Exorcismo, Legião e a imaginação política do domínio romano no Evangelho de Marcos
“Ao chegar ao outro lado, ao país dos gadarenos, vieram ao seu encontro dois endemoniados, saindo dos túmulos. Eram tão ferozes que ninguém podia passar por aquele caminho. [...] Ora, a certa distância deles, havia uma manada de porcos que pastavam. Os demônios lhe imploravam, dizendo: ‘Se nos expulsas, manda-nos para a manada de porcos’. Jesus lhes disse: ‘Ide’. Eles, saindo, foram para os porcos e logo toda a manada se precipitou no mar, do alto de um precipício, e pereceu nas águas.”
Mateus 8,28-32
“Navegaram em direção à região dos gerasenos, que está do lado contrário da Galileia. Ao pisarem terra firme, veio ao seu encontro um homem da cidade, possesso de demônios. [...] Jesus perguntou-lhe: ‘Qual é o teu nome?’ — ‘Legião’, respondeu, porque muitos demônios haviam entrado nele. [...] Ora, havia ali, pastando na montanha, numerosa manada de porcos. [...] Os demônios então saíram, entraram nos porcos e a manada se arrojou pelo precipício, dentro do lago, e se afogou.”
Lucas 8,26-33
“Chegaram do outro lado do mar, à região dos gerasenos. Logo que Jesus desceu do barco, caminhou ao seu encontro, vindo dos túmulos, um homem possuído por um espírito impuro: habitava no meio das tumbas e ninguém podia dominá-lo, nem mesmo com correntes. [...] E perguntou-lhe: ‘Qual é o seu nome?’ Respondeu: ‘Legião é meu nome, porque somos muitos’. [...] Ora, havia ali, pastando na montanha, uma grande manada de porcos. [...] E os espíritos saíram, entraram nos porcos e a manada — cerca de dois mil — se arrojou no precipício abaixo, e se afogava no mar.”
Marcos 5,1-13
1. O PROBLEMA: GERASA, GADARA E O TERRITÓRIO OCUPADO
A passagem do endemoniado geraseno constitui uma das narrativas mais conhecidas dos evangelhos sinóticos. Sua interpretação tradicional apresenta-se, à primeira vista, de maneira relativamente simples: Jesus atravessa o lago, encontra um homem dominado por espíritos impuros, expulsa os demônios e permite que estes entrem em uma manada de porcos que, em seguida, se precipita nas águas. O episódio seria, nesse sentido, mais uma das histórias de exorcismo atribuídas a Jesus e uma demonstração de sua autoridade sobre as forças demoníacas.
Entretanto, quando observamos com maior atenção a composição de Marcos, essa explicação começa a mostrar-se insuficiente. O relato não apresenta apenas um homem possesso. Temos um indivíduo que vive entre sepulturas, afastado da casa e da comunidade; uma multiplicidade de espíritos que se identifica por um nome explicitamente militar — Legião; uma grande manada de porcos; um território situado fora da Galileia e relacionado ao ambiente gentílico da Decápolis; uma quantidade extraordinária de animais, estimada em cerca de dois mil; e, finalmente, uma expulsão que não termina apenas com a libertação do indivíduo, mas com a destruição da própria “Legião” nas águas.
Diante desse conjunto de elementos, parece legítimo perguntar se o “demônio geraseno” deve ser compreendido exclusivamente como uma entidade pertencente ao universo demonológico do judaísmo do Segundo Templo ou se Marcos utiliza precisamente essa linguagem para elaborar uma passagem que pudesse também produzir ressonâncias políticas em leitores familiarizados com as experiências de poder, violência e presença militar do mundo romano. Não se trata, evidentemente, de negar o caráter demonológico da perícope, mas de verificar se esse caráter esgota as possibilidades de interpretação do relato.
A hipótese desenvolvida neste artigo é deliberadamente mais cautelosa do que aquela que poderia resultar de uma leitura alegórica excessivamente direta. Não parece metodologicamente adequado afirmar que “Legião” seja simplesmente a Legio X Fretensis, tampouco que cada elemento da passagem constitua uma alegoria deliberadamente codificada da Guerra Judaica. O que se pretende investigar é algo menos categórico e, justamente por isso, historicamente mais plausível: se Marcos constrói uma passagem na qual a linguagem demonológica permite evocar, para seus leitores, a experiência de uma força estrangeira que domina, reivindica permanência e finalmente é expulsa.
É importante distinguir, nesse ponto, entre contexto histórico e intenção autoral. O fato de uma referência política estar disponível no horizonte cultural dos leitores não demonstra, por si só, que Marcos tenha pretendido codificá-la conscientemente na narrativa. O argumento desenvolvido aqui depende, portanto, não de uma suposta intenção autoral demonstrável, mas da possibilidade de que determinadas escolhas narrativas produzissem ressonâncias políticas em seu contexto histórico de recepção.
É nesse sentido que o episódio deixa de ser apenas uma história sobre demônios e passa a admitir também uma leitura relacionada às formas de dominação e resistência presentes no mundo imperial.
O primeiro problema encontra-se na própria identificação geográfica do episódio. Marcos situa a passagem na “região dos gerasenos”, enquanto Lucas conserva essa mesma referência. Mateus, entretanto, fala da “região dos gadarenos”, e a própria tradição manuscrita de Marcos apresenta variantes na designação do local. A dificuldade é conhecida: Gerasa, normalmente identificada com a atual Jerash, encontra-se bastante distante do lago de Tiberíades, o que torna problemática a imagem de uma manada de porcos que, depois de receber os demônios, se precipita diretamente nas águas.
Essa dificuldade não precisa ser transformada em uma acusação simplista de erro geográfico. Mais interessante é observar que a variação entre Gerasa e Gadara revela que a tradição do episódio circulou em diferentes formas e que sua localização já constituía uma questão problemática para os transmissores da passagem. O problema, portanto, não consiste apenas em determinar qual cidade estaria “correta”, mas em compreender o lugar que o território ocupa na composição do relato.
O episódio acontece no “outro lado” do lago, fora da Galileia, em uma região culturalmente distinta do ambiente judaico galileu. O protagonista encontra-se, igualmente, em uma posição liminar: não está integrado à comunidade, não habita uma casa, vive entre sepulturas e montanhas e tornou-se uma presença ameaçadora para aqueles que circulam pelo caminho. Antes mesmo de qualquer interpretação política, Marcos já construiu um cenário de alteridade, no qual Jesus atravessa uma fronteira e, ao fazê-lo, encontra um espaço marcado pela impureza, pela marginalidade e pela presença de elementos associados ao universo gentílico.
A questão geográfica, portanto, não constitui mero detalhe secundário da passagem. Ela participa da construção do cenário no qual o conflito será desenvolvido. Nathanael Vette interpreta as travessias marítimas de Marcos 4–6 à luz do imaginário antigo da hydromachy, isto é, dos confrontos entre forças aquáticas e das relações entre domínio do mar e conquista territorial. Para Vette, o episódio do geraseno integra uma sequência na qual a autoridade de Jesus sobre as forças demoníacas e aquáticas participa de uma representação mais ampla de domínio territorial em contraste com as pretensões imperiais romanas (VETTE, 2025).
O homem geraseno é apresentado como alguém que perdeu não apenas a normalidade de sua existência, mas também o próprio lugar no interior da comunidade. Não mora em uma casa, mas nos túmulos; não circula normalmente pela cidade, mas permanece entre sepulturas e montanhas; não pode ser integrado pela comunidade, uma vez que rompe as correntes com as quais tentam contê-lo; e, sobretudo, não possui na passagem uma identidade própria que se sobreponha à entidade que o domina. Quando Jesus pergunta seu nome, a resposta é fornecida pelo espírito: “Legião é meu nome, porque somos muitos.”
Esta frase constitui o centro da passagem. “Legião” não é simplesmente um nome demoníaco, pois o termo pertence ao vocabulário militar romano e carregava, no século I, uma associação com poder organizado e força militar. Isso, evidentemente, não demonstra que Marcos estivesse identificando os demônios com determinada unidade romana. Significa, porém, que a escolha do termo pode adquirir uma ressonância política em um contexto no qual a presença militar romana fazia parte do horizonte histórico da Judeia e de suas regiões vizinhas.
A partir dessa observação, o episódio pode ser compreendido como uma representação da dominação. A própria narrativa associa a presença dos espíritos não apenas ao corpo do homem, mas também à permanência deles naquela região: quando confrontada, a Legião pede para não ser expulsa do território. O corpo do homem passa, assim, a representar um espaço submetido a uma força exterior, enquanto a linguagem da possessão fornece a Marcos uma forma de representar a perda de autonomia e a expressão “Legião” introduz, simultaneamente, uma linguagem que ultrapassa o universo estritamente religioso.
O demônio não responde apenas que são muitos. Responde que são Legião. A palavra converte a multiplicidade em uma força organizada e, dentro de uma passagem construída em torno de permanência, domínio e expulsão, permite uma leitura que ultrapassa a simples descrição de uma possessão demoníaca.
2. “LEGIÃO”, OS PORCOS E A X FRETENSIS
É precisamente nesse ponto que se encontra a hipótese central deste ensaio. Uma leitura estritamente demonológica entende “Legião” como a designação coletiva dos muitos espíritos impuros que dominam o homem. Essa interpretação é plenamente compatível com o desenvolvimento imediato do relato, uma vez que o próprio texto explica o nome pela multiplicidade dos espíritos. Entretanto, a explicação quantitativa não elimina a questão relativa à escolha do termo. Por que “Legião”? Por que empregar justamente uma palavra pertencente ao vocabulário militar?
Richard Dormandy foi explícito ao propor uma leitura política de Marcos 5,1-20. Joshua Garroway, por sua vez, desenvolveu uma interpretação que relaciona a passagem ao imaginário imperial e às linguagens de conquista e subversão presentes no Evangelho de Marcos. Garroway entende o episódio como uma elaboração das parábolas do capítulo anterior e interpreta a destruição da “Legião” como uma representação narrativa da destruição de uma força ocupante, em contraste com a infiltração pacífica do Reino de Deus (DORMANDY, 2000; GARROWAY, 2009).
Não estamos, portanto, afirmando que Marcos escreveu “Legião” querendo dizer especificamente Legio X Fretensis. A proposição é mais prudente: Marcos escolheu uma palavra que podia desempenhar uma função demonológica e, simultaneamente, produzir uma associação militar. Em um contexto histórico no qual o poder romano se fazia presente por meio de suas estruturas militares, essa duplicidade de sentido não pode ser simplesmente descartada.
A hipótese específica da Legio X Fretensis, entretanto, possui antecedentes na pesquisa. Markus Lau observou a convergência entre a designação “Legião”, a presença dos porcos e a história da Décima Legião, cujo emblema estava associado ao javali. Lau também discutiu a cifra de aproximadamente dois mil animais e sua possível relação com um destacamento de cerca de dois mil soldados da Legio X envolvido nos combates de 66 d.C. (LAU, 2007).
Nathanael Vette retoma essa associação em estudo recente e considera a entrada da Legião nos porcos uma referência irônica à Legio X Fretensis, destacando tanto seu emblema do javali quanto sua trajetória militar na Galileia e na região da Decápolis durante a Guerra Judaica (VETTE, 2025).
A hipótese, portanto, não é uma invenção deste artigo. Ela participa de uma tradição interpretativa que procura relacionar o episódio do geraseno ao contexto militar romano. Contudo, essa convergência não deve ser convertida em demonstração. O fato de a Legio X Fretensis possuir associação iconográfica com o javali não prova, por si só, que Marcos esteja fazendo uma referência cifrada àquela unidade; tampouco o número dos porcos permite concluir que o evangelista tenha deliberadamente reproduzido um efetivo militar.
Essa hipótese deve, contudo, ser situada no interior de um debate mais amplo sobre o caráter histórico, literário e simbólico da narrativa. Matthias Klinghardt examina precisamente a relação entre os porcos, Gerasa e o contexto histórico de Marcos 5,1-20, observando que a extravagância da cena tornou-se um ponto de tensão entre reconstruções histórico-literárias e interpretações simbólicas. Para Klinghardt, a questão não pode ser resolvida simplesmente pela identificação de um acontecimento histórico subjacente, pois a própria configuração narrativa do episódio exige considerar as informações extratextuais que seus primeiros receptores poderiam mobilizar para interpretá-lo (KLINGHARDT, 2007).
O que temos é uma convergência de elementos: Legião → porcos → javali → presença militar romana. Essa convergência torna plausível investigar uma possível associação entre a passagem e o contexto militar romano, mas não obriga a identificar a entidade demoníaca com uma unidade específica.
A quantidade de animais constitui outro elemento extraordinário do relato. Marcos poderia simplesmente ter informado que havia uma grande manada de porcos, pois a quantidade exata não é necessária para a compreensão do exorcismo. Em vez disso, especifica aproximadamente dois mil animais. A informação pode, portanto, possuir uma função literária que ultrapassa a simples descrição do cenário.
Mas aqui é necessário manter a cautela. A hipótese de que os dois mil porcos constituam uma alusão específica a um destacamento da Legio X é possível, porém mais restrita do que a interpretação geral da linguagem militar de “Legião”. O próprio debate acadêmico mostra que a cifra não se encaixa automaticamente na composição de uma legião romana regular, e sua interpretação exige reconstrução histórica adicional (LAU, 2007).
A proposição mais segura, portanto, permanece aquela que não depende da identificação específica: a palavra “Legião”, inserida em uma narrativa sobre permanência territorial, domínio, violência e expulsão, possuía uma associação militar que poderia adquirir ressonância política em um contexto marcado pela presença romana.
3. OS PORCOS, A IMPUREZA E O HOMEM GERASENO
A presença dos porcos tampouco deve ser tratada como elemento meramente circunstancial. O episódio se desenvolve fora do território predominantemente judaico, em uma região gentílica na qual a criação de suínos não constitui qualquer impossibilidade histórica. A questão relevante não é, portanto, saber simplesmente se havia porcos naquela região, mas compreender o lugar que esses animais ocupam na composição de Marcos.
O relato reúne, em um mesmo espaço, sepulturas, espíritos impuros, porcos e território gentílico. Temos, assim, uma concentração bastante expressiva de elementos associados à impureza. Hans M. Moscicke propôs uma interpretação que amplia precisamente esse aspecto, relacionando Marcos 5,1-20 a tradições judaicas de expulsão e a concepções do período do Segundo Templo acerca dos poderes cósmicos hostis. A transferência dos espíritos para os porcos e sua posterior eliminação nas águas pode, nessa perspectiva, representar uma expulsão escatológica das forças que dominam os seres humanos e contaminam o espaço (MOSCICKE, 2019).
Essa interpretação é importante porque impede que a leitura política seja reduzida a uma simples alegoria de Roma. Existe, contudo, um aspecto propriamente religioso que não pode ser reduzido à interpretação política. A passagem pode ser lida à luz das concepções judaicas sobre pureza, impureza, demônios e escatologia. A interpretação política, quando admitida, não precisa substituir essa tradição religiosa; pode nascer precisamente dela, uma vez que a linguagem religiosa de libertação também pode funcionar como linguagem de resistência diante de experiências históricas de dominação.
Existe uma ironia significativa na composição do episódio. A Legião afirma: “Somos muitos.” Entretanto, ao final da passagem, essa multiplicidade desaparece, enquanto o homem permanece. E permanece transformado. Quando os habitantes chegam, encontram aquele que antes era temido sentado, vestido e em seu juízo.
Essa transformação talvez seja mais importante do que a própria destruição dos porcos. A passagem não termina simplesmente com a derrota dos demônios, mas com a restauração de uma pessoa. É nesse ponto que a interpretação política encontra simultaneamente seu limite e sua força. Se “Legião” possui uma associação com o poder imperial, Marcos não está simplesmente narrando uma guerra entre Jesus e Roma. Está narrando a libertação de um indivíduo cuja humanidade havia sido destruída por uma força que o dominava.
A política aparece, assim, incorporada no corpo. O poder não é apresentado apenas como uma estrutura abstrata, mas como uma experiência de dominação. O corpo do homem constitui o lugar concreto em que essa dominação se manifesta, e sua libertação constitui a primeira e mais concreta expressão da derrota da força que o submetia.
4. A MEMÓRIA DA GUERRA E A INVERSÃO DO PODER
O século I foi marcado pela violência romana na região. A Guerra Judaica produziu massacres, deslocamentos, destruição de cidades e uma memória traumática que atravessou diferentes comunidades judaicas e cristãs. Flávio Josefo descreve operações romanas contra cidades da região e episódios de extrema violência. Esses relatos, entretanto, não demonstram que Marcos tenha reproduzido algum episódio específico. Demonstram, antes, que a violência militar romana fazia parte do horizonte histórico no qual uma passagem como Marcos 5 podia ser produzida e recebida.
Albert Hogeterp leva essa questão para o campo da teoria do trauma. Seu estudo interpreta Marcos 5,1-20 à luz do trauma coletivo associado a Gerasa e à presença militar romana, sustentando que a passagem pode representar essa experiência mediante uma elaboração literária indireta. Hogeterp destaca precisamente a relação enigmática entre “Legião” e os porcos que se afogam e entende a narrativa como capaz de carregar ressonâncias de um trauma histórico não resolvido (HOGETERP, 2020).
É nesse ponto que a hipótese adquire seu caráter propriamente histórico. O debate não exige que o episódio seja tratado como uma alegoria direta da Guerra Judaica. A passagem pode transformar uma experiência histórica de violência em uma história religiosa, preservando, sob a linguagem da possessão demoníaca, determinadas formas de memória social acerca da dominação e da violência.
É possível, então, perceber uma inversão no desenvolvimento do relato. No mundo imperial, a legião constitui uma força capaz de penetrar em um território, dominar, perseguir e destruir. Em Marcos, a Legião entra no espaço humano, domina um indivíduo e transforma seu corpo em lugar de sujeição. Quando Jesus chega, entretanto, a relação de poder é invertida: a Legião pede, implora, necessita de autorização e, finalmente, é expulsa.
Garroway identifica precisamente esse movimento ao interpretar Marcos 5 como uma passagem que simultaneamente reproduz e subverte determinadas formas antigas de representação do reino e da invasão. A destruição da Legião constitui, em sua leitura, uma representação da derrota de uma força ocupante, enquanto o homem restaurado passa a funcionar como uma espécie de agente de um novo reino (GARROWAY, 2009).
A conquista é, portanto, subvertida. O poder do Reino não se manifesta pela simples substituição de uma estrutura imperial por outra estrutura de dominação, mas pela libertação de um homem. Se existe uma questão política na passagem, ela não deve ser procurada apenas naquilo que Jesus faz contra a Legião, mas também naquilo que acontece com o homem depois que a Legião desaparece.
O destino dos porcos também merece atenção. Os espíritos pedem para não serem mandados para fora da região; depois entram nos animais e a manada precipita-se nas águas. O mar, na literatura bíblica e judaica, frequentemente possui uma dimensão simbólica relacionada ao caos, às forças hostis e à ameaça. Não é necessário transformar toda ocorrência do termo “mar” em símbolo apocalíptico, mas a combinação entre água, expulsão, afogamento e poder demoníaco constitui um conjunto significativo dentro da passagem.
Moscicke interpreta o episódio precisamente à luz de tradições de expulsão nas quais forças hostis são remetidas para fora da esfera humana. Vette, por outro caminho, insere a passagem em uma estrutura mais ampla das travessias marítimas de Marcos e do imaginário antigo de conquista territorial. Temos, portanto, duas linhas interpretativas distintas que convergem em um ponto: o mar não é simplesmente o lugar onde os porcos morrem; ele participa da lógica narrativa da expulsão e da derrota das forças hostis (MOSCICKE, 2019; VETTE, 2025).
5. A LIBERTAÇÃO, O TESTEMUNHO E O DEBATE ACADÊMICO
A passagem, contudo, não termina no mar. Ela retorna ao homem, e esse retorno é decisivo. Os habitantes chegam e encontram aquele que antes ninguém conseguia controlar agora sentado, vestido e em seu juízo. A transformação não é apenas interior; é igualmente social.
Agnieszka B. Ziemińska relê Marcos 5,1-20 a partir dos Disability Studies e Mad Studies, interpretando a perícope como crítica social e não apenas como narrativa de milagre. Sua análise relaciona “Legião” tanto à dominação romana quanto aos mecanismos comunitários de rotulação que produzem exclusão, deficiência social e aquilo que denomina “morte social”. Ao examinar a linguagem de Marcos, a autora mostra ainda como o texto preserva a pessoa do homem e associa sua restauração à recuperação do julgamento e da capacidade de falar. O gesto de Jesus que transforma o desejo do homem de “estar com” ele na ordem de “contar” o que aconteceu desloca a reintegração de um simples retorno à comunidade para uma vocação de testemunho (ZIEMIŃSKA, 2026).
O homem não é apenas libertado dos demônios; ele é devolvido à possibilidade de existir socialmente. A Legião havia transformado sua identidade em uma multiplicidade anônima. Jesus restitui-lhe a condição de sujeito singular. O homem que antes estava possuído, isolado e submetido passa a ser livre, recupera o juízo e recebe a responsabilidade de transmitir a própria experiência.
A libertação, portanto, é simultaneamente individual e social. O que é restaurado não é apenas a interioridade do indivíduo, mas sua capacidade de ocupar novamente um lugar entre os demais.
Há ainda uma ironia final na passagem. O homem deseja acompanhar Jesus, mas Jesus não permite. Em vez disso, ordena-lhe que volte para sua casa e conte o que Deus fez por ele. Aquele que antes não podia atravessar livremente os caminhos torna-se agora alguém encarregado de percorrer a própria região levando uma mensagem.
O desenvolvimento do episódio é significativo: ocupação → expulsão → restauração → testemunho. Aquele que era anteriormente uma ameaça para a comunidade transforma-se em testemunha diante dela. O relato não termina com Jesus permanecendo naquele território, nem com a instauração de um novo domínio sobre a região. Quem permanece é o homem restaurado.
Essa conclusão é importante para a hipótese política. Se o episódio possui uma associação com o poder imperial, sua conclusão não apresenta um exército substituindo outro, nem Jesus estabelecendo um domínio territorial. Apresenta um homem recuperando sua capacidade de falar. A vitória do Reino é representada pela restauração da pessoa e pela restituição de sua voz.
O debate acadêmico não produziu uma interpretação única de Marcos 5,1-20, e essa diversidade não enfraquece a hipótese aqui desenvolvida. Ao contrário, permite situá-la com maior precisão. A exegese de Joel Marcus oferece um quadro histórico-literário mais amplo para a leitura da perícope, relacionando Marcos ao ambiente apocalíptico e político das revoltas judaicas e à experiência do domínio romano, sem reduzir cada elemento narrativo a uma alegoria política específica (MARCUS, 2000). Dormandy propôs uma leitura explicitamente política do episódio; Garroway desenvolveu a possibilidade de uma subversão do imaginário imperial; Moscicke deslocou a discussão para as tradições judaicas de expulsão e para a linguagem do bode expiatório e dos poderes cósmicos; Hogeterp introduziu a categoria do trauma e da memória da violência romana; Vette ampliou a discussão para o mar, a conquista territorial e o imaginário imperial; Klinghardt examinou o contexto histórico-local e a função dos porcos na narrativa; e Ziemińska acrescentou um aspecto social e corporal, articulando dominação, estigmatização, exclusão e reintegração (DORMANDY, 2000; GARROWAY, 2009; MOSCICKE, 2019; HOGETERP, 2020; KLINGHARDT, 2007; MARCUS, 2000; VETTE, 2025; ZIEMIŃSKA, 2026).
Essas interpretações não são equivalentes e não devem ser artificialmente fundidas. Partem de pressupostos diferentes e enfatizam aspectos distintos do texto. Existe, entretanto, uma convergência importante: Marcos 5,1-20 não precisa ser reduzido a uma passagem de exorcismo individual. A perícope comporta simultaneamente aspectos demonológico, escatológico, social, territorial e político, e é precisamente essa sobreposição que explica parte de sua força.
O argumento deste artigo situa-se nesse espaço de convergência, mas sem pretender eliminar as diferenças entre as abordagens. A proposta não é demonstrar que cada elemento da narrativa corresponda a uma instituição romana, nem transformar “Legião” em um código secreto para Roma. Trata-se de sustentar uma hipótese de menor alcance: a linguagem demonológica de Marcos pode funcionar simultaneamente como narrativa de libertação religiosa e como linguagem capaz de produzir uma ressonância política em um mundo marcado pela presença imperial.
A própria diversidade das abordagens impede, entretanto, que uma única chave interpretativa seja elevada à condição de explicação total. A leitura política precisa permanecer em diálogo com a exegese histórico-literária, com a tradição demonológica judaica e com a estrutura narrativa do Evangelho. É precisamente essa convergência — e não a identificação de um código político unívoco — que confere plausibilidade à hipótese.
6. ENTÃO, EXISTIU O DEMÔNIO GERASENO?
Podemos, finalmente, retornar à pergunta que dá título a este ensaio. Se por essa pergunta entendermos se existiu historicamente um indivíduo chamado “Legião”, possuído por milhares de demônios, que posteriormente transferiram sua existência para aproximadamente dois mil porcos e provocaram sua corrida em direção ao lago, a resposta histórica não pode ser demonstrada. Não possuímos qualquer fonte independente que permita confirmar o acontecimento.
Entretanto, se deslocarmos a pergunta para outro nível — isto é, se podemos identificar no relato uma construção capaz de representar, mediante a linguagem demonológica, uma experiência histórica de dominação, violência e expulsão —, a hipótese torna-se muito mais consistente. Não porque tenhamos encontrado uma chave definitiva para o texto, mas porque diversos elementos começam a convergir: a localização na região gentílica associada ao episódio; as variantes entre Gerasa e Gadara; a dificuldade geográfica da versão marcana; a presença de porcos em território não judaico; a escolha do nome “Legião”; a insistência dos espíritos em permanecer na região; o número excepcional de animais; a destruição da manada pela água; a possível associação com a iconografia da Legio X Fretensis; a memória histórica das campanhas militares; e, finalmente, a restauração social do homem que havia sido dominado.
A pesquisa recente não eliminou essa possibilidade. Ao contrário, tornou-a mais complexa. A leitura política aparece hoje ao lado de abordagens que investigam trauma, demonologia, tradição judaica, território, deficiência, estigma e reintegração social. O ponto fundamental, contudo, é preservar o caráter hipotético dessa reconstrução. Não temos condições de afirmar que Marcos tenha conscientemente pensado na Legio X Fretensis, nem que tenha composto a perícope como uma alegoria direta da Guerra Judaica, nem que todos os seus detalhes tenham sido concebidos depois da destruição de cidades da região.
O que podemos sustentar é algo mais interessante e metodologicamente mais defensável: a passagem oferece um conjunto excepcional de imagens suscetíveis a uma leitura política relacionada ao domínio romano, e essa leitura ganha plausibilidade quando colocada em diálogo com a geografia da região, com o sentido militar de “Legião”, com o imaginário romano, com as tradições judaicas de expulsão e com a memória histórica da violência exercida pelo poder imperial.
A hipótese da Legio X Fretensis é particularmente sugestiva porque há, de fato, uma convergência entre o nome “Legião”, os porcos, o javali associado à Décima Legião e a presença histórica dessa unidade na região. Estudos como os de Lau e Vette desenvolvem essa associação de maneiras diferentes. Mas essa hipótese deve permanecer exatamente no lugar que a evidência permite: uma possibilidade interpretativa importante, não uma identificação demonstrada (LAU, 2007; VETTE, 2025).
A hipótese, portanto, não precisa substituir a interpretação religiosa tradicional. Ela procura explicar um sentido adicional. O “demônio geraseno” pode nunca ter existido como personagem histórico, mas a realidade histórica que tornou possível imaginar uma “Legião” ocupando o corpo de um homem e sendo finalmente lançada ao mar certamente existiu: era o mundo imperial romano, com sua violência militar, sua presença territorial, suas legiões e sua capacidade de submeter populações e indivíduos a relações assimétricas de poder.
É justamente por isso que considero mais fecundo reformular a pergunta inicial. Talvez não devamos perguntar simplesmente “Existiu o Demônio Geraseno?”, mas que experiência histórica precisou existir para que uma comunidade pudesse contar uma história na qual uma Legião demoníaca é expulsa de um homem, enviada para uma manada de porcos e finalmente destruída nas águas?
A resposta não pode ser demonstrada de maneira absoluta. O conjunto das evidências, entretanto, permite formular uma hipótese historicamente plausível: o relato pode preservar, sob a linguagem da demonologia judaica, uma memória de resistência à dominação imperial.
E talvez seja justamente essa a força da passagem. A Legião entra no território como poder; entra no corpo como dominação; e sai dele como derrota. O homem permanece — e começa a falar.
REFERÊNCIAS
DORMANDY, Richard. The expulsion of Legion: a political reading of Mark 5:1–20. The Expository Times, v. 111, n. 10, p. 335–337, 2000. DOI: 10.1177/001452460011101004.
GARROWAY, Joshua. The invasion of a mustard seed: a reading of Mark 5.1–20. Journal for the Study of the New Testament, v. 32, n. 1, p. 57–75, 2009. DOI: 10.1177/0142064X09339138.
HOGETERP, Albert. Trauma and its ancient literary representation: Mark 5,1–20. Zeitschrift für die Neutestamentliche Wissenschaft, v. 111, n. 1, p. 1–32, 2020. DOI: 10.1515/znw-2020-0001.
KLINGHARDT, Matthias. Legionsschweine in Gerasa: Lokalkolorit und historischer Hintergrund von Mk 5,1–20. Zeitschrift für die Neutestamentliche Wissenschaft, v. 98, n. 1–2, p. 28–48, 2007. DOI: 10.1515/ZNTW.2007.002.
LAU, Markus. Die Legio X Fretensis und der Besessene von Gerasa: Anmerkungen zur Zahlenangabe „ungefähr Zweitausend“ (Mk 5,13). Biblica, v. 88, p. 351–364, 2007.
MARCUS, Joel. Mark 1–8: a new translation with introduction and commentary. New York: Doubleday, 2000. (The Anchor Bible, 27).
MOSCICKE, Hans M. The Gerasene exorcism and Jesus’ eschatological expulsion of cosmic powers: echoes of Second Temple scapegoat traditions in Mark 5.1–20. Journal for the Study of the New Testament, v. 41, n. 3, p. 363–383, 2019. DOI: 10.1177/0142064X18821558.
VETTE, Nathanael. The Son of Man and the sea: hydromachy and conquest in Mark’s sea voyages. Journal for the Study of the New Testament, v. 47, n. 4, p. 576–599, 2025. DOI: 10.1177/0142064X241290655.
ZIEMIŃSKA, Agnieszka B. The Gerasene pericope and Disability Studies: irony, empire, and (in)complete reintegration in Mk 5.1–20. Journal for the Study of the New Testament, 2026. DOI: 10.1177/0142064X261418691. Publicado on-line em 12 fev. 2026.
FONTES PRIMÁRIAS
BÍBLIA. Bíblia de Jerusalém. São Paulo: Paulus.
JOSEFO, Flávio. Guerra Judaica. [Edição utilizada].
18 comentários:
Sobre o Texto "Existiu o demônio Geraseno ? ".
Logo ao início do texto, cita o evangelho de Marcos 1,13: e na bíblia Marcos Capítulo 1 Versículo 13 consta "E ali estave no deserto quarenta dias, tentado por satanás "... O texto bíblico sobre a libertação de um jovem Gadareno está nos evangelhos de Mateus 8:28-34, Marcos 5:1-20, Lucas 8:26-39 e Mateus. A explicação sobre os porcos e o mar se dá pois a terra dos gadarenos localizava-se a sudeste do mar da Galiléia, nas proximidades de Gadara, uma das cidades mais importantes da região. Gadara fazia parte das dez cidades que tinham governos independentes e eram habitadas por gentios, constate em Marcos 5:20. Isto explica a existência daquela manada de porcos. Os judeus não criavam estes animais porque eram considerados impuros e também não comiam sua carne. O texto inicia dizendo: "E tendo chegado à outra margem, à provincia dos gadarenos e não em Gadara. " Interpretar os texto é preciso para não ocorrer erros como os comentados neste artigo. Que Deus os abençoe e que o Espírito Santo ilumine vossas mentes questionadoras a Palavra.
Pr. Irani
Olá Pr. Irani,
Creio que na ânsia em me refutar, deixastes de ler meu texto (na verdade). Deveria ter atentado para a seguinte passagem:
"De qualquer forma, para que possamos compreender a questão dos porcos, deve-se pontuar que a região de Gerasa (vista em Marcos) ou Gadara (vista em Mateus) fica na região da Decápolis (atual Jordânia), fora da Judéia. Logo, a presença de uma criação de porcos nessa região não é improvável, dado que era habitada por uma cultura não-judaica em sua maioria."
Tal leitura teria lhe poupado (e me poupado) todo o teu comentário. No mais, fico no aguardo dos demais "erros" deste artigo.
Pax Vobiscum
Quanto à parte inicial do texto, deveria obviamente ter percebido que se trata de um equívoco de digitação. É óbvio que a passagem do geraseno, por mim citada, não se encontra no capítulo 1 de Marcos. Mas se encontra em Marcos 5,1-13.
Questão de bom senso. De qualquer forma, agradeço pela correção. O texto já foi mudado.
Flávio,
tem uma hipótese (apesar de que sua intepretação alegórica pra mim foi sobremaneira instigante). De que o local foi na atual Kursi, próxima ao mar da Galiléia nas adjacências de Magdala. Magdala era a antiga Gergasa, e é uma região com espigões e penhascos.
Umm Qais [http://www.answers.com/topic/umm-qais] seria a antiga Gadara.
Kursi seria a antiga Gergesa [http://www.answers.com/topic/gergesa] e ficaria logo ao lado mar da Galiléia.
Magdala, na verdade, fica no extremo oposto de Kursi (do outro lado do mar da Galiléia)
Creio que temos uma questão interessante sobre diferenças entre manuscritos citando a região dos "gadarenos", "gerasenos" e "gergesenos".
Isso merece uma investigação, Agrodrigons. Boa observação!
Pois é, Flávio, só haveria um ponto de contato se envolvesse a costa oriental.Ali próximo também estão as colinas de Golan, né?
Pois é, Flávio. Na região oriental do lago Kinneret havia Gerasa, Gadara e Gergesa, de modo que o mesmo "território" poderia muito bem ter recebido os nomes de qualquer um desses municípios.
Há uma dificuldade a mais na passagem, em relação ao prejuizo com os porcos. Bem, poderia ter acarretado a expulsão relatada de Jesus do lugar pelos habitantes. Mas há que se considerar que era comum exorcistas profissionais no contexto, assim, Jesus teria "prestado um serviço" à região, visto que deveria, pelo narrado, ser um demônio de alta cotação no mercado, rsrs. Assim, ele teria libertado a região de um grande suplício, e no custo-benefício com os porcos, ele que deveria ser pago se exigisse. E assim, os porcos, por todo o simbolismo, teria um peso a respeito e humilhação da vitória impingida aos demônios e às forças associadas aos porcos, e a libertação do local significando mais que um exorcismo.
ola entao gostaria de entender melhor, como mateus foi escrito por volta de 90 d.c, e a guerra que voce diz,melhor que voce se baseia, por volta 63 e 73 d.c, e que o autor estava influenciado por esses acontecidos,entao chego a uma conclusão me parece que o autor inventou tudo aquilo,se jesus nao curou,se nao tinha demonio,foi so uma figura usada pelo autor,quer dizer onde fica DEUS nesta historia,jesus foi ate lá ou não,ou foi tudo invensão do autor
Informadordeopiniao.Parabéns.
Aqui VC já matou todo o equivoco.
Sendo Jesus o Senhor que iria e é o Salvador.
Nada de materialismo Ele deixou para nós como exemplo.
Seus discípulos aprenderam obras espirituais. E assim ensinaram.
Mais uma ótima observação ,e a sua Evelyn se torna detonadora a sobre a conclusão materialista do texto.
Estou só aprendendo.obrigado.
Mais uma ótima observação ,e a sua Evelyn se torna detonadora a sobre a conclusão materialista do texto.
Olá, estou fazendo um curso de teologia e o meu professor falou que esta passagem confirma a sua tese de que a legião é a de soldados romanos. Os porcos era o símbolo de Roma. Na realidade quando a passagem bíblica fala que os porcos caíram no precipício, retratam que Roma sozinha iria se auto destruir, como de fato ocorreu.
Lendo estes relatórios romanos, que são literais, fica mais simples interpretar a passagem com o seguinte.
"Os porcos que se precipitam nas águas, precipitam também os demônios, os espíritos imundos."
Jesus nesta região, e assim como em Jerusalém, profetisa que se não mudarem seus modos e fé, serão destruídos, como foram.
Roma não é a adversária para Jesus, e sim a má conduta espiritual.
Jesus é o caminho a verdade a vida muitos erram por querer sempre ser historiadores ou teólogo não que não vejamos estudar tais matéria para termos mais conhecimento não esquecendo que temos que ser ensinado pelo Espiro Santo e a Biblia sempre será a verdade.e o Espeto Santo dar o entendimento
FLÁVIO parabéns pelo texto toda essa esplicacao tá no livro de "macabeus" é só ler o livro 1 macabeus capítulo 1 versículo 47 ao 50, mas leia o capítulo todo e se possível o livro todo são dois livros.é só buscar aí mesmo no Google.
E pra lembrar, porque o endemoninhado pediu pra ser jogado em uma vara de porcos, foi porque eles tiveram que fazer sacrifício de porco forçado, porque os judeus faziam sacrifício de bode ou boi, mas depois de todo esse evento os judeus ficaram loucos. Imagina um de nós perder irmão , pai , mãe e ver sua mulher sendo estuprada, seus filhos levados a força e ainda adorar um deus terreno e mudar todo o seu costume ttotalmente radical. Eu me mataria.
Outra coisa, os escritores erraram tanto que nas escrituras tem três lugares diferentes, bem distante um do outro, que chega ser absurdo.
Á e outra coisa tem tanto erros nas escrituras e o povo engolindo seco que além desses lugares diferentes citados do endemoninhado também o coletivo de porcos não é "manada e sim vara" mas vê se algum pregador já viu isso, e saem pregando o engano.
Logo percebemos que esse evento aconteceu antes de JESUS DE NAZARÉ e os escritores pegaram essa passagem do livro apócrifo macabeus, como milhares de outras passagens de livros apócrifo e colocaram na Bíblia evangélica e o povo engolindo seco, sem nenhum entendimento.
Vou pedir um favor a todos que verem esse comentário, não fiquem dando ouvido a pregadores.
Façam pesquisas o Google tem muitas explicações
Ola , Alguem
Aqui em
2023?
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