Dias de Jesus – A evidência arqueológica&lt;/a&gt;”, o professor Gibson fala de si mesmo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“&lt;i&gt;Alguns leitores talvez achem presunção minha, um arqueólogo, escrever sobre o caráter, as realizações e os objetivos de uma personalidade tão importante quanto Jesus. Afinal de contas, bilhões de pessoas em todo o planeta o adoram como o Cristo, o Salvador e como o Filho de Deus. No entanto, minhas opiniões estão expressas aqui de forma sincera, com base em uma análise de dados históricos e arqueológicos a que tive acesso; &lt;b&gt;não tenho interesse pessoal nem religioso de nenhuma natureza&lt;/b&gt; e, definitivamente, não desejo ofender ninguém, embora algumas das coisas que digo possam parecer radicais e controversas”. &lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobre os evangelho, ele apresenta sua opiniã&lt;i&gt;o, que “foram adaptados, enfeitados e alterados pelos redatores" &lt;/i&gt;e, portanto,&lt;i&gt; “pode ser perigoso usá-los de forma acrítica e indiscriminada&lt;/i&gt;”.&lt;br /&gt;Pgs. 183 e 184.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O retrato que ele concebe de Jesus:&lt;br /&gt;“&lt;i&gt;O Jesus histórico, creio eu, era um homem de família rural abastada da Galiléia, treinado em questões relativas a purificação por João Batista, alguém que acreditava em métodos de cura alternativos e talvez, até mesmo em um pouquinho de magia, alguém cujos discursos apaixonados e ensinamentos pouco convencionais assustaram as autoridades judaicas e romanas de tal maneira que estas decidiram tomar uma medida radical e executá-lo&lt;/i&gt;.“&lt;br /&gt;Pg. 188&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Somente um fundamentalista especular poderia abonar uma posição que considere tal pessoa um fundamentalista! Prof. Chevitarese acaba nos dizendo mais de si mesmo – e de seu fundamentalismo especular - do que do livro de Shimon Gibson.&lt;br /&gt;&amp;nbsp; &lt;br /&gt;Neste livro ainda, o professor Gibson reitera sua posição: “&lt;i&gt;Pessoalmente, sou forte defensor da tradição oral (...)&lt;/i&gt;”. pg. 178. E ele apresenta uma referência de discussão a respeito de grande peso intelectual e insuspeita:&lt;br /&gt;“&lt;a href="http://www.oup.com/us/catalog/general/subject/HistoryWorld/Modern/?view=usa&amp;amp;ci=9780192893178"&gt;The Voice of the Past - Oral History&lt;/a&gt;”, monumental &lt;i&gt;magnum opus &lt;/i&gt;do historiador &lt;i&gt;top&lt;/i&gt; de linha &lt;a href="http://www.esds.ac.uk/qualidata/pioneers/thompson/"&gt;Paul Thompson&lt;/a&gt;. Uma obra, excelência prima em historiografia, a qual Chevitarese nunca publicara algo que beirasse a sombra, de um historiador que, com todo respeito ao brasileiro, ele não desata as sandalhas.&lt;br /&gt;Com isto, podemos concluir que a leitura de Gibson não advém de uma paixão cega para apologia – ele é cético – mas antes, de uma equilibrada e ponderada avaliação metodológica centrada. É uma perspectiva também coadunada com a obra da &lt;a href="http://uwpress.wisc.edu/books/0643.htm"&gt;Jan Vansina &lt;/a&gt;e &lt;a href="http://www.press.uchicago.edu/presssite/metadata.epl?mode=synopsis&amp;amp;bookkey=56006"&gt;Maurice Halbwachs. &lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E se não bastasse, podemos pegar algumas referências nos campos dos estudos bíblicos neotestamentários similares, por parte de pesquisadores icontestadamente não-fundamentalistas, nem mesmo de alas mais conservadoras dentre os biblistas, consentâneos com este prospecto ante a tradição oral, obras também muito além de algo que o prof. Chevitarese tenha produzido, por parte de pesquisadores bem mais reconhecidos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os artigos clássicos “&lt;a href="http://ext.sagepub.com/content/106/12/363.extract%20"&gt;Middle Eastern Oral Tradition and the Synoptic Gospels&lt;/a&gt;”e “&lt;a href="http://www.biblicalstudies.org.uk/article_tradition_bailey.html"&gt;Informal Controlled Oral Tradition and the Synoptic Gospels&lt;/a&gt;” de Kenneth E. Baley.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O livro meticuloso “&lt;a href="http://ebooks.cambridge.org/ebook.jsf?bid=CBO9780511554995"&gt;The past of Jesus in the Gospels&lt;/a&gt;”, de Eugene Lemcio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do prof. James D.G.Dunn, o volume 1 da monumental coleção “Christianity in the Making” – &lt;a href="http://www.bestcommentaries.com/book/6777/jesus-remembered-christianity-in-the-making-vol-1-james-d-g-dunn/"&gt;Jesus Remembered&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por Samuel Byrskog, famoso pelo seu agudo rigor,&amp;nbsp; “&lt;a href="http://www.paperbackswap.com/Story-History-Gospel-Samuel-Byrskog/book/0391041665/"&gt;Story As History, History As Story: The Gospel Tradition in the Context of Ancient Oral History&lt;/a&gt;”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O respeitadíssimo professor de Cambridge Graham Stanton, “T&lt;a href="http://www.amazon.com/Gospels-Jesus-Oxford-Bible/dp/0199246165/ref=ntt_at_ep_dpt_1"&gt;he Gospels and Jesus&lt;/a&gt;”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De Richard Bauckham, o marcante “&lt;a href="http://www.amazon.com/gp/product/0802863906/ref=pd_lpo_k2_dp_sr_1?pf_rd_p=1278548962&amp;amp;pf_rd_s=lpo-top-stripe-1&amp;amp;pf_rd_t=201&amp;amp;pf_rd_i=0802831621&amp;amp;pf_rd_m=ATVPDKIKX0DER&amp;amp;pf_rd_r=1P28SJ9HSAFAC4267PZS"&gt;Jesus and the Eyewitnesses: The Gospels as Eyewitness Testimony.&lt;/a&gt;” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O recente “&lt;a href="http://www.nrbookservice.com/products/bookpage.asp?prod_cd=C7565"&gt;The Historical Jesus of the Gospels&lt;/a&gt;”, De Craig S. Keener.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_Yf2-PPTyb0I/TQglwpd2ppI/AAAAAAAABMQ/wX3K02DUvs4/s1600/images.jpg" imageanchor="1" style="clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://4.bp.blogspot.com/_Yf2-PPTyb0I/TQglwpd2ppI/AAAAAAAABMQ/wX3K02DUvs4/s1600/images.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;É claro que eu, um leigo, não cairei no mesmo erro de Chevitarese e dizer que quem está antenado com o mundo das pesquisas precisa ter essa perspectiva, quem não tem, não está. Ótimas obras de igualmente excelentes estudiosos discordam. Contudo, o mínimo a que se pode concluir é que no atual momento do Brasil, é preciso ser muito cuidadoso com as declarações que se lê a respeito do estudo de “Jesus histórico”. E o prof. André Chevitarese atraiu muita suspeita quanto aos seus pronunciamentos e trabalhos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16935532-6644240208493701993?l=adcummulus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://adcummulus.blogspot.com/feeds/6644240208493701993/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16935532&amp;postID=6644240208493701993&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16935532/posts/default/6644240208493701993'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16935532/posts/default/6644240208493701993'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://adcummulus.blogspot.com/2010/12/jesus-historico-no-brasil-pe-atras-e-pe.html' title='Jesus Histórico no Brasil: pé atrás e pé na tábua...'/><author><name>informadordeopiniao</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06489998336259307860</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='31' src='http://3.bp.blogspot.com/_Yf2-PPTyb0I/SmO7mVKQ0zI/AAAAAAAAAPs/rh8W4tpIWGI/S220/Close.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_Yf2-PPTyb0I/TQglwpd2ppI/AAAAAAAABMQ/wX3K02DUvs4/s72-c/images.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16935532.post-5866806398603338460</id><published>2010-11-10T17:12:00.007-02:00</published><updated>2011-01-18T10:20:19.599-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='serie constrangimento e diferença'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Constantino'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='minimalismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='maximalismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Jesus Histórico'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='tradição oral'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='critérios históricos'/><title type='text'>Os Critérios do Constrangimento e da Diferença e seus análogos fora da Pesquisa Histórica do Novo Testamento: Parte 4</title><content type='html'>Nos &lt;a href="http://adcummulus.blogspot.com/2010/08/os-criterios-do-constrangimento-e-da.html"&gt;posts anteriores&lt;/a&gt;, analisamos as bases historiográficas dos critérios da diferença com a igreja primitiva (CDC) e do constrangimento (ou embaraçamento) utilizados na pesquisa do Jesus Histórico, e a aplicação de princípio analogo pelos historiadores na análise &lt;a href="http://adcummulus.blogspot.com/2010/08/os-criterios-do-constrangimento-e-da.html"&gt;das narrativas da República Romana no século V AC&lt;/a&gt;, de duas importantes figuras contemporâneas ao grande saque de Roma pelos gauleses e 390 AC, &lt;a href="http://adcummulus.blogspot.com/2010/09/os-criterios-do-constrangimento-e-da.html"&gt;Marcus Manlius Capitulinos e Marcus Furius Camillus&lt;/a&gt;, e do &lt;a href="http://adcummulus.blogspot.com/2010/09/os-criterios-do-constrangimento-e-da_14.html"&gt;filósofo neo-pitagórico Apolonio de Tiana&lt;/a&gt;, que alguns na antiguidade consideram um rival de Jesus. Hoje, vamos concluir a série com uma miscelânia de exemplo a) A análise da autenticidade de um discurso de Constantino b) A analise de narrativas históricas da Bíblia Hebraica c) Tradições tribais de povos do centro-sul da Africa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Exemplo 4: Avaliando a autencidade de um discurso de Constantino no Concílio de Nicéia.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_cHxPyDncuBc/TKZPHCSk_6I/AAAAAAAAAG0/bD7zNskm8Cw/s1600/300px-Milvbruck.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5523188975308963746" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 189px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_cHxPyDncuBc/TKZPHCSk_6I/AAAAAAAAAG0/bD7zNskm8Cw/s200/300px-Milvbruck.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Um dos maiores desafios para os historiadores da antiguidade é entender a ascensão do cristianismo. Como uma pequena seita do judaismo, conseguiu não só converter a tantos, como eventualmente se tornar a religião dominante do Império.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma analogia poderia ser traçada imaginando um grupo de extraterrestres de um planeta distante, em visita de exploração a Terra por volta do ano 30 DC. Disfarçados de cidadãos do Império Romano, eles visitariam grandes cidades como Roma, Atenas, as ruínas de Tróia, Éfeso, Antioquia e Alexandria. De Alexandria, talvez tivessem decidido "esticar" até Babilônia, e depois, quem sabe Persia, India e até a China. Mas, ainda, no caminho para Babilônia, passaram pela Judéia e por Jerusalém, que, diziam, eram lar de um povo, os judeus, com idéias religiosas muito particulares, crendo em um único Deus que não era representado por figuras humanas. Chegando a Jerusalém, encontraram a cidade pronta para um grande festival, a Páscoa e, resolveram aproveitar a hospitalidade local. Não sem antes ficarem chocados com a execução de três homens por crucificação, um deles acusado de se proclamar o "Rei dos Judeus". Ainda um tanto perturbados com aquelas execuções bárbaras, mas aproveitando a festa mesmo assim, os viajantes ficaram mais surpresos ainda quando boatos começaram a circular que, um dos crucificados, chamado Jesus, um galileu (como os locais chamavam os habitantes do norte daquele país) conhecido como pregador e realizador de milagres, e que havia sido acusado de ser o "Messias" e de buscar ser o Rei do Judeus, e que fora enterrado em uma tumba que amanhecera domingo vazia, havia ressuscitado dos mortos. Como o tempo era curto, nossos exploradores tiveram que seguir viagem, e eventualmente a seu planeta, levando um tanto de curiosidade com o que aconteceu depois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltando das dezenas de anos luz que separa seu planeta a Terra, os tataranetos dos nossos imaginários viajantes, resolvem reviver a aventura de seus ancestrais. Chegando a Terra em 330 DC, descobririam rápido que muita coisa havia mudado. Os deuses mencionados no diário de bordo de seus tataravós agora eram eclipsados por um certo Jesus Cristo. O Imperador, chamado Constantino, era um seguidor de Jesus, um cristão, como chamavam. Chegando a Jerusalém, encontraram um grande Templo recém construido, próximo ao lugar onde seus tataravós escreveram, quase como uma nota de rodapé, que os três homens haviam sido crucificados. A surpresa seria ainda maior quando descobrissem que o Jesus, que havia sofrido morte humilhante 300 anos antes, era o mesmo que o Imperador adorava como Deus, e que aquela grande Igreja (como chamavam o edíficio) teria sido construída no mesmo lugar em que ele havia sido sepultado (o Santo Sepulcro).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou seja, na verdade a ascensão do cristianismo envolve três questões, como a pequena seita do Judaísmo, perseguida, converteu alguns milhões de seguidores em pouco mais de dois séculos; porque Constantino, diante de um grupo que congregava menos de 10 % da população do Império, decidiu se tornar cristão; e as razões da obra de Constantino terem sido tão avassaladoras e terem perdurado tanto tempo (ao contrário, por exemplo, de inovações como as produzidas pelo faraó Akenaten, no Egito, milhares de anos antes).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Professor &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Paul_Veyne" target="_blank" rel="nofollow"&gt;Paul Veyne&lt;/a&gt;, do Collège de France, em seu recente livro, "Quando Nosso Mundo se Tornou Cristão" procura abordar essa questão, considerando a conversão de Constantino, o momento dramático de toda essa mudança. Veyne, tenta entender as motivações e pensamentos do Imperador, e para isso utiliza um discurso que ele teria proferido no Concílio de Nicéia, 325, em que Constantino expressa o seu entendimento de sua missão e papel na História.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"Desde o momento em que aqueles dois seres, criados na origem, não observaram o decreto (grego: prostagma), santo e divino, tão escrupulosamente como seria conveniente, nasceu a (má) erva (da ignorância de Deus) que acabo de citar, ela se manteve, multiplicou-se desde que o casal a quem me refiro foi expulso sob uma ordem de Deus. Essa (má) matéria foi tão longe, com a perversidade humana, que, do levante as regiões do poente, as fundações (da humanidade) foram condenadas; a dominação do poder inimigo apoderou-se dos homens e os sufocou. Mas o Decreto (divino) comporta também, santa e imortal, a inesgotável comiseração do Deus Todo Poderoso. Na verdade, quando, ao longo de todos os anos, de todos os dias transcorridos, massas incontáveis de povos tinham sido reduzidas a escravidão, Deus os libertou desse fardo através de mim, seu servidor, e os conduzirá ao brilho completo da luz eterna. Eis porque, meus querídissimos amigos, acredito (grego: pepoitha), com a mais pura confiança (pistis) em Deus, ter sido de agora em diante particularmente distinguido (episemoteis, no comparativo), por uma decisão especial (oikeiotera, igualmente no comparativo) da providência e pelos benefícios brilhantes de nosso Deus [1] "&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Alguns historiadores tem questionado a autenticidade do discurso. Veyne o defende, com base em argumentos de &lt;strong&gt;dissimilaridade ou diferença, &lt;/strong&gt;istoé, de que o conteúdo do discurso não atende os interesses dos vários grupos cristãos existentes, dos pagãos, ou inimigos do Imperador, e &lt;strong&gt;de constrangimento, &lt;/strong&gt;no sentido de que o conteúdo do discurso é estranho e o grego de díficil compreensão, o que implica, para o Prof. Veyne que além de ser improvável termos um suposto falsificador de "&lt;em&gt;muita imaginação para forjar um texto tão estranho",&lt;/em&gt; este certamente &lt;em&gt;teria escrito em um grego melhor".&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"Gelázio de Cízico, História Eclesiastica, II, 7, 38 (Migne, PG, vol. LXXXVi, col 1239). Os argumentos de C.T.H.R. Eberhardt conta a autenticidade (Constantinum documents in Gelasius of Cyzicus, em Jarbuch fur Antike und Christentum, 23,1980, p. 48) não me convenceram. &lt;strong&gt;Um falsário precisaria de muita imaginação para forjar um texto tão estranho&lt;/strong&gt;. &lt;strong&gt;Não se percebe a quem aproveitaria tal falsificação&lt;/strong&gt;; nem aos pagãos, nem aos panegiristas, nem aos inimigos de Constantino (que achariam motivos de queixas menos sutis e menos pessoais), nem aos ortodoxos, nem aos arianos. Nenhuma palavra forma epigrama contra quem quer que seja. Ora, &lt;strong&gt;um falsário raramente resiste à tentação de fazer um epigrama que ironize sua vítima&lt;/strong&gt;. E as estatísticas de vocabulário desconhecem que esse texto não passa de uma tradução e testemunham o vocabulário do tradutor e não o do Imperador (segunda o testemunho de Eusébio, Constantino, por falta de cultura ou como bom imperador romano, só utilizava o latim nas ocasiões oficiais e o fazia traduzir para o grego). Esse latim dos Césares, o dos preâmbulos das leis era muito empolado (um édito de Nerva citado por Plínio, o Jovem, já era pouco compreensível) &lt;strong&gt;e o tradutor, embaraçado, transformou esse latim empolado em um grego ruim, que vale como testemunho de autenticidade, um falsificador teria escrito num grego melhor&lt;/strong&gt;. [1].&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Exemplo 5: Narrativas dos livros históricos do Antigo Testamento&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As narrativas do Velho Testamento, ou Biblia Hebraica, ocupam um papel extremamente relevante na cultura ocidental, e na visão religiosa judaica-cristã. Uma parte significativa é formada pela narrativa do povo judeu, seu surgimento, desenvolvimento, conquista, reino unido, os reinos de Israel e Judá, a cativeiro assírio e babilônico, a volta para a terra prometida e suas consequências, e, no caso da &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Septuaginta"&gt;Septuaginta&lt;/a&gt; e da Bíblia Católica, o período dos Macabeus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Especificamente, a chamada obra deuteronomista, correspondente aos livros de Josué, Juízes, I e II Samuel e I e II Reis, mencionam acontecimentos, batalhas, reis, (tanto de Israel/Judá qunato dos povos vizinhos), e descrevem tensões sociais e problemas econômicos. A narrativa apresenta forte caráter reflexivo, relacionando os fracassos e sucessos, bem como o fluxo dos acontecimentos a como o povo de Israel e Judá, e seus Reis, se relacionavam com Deus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_cHxPyDncuBc/TKZPhsdCxDI/AAAAAAAAAG8/y_ipOesVJfg/s1600/255px-Mesha_Stele_%2528511142469%2529.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5523189433303745586" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 154px; CURSOR: hand; HEIGHT: 200px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_cHxPyDncuBc/TKZPhsdCxDI/AAAAAAAAAG8/y_ipOesVJfg/s200/255px-Mesha_Stele_%2528511142469%2529.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Diante dessa riqueza de dados, a questão do uso da Bíblia como fonte histórica, é uma questão muito discutida. Um aspecto importante do debate é a datação dos textos, uma vez que os livros não mencionam seus autores e quando foram escritos, a interpretação da evidência arqueológica também suscita controvérsias. Em relação a certos relatos temos evidência extra-bíblica indiscutível que corrobora o texto bíblico, por exemplo, &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Sheshonk_I"&gt;Sheshonk I&lt;/a&gt;, que é identificado com o faraó Sisaque, em um &lt;a href="http://www.bibleplaces.com/karnak.htm"&gt;relevo e inscrições no Templo de Karnak&lt;/a&gt;, faz um relato paralelo a I Reis 14:25, com uma lista de cidades saqueadas e subjugadas por ele. Também a &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Mesha_Stele"&gt;Estela de Mesha&lt;/a&gt;, relata como os moabitas se libertaram do jugo israelita, e confirma, em linhas gerais, a situação geral e os personagens mencionados em II Reis 3. Outro caso em que "A Bíblia tinha razão", é o cerco de Jerusalém pelo Rei &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Sennacherib"&gt;Senaqueribe&lt;/a&gt;. Através do &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Taylor_prism"&gt;"Prisma de Taylor"&lt;/a&gt;, um artefato arqueológico que narra as campanhas do Rei da Assiria, e que relata, em sua &lt;a href="http://www.kchanson.com/ANCDOCS/meso/sennprism3.html"&gt;coluna 3&lt;/a&gt;, como ele conquistou as cidades fortes de Judá, cercando o Rei Ezequias - que havia se revoltado, possivelmente contando com o suporte do Egito - "como um pássaro em uma gaiola", e como o rei judeu foi forçado a pagar um vultoso tributo. No entanto, Senaqueribe não menciona ter capturado Jerusalém. Em linhas gerais, o fluxo dos acontecimentos é similar ao de I Reis 18-19 e Isaias 36-37, com excessão de que o texto bíblico afirma que os assírios não conquistaram Jerusalém devido a seu exército ter sido destruído "pelo anjo do Senhor", em seu acampamento (uma peste ou epidemia, provavelmente). è interessante observar que o historiador grego, &lt;a href="http://www.livius.org/he-hg/herodotus/herodotus01.htm"&gt;Herodoto&lt;/a&gt; (cerca de 450 AC), relata que os egípcios diziam que o acampamento do exército de Senaqueribe foi atacado por uma multidão de ratos, que roeram as cordas dos escudos e os cestos de flechas dos arqueiros, forçando-o a retirar-se (&lt;a href="http://www.sacred-texts.com/cla/hh/hh2140.htm"&gt;Historias 2.141&lt;/a&gt;). Existem, porém, situações em que não foram encontradas evidências externas de eventos bíblicos, ou esta é contraditória, como a peregrinação no deserto e a conquista de Jericó e Ai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, vamos ouvir com frequência os termos maximalista e minimalista, que descrevem uma postura geral dos estudiosos quanto a confiabilidade histórica dos textos bíblicos. &lt;a href="http://jewishstudies.rutgers.edu/index.php?option=com_content&amp;amp;task=view&amp;amp;id=131&amp;amp;Itemid=5"&gt;Gary Rensburg&lt;/a&gt;, Professor de História Judaica da Rutgers University (Universidade do Estado de Nova Jersey) observa que a postura maximalista pressupõe que, "&lt;em&gt;uma vez que uma parte significativa do relato bíblico encontra confirmação arqueológica e em outras fontes externas do oriente média antigo, por exemplo, a já mencionada Estela Mesha, então, mesmo quando não se têm evidência corroborativa externa, podemos assumir&lt;/em&gt; &lt;em&gt;que o texto bíblico relata fatos históricos, a menos que se possa provar o oposto" [&lt;/em&gt;&lt;a href="http://jewish30yrs.mcgill.ca/rendsburg/index.html"&gt;2&lt;/a&gt;&lt;em&gt;].&lt;/em&gt; Por outro lado, o enfoque minimalista vai na direção oposta, "&lt;em&gt;uma vez que muitas coisas relatadas na bíblia estão em contradição com a arqueologia e outras fontes de oriente médio antigo, tais como, a falta de evidência para as conquistas de Jericó e Ai, devemos assumir que o relato bíblico é fictício a menos que se prove o contrário".&lt;/em&gt; [&lt;a href="http://jewish30yrs.mcgill.ca/rendsburg/index.html"&gt;2&lt;/a&gt;]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[Deve ser observado, que, a opção "maximalista" ou "minimalista" não necessariamente reflete a visão religiosa ou teológica do pesquisador. Existem ateus e agnósticos identificados com os"maximalistas", como o arqueólogo &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/William_G._Dever"&gt;William Dever&lt;/a&gt;; assim como existem judeus praticantes e cristãos minimalistas]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na verdade, tais definições demarcam os extremos. A esmagadora maioria dos arqueólogos, historiadores e biblistas se posiciona entre um e outro polo, combinando diferentes proporções das duas posturas, formando um espectro. Ainda, é comum uma abordagem basicamente minimalista para alguns períodos (como os patriarcas, êxodo e conquista) e maximalista para outros (monarquia unida e reinos de Israel e Judá), sendo o foco da discussão deslocado para definir a "fronteira" em que se vai adotar cada uma das posturas. Assim, uma visão típica do "centro" do espectro considera que a obra deuteronomista foi concluída no reinado do Rei Josias, no final do século VII AC, mas que incorpora material de crônicas reais e sacerdotais e tradições populares, que sofreram um profundo processo de reinterpretação teológica. Assim, o deuteronomista nos daria corretamente o "fluxo geral" e um esboço dos acontecimentos históricos [&lt;a href="http://paleojudaica.blogspot.com/2005_08_07_archive.html"&gt;3&lt;/a&gt;].&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, se caminharmos do "centro" com direção ao lado minimalista do espectro, vamos ter os minimalistas moderados e os mais radicais (o Professor &lt;a href="http://www.airtonjo.com/"&gt;José Airton da Silva&lt;/a&gt;, faz uma excelente &lt;a href="http://www.airtonjo.com/minimalistas.htm"&gt;análise&lt;/a&gt; sobre o minimalismo e os minimalistas, e seus posicionamentos em seu site). Uma vez que são estudiosos com um grau maior de ceticismo quando ao valor histórico do texto bíblico, os critérios que utilizam identificar e extrair um eventual núcleo histórico das narrativas é de especial importância. De modo geral, os minimalistas mais radicais tendem a considerar que ainda que existam elementos históricos, sua identificação é quase impossível, em virtude, entre outras razões, do tempo transcorrido entre o evento e a narrativa (os estudiosos dessa corrente tendem a data o deutoronomista no período persa ou mesmo helenistico, cerca de 400 a 200 AC). Já os minimalistas mais moderados acreditam que é possível localizar esse núcleo histórico, e, como veremos, utilizam critérios muito semelhantes ao da diferença e do constrangimento da pesquisa neotestamentaria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Professor &lt;a href="http://www2.hull.ac.uk/fass/humanities/religion/staff/grabbelester.aspx"&gt;Lester L Grabbe&lt;/a&gt;, da Universidade de Hull, é uma autoridade em judaísmo antigo, e foi organizador do &lt;a href="http://www.airtonjo.com/minimalistas.htm"&gt;Seminario Europeu de Metodologia Histórica&lt;/a&gt;, que, em suas primeiras edições, reuniu os principais expoentes do movimento minimalista. Os trabalhos apresentados na 1ª edição do Congresso, ocorrido em Dublin (Irlanda), em 1996, formaram o livro "Can a History of Israel be Written", publicado em 2005. Nesse livro, Professor Grabbe defende a utilização de alguns critérios para identificar elementos históricos na obra deuteronomista, dentre os quais:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"Hints in the text which go contrary to its overall bias suggest some authentic information has survived the editorial process"&lt;/em&gt; [4]&lt;br /&gt;&lt;em&gt;(&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;tradução&lt;/span&gt;) "Indicações no texto, que vão contra a sua tendência global sugere que alguma informação autêntica sobreviveu ao processo editorial"&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou seja, o critério é definido de uma forma semelhante ao do constrangimento. Partes da narrativa que se opõem a tendência geral do relato, indica a existência de fatos históricos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://scienzeumanistiche.uniroma1.it/docenti/docenti_prova_profilo.asp?Id_docente=224" target="_blank" rel="nofollow"&gt;Mario Liverani&lt;/a&gt;, Professor de História do Oriente Próximo Antigo, da Universidade La Sapienza, em Roma, é outros dos estudiosos minimalistas moderados que tem proposto separar o núcleo histórico das narrativas vetero testamentárias. Ele acredita que os textos bíblicos foram compilados no período do exílio babilônico e persa. Liverani afirma que textos reais, sacerdotais, inscrições e tradições populares, provenientes principalmente do período entre a morte de Salomão e a queda de Jerusalém (587 AC), semelhantes em natureza aos registros de outros pequenos reinos da região, foi reinterpretada radicalmente de forma a dar sustentação ao programa ideológico e religioso de uma elite sacerdotal, que apresentava Israel como um povo divinamente escolhido. Assim teríamos uma história factual de pequenos reinos comuns, ordinários, "inflada" por perspectivas teológicas grandiosas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desta forma, Liverani utiliza um análogo do critério da diferença da igreja primitiva, agora como diferença ao viés da fonte narrativa, para analisar o período da I Idade do Ferro (Juízes e I e II Samuel). Os elementos que não atendem aos propósitos do grupo portador da tradição, não devem ter sido inventados e são provavelmente históricos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"Nesse estado de coisas, houve por parte dos estudiosos posições opostas. Alguns utilizaram o quadro bíblico como documento histórico, sem se por (ou pondo-se de uma maneira totalmente formal) o problema de sua credibilidade, delineando um "período de Juízes" e uma "Liga das Doze Tribos" como realidades históricas indubitáveis. Outros estudiosos, diante do grande volume de problemas da tradição textual e de reelaboração tardia dos dados preferiram renunciar totalmente o uso de tais dados e tratar a Primeira Idade do Ferro como substancialmente pré histórica.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"&lt;strong&gt;Todavia, as deformações e as verdadeiras invenções contidas nos textos de longa tradição historiográfica tem motivações que condizem com certos elementos da tradição e não com outros (de caráter menos signifativos em relação aos problemas dos reelaboradores).&lt;/strong&gt; Também a tipologia das deformações e das invenções é em parte indicativa: &lt;strong&gt;pode-se inventar uma história com personagens e motivos literários fabulosos (e disso se tem exemplos seguros), ao passo que é difícil inventar um cenário social que não tenha existido&lt;/strong&gt;. Pode-se retrodatar (atribuindo-os a personagens notáveis da história passada ou do mito) leis que comportam escolhas "políticas" controversas, ou direitos de propriedade (e também deles temos exemplos seguros), &lt;strong&gt;mas ninguém teria motivo para inventar normas de direito conseutudinário sobre assuntos neutros ou politicamente irrelevantes.[5]"&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em minha opinião, a perspectiva minimalista e demasiada cética, e com o devido respeito a estudiosos do porte de Liverani e Grabbe, e apesar de sua moderação, ainda insatisfatória. No entanto sua erudição é notavel, e seu uso desses critérios históricos é extremamente interessante quando comparada ao Novo Testamento, demonstrando que mesmo partindo de uma perspectiva de desconfiança com a fonte e seus própositos, é possível estabelecer um dialogo de forma a extrair informações históricas e um "esboço" dos acontecimentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Exemplo 6: Tradições Orais dos povos do Centro-Sul da Africa&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A análise das tradições orais é hoje um dos campos mais vibrantes da pesquisa histórica. Em muitas sociedades há transmição de elementos culturais unicamente na forma oral, de geração em geração, até que atingam a forma escrita. Como exemplos temos as &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Sagas"&gt;sagas escandinavas&lt;/a&gt;, poemas épicos como &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Beowulf"&gt;Beowulf&lt;/a&gt;, os &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Homeric_Question"&gt;poemas homéricos &lt;/a&gt;como a Ilíada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_cHxPyDncuBc/TNr9KOn4wkI/AAAAAAAAAHM/H9eTi9ptkBY/s1600/100px-Teke_bottle.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5538017043971359298" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 100px; CURSOR: hand; HEIGHT: 178px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_cHxPyDncuBc/TNr9KOn4wkI/AAAAAAAAAHM/H9eTi9ptkBY/s200/100px-Teke_bottle.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Uma das aplicações mais interessantes da análise das tradições orais, é na tentativa para a história de povos colonizados, antes da chegada dos europeus, de forma complementar a arqueologia. Por exemplo, o caso dos povos indígenas das américas, ou das populações subsaarianas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dos principais expoentes nesse campo, é o Professor &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Jan_Vansina" target="_blank" rel="nofollow"&gt;Jan Vansina&lt;/a&gt;, hoje no Departamento de Historia Africana da Universidade de Wisconsim Madison. Vansina desenvolveu métodos para utilizar as tradições orais correntes nos povos do Centro-Sul da Africa (Congo, Ruanda e Burundi), para escrever uma história desses povos anterior ao estabelecimento do domínio colonial belga (final do sec. XIX).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, uma vez que esses povos não possuiam registros escritos, Vansina utilizou como matéria-prima seus contos e tradições, e lhe permitiram o desenvolvimento de um esboço da história do &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Kuba_Kingdom"&gt;reino das tribos Kuba&lt;/a&gt;, que existiu do início do sec. XVII até o ano 1900, de seus fundadores, os reis Shyaam Ambul a Ngoong e Mboon aLeeng, e de como a o sub-grupo Bushongo atingiu a proeminência entre os Kuba.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Baseado em sua experiência, Vansina escreveu um manual de método histórico chamada &lt;a href="http://uwpress.wisc.edu/books/0643.htm"&gt;"Oral Tradition as History"&lt;/a&gt;. Entre os critérios históricos utilizados por Vansina está o do constrangimento, definido de forma quase idêntica ao da pesquisa neo-testamentária. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;"On the other hand, sometimes it is possible to provide proof that a given tradition is unlikely to have been falsified. &lt;strong&gt;A Case in point is where a tradition contains features which are not in the accord with the purpose for which it is used&lt;/strong&gt;. Such a bushongo tale about a battle which they lost and at which one of their kings was killed; or another which tell us the death of a King called Mboong aLeeng, who was ambushed by the enemy, and killed by a poisoned arrow. &lt;strong&gt;In neither of these tales are the facts likely to have been falsified. They are part of the tribal tradition, but are only transmitted in secret, precisely because they go against the purpose of the tradition, which is the enhancement of national prestige&lt;/strong&gt;"[6]. &lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;(&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;tradução&lt;/span&gt;) "Por outro lado, às vezes é possível demonstrar que pouco provável que uma dada tradição tenha sido simplesmente inventada. &lt;strong&gt;Um caso ilustrativo é o quando a tradição contém elementos que não estão em consonância com os fins para os quais ela é usada&lt;/strong&gt;. Tal como um conto dos bushongo sobre uma batalha que eles perderam, e na qual um dos seus reis foi morto, ou outro que nos narra a morte de um rei chamado Mboong aLeeng, que foi emboscado pelo inimigo, e morto por uma flecha envenenada. &lt;strong&gt;Nesses relatos é improvável que fatos teham sido falsificados. Eles são parte da tradição tribal, mas só são transmitidos em segredo, justamente porque vão contra o propósito da tradição, que é reforçar o prestígio nacional " [6].&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;Vansina continua e pondera a possibilidade do evento supostamente constrangedor ou embaraçoso cumprir uma função na narrativa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;A Kuba tradition tells how the mother of King Shyaam was a slave, which means (since the Kuba are matrilineal) that there is a break in the dynastic line of sucession. &lt;strong&gt;it is, however, possible to argue that tales of this kind do not, after all, run so very much counter to the purposes for which they are used&lt;/strong&gt;. The lost battle was a supernatural punishment, and the death of Mboong aLeeng fits in well with the account given of his life, just as does King Shyaam's ancestry with the account given of his. Mboong aLeeng is the prototype of the warrior, an Shyaam that of magician [6]. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;(&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;tradução&lt;/span&gt;) Uma tradição Kuba conta que a mãe do rei Shyaam era uma escrava, o que implica que (uma vez que os Kuba são matrilineares), há uma ruptura na linha de sucessão dinástica. &lt;strong&gt;No entanto, seria possível argumentar que os contos desse tipo não vão assim tão contrariamente aos fins para os quais eles são usados&lt;/strong&gt;. A batalha perdida foi um castigo sobrenatural, ea morte de aLeeng Mboong se encaixa bem com o relato de sua vida, assim como faz ascendência Rei Shyaam com o relato da sua. Mboong aLeeng é o protótipo do guerreiro, e Shyaam o do mágico [6].&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;No entanto,&lt;em&gt; &lt;/em&gt;mesmo levando esses elementos em consideração, Vansina conclui que o constrangimento associado a esses relatos e o fato de que se opõem fortemente a próposito das narrativas, de glorificar o passado tribal e nacional, e forte indício de sua confiabilidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Nevertheless, &lt;strong&gt;the events recorded are intrinsically incompatible with the interests the tradition in question are supposed to defend&lt;/strong&gt;. Similar examples abound. In Rwanda, for instance, the loss of the royal drum - symbol of the country unity - is remembered, and the death of several kings. In Burundi, it is admitted that a battle was lost and a king killed, etc. &lt;strong&gt;Here, too, the events described are diametrically counter to the purposes the tales are meant to fulfill, and a centain amount of embarrassment is noticiable whenever events of the kind are recalled. One may take it that traditions such as these can be relied upon"&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; [6].&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;(tradução) &lt;/span&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;em&gt;No entanto, &lt;strong&gt;os eventos narrados são intrinsecamente incompatíveis com os interesses  que a tradição em questão busca defender&lt;/strong&gt;. Exemplos similares abundam. Em Ruanda, por exemplo, a perda do tambor real - o símbolo da unidade nacional - é lembrada, e a morte de vários reis. Em Burundi, se admite que uma batalha foi perdida e o rei morto, etc. &lt;strong&gt;Aqui, também, os eventos descritos opoem-se diametricamente com o propósito que a narrativa busca demonstrar, e um certo constrangimento é perceptivel sempre que eventos desse tipo são mencionados. Podemos, assim, considerar essas tradições como dignas de confiança. &lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Referências Bibliográficas&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;[1] Paul Veyne (2007), &lt;em&gt;Quando nosso mundo se tornou cristão&lt;/em&gt;, fl. 88, e nota 9, fl. 89&lt;br /&gt;[2] Gary Rensburg (1999) &lt;em&gt;Down with History, Up with Reading: The Current State of Biblical Studies, &lt;/em&gt;&lt;a href="http://jewish30yrs.mcgill.ca/rendsburg/index.html"&gt;&lt;em&gt;http://jewish30yrs.mcgill.ca/rendsburg/index.html&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt;,&lt;/em&gt; acessado em 08.11.2010&lt;br /&gt;[3] &lt;a href="http://www.st-andrews.ac.uk/divinity/rt/staff/jrd4/"&gt;James D'Avila &lt;/a&gt;(2005) "Evidence for the first ("Solomonic") Temple", post de 12.08.2005, &lt;a href="http://paleojudaica.blogspot.com/2005_08_07_archive.html"&gt;http://paleojudaica.blogspot.com/2005_08_07_archive.html&lt;/a&gt;, acessado em 09.11.2010&lt;br /&gt;[4] Lester Grabbe (1997) &lt;em&gt;Are Historians of Ancient Palestine Fellow Creatures ot Different Animals?&lt;/em&gt; &lt;strong&gt;In&lt;/strong&gt;, Lester Grabbe (2005) Can a History of Israel be Written?, fl. 30&lt;br /&gt;[5] Mario Liverani (2003) Para Além da Bíblia, História Antiga de Israel, fl. 89&lt;br /&gt;[6] Jan Vansina, "Oral Tradition: A Study in Historical Methodology", page 83- 84&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16935532-5866806398603338460?l=adcummulus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://adcummulus.blogspot.com/feeds/5866806398603338460/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16935532&amp;postID=5866806398603338460&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16935532/posts/default/5866806398603338460'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16935532/posts/default/5866806398603338460'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://adcummulus.blogspot.com/2010/11/os-criterios-do-constrangimento-e-da.html' title='Os Critérios do Constrangimento e da Diferença e seus análogos fora da Pesquisa Histórica do Novo Testamento: Parte 4'/><author><name>Nehemias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05093459549722450363</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_cHxPyDncuBc/TKZPHCSk_6I/AAAAAAAAAG0/bD7zNskm8Cw/s72-c/300px-Milvbruck.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16935532.post-307732611631641032</id><published>2010-09-23T18:02:00.002-03:00</published><updated>2011-07-18T11:14:33.041-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='serie constrangimento e diferença'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Apolonio de Tiana'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Jesus Histórico'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='critérios históricos'/><title type='text'>Os Critérios do Constrangimento e da Diferença e seus análogos fora da Pesquisa Histórica do Novo Testamento: Parte 3</title><content type='html'>Nos &lt;a href="http://adcummulus.blogspot.com/2010/08/os-criterios-do-constrangimento-e-da.html"&gt;posts anteriores&lt;/a&gt;, analisamos as bases historiográficas dos critérios da diferença com a igreja primitiva (CDC) e do constrangimento (ou embaraçamento) utilizados na pesquisa do Jesus Histórico, e a aplicação de princípio analogo pelos historiadores na análise das narrativas da República Romana no século V AC e de de duas importantes figuras contemporâneas ao grande saque de Roma pelos gauleses e 390 AC, Marcus Manlius Capitulinos e Marcus Furius Camillus . Neste post, vamos abordar outro exemplo: o filósofo neo-pitagórico Apolonio de Tiana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Exemplo 3: Critério do Constrangimento na avaliação das fontes sobre Apolonio de Tiana&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.livius.org/ap-ark/apollonius/apollonius01.html"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5519092695915550498" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 197px; CURSOR: hand; HEIGHT: 200px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_cHxPyDncuBc/TJfBkMZ_1yI/AAAAAAAAAGU/0wSpYwi5eY4/s200/200px-Severan_dynasty_-_tondo.jpg" border="0" /&gt;Apolonio de Tiana &lt;/a&gt;(4-96 DC) foi um filósofo neo-pitagórico, com reputação de milagreiro, proveniente da cidade de Tiana, na Capadócia (atual Turquia) de grande fama e influência no mundo romano a partir do século III. No início do século IV, o proconsul romano &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Hierocles_(proconsul)"&gt;Sossianus Hierocles&lt;/a&gt;, que governou o Egito e, posteriormente, a &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Bithynia_et_Pontus"&gt;Bitínia&lt;/a&gt;, escreveu um livro chamado "O Amante da Verdade", uma crítica ao cristianismo, em que comparava Apolonio de Tiana a Jesus Cristo (de forma desfávorável ao último). O livro se perdeu, mas a maior parte de seu conteúdo chegou até nós por citações de &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Eusebius_of_Caesarea"&gt;Eusébio de Cesaréia&lt;/a&gt; (263-339 DC), em sua refutação, chamada "Contra Hierocles"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, quase tudo que sabemos sobre o filósofo de Tiana é proveniente de uma biografia chamada a &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Life_of_Apollonius_of_Tyana"&gt;"Vida de Apolonio de Tiana"&lt;/a&gt;, em oito "livros" (totalizando cerca de 260 paginas), escrita por &lt;a href="http://www.livius.org/phi-php/philostratus/philostratus.htm"&gt;Lúcio Flavio Filostrato &lt;/a&gt;(172 -245 DC), por volta de 217-230 DC, a pedido da Imperatriz &lt;a href="http://www.roman-emperors.org/sevjulia.htm"&gt;Julia Dona&lt;/a&gt;, esposa do Imperador &lt;a href="http://www.roman-emperors.org/sepsev.htm"&gt;Sétimo Severo&lt;/a&gt; (193-211 DC), e mãe dos Imperadores &lt;a href="http://www.roman-emperors.org/geta.htm"&gt;Geta&lt;/a&gt; (211 DC) e &lt;a href="http://www.roman-emperors.org/caracala.htm"&gt;Caracala&lt;/a&gt; (211-217 DC). Ao comissionar o trabalho, a Imperatriz teria entregue a Filostrato um livro de memórias de um discípulo de Apolonio, chamado Damis, que seria proveniente da cidade de "Ninos", que estava em poder de um dos parentes de Damis . Além disso, Filostrato afirma ter buscado as tradições locais correntes nas cidades de Antioquia, Tiana, Aegea, e Efeso relativas ao filosofo; consultado os livros e cartas escritas por Apolônio; bem como os livros a respeito dele que teriam sido escritos por Maximo de Aegea e Moiragenes.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Mas podemos confiar em Filostrato&lt;/strong&gt;? &lt;strong&gt;A resposta, para grande maioria dos historiadores, é um sonoro não.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Revisando a literatura acadêmica, encontramos afirmações como a de que Vida de Apolônio (que chamaremos de "VA") , em virtude da "&lt;em&gt;falta de conhecimento filosófico e excessiva preocupação retórica" &lt;/em&gt;de Filostrato é um texto &lt;em&gt;"muito pouco confíavel"&lt;/em&gt; em relação a Apolônio [1], &lt;em&gt;"tal a quantidade de invencionices, ficção e falsidade histórica contida nesse livro&lt;/em&gt;" [2], e que em virtude disso, e pelo fato de ser praticamente nossa única fonte &lt;em&gt;"o estado de provas é tal, que não se pode ter nenhuma certeza sobre o Apolônio original e apenas argumentos de probabilidade podem ser usados"&lt;/em&gt; [3].&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fato de ter sido escrito entre 120 a 150 anos após a morte de Apolônio não é um obstaculo intransponível para Vida de Apolônio, se as fontes fossem confíaveis. No entanto, a principal fonte, o &lt;strong&gt;Díario de Damis&lt;/strong&gt;, supostamente uma testemunha ocular dos eventos, apresenta autencidade sobre severa suspeita. Uma das principais estudiosas de Apolônio, Professora &lt;a href="http://www.hup.harvard.edu/results-list.php?author=1728"&gt;Maria Dzielska&lt;/a&gt;, da Universidade Jagielloniana de Cracóvia (Polonia), observa em seu livro "&lt;em&gt;Apolonius of Tyana in legend and History"&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;The Hypomnèmata of Damis have always been a great problem in the studies of Philostratus' work. Scholars have wondered whether the memoirs were only a figment of Philostratus' literary imagination, or whether they constituted a real notebook compiled by a certain pupil of Apollonius. This question has been raised not only by specialists in literature but also by historians. &lt;strong&gt;The latest views on the "Damis question" I present below. On their basis I consider Damis a fictitious figure and his memoirs (or notebooks) an invention of Philostratus&lt;/strong&gt;" &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt;[post script: texto em inglês adicionado 18.07.2011]&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;(&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;tradução&lt;/span&gt;)&lt;/em&gt; &lt;em&gt;A Hypomnèmata de Damis sempre foram um grande problema nos estudos sobre Filostrato. E os estudiosos tem se perguntado se são apenas produto da imaginação de Filostrato, ou realmente se trata de um livro de memórias compiladas por um díscipulo de Apolônio. Esta questão tem sido levantada não só por especialistas em literatura mas também por historiadores. &lt;strong&gt;O estado da arte sobre o "problema de Damis", eu apresento abaixo. Com base nesses estudos eu considero&lt;/strong&gt; "&lt;strong&gt;Damis é um personagem fictício e suas memórias uma invenção de Filostrato&lt;/strong&gt;"&lt;/em&gt; [4].&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dzielska observa também que&lt;em&gt; "[o Diário de Damis, é ] uma ficção literária, porém planejada ao que parece com total consciência" "junto com Julia Dona (...) ele (Filostrato) criou Damis, o sírio de Ninive, a quem atribui, como a um muito fiel aluno, a autoria da história de vida do mestre Apolonio, que ele próprio havia criado"[5]. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Professor John Ferguson, Open University, acompanha essa opinião, observando que o aparecimento de livros ou diários perdidos era um artifício comum de romances históricos: &lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"Philostratus professed to have discovered an old document by one Damis as his source, but such discoveries are the stock-in-trade of historical romances, and &lt;strong&gt;we can place no credence upon Damis [&lt;/strong&gt;&lt;span style="color:#33ccff;"&gt;&lt;span style="color:#3366ff;"&gt;post script: citação em inglês adicionada em 18.07.2011&lt;/span&gt;]&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;(&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;Tradução&lt;/span&gt;) Filostrato alegava ter descoberto um velho documento de um certo Damis como fonte, mas tais descobertas são os apetrechos de romances históricos, n&lt;strong&gt;ão podemos ter fé em Damis"&lt;/strong&gt;[6] &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acima foi apresentada a posição dominante. Uma posição alternativa, embora minoritária, é apresentada pelo Professor de História Antiga da Universidade Livre de Amsterdã, &lt;a href="http://www.let.vu.nl/en/about-the-faculty/academic-staff/staff-listed-alphabetically/staff-e-k/dr-j-j-flinterman/index.asp"&gt;Jaap-Jan Flinterman &lt;/a&gt;que acredita que:&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;Probably the most controversial part of my findings was (and still is) the conclusion that &lt;strong&gt;'Damis' - the disciple of Apollonius&lt;/strong&gt; whose memoirs Philostratus claims to have had access to - &lt;strong&gt;was not a Philostratean invention, but a second- or early third-century pseudepigraphon. This position is in contradiction with an almost complete scholarly consensus that 'Damis' is a literary fiction&lt;/strong&gt;, a view powerfully argued by Ewen Bowie [in Aufstieg und Niedergang der Römischen Welt II 16.2 (Berlin/New York 1978), 1652-1699]&lt;/span&gt;. [&lt;a href="http://flinterm.home.xs4all.nl/Power-Paideia-Pythagoreanism.html"&gt;7&lt;/a&gt;] (post script: texto em inglês adicionado em 18.07.2011)&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;(&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;Tradução&lt;/span&gt;)"Provavelmente a conclusão mais controversa do meu trabalho foi (e ainda é) que &lt;strong&gt;Damis, o discípulo de Apolônio&lt;/strong&gt; as quais as memórias Filostrato afirma ter tido acesso, &lt;strong&gt;não foi uma invenção de Filostrato, mas um livro pseudoepigráfico escrito no segundo, ou início do III século DC". Esta posição vai contra a quase total consenso dos estudiosos de que "Damis" é uma ficção literária,&lt;/strong&gt; um ponto de vista defendido vigorosamente por Ewen Bowie [in Aufstieg und Niedergang der Römischen Welt II 16.2 (Berlin/New York 1978), 1652-1699]&lt;/em&gt; [7].&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embora concorde que os argumentos utilizados para demonstrar que memórias não foram escritas por Damis ou uma testemunha ocular são fortes, Flinterman acredita que a possibilidade de que foram escritas por outra pessoa e atribuidas a Damis é bem mais difícilo de refutar [7]. &lt;strong&gt;Ou seja, o que podemos dizer é que o consenso acadêmico é de que ou Filostrato inventou as memórias de Damis, ou, na melhor das hipóteses ele utilizou uma obra, pseudoepigráfica, de um falsificador anterior&lt;/strong&gt;. Tal qual os evangelhos de "Tomé", ou "Pedro", ou "Atos de João".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para sustentar sua posição, Flinterman utiliza dois argumentos, um deles baseado em um &lt;strong&gt;raciocínio análogo do critério do constrangimento:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"&lt;em&gt;Meyer's contention that Philostratus' invented Damis to substantiate his own view of Apollonius founders on the fact that the author refers to 'Damis" for information he feels uncomfortable about. &lt;strong&gt;Meyer's argument can be inverted: if the author's attitude towards magics can be characterized as a combination of contempt and aversion, it is hardly conceivable that he would have ascribed to an invented source information which causes such uneasiness as to compel him to dissociate himself from his own invention&lt;/strong&gt; (VA III, 41; VII 39). [&lt;a href="http://www.xs4all.nl/~flinterm/Power-Paideia-Pythagoreanism.html"&gt;7&lt;/a&gt;]&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;[&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;&lt;em&gt;Tradução&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;] A&lt;em&gt; tese de Meyer de que Filóstrato inventou Damis para justificar o seu próprio ponto de vista sobre Apolônio se baseia no fato de que o autor se refere a "Damis" para informações que ele sente pouco à vontade. &lt;strong&gt;O argumento de Meyer pode ser invertido: se a atitude do autor em relação a magia pode ser caracterizado como um combinação de desprezo e aversão, é dificilmente concebível que ele teria atribuído a uma fonte inventada informações que o constragem de tal forma a obrigá-lo a se dissasociar de sua própria invenção&lt;/strong&gt; (VA III, 41; VII 39) [7]&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_cHxPyDncuBc/TJpq0sS2RoI/AAAAAAAAAGc/fieovizA0hg/s1600/apollonius+of+Tyana.jpg"&gt;&lt;/a&gt;Ou seja, uma dos temas fortes em Filostrato é a tentativa de mostrar que Apolonio de Tiana não era um mágico, mas um grande filósofo e um campeão da cultura grega. O fato de Damis, a principal fonte de Filostrato, que ele afirmava ter sido uma testemunha ocular da vida de Apolônio, indicar as vezes que Apolônio utilizava magia, evidencia de que a fonte não foi completamente inventada por ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.livius.org/about.html"&gt;Jona Lendering&lt;/a&gt;, que também lecionou história antiga (e metodologia histórica) na Universidade Livre de Amsterdã, concorda com Flinterman, com raciocínio semelhante:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"&lt;em&gt;&lt;strong&gt;There are very strong indications that the "Scraps from the manger" contained information that Philostratus found embarrassing&lt;/strong&gt;. For example, Damis mentions that Apollonius wrote a book On astrology; as we have seen &lt;/em&gt;&lt;a href="http://www.livius.org/ap-ark/apollonius/apollonius04.html#Astrology"&gt;&lt;em&gt;above&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt;, Philostratus was skeptical about its existence, because he did not like magic (&lt;/em&gt;&lt;a href="http://www.livius.org/ap-ark/apollonius/apollonius09.html#3.41"&gt;&lt;em&gt;LoA 3.41&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt;).&lt;/em&gt; &lt;em&gt;(...) Philostratus repeats his argument that Apollonius was not a wizard or a magician, but performed his supernatural acts (...) because he had a superior wisdom and deeper insights in the nature of the universe. &lt;strong&gt;It is obvious that Philostratus felt uncomfortable with the Scraps from the manger, and this makes it likely that a source -whatever its precise nature- did really exist&lt;/strong&gt;.&lt;strong&gt;.&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; [&lt;a href="http://www.livius.org/ap-ark/apollonius/apollonius06.html#Damis"&gt;8&lt;/a&gt;] (Grifo nosso)&lt;br /&gt;(&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;tradução&lt;/span&gt;) &lt;em&gt;&lt;strong&gt;Há indícios muito fortes de que "Scraps from the manger" continha informações que Filóstrato considerou embaraçosas&lt;/strong&gt;. Damis menciona que Apolônio escreveu um livro sobre astrologia, como vimos acima, Filóstrato era cético sobre a sua existência, porque ele não gostava de magia (LOA 3,41 ) (...) Filóstrato repete seu argumento de que Apolônio não era um feiticeiro ou um mago, mas realizou sua feitos sobrenaturais (...) porque tinha uma sabedoria superior e uma compreensão profunda da natureza do universo . &lt;strong&gt;É obvio que Filóstrato se sentiu desconfortável com "Scraps from the manger", sendo isso torna provável que a fonte - seja qual for a sua natureza precisa - realmente existiu&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;strong&gt;.&lt;/strong&gt; [8]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_cHxPyDncuBc/TJuCIJHJXhI/AAAAAAAAAGk/SctHoYX0W10/s1600/200px-15th_century_map_of_Turkey_region.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5520148844669132306" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 150px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_cHxPyDncuBc/TJuCIJHJXhI/AAAAAAAAAGk/SctHoYX0W10/s200/200px-15th_century_map_of_Turkey_region.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Os livros de Apolônio não sobreviveram ao nosso tempo, mas além do livro sobre Astrologia, mencionado acima, ele teria escrito um livro sobre as doutrinas de Pitagoras, um Hino de Louvor a Memória, e um livro sobre Sacríficios. Professor Lendering observa que pelo menos este último livro provavelmente existiu. Ele chega a essa conclusão baseado em uma linha de raciocínio semelhante a do &lt;strong&gt;critério da diferença ou dissimilaridade:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;"&lt;/strong&gt;&lt;em&gt;The treatise On sacrifices certainly existed. Philostratus claims to have seen it 'in several cities and in the houses of several learned men' and claims that 'if anyone should translate it, he would find it to be a grave and dignified composition' (&lt;/em&gt;&lt;a href="http://www.livius.org/ap-ark/apollonius/apollonius09.html#3.41"&gt;&lt;em&gt;LoA 3.41&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt;). &lt;strong&gt;Philostratus' confession that On sacrifices was written in Apollonius' native tongue (probably Aramaean, see &lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;a href="http://www.livius.org/ap-ark/apollonius/apollonius10.html#Language"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;note 5&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;) is at odds with his portrait of Apollonius as a champion of the Greek culture, and this suggests that the book did really exist&lt;/em&gt;.&lt;em&gt;" [&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;a href="http://www.livius.org/ap-ark/apollonius/apollonius04.html#Apollonius%27%20books"&gt;9&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;]&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;(&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;tradução&lt;/span&gt;) &lt;em&gt;"O tratado sobre Sacrifícios certamente existiu. Filóstrato afirma ter visto isso em várias cidades e nas casas de vários homens instruidos e afirma que se alguém o traduzisse, encontraria um livro profundo e dignificante (LOA 3,41). &lt;strong&gt;A confissão de Filóstrato de que "dos sacrifícios" foi escrito na lingua nativa de Apolônio (provavelmente Arameu, ver nota 5) está em desacordo com o seu retrato de Apolônio como um defensor da cultura grega, e isto sugere que o livro realmente existiu&lt;/strong&gt;"&lt;/em&gt; [9]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou seja, o fato de Filostrato mencionar um livro de Apolonio que não foi escrito em grego (mas em uma lingua "barbara"), não atende ao interesses de biógrafo de apresentar Apolonio com um campeão da cultura grega, implicando que ele provavelmente não inventou essa informação. Lendering observa também que a existência do livro é reforçada pelo fato de tanto Porfírio, quanto Eusébio de Cesaréia (que escreveram cerca de 200 anos após a morte de Apolônio), citam um paragrafo de "Dos Sacrifícios" (Da abstinência 2:34; Praeparatio Evangelica, 4:13), que é, por sinal, a única citação de Apolônio que pode ser considerada autêntica com alguma segurança [9]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Filostrato transcreve várias cartas de Apolônio em sua biografia, e uma coleção de cerca de 100 delas chegaram até nós. No entanto, a autenticidade delas esta sujeita a sérias dúvidas. De modo geral, os estudiosos tem constatado que boa parte delas são &lt;em&gt;"obviamente inspiradas por Vida de Apolônio"&lt;/em&gt;[10], outras refletem polêmicas anti-cristãs [10], dos séculos IV e V [11], e algumas outras cartas podem ter sido &lt;em&gt;"herdadas por ele [Filostratõ], de algum falsificador anterior"&lt;/em&gt; &lt;em&gt;[11].&lt;/em&gt; Como n&lt;img class="gl_italic" alt="Itálico" src="http://www.blogger.com/img/blank.gif" border="0" /&gt;ão existem outros escritos de Apolônio,&lt;em&gt; "de autenticidade confirmada, para fazermos a comparação estilística com as cartas. Sobre a maioria destas, devemos nos contentar em expor probabilidades e apresentar linhas especulativas de argumentção" &lt;/em&gt;[11]. Em todo caso, as cartas são &lt;em&gt;"apócrifas, em sua maioria"&lt;/em&gt; [12], . Contudo, observa Lendering, excluidas as cartas inspiradas por Filostrato e as fabricações anti-cristãs posteriores, o restante da coleção apresenta elementos que são mais antigos que a biografia de Filostrato, e mesmo que esse núcleo mais antigo não tenha sido realmente escritas por Apôlonio (é provavel que tenham sido elaboaradas pseudoepigraficamente por volta de 140 DC, em Atenas), o simples fato de alguém as ter fabricado sugere fortemente que já em meados do século II Apolonio era considerado uma figura importante, ou seja, mesmo que sejam falsificações as cartas estam associadas a tradições muito mais antigas, que provavelmente refletem alguma informação autêntica sobre Apolônio [13]. Utilizando um raciocínio análogo ao critério do constrangimento, Lendering observa:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"Reading the letters said to be sent to the Roman philosopher C. Musonius Rufus (c.30-c.100), we get the impression that Musonius is the winner of the polemic [&lt;/em&gt;&lt;a href="http://www.livius.org/ap-ark/apollonius/apollonius10.html#Musonius"&gt;&lt;em&gt;note 4&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt;]; this is, of course, &lt;strong&gt;too embarrassing to be invented by an admirer of the Tyanean. It must antedate the composition of the collection in the 140's,&lt;/strong&gt; and may even reflect a real polemic.&lt;/em&gt; [&lt;a href="http://www.livius.org/ap-ark/apollonius/apollonius03.html#Apollonius%27%20letters"&gt;10&lt;/a&gt;]" (&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;tradução&lt;/span&gt;) &lt;em&gt;Lendo as cartas que teriam sido enviadas para o filósofo romano C. Musonius Rufus (c.30-C.100), ficamos com a impressão de que Musonius é o vencedor da polêmica [nota 4], isto é, &lt;strong&gt;naturalmente, muito constrangedor para ter sido inventado por um admirador do Tianeu, e deve preceder a composição da coleção dos anos 140&lt;/strong&gt;, e pode até refletir uma polêmica real. [13]&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lendering cita também duas outras cartas em que a questão da magia é abordada por Apolonio positivamente, e que, portanto, seriam constragedoras para Filostrato, não tendo sido, portanto, provavelmente inventadas por ele:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"In two letter to Euphrates,#16 e # 17,&lt;strong&gt; we encounter an Apollonius who would have scared Philostratus to death: the author of these letters proudly confesses he is a magician&lt;/strong&gt;, and goes on to give a positive interpretation of that word. &lt;strong&gt;These letters were centainly not invented by Philostratus"&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;strong&gt; [&lt;a href="http://www.livius.org/ap-ark/apollonius/apollonius03.html#Apollonius%27%20letters"&gt;13&lt;/a&gt;]&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;(&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;tradução&lt;/span&gt;) &lt;em&gt;Em duas das cartas ao Eufrates, # 16 e # 17, &lt;strong&gt;encontramos uma Apolônio que teria deixado Filóstrato apavorado: o autor destas cartas orgulhosamente confessa que ele é um mágico&lt;/strong&gt;, e até apresenta uma interpretação positiva da palavra. &lt;strong&gt;Estas cartas certamente não foram inventadas por Filóstrato&lt;/strong&gt;" [13]&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_cHxPyDncuBc/TJuMRf7aN5I/AAAAAAAAAGs/PPA-9mJ6JKM/s1600/220px-Glycon.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5520160000529020818" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 183px; CURSOR: hand; HEIGHT: 200px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_cHxPyDncuBc/TJuMRf7aN5I/AAAAAAAAAGs/PPA-9mJ6JKM/s200/220px-Glycon.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;No que se refere a atestação externa de Apolônio de Tiana, no período pré-Filostrato, existe uma unica breve menção, na obra de &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Lucian"&gt;Luciano de Samosata &lt;/a&gt;(120-190 DC), chamada &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Alexander_the_False_Prophet"&gt;Alexandre, o falso profeta&lt;/a&gt;, escrita por volta de 85 anos após a morte de Apolônio, em cerca de 180 DC, baseada na vida do criador do culto ao deus Glicon, Alexandre de Abonoteichus (105 - 170 DC), que Luciano considerava um charlatão, e que na sua juventude teria sido discípulo de um mágico, seguidor da escola de Apolônio de Tiana (Alexandre, 5:31). O contemporâneo de Filostrato, &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Cassius_Dio"&gt;Cassio Dio &lt;/a&gt;(160-230 DC), escrevendo por volta do ano 229 DC, menciona Apolônio, brevemente, duas vezes, ao descrever o assassinato do Imperador Domiciano (96 DC), ele, de uma forma um tanto zombeteira, diz que Apolônio de Tiana, fazendo um discurso em Éfeso, teve uma premonição no exato momento em que o Imperador era morto (Historia Romana, 67.18.1), episódio que Filostrato também narra (VA 8:26, baseado em uma tradição corrente em Éfeso). Dio também nos diz que o Imperador Caracala (211-217 DC) - filho de Julia Dona, "patrocinadora" de Filostrato - tinha atração por magia e coisas semelhantes, e por isso construiu um santuário para o grande mágico Apolônio em Tiana (Historia Romana 78.18.4).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por fim, devemos citar dois tratados sobre Apolônio citados por Filostrato, mas que não sobreviveram. O primeiro é uma obra que teria sido escrita por um certo Máximo de &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Aegea_(city)"&gt;Aegea&lt;/a&gt;, sobre a infância e a juventude de Apolônio naquela cidade, onde Apolonio servia no templo do deus &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Asclepius"&gt;Asclepio&lt;/a&gt;. De modo geral, o trabalho de Máximo contribuiria pouco para o estudo do Apolônio histórico, e &lt;em&gt;"podemos comparar o livro de Máximo de Aegea com o Proto-Evangelho de Tiago: uma criação cristã do segundo século, que tinha o objetivo de complementar os evangelhos, contando da infância de Jesus. Os díscipulos de Apolonio podem ter sentido uma necessidade similar de informação sobre os primeiros dias de seu herói&lt;/em&gt;"[14]. De Moiragenes, e o que ele teria escrito, quase nada se sabe, Filostrato afirma que seu livro sobre Apolonio era muito pouco confíavel, e não era digno de atenção, pois ele não conhecia suficientemente Apolonio (VA 1.3). Orígenes, afirma que Moiragenes relata o debate entre Eufrates de Tiro, Apolônio e um filosofo epicureu, e retrata Apolonio como mágico e filósofo (Contra Celso 6:41). Professora Maria Dzielska, seguindo &lt;a href="http://www.classics.ox.ac.uk/faculty/directory/buscard.asp?IDno=83"&gt;Ewen Bowie&lt;/a&gt;, data a obra de Moiragenes no meio do século II, anos após discipulos e admiradores de Apolonio terem supostamente fabricado as cartas entre ele e Eufrates de Tiro, (ainda quea possibilidade de Eufrates e Apolônio terem realmente se envolvido em polêmica não possa ser excluida). [15]. Moiragenes poderia ser uma fonte importante, caso sua obra tivesse sobrevivido, ou nós não tivessemos dele apenas um referência e um fragmento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após analisar e situar o caráter geral das fontes sobre Apololonio, o Prof. Lendering passa a avalia-las quanto as informações factuais que podem ser extraidas sobre o filosofo de Tiana. Para isso, utiliza não só o critério do constrangimento, mas também uma metologia muito similar a usada nos estudos do Jesus Histórico:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Having discussed what little we know about the pre-Philostratean traditions, we can try to add things up, using four criteria of authenticity.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Independent confirmation&lt;/strong&gt;: when an author who is not primarily interested in Apollonius confirms something in a source on Apollonius, we may assume that we are approaching the historical truth.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Multiple attestation&lt;/strong&gt;: when independent, pre-Philostratean traditions about Apollonius are in agreement, we may be reasonably certain that they contain some historical truth. The problem with this method is, of course, that it is not always easy to establish independence.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Embarrassment&lt;/strong&gt;: embarrassing information about the man from &lt;/em&gt;&lt;a href="http://www.livius.org/tt-tz/tyana/tyana.html"&gt;&lt;em&gt;Tyana&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt; also has a claim to historical reliability.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Consistency&lt;/strong&gt;: sometimes the truth of statement can be confirmed after other facts have been established [14]. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;(&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;tradução&lt;/span&gt;) &lt;em&gt;Tendo discutido o que pouco se sabe sobre as tradições pré-Filostrateanas, podemos tentar analisar o que temos , usando quatro critérios de autenticidade.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Confirmação Independente:&lt;/strong&gt; quando um autor que não está interessado primeiramente em Apolônio confirma algo em uma fonte de Apolônio, nós podemos assumir que estamos nos aproximando da verdade histórica.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Múltipla Atestação&lt;/strong&gt;: quando tradições pré-Filostrateana sobre Apolônio estão de acordo, podemos estar razoavelmente certos de que eles contêm alguma verdade histórica. O problema com este método é, naturalmente, que nem sempre é fácil estabelecer independência.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Constrangimento&lt;/strong&gt;: informações embaraçosas sobre o homem de Tiana também podem reivindicar confiabilidade histórica.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Consistência&lt;/strong&gt;: às vezes a verdade da afirmação pode ser confirmada após outros fatos já estabelecidos. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com base nesses critérios, Lendering conclui que alguns elementos da tradição são quase certamente factuais, dentre os quais:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name="Against magic"&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;Apollonius was considered a magician&lt;/span&gt;. &lt;strong&gt;Independent confirmation&lt;/strong&gt;: it is taken for granted by &lt;/em&gt;&lt;a href="http://www.livius.org/cao-caz/cassius/cassius_dio.html"&gt;&lt;em&gt;Cassius Dio&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt;, Lucian (the latter referring to a disciple) and Anastasius Sinaitica [&lt;/em&gt;&lt;a href="http://www.livius.org/ap-ark/apollonius/apollonius10.html#Anastasius"&gt;&lt;em&gt;note 8&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt;]. &lt;strong&gt;Fourfold attestation&lt;/strong&gt;: to be found in the Reminiscences of Moeragenes, in the memoirs of Damis, in the Letters of Apollonius, and in the Antiochene tradition. &lt;strong&gt;Embarrassment&lt;/strong&gt;: Philostratus clearly felt uncomfortable with this, and three times offers apologies.&lt;/em&gt; [&lt;a href="http://www.livius.org/ap-ark/apollonius/apollonius07.html#Evaluation"&gt;16&lt;/a&gt;]&lt;br /&gt;(&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;tradução&lt;/span&gt;) &lt;em&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;Apolônio era considerado um mago&lt;/span&gt;. Confirmação independente: é aceito por Cassio Dio, Luciano (este último referindo-se a um discípulo) e Anastácio Sinaitica nota [8]. Atestação quadupla: é encontrada nas reminiscências de Moeragenes, nas memórias de Damis, nas Cartas de Apolônio, e na tradição de Antioquia. Constrangimento: Filóstrato claramente sentiu desconfortável com isso, e três vezes oferece desculpas.&lt;/em&gt; [16]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fato de Luciano e Cassio Dio tenham escrito cerca de 80 a 130 anos após a morte de Apôlonio - e suas menções sejam breves, e possam refletir apenas o conhecimento comum sobre o filósofo em suas respectivas épocas - teria valor histórico limitado como testemunho independente (assim como &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Anastasius_Sinaita"&gt;Anastasius Sinaita&lt;/a&gt;, que morreu por volta do ano 700) . No entanto, ambos &lt;strong&gt;confirmam independentemente&lt;/strong&gt; Apolônio como mágico, imagem também &lt;strong&gt;multiplamente atestada&lt;/strong&gt; em elementos das tradições pré-filostratianas, no pseudo "Damis", na tradição local de Antioquia no século III, e em algumas cartas atribuidas a Apolônio - identificadas com base na sua &lt;strong&gt;resistência a tendência redacional em Filostrato&lt;/strong&gt;, que queria apresentar Apolônio como sábio, homem divino e campeão da cultura grega, e tentou de todas as formas apagar a percepção&lt;strong&gt; constrangedora&lt;/strong&gt; de Apolônio como mágico - bem como em Moiragenes. Isoladamente, as referências tardias a Apolônio e a natureza problematica das tradições pre-filostratianas tem pouca relevância do ponto de vista histórico, contudo, tomadas em conjunto com os elementos constrangedores, nos dão confiança de que esses mesmos elementos são provavelmente factuais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um situação semelhante nos estudos do Jesus Histórico é o fato da &lt;strong&gt;crucificação de Jesus. &lt;/strong&gt;Como exercício, colocando de lado por um momento o fato aceito pela grande maioria dos estudiosos de que Josefo provavelmente se referiu a Jesus (o que nos fornece, por si só, confirmação mais do que suficiente de que ele foi crucificado por Pilatos), o fato de termos &lt;strong&gt;confirmação independente&lt;/strong&gt; em Tácito e Luciano de Samosata, 80 e 140 anos após a morte de Jesus, se referirem a sua crucificação (intervalo similar ao de Apolônio), que Paulo, Marcos, João e, possivelmente, Q &lt;strong&gt;atestarem multiplamente&lt;/strong&gt; esse fato, combinado com o&lt;strong&gt; constrangimento,&lt;/strong&gt; pelo fato de que a crucificação era uma forma de morrer vergonhosa, um &lt;em&gt;escândalo&lt;/em&gt; para os judeus, e &lt;em&gt;vergonh&lt;/em&gt;a para os gregos (I Corintios 1:23). Isoladamente, Luciano e Tácito contam pouco, e alguns tem adotado uma postura fortemente cética quanto as tradições evangélicas, mas, quando tomamos em conjunto com elemento constrangedor da execução vergonhosa, é muito díficil negar a factualidade da crucificação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;Apollonius wrote a book On astrology&lt;/span&gt;. Twofold attestation: On astrology is mentioned by Moeragenes and Damis. Embarrassment: Philostratus expresses his disbelief about the existence of On astrology [&lt;a href="http://www.livius.org/ap-ark/apollonius/apollonius07.html#Evaluation"&gt;16&lt;/a&gt;]&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;(&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;tradução&lt;/span&gt;) &lt;em&gt;Apolônio escreveu um livro sobre astrologia. &lt;strong&gt;Atestação dupla&lt;/strong&gt;: "Da Astrologia" é mencionado por Moeragenes e Damis. &lt;strong&gt;Constrangimento&lt;/strong&gt;: Filóstrato manifesta sua descrença sobre a existência desse livro&lt;/em&gt; [16]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui também a combinação de um elemento que é multiplamente atestado e a mesmo tempo criava problemas para Filostrato indica fortemente que Apolonio realmente escreveu um livro sobre Astrolgia. Um pararelo aproximado nos estudos do cristianismo primitivo, são os ditos multiplamente atestado em que Jesus prega a vinda iminente do Reino de Deus (ex. Marcos 1:15, 14:25, Lc 11:2, Mt 8:11, Lc 6:17-20), e o problema causado já na segunda e terceira gerações de cristão que não viram a manifestação vísivel desse Reino e questionavam &lt;em&gt;"onde esta a promessa de sua vinda"&lt;/em&gt; (II Pedro 3:11), ou a explicação em João a irmãos que acreditavam que o discipulo amado não morreria até a vinda de Jesus (João 21:23).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CONTINUA&lt;br /&gt;------------------------------------------------------------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Referências Bibliograficas&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;[1] Jona Lendering, &lt;em&gt;Apollonius of Tyana, &lt;/em&gt;Parte 1: "&lt;em&gt;Philostratus' Life of Apollonius", &lt;/em&gt;disponível em &lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;a href="http://www.livius.org/ap-ark/apollonius/apollonius01.html#Life"&gt;http://www.livius.org/ap-ark/apollonius/apollonius01.html#Life&lt;/a&gt;, acessado 20.09.2010&lt;br /&gt;[2] Maria Dzielska (1986), &lt;em&gt;Apollonius of Tyana in legend and history, &lt;/em&gt;fl. 185&lt;br /&gt;[3] Ewen Lyall Bowie (1978), &lt;em&gt;Apollonius of Tyana&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Tradition and Reality, &lt;/em&gt;in ANRW, 2.16.2, fls. 1685-1686.&lt;br /&gt;[4] Maria Dzielska (1986), Apollonius of Tyana in legend and history, fl. 19&lt;br /&gt;[5] Maria Dzielska (1986), Apollonius of Tyana in legend and history, fl. 190-191&lt;br /&gt;[6] John Ferguson (1970) Religions of Roman Empire, fl. 182&lt;br /&gt;[7] Jan Jaap Flinterman, Sumário de &lt;em&gt;Politiek, Paideia &amp;amp; Pythagorisme&lt;/em&gt; (1993), disponível em &lt;a href="http://www.xs4all.nl/~flinterm/Power-Paideia-Pythagoreanism.html"&gt;http://www.xs4all.nl/~flinterm/Power-Paideia-Pythagoreanism.html&lt;/a&gt;, acessado em 20.09.2010 [8] Jona Lendering, &lt;em&gt;Apollonius of Tyana&lt;/em&gt;, Parte 6: &lt;em&gt;"Damis of Niniveh"&lt;/em&gt; disponível online &lt;a href="http://www.livius.org/ap-ark/apollonius/apollonius06.html#Damis"&gt;http://www.livius.org/ap-ark/apollonius/apollonius06.html#Damis&lt;/a&gt;, acessado em 20.09.2010&lt;br /&gt;[9] Jona Lendering, &lt;em&gt;Apollonius of Tyana&lt;/em&gt;, Parte 4: &lt;em&gt;"Apollonius Books", &lt;/em&gt;disponivel online&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.livius.org/ap-ark/apollonius/apollonius04.html#Apollonius%27%20books"&gt;www.livius.org/ap-ark/apollonius/apollonius04.html#Apollonius%27%20books&lt;/a&gt;, 20.09.2010&lt;br /&gt;[10] Jona Lendering, Apollonius of Tyana, Parte 3: &lt;em&gt;"Apollonius' Letters",&lt;/em&gt; disponivel online&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.livius.org/ap-ark/apollonius/apollonius03.html#Apollonius%27%20letters"&gt;www.livius.org/ap-ark/apollonius/apollonius03.html#Apollonius%27%20letters&lt;/a&gt;, 20.09.2010&lt;br /&gt;[11] Robert J. Penella (1979) &lt;em&gt;The letters of Apollonius of Tyana: a critical text with prolegomena, translation and commentary&lt;/em&gt;, fls 24-25 e 28.&lt;br /&gt;[12] Maria Dzielska (1986), &lt;em&gt;Apollonius of Tyana in legend and history&lt;/em&gt;, fl. 190&lt;br /&gt;[13] Jona Lendering, &lt;em&gt;Apollonius of Tyana&lt;/em&gt;, Parte 3: &lt;em&gt;"Apollonius' Letters"&lt;/em&gt;, disponivel online &lt;a href="http://www.livius.org/ap-ark/apollonius/apollonius03.html#Apollonius%27%20letters"&gt;www.livius.org/ap-ark/apollonius/apollonius03.html#Apollonius%27%20letters&lt;/a&gt;, 20.09.2010&lt;br /&gt;[14] Jona Lendering, &lt;em&gt;Apollonius of Tyana&lt;/em&gt;, Parte 5: "Other Sources", disponivel online &lt;a href="http://www.livius.org/ap-ark/apollonius/apollonius05.html"&gt;http://www.livius.org/ap-ark/apollonius/apollonius05.html&lt;/a&gt;, 20.09.2010&lt;br /&gt;[15] Maria Dzielska (1986), Apollonius of Tyana in legend and history, fl. 45-46&lt;br /&gt;[16] Jona Lendering, &lt;em&gt;Apollonius of Tyana&lt;/em&gt;, Parte 7: &lt;em&gt;"Evaluation of the sources"&lt;/em&gt;, disponivel online &lt;a href="http://www.livius.org/ap-ark/apollonius/apollonius05.html"&gt;http://www.livius.org/ap-ark/apollonius/apollonius05.html&lt;/a&gt;, 20.09.2010&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16935532-307732611631641032?l=adcummulus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://adcummulus.blogspot.com/feeds/307732611631641032/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16935532&amp;postID=307732611631641032&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16935532/posts/default/307732611631641032'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16935532/posts/default/307732611631641032'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://adcummulus.blogspot.com/2010/09/os-criterios-do-constrangimento-e-da_14.html' title='Os Critérios do Constrangimento e da Diferença e seus análogos fora da Pesquisa Histórica do Novo Testamento: Parte 3'/><author><name>Nehemias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05093459549722450363</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_cHxPyDncuBc/TJfBkMZ_1yI/AAAAAAAAAGU/0wSpYwi5eY4/s72-c/200px-Severan_dynasty_-_tondo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16935532.post-5629908171074440063</id><published>2010-09-10T18:21:00.010-03:00</published><updated>2011-06-29T16:31:27.150-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='serie constrangimento e diferença'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='metodologia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='critérios históricos'/><title type='text'>Os Critérios do Constrangimento e da Diferença e seus análogos fora da Pesquisa Histórica do Novo Testamento: Parte 2</title><content type='html'>No &lt;a href="http://adcummulus.blogspot.com/2010/08/os-criterios-do-constrangimento-e-da.html"&gt;post anterior&lt;/a&gt;, analisamos as bases historiográficas dos critérios da diferença com a igreja primitiva (CDC) e do constrangimento (ou embaraçamento) utilizados na pesquisa do Jesus Histórico, e a aplicação de princípio analogo na análise das narrativas da República Romana no século V AC. Neste post vamos estudar outro exemplo de como historiadores utilizam esses princípios, agora para as as narrativas de Tito Lívio, de duas importantes figuras da historia romana, Marcus Manlius Capitulinos e Marcus Furius Camillus, que viveram na primeira metade do sec. IV AC.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_cHxPyDncuBc/TIVap5HL1gI/AAAAAAAAAF8/18yJ9DnojsM/s1600/220px-Paul_Jamin_-_Le_Brenn_et_sa_part_de_butin_1893.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5513912994537133570" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 148px; CURSOR: hand; HEIGHT: 200px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_cHxPyDncuBc/TIVap5HL1gI/AAAAAAAAAF8/18yJ9DnojsM/s200/220px-Paul_Jamin_-_Le_Brenn_et_sa_part_de_butin_1893.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;strong&gt;Exemplo 2: O Saque de Roma e História de Dois Heróis &lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;Após um século de muitas dificuldades, parecia que a sorte de Roma havia mudado para muito melhor. Segundo Lívio, por volta de 396 AC, os romanos, sob o comando de Marcus Furius Camillus, capturaram a cidade de &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Veii"&gt;Veii&lt;/a&gt;, uma de suas arqui-rivais e mais poderosas inimigas. Pouco tempo depois, apos vencer os &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Falerii"&gt;Falerii &lt;/a&gt;últimos aliados dos Veii, e Roma se torna a potência mais importante do Centro da Itália.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Nesse momento, ocorre a catástrofe. Por volta de 390 AC (ou 387 AC), uma horda celta, da tribo dos &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Senones"&gt;senones&lt;/a&gt;, partindo do &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Rio_P%C3%B3"&gt;Vale do Rio Pó&lt;/a&gt;, invadiram o centro da Itália, e eventualmente entraram em conflito com os Romanos. Segundo &lt;a href="http://www.perseus.tufts.edu/hopper/text?doc=Perseus%3Atext%3A1999.02.0026%3Abook%3D5%3Achapter%3D38"&gt;Tito&lt;/a&gt; &lt;a href="http://www.perseus.tufts.edu/hopper/text?doc=Perseus%3Atext%3A1999.02.0026%3Abook%3D5%3Achapter%3D38"&gt;Lívio&lt;/a&gt;, os dois exércitos se enfrentaram na &lt;a href="http://www.livius.org/fo-fz/furius/camillus3.html#Gauls"&gt;Batalha de Allia&lt;/a&gt;, e os romanos sofreram uma &lt;a href="http://www.livius.org/aj-al/allia/allia.html"&gt;maiores derrotas &lt;/a&gt;de sua história, resultando na invasão e saque da própria Roma, com excessão do coração fortificado da cidade, situado na Colina Capitolina, o &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Capitoline_Hill"&gt;Capitólio&lt;/a&gt;, para onde também parte do exército e a aristocracia se refugiaram. Muitos habitantes fugiram, buscando abrigo na cidade aliada de &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Caere"&gt;Caere&lt;/a&gt;. Ainda &lt;a href="http://www.perseus.tufts.edu/hopper/text?doc=Liv.+5+39&amp;amp;fromdoc=Perseus%3Atext%3A1999.02.0026"&gt;segundo&lt;/a&gt; &lt;a href="http://www.perseus.tufts.edu/hopper/text?doc=Perseus%3Atext%3A1999.02.0026%3Abook%3D5%3Achapter%3D40"&gt;a&lt;/a&gt; &lt;a href="http://www.perseus.tufts.edu/hopper/text?doc=Perseus%3Atext%3A1999.02.0026%3Abook%3D5%3Achapter%3D41"&gt;tradição&lt;/a&gt;, os gauleses devastaram a cidade e mantiveram o cerco do Capitólio durante sete meses, e eventualmente entraram em negociações com os romanos, que, em desespero, &lt;a href="http://www.perseus.tufts.edu/hopper/text?doc=Liv.+5+48&amp;amp;fromdoc=Perseus%3Atext%3A1999.02.0026"&gt;concordaram em pagar &lt;/a&gt;cerca de meia tonelada de ouro para que os invasores fossem embora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda que a evidência arqueológica relativa ao saque seja, no mínimo, muito problemática [1][2][3], e as primeiras menções ao evento datem de várias décadas após o fato, e tenham sido conservadas apenas por breves citações em autores posteriores, e as fontes escritas existentes como estejam distanciadas do fato em alguns séculos (como nossa principal fonte, &lt;a href="http://www.perseus.tufts.edu/hopper/text?doc=Liv.+5.34&amp;amp;redirect=true"&gt;Tito Lívio&lt;/a&gt;, que escreveu por volta de 30 AC), não há dúvidas sobre a historicidade do evento [4]. A memória do saque permaneceu viva entre os romanos por séculos, tendo sido sua mais humilhante derrota junto com &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Battle_of_Cannae"&gt;Canas&lt;/a&gt; (216 AC) e &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Battle_of_Adrianople"&gt;Adrianópolis&lt;/a&gt; (378 DC). Somente 800 anos depois, em 410 DC, os romanos teriam o desprazer de verem sua amada cidade saqueada novamente, agora pelos Godos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A esta altura, devemos mencionar dois heróis que tiveram participação proeminente antes, durante e depois da tragédia, e como também aqui princípios análogos dos critérios do constrangimento e dissimilaridade tem ajudado os historiadores.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;a) Marcus Manlius Capitolinus&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_cHxPyDncuBc/TIkSJjSfzNI/AAAAAAAAAGM/SUIk6wLCGns/s1600/200px-Campitelli_-_rupe_Tarpea_1060740.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5514959173992828114" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 150px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_cHxPyDncuBc/TIkSJjSfzNI/AAAAAAAAAGM/SUIk6wLCGns/s200/200px-Campitelli_-_rupe_Tarpea_1060740.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;A &lt;a href="http://www.perseus.tufts.edu/hopper/text?doc=Perseus%3Atext%3A1999.02.0026%3Abook%3D5%3Achapter%3D47"&gt;tradição&lt;/a&gt; nos conta que no momento mais dramático da história de Roma -, a cidade ocupada, saqueada e devastada pelos gauleses, e os sobreviventes refugiados entre as cidades aliadas, ou encurralados no Capitólio - numa certa noite, os invasores tentaram subjugar esse último foco de resistência, escalando a Colina Capitolina, e quase atingiram seu objetivo. Os romanos foram salvos pelos gansos sagrados do Templo de Juno - que começaram a grasnar e alertaram os defensores - e pela valentia de Marcus Manlius que repeliu os invasores naquela e em todas as vezes que tentaram por os pés na citadela. Marcus Manlius "Capitolinus" foi aclamado pelo povo e pela tropa como um dos maiores heróis de Roma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tempo passou, e finda a invasão, os romanos rapidamente se recuperaram. Contudo, muitos se endividaram e se empobreceram, criando um grave problema social. &lt;a href="http://www.perseus.tufts.edu/hopper/text?doc=Liv.+6+14&amp;amp;fromdoc=Perseus%3Atext%3A1999.02.0026"&gt;Segundo Lívio&lt;/a&gt;, certa vez Marcus Manlius encontrou no fórum um centurião e bravo soldado que, incapaz de pagar suas dívidas, estava sendo vendido como escravo. Capitolinus se enfureceu com a cena, fez um belo discurso e pagou a dívida do veterano guerreiro. Um gesto nobre, sem dúvida. Contudo, o fim de M. Manlius não foi feliz. Em 385 AC, cada vez mais popular entre os plebeus, Capitolinus liderou uma sedição, foi preso sob a acusação de tentar se tornar Rei. Lívio nos &lt;a href="http://www.perseus.tufts.edu/hopper/text?doc=Liv.+6+20&amp;amp;fromdoc=Perseus%3Atext%3A1999.02.0026"&gt;diz&lt;/a&gt; que quando ele foi levado a diante da Assembléia, o povo viu o Capitólio, e lembrou dos atos heroicos de Manlius, e não conseguiram condena-lo. Os tribunos, inconformados, reuniram novamente o Assémbleia, de um lugar em que o Capitólio não pudesse ser visto, e dessa vez Marcus Manlius foi condenado e jogado da &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Tarpeian_Rock"&gt;Rocha Tarpéia&lt;/a&gt;, no mesmo Monte Capitólino que Marcus Manlius um dia defendera. Sua família, &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Manlia_(gens)"&gt;os Manlii&lt;/a&gt;, ficaram tão envergonhados com o morte desonrosa de seu ilustre parente, que juraram entre si que nunca mas nenhum deles usaria o nome Marcus (Livio, 6.20.14).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A história de M. Manlius é vista com desconfiança entre os historiadores. Além do relato de Lívio ter sido escrito séculos após os acontecimentos, o Professor &lt;a href="http://www.depts.ttu.edu/historydepartment/faculty/profiles/forsythe_gary.php"&gt;Gary Forsythe&lt;/a&gt;, do Departamento de História da Texas Tech University, observa que a narrativa de Lívio é literariamente muito influenciada pelas tensões existentes em Roma no final do período Repúblicano, particularmente da &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Catiline"&gt;Conspiração de Catilina &lt;/a&gt;(cerca de 60 AC), e portanto pouco confíavel. Contudo, com um raciocínio análogo ao do critério do constrangimento, o Professor Forsythe afirma que alguns fatos básicos ainda podem ser estabelecidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"Nevertheless, despite these fictitious accreations from the political climate of the late republic, &lt;strong&gt;one single fact seems to demonstrate beyond reasonable doubt that some kind of major disturbance caused by M Manlius did in fact take place. Following his execution the Manlian clan agreed among themselves that henceforth no Manlius would bear the name Marcus, since the most recent bearer of this praenom had proven to be inauspicius and even dangerous to the state&lt;/strong&gt; (Livy 6.20.14). Indeed the subsequent history of the patrician Manlii contains no one named Marcus. &lt;/em&gt;[5]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;(tradução) &lt;em&gt;&lt;span style="color:#333333;"&gt;"No entanto, apesar destas incrustações de material fictício resultantes do clima político da República Tardia, &lt;strong&gt;um único fato parece demonstrar além de qualquer dúvida razoável que algun tipo de grave tumulto causado por M Manlius, aconteceu de fato. Depois de sua execução o clã Manli firmou um compromisso entre si que, doravante, nenhum Manlius seria chamado Marcus, uma vez que o portador mais recente do nome tinha provado ser inauspicioso e até mesmo perigoso para o estad&lt;/strong&gt;o (Tito Lívio 6.20.14). Na verdade na história subsequente do clã patrício Manlii não há ninguém chamado Marcus.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Ou seja, ainda que Capitolinus tenha sido um herói, e extremamente popular, o constrangimento causado por sua morte vergonhosa faz com que nenhum de seus descendentes usasse esse nome. O fato que os Manlii (e os outros romanos) tenham ficado embaraçados com esse fato é forte evidencia que não foi inventado. Que realmente Marcus Manlius, o herói do Capitólio, foi executado como conspirador. O Professor &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Tim_Cornell"&gt;Timothy J Cornell&lt;/a&gt;, da Universidade de Manchester concorda com o raciocínio de Forsythe, e usa o episódio constrangedor como prova da historicidade de Marcus Manlius (já que não há evidência contemporânea ou semi contemporânea de sua existência).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"This romance was spun out of a very few authentic facts. &lt;strong&gt;But we can be sure that some kind of upheaval did take place, and that Manlius was a historical person&lt;/strong&gt;. This is borne out by centain incidental details, &lt;strong&gt;for example the story that after his death the manlii decreed that in future no member of the clan should ever again be called Marcus&lt;/strong&gt; (a rule that was rigid observed, as far we know).&lt;/em&gt; "[6]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;tradução&lt;/span&gt;) &lt;em&gt;Este romance foi tecido a partir de muito poucos fatos autênticos. &lt;strong&gt;Mas podemos ter certeza de que algum tipo de revolta realmente aconteceu e que Manlius realmente existiu.&lt;/strong&gt; Esta conclusão é corroborada por alguns detalhes incidentais, como por exemplo &lt;strong&gt;a história que, depois de sua morte, os Manlii firmaram entre si um compromisso de que, no futuro, nenhum membro do clã seria chamado Marcus&lt;/strong&gt; (uma regra que foi rígidamente observada, até onde sabemos).&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;b) Marcus Furius Camillus&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_cHxPyDncuBc/TIVa5hqYkGI/AAAAAAAAAGE/z0stjnBxuv0/s1600/350px-Firenze_PalVecchio03.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5513913263120224354" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 150px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_cHxPyDncuBc/TIVa5hqYkGI/AAAAAAAAAGE/z0stjnBxuv0/s200/350px-Firenze_PalVecchio03.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;Marcus Furius Camillus foi um dos mais celebrados líderes da República Romana. A &lt;a href="http://www.perseus.tufts.edu/hopper/text?doc=Liv.+5+21&amp;amp;fromdoc=Perseus%3Atext%3A1999.02.0026"&gt;tradição&lt;/a&gt; nos conta que ele, eleito ditador, derrotou e capturou a cidade de Veii, a qual já nos referimos, aumentando o território de Roma em 70 %, e expandindo muito seus recursos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Contudo, o grande feito de Camilo foi sua participação na resistência contra os gauleses. Segundo a &lt;a href="http://www.perseus.tufts.edu/hopper/text?doc=Liv.+5+32&amp;amp;fromdoc=Perseus%3Atext%3A1999.02.0026"&gt;tradição&lt;/a&gt;, após ter sido acusado de apropriar mais do que era devido dos espólios na conquista de Falerii, Camillus, magoado, se auto exilou na cidade de &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Ardea_(RM)"&gt;Ardea&lt;/a&gt;. Pouco depois, lhe chegou a &lt;a href="http://www.perseus.tufts.edu/hopper/text?doc=Liv.+5+43&amp;amp;fromdoc=Perseus%3Atext%3A1999.02.0026"&gt;notícia&lt;/a&gt; da catastrófica derrota romana em Allia. Camillus &lt;a href="http://www.perseus.tufts.edu/hopper/text?doc=Perseus%3Atext%3A1999.02.0026%3Abook%3D5%3Achapter%3D45"&gt;reuniu&lt;/a&gt; tropas fugitivas e buscou a ajuda de aliados, &lt;a href="http://www.perseus.tufts.edu/hopper/text?doc=Perseus%3Atext%3A1999.02.0026%3Abook%3D5%3Achapter%3D46"&gt;enviou&lt;/a&gt; mensageiros aos senadores sitiados (que o nomearam , novamente, ditador) e, enquanto os gauleses cercavam o Capitolio, organizou um novo exército para Roma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.perseus.tufts.edu/hopper/text?doc=Perseus%3Atext%3A1999.02.0026%3Abook%3D5%3Achapter%3D48"&gt;Continuando&lt;/a&gt;, Camillus empreendeu sua marcha para Roma, e encontrou os gauleses em negociação pelo resgate da cidade. &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Brennus_(4th_century_BC)"&gt;Breno&lt;/a&gt;, o líder dos gauleses, estava acampado a sete meses na cidade, e enfrentava problemas com comida e doenças. Conseguiu contudo um vultoso resgate, cerca de meia tonelada de ouro. Quando os romanos trouxeram o ouro, perceberam que os pesos estavam adulterados. Quando reclamaram, Breno aproveitou a oportunidade para lhes impor mais uma humilhação. Colocou sua espada sobre os pesos, e disse &lt;em&gt;"Vai, victes"&lt;/em&gt; (Ai dos vencidos). Segundo Livio, Camillus &lt;a href="http://www.perseus.tufts.edu/hopper/text?doc=Perseus%3Atext%3A1999.02.0026%3Abook%3D5%3Achapter%3D49"&gt;chegou&lt;/a&gt; nessa hora. E fez os gauleses pagar por sua arrogância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi aclamado como herói. O segundo &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Romulus_and_Remus"&gt;Rômulo&lt;/a&gt;. A tradição exalta a capacidade e o brilhantismo de Camillus. Ele é lembrado como o grande líder que salvou Roma, e conduziu sua reconstrução. Serviu como &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Tribuni_militum_consulari_potestate"&gt;tribuno militar com poderes consulares &lt;/a&gt;cinco vezes, e &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Roman_dictator"&gt;ditador&lt;/a&gt; outras cinco vezes, venceu importantes batalhas, e mediou as tensões entre patrícios e plebeus, conseguindo apoio político para a aprovação da importantíssima &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Lex_Licinia_Sextia"&gt;Lei Licinia Sexta&lt;/a&gt;, entre outras realizações. Nossas fontes apresentam Camillus como a figura dominante na história romana após o saque gaulês.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, &lt;em&gt;"os historiadores modernos não deixaram esta edificante estória intocada"&lt;/em&gt; [7], observando os varios problemas da tradição, em que o &lt;em&gt;"infatigavel Camillus surge aqui, lá,&lt;/em&gt; &lt;em&gt;e em todo lugar&lt;/em&gt;", e em que&lt;em&gt; "muitos incidentes são obviamente duplicados e alguns, simplesmente inventados, em face do orgulho familiar ou nacional"&lt;/em&gt; [8]; e chamando os feitos de Camillus (e de M. Manlius Capitolinus) relacionados ao Saque Galico de &lt;em&gt;"ficção histórica"&lt;/em&gt;[9]. No entanto, reconhecem que há um núcleo histórico na narrativa, que Camillus existiu e foi uma figura muito importante no período [7], que &lt;em&gt;"com essas advertências em mente, o relato tradicional pode ser seguido"&lt;/em&gt; [8], e que a narrativa de Lívio &lt;em&gt;"contém uma complexa mistura de fatos básicos e sólidos, embelezados e elaborados" &lt;/em&gt;[9].&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também aqui, o constrangimento e diferença na tradição nos ajudam a reconhecer esses fatos brutos ou básicos. &lt;a href="http://www.livius.org/about.html"&gt;Jona Lendering&lt;/a&gt;, que foi professor de Teoria da História e Historia Antiga na Universidade Livre de Amsterdã, faz as seguintes &lt;a href="http://www.livius.org/fo-fz/furius/camillus4.html"&gt;observações&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;According Livy, Sextius and Licinius remained in office for ten years, and they even forbade the election of magistrates for five years. &lt;strong&gt;Livy also states that Camillus was made dictator in 368&lt;/strong&gt;. The official reason was the war against Velitrae in the south, but it was (still according to Livy) clear to anyone that he was in fact chosen by the patricians to put an end to the demands of the two tribunes. &lt;strong&gt;Almost immediately, he was forced to resign&lt;/strong&gt;. &lt;strong&gt;Livy is unable to explain why - and this strongly suggests that the story is true. If someone had invented Camillus' dictatorship, he would not have invented his lack of success; and if the dictatorship was fictious, the inventor would have invented a motive why it was unsuccessful&lt;/strong&gt;.&lt;/em&gt; [10]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;tradução&lt;/span&gt;) &lt;em&gt;Segundo Tito Lívio, Sextius e Licínio permaneceram no cargo por dez anos, e eles ainda proibiram a eleição de magistrados por cinco anos. &lt;strong&gt;Lívio afirma ainda que Camillus foi eleito ditador em 368&lt;/strong&gt;. O motivo oficial foi a guerra contra o Velitrae no sul, mas era (ainda de acordo com Livio) evidente para todos que ele foi, na verdade, escolhido pelos patrícios para pôr fim às demandas dos dois tribunos. &lt;strong&gt;Quase imediatamente, ele foi forçado a demitir-se. Tito Lívio é incapaz de explicar porque - e isto sugere fortemente que a história é verdadeira. Se alguém tivesse inventado a ditadura de Camilus, não teria inventado a sua falta de sucesso e, se a ditadura era fictício, o inventor teria inventado um motivo pelo qual não foi bem sucedida.&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Temos aqui um caso de utilização de um análogo do &lt;strong&gt;critério do constrangimento ou resistência a tendência redacional&lt;/strong&gt;. A tradição exalta Camillus e seus feitos, e o posiciona como elemento decisivo para a resolução das principais crises do periodo, políticas e militares. Assim, observa o Professor Lendering, se a mesma tradição afirma que ele foi escolhido para um cargo em que tinha plenos poderes (ditador), e não foi bem sucedido, e não apresenta uma razão, &lt;strong&gt;temos um fato que resiste (fortemente) a tendência e aos interesses da fonte&lt;/strong&gt;, e que portanto não deve ter sido inventado, sugerindo fortemente que Camilo realmente foi eleito ditador em 368 DC, e pouco depois renunciou ao cargo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na República Romana, em situações de grave crise ou iminente perigo para o estado, um ditador poderia ser eleito. Era um magistrado com poderes amplos e excepcionais, com ascendência sobre os consules, o senado e demais oficiais. Para que não fosse tentado a se perpertuar no poder e/ou tornar-se um tirano, seu mandato era limitado a seis meses, devendo prestar contas de seus atos quando deixasse o poder. Um exemplo de ditador escolhido para um momento de grave crise é o de &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Quintus_Fabius_Maximus_Verrucosus"&gt;Quintus Fabius Maximus Verrucosus Cunctator&lt;/a&gt;, eleito em 216 AC após a catastrófica derrota de Canas, contra os cartagineses (liderados por &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Hannibal_Barca"&gt;Anibal Barca&lt;/a&gt;). Desta forma, se aceitarmos como fato que Camillus foi eleito ditador em 368 AC, por um &lt;em&gt;critério de coerência&lt;/em&gt;, podemos concluir, como fato provavel, que ele era influente e considerado pelos seus contemporâneos como suficientemente experiente, confiável e capaz para exercer a função, tanto do ponto de vista político como militar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um outro episódio em que os historiadores da Roma antiga tem utilizado uma linha de raciocício similar ao do critério do constangimento, é o papel de Camillus na expulsão dos gauleses e na libertação da cidade. &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Howard_Hayes_Scullard"&gt;Howard H. Scullard&lt;/a&gt;, que foi professor de Historia Antiga da Universidade de Londres, observa o seguinte:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"After a siege of seven months the defenders were forced by famine to offer the gauls a thousand pounds of gold to withdraw. But even as the gold was being weighed Camillus and his men appeared and drove the gauls out of the city. &lt;strong&gt;This last incident is plinly designed to retrieve Roman honour&lt;/strong&gt;. &lt;strong&gt;The story of Camillus' exile was perhaps invented to save the conqueror of Veii from blame for the catastrophe&lt;/strong&gt; and in order that he might be able to rally the survivors outside Rome;&lt;/em&gt; [11]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;tradução&lt;/span&gt;) &lt;em&gt;"Depois de um cerco de sete meses, os defensores foram forçados pela fome para oferecer os gauleses mil quilos de ouro para que eles se retirassem. Mas no momento que o ouro era pesado, Camillus e os seus homens apareceram e expulsaram os gauleses para fora da cidade.&lt;strong&gt; Este último incidente é claramente elaborado para recuperar a honra romana. A história do exílio de Camilo foi possivelmente inventada para salvar o conquistador de Veii da culpa para a catástrofe&lt;/strong&gt; e para que ele pudesse ser capaz de reunir os sobreviventes fora de Rom&lt;/em&gt;a;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Professor Gary Forsythe faz considerações semelhantes:&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"&lt;strong&gt;In order to dissociate Rome's great hero from the disaster at the Allia and Gauls' seizure of Rome, the ancient tradition conveniently removed him&lt;/strong&gt; from the political scene by reporting him driven into the exile in the year before the Gallic catastrophe because of a dispute with the foolish and ungrateful Roman people over the issue of the booty taken from Veii (Livy 5-32.7-9). He could then be described as having been formally recalled from exile and appoited dictator in Rome's great hour of need (Livy 5.46.4-11), and in the Livian narrative he is depicted as arriving in Rome at the head of an army just as the ransom of a thousand pounds of gold has been weighed out (Livy 5.48.8-49.5). &lt;strong&gt;Thus, like the U.S Cavalry in a melodramatic Hollywood movie, Camillus comes just in time to rescue Roman from their greatest humilation by defeating the Gauls on the spot and taking back the ransom"&lt;/strong&gt; &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;(&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;tradução&lt;/span&gt;) "&lt;strong&gt;A fim de dissociar o grande herói de Roma do desastre de Allia e do saque gaulês de Roma, a antiga tradição convenientemente o remove da cena política&lt;/strong&gt;, reportando como ele se dirigiu para o exílio no ano anterior a catástrofe gaulesa por causa de uma disputa com o tolo e ingrato povo romano sobre a questão do espólio retirado de Veii (Tito Lívio 5-32.7-9). Ele pode assim ser descrito como tendo sido formalmente lembrado de seu exílio e nomeado ditador no momento de maior necessidade de Roma (Tito Lívio 5.46.4 -11), e na narrativa Liviana ele é descrito como chegando em Roma, na frente de um exército no momento em que o resgate de mil libras de ouro estava sendo pesado (Tito Lívio 5.48.8-49.5). &lt;strong&gt;Assim, como Cavalaria Americana em um filme melodramático de Hollywood, Camillus chega no momento exato para salvar os romanos de sua maior humilação, derrotando os gauleses ali mesmo e tomando de volta o resgate "&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Aqui a humilhação e o &lt;strong&gt;constrangiment&lt;/strong&gt;o decorrentes da catastrófica derrota para os gauleses, faz com que a tradição &lt;strong&gt;i)&lt;/strong&gt; retire convenientemente o grande herói Camillus da Batalha de Allia e captura de Roma pelo inimigo &lt;strong&gt;ii)&lt;/strong&gt; Ao invés dos gauleses terem se retirado por estarem enfrentando as limitações típicas de um cerco prolongado, sofrendo doença e limitação de suprimentos, e a custa de um vultoso resgate, são enxotados de Roma por Camillus e seu exército, que resgata a cidade com "ferro e não com ouro". &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Referências Bibliográficas&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;[1] Timothy J. Cornell (1989) Rome and Latium to 390 BC in Frank W. Walbank... fl. 308&lt;br /&gt;[2] Jona Lendering, &lt;em&gt;Marcus Furius Camillus&lt;/em&gt;, Parte 3, &lt;a href="http://www.livius.org/fo-fz/furius/camillus3.html#Gauls"&gt;http://www.livius.org/fo-fz/furius/camillus3.html#Gauls&lt;/a&gt;, acessado em 10.09.2010&lt;br /&gt;[3] John Rich (2007), Warfare and the Army in Early Rome in Paul Erdkamps "A Companion to Roman Army", fl. 14&lt;br /&gt;[4] Timothy J. Cornell (1989) Rome and Latium to 390 BC in Frank W. Walbank... fls. 302-303, e &lt;span style="color:#3333ff;"&gt;J. H.C. Willians (2001) &lt;em&gt;Beyond the Rubicon: Romans and Gauls in Republican Italy, fls. 142-146.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt; As fontes são &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Livy"&gt;Tito Lívio&lt;/a&gt;, Ab Urbi Condita Livro &lt;a href="http://www.perseus.tufts.edu/hopper/text?doc=Perseus%3Atext%3A1999.02.0026%3Abook%3D5%3Achapter%3D34"&gt;5:34-48&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Dionysius_of_Halicarnassus"&gt;Dionisio de Halicarnaso&lt;/a&gt;, Antiguidades Romanas &lt;a href="http://penelope.uchicago.edu/Thayer/E/Roman/Texts/Dionysius_of_Halicarnassus/13*.html#6"&gt;13:6-12&lt;/a&gt;, e &lt;a href="http://www.livius.org/di-dn/diodorus/siculus.html"&gt;Diodoro da Sicília&lt;/a&gt;, Biblioteca Histórica, &lt;a href="http://penelope.uchicago.edu/Thayer/E/Roman/Texts/Diodorus_Siculus/14G*.html"&gt;14:113-117&lt;/a&gt;, que escreveram na segunda metade do I século AC; e Plutarco, Vidas Paralelas, &lt;a href="http://penelope.uchicago.edu/Thayer/E/Roman/Texts/Plutarch/Lives/Camillus*.html#15"&gt;Camilus 15-30&lt;/a&gt; , escrita no final do século I AD. Existe ainda um relato sucinto em Políbio (meados do século II AC), Historias &lt;a href="http://penelope.uchicago.edu/Thayer/E/Roman/Texts/Polybius/2*.html#18"&gt;2:18&lt;/a&gt;. [&lt;span style="color:#3333ff;"&gt;adicionado em 29.06.2011] Essas fontes fazem referências, ou utilizaram histórias mais antigas, escritas por autores gregos e latinos cujas obras se perderam. Entre os autores latinos, o saque gaulês é descrito já na primeira história de Roma, composta por &lt;/span&gt;&lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Quintus_Fabius_Pictor"&gt;&lt;span style="color:#3333ff;"&gt;Fabio Pictor&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="color:#3333ff;"&gt;, por volta de 2o0 AC. Os gregos já escreviam sobre Roma mais de um seculo antes de Pictor, e o primeiro acontecimento a ser mencionado foi justamente o Saque Gaulês de 390 AC, em breves citações de &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.livius.org/th/theopompus/theopompus.html"&gt;&lt;span style="color:#3333ff;"&gt;Teopompo de Quios&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="color:#3333ff;"&gt;, &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www-history.mcs.st-andrews.ac.uk/Biographies/Heraclides.html"&gt;&lt;span style="color:#3333ff;"&gt;Heraclides do Ponto&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="color:#3333ff;"&gt; e &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.iep.utm.edu/aristotl/"&gt;&lt;span style="color:#3333ff;"&gt;Aristoteles&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="color:#3333ff;"&gt;, todas datadas de cerca de meio século depois do fato, a primeira preservada por Plinio, o Velho (&lt;em&gt;Historia Natural&lt;/em&gt; &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.perseus.tufts.edu/hopper/text?doc=Perseus%3Atext%3A1999.02.0137%3Abook%3D3%3Achapter%3D9"&gt;&lt;span style="color:#3333ff;"&gt;Livro 3: capítulo 9&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="color:#3333ff;"&gt;), e as outras duas em Plutarco (Vidas Paralelas, &lt;em&gt;Camilus&lt;/em&gt; 22), que escreveram por volta de 80 DC. (Plutarco relata, com certa perplexidade, que Heraclides dissera em seu tratado "sobre a alma", que Roma era uma cidade grega, situada em algum lugar no oeste, na costa do Mediterrâneo).&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;[5] Gary Forsythe (1999), A Critical History of Early Rome: From Prehistory to the First Punic War , fl. 261&lt;br /&gt;[6] Timothy J Cornell, (1995), The beginnings of Rome: Italy and Rome from the Bronze Age to the Punic Wars, fl. 331&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;[7] Timothy J. Cornell (1989) &lt;em&gt;The Recovery of Rome&lt;/em&gt; &lt;strong&gt;in&lt;/strong&gt; Frank W. Walbank The Cambridge ancient history: The Hellenistic world, Part 2, fls. 290-291 fls. 309-310 &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;[8] H.H. Scullard (1978) A History of the Roman World, 753 to 146 BC, fl. 105 (4ª edição)&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;[9] Gary Forsythe (2005) A&lt;em&gt; Critical History of Early Rome: From Prehistory to the First Punic War,&lt;/em&gt; fls. 254-257&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;[10] Jona Lendering, &lt;em&gt;Marcus Furius Camillus&lt;/em&gt;, Parte 3, &lt;a href="http://www.livius.org/fo-fz/furius/camillus3.html#Gauls"&gt;http://www.livius.org/fo-fz/furius/camillus3.html#Gauls&lt;/a&gt;, acessado em 10.09.2010&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;[11] H.H. Scullard (1978) A History of the Roman World, 753 to 146 BC, fl. 104 &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;[12]Gary Forsythe (2005) A Critical History of Early Rome: From Prehistory to the First Punic War, fls. 255&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/16935532-5629908171074440063?l=adcummulus.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://adcummulus.blogspot.com/feeds/5629908171074440063/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=16935532&amp;postID=5629908171074440063&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16935532/posts/default/5629908171074440063'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/16935532/posts/default/5629908171074440063'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://adcummulus.blogspot.com/2010/09/os-criterios-do-constrangimento-e-da.html' title='Os Critérios do Constrangimento e da Diferença e seus análogos fora da Pesquisa Histórica do Novo Testamento: Parte 2'/><author><name>Nehemias</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05093459549722450363</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_cHxPyDncuBc/TIVap5HL1gI/AAAAAAAAAF8/18yJ9DnojsM/s72-c/220px-Paul_Jamin_-_Le_Brenn_et_sa_part_de_butin_1893.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-16935532.post-1508376364094289543</id><published>2010-09-06T17:31:00.006-03:00</published><updated>2010-12-14T18:11:21.777-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='serie constrangimento e diferença'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='metodologia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='critérios históricos'/><title type='text'>Os Critérios do Constrangimento e da Diferença e seus análogos fora da Pesquisa Histórica do Novo Testamento: Parte 1</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_cHxPyDncuBc/TIFGYyBrINI/AAAAAAAAAFc/iF6r-fvXY3Q/s1600/220px-Caravaggio_-_The_Incredulity_of_Saint_Thomas.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5512764810437796050" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 147px" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_cHxPyDncuBc/TIFGYyBrINI/AAAAAAAAAFc/iF6r-fvXY3Q/s200/220px-Caravaggio_-_The_Incredulity_of_Saint_Thomas.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; No &lt;a href="http://adcummulus.blogspot.com/2009/12/significancia-de-jesus-e-escala-richter.html"&gt;primeiro post &lt;/a&gt;da série &lt;a href="http://adcummulus.blogspot.com/search/label/S%C3%A9rie%20Jesus%20na%20Hist%C3%B3ria"&gt;"Jesus na Escala Richter de Impacto Histórico"&lt;/a&gt;, conversamos um pouco sobre como os métodos que os estudiosos do Novo Testamento utilizavam para analisar as narrativas do ponto de vista histórico, abordando, entre outros, &lt;a href="http://homes.chass.utoronto.ca/~kloppen/criteria.htm"&gt;critérios&lt;/a&gt; como o do embaraçamento (ou constrangimento), e o critério da dissimilaridade (diferença).&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Mas esses critérios são utilizados fora da pesquisa do Jesus Histórico?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como veremos a seguir, os termos são especificos da pesquisa do Jesus Histórico. Contudo, o princípio em que os critérios se baseiam possui ampla aplicação, sendo utilizado por historiadores em várias situações que envolvem a análise de fontes textuais, constituindo ferramentas muito úteis, particularmente quando a possibilidade de verificação externa das narrativas é limitada. Neste post vamos abordar as bases teóricas dos critérios do embarassamento e dissimilaridade, e ver como principios similares são utilizados por historiadores da fase inicial da república romana (sec VI e V AC). Outros exemplos serão analisados em outros dois posts.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;1)&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;Historiografia, a análise de motivos nas fontes, e a base teórica dos critérios do constrangimento e diferença&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;Gilbert J. Garraghan, foi professor da Historia da Loyola University, e escreveu, em 1946, um Manual de Método Histórico que é utilizado até hoje, chamado, "A Guide for Historical Method", ele observa:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;"Testimony may be accepted as truthful when its content is of such a nature that lying would be of no advantage whtever to the informant, whereas telling the truth could not harm him&lt;/strong&gt; in any known way&lt;strong&gt;.&lt;/strong&gt; Regard for the truth is inherent in human nature; no one goes counter to it unless moved by the prospect of some advantage to be gained."&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;(&lt;span style="color:#ff0000;"&gt;Tradução&lt;/span&gt;) &lt;/em&gt;&lt;em&gt;"&lt;strong&gt;Testemunho pode ser aceito como verdadeiro quando seu conteúdo é de tal natureza que a mentira não traria qualquer vantagem para o informante, ao passo que dizer a verdade não poderia prejudicá-lo de qualquer forma conhecida&lt;/strong&gt;. Respeito a verdade é inerente à natureza humana; Ninguém vai contra isso, salvo se movido pela perspectiva de alguma vantagem a ser adquirida. "[&lt;/em&gt;1].&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Carragham se baseia aqui numa constatação da natureza humana. De modo geral, a grande maioria das pessoas mente ou inventa a partir de uma percepção de &lt;strong&gt;ganho&lt;/strong&gt;. A invenção serve a um &lt;strong&gt;propósito, um motivo,&lt;/strong&gt; para obter algo (reconhecimento do grupo, por exemplo) ou evitar uma sanção, um constrangimento. Por exemplo, um &lt;strong&gt;analista de recursos humanos&lt;/strong&gt; que tenha que &lt;strong&gt;analisar uma pilha de curriculos&lt;/strong&gt;, e um &lt;strong&gt;perfil do cargo definido pelo empregador&lt;/strong&gt;, para selecionar candidatos para um entrevista, sabe que que muitos candidatos, se não a maioria, vai exagerar&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;suas conquistas profissionais ou seu conhecimento de linguas estrangeiras. Que muitos outros podem simplesmente ser, digamos,&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;criativos, ao descrever formação acadêmica, listando um MBA ou Pós-Graduação que não concluiram, e, as vezes, sequer cursaram. Alguns outros podem mentir em relação a seu estado civil, (se, por exemplo, é sabido que o cargo exige viagens contantes), ou mesmo seu endereço (se residem em lugares distantes da empresa, ou, em virtude do preconceito que infelizmente ainda existe, se residem em uma comunidade carente). Mas se o selecionador encontra um curriculo em que o candidato afirma ter feito um curso de uma semana do "Netscape Navigator 4.0" em 1998, ele, muito provavelmente, e sem ver o certificado, concluirá que essa informação deve ser verdadeira, (a menos, é claro, que o perfil da vaga seja tão específico que exiga esse conhecimento). Por que inventar ter feito curso sobre um programa que não é mais utilizado a mais de uma década? Porque inventar uma informação que pouco contribui e a qual o perfil da vaga não exige? &lt;/p&gt;&lt;p&gt;(De fato, segundo notícias vinculadas pela &lt;a href="http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI69955-15259-2,00-AS+SETE+MAIORES+MENTIRAS+DO+CURRICULO.html"&gt;Revista Época &lt;/a&gt;, de 25/04/2009, e &lt;a href="http://info.abril.com.br/noticias/carreira/as-5-mentiras-mais-contadas-no-curriculo-03052010-35.shl"&gt;InfoExame&lt;/a&gt;, de 03/05/2010, estima-se que 40 % dos curriculos tragam informações exageradas ou distorcidas e 20 % mentiras deslavadas, as mais comuns são &lt;strong&gt;a)&lt;/strong&gt; transformar conhecimento básico de lingua estrangeira em avançado; exagerar ou inventar ao descrever &lt;strong&gt;b)&lt;/strong&gt; qualificação e &lt;strong&gt;c)&lt;/strong&gt; experiência profissional, transformando um curso rápido em MBA e um estagiário em assistente, por exemplo; &lt;strong&gt;d) &lt;/strong&gt;exagerar a própria responsabilidade e participação em projetos; mentir ao informar as &lt;strong&g
