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quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Fotografia Cristã Contemplativa

Boa parte dos leitores deste blog não o sabem, mas eu dentre outros atividades, atuo profissionalmente como fotógrafo. Para aqueles que desejarem conhecer um pouco mais sobre o meu trabalho, eu os convido para visitarem meu blog EPIFANIA. Serão todos muito bem vindos por lá e espero que gostem das imagens produzidas. Mas enfim, este post não foi feito com o intuito de me divulgar, mas com o intuito de mostrar uma descoberta que fiz nesta madrugada.

Fotografia miksang: Julie Dubose
Eu estava procurando por livros que trabalhem com a vertente budista da fotografia contemplativa. Por sinal, de fato, eu só conhecia esta linha de fotografia contemplativa. Um destes livros, que possuo aqui comigo é o True Perception: the path of dharma art do Chogyam Trungpa,  famoso monge budista e mestre tibetano, profundamente interessado em artes e fotografia, uma das grandes figuras a disseminar o conhecimento budista no Ocidente. Nesta noite eu estava analisando a compra de um livro mais recente: The Practice of Contemplative Photography: Seeing the World with Fresh Eyes de Andy Car e Michael Wood. Vocês podem encontrar uma galeria dos trabalhos deles por aqui. Enfim, todo este aproach tem a ver com as possibilidades de um despertar da percepção e dos sentidos no sentido de uma abertura sensorial à "realidade" ou à formas não pensadas da "realidade". Coloco, obviamente, tais definições entre aspas porque não existe algo como "realidade" na fotografia (se é que existe tal coisa na vida como um todo). O fato em si, no entanto, é que existe uma tradição meditativo-contemplativa da fotografia conectada aos ensinamentos e à forma de viver budista. Este tipo de fotografia é chamada de Miksang ("olho bom") e é baseada no Dharma Art, conceito introduzido por Trungpa. Não sou um especialista na área da fotografia contemplativa, apenas um interessado. A minha linha fotográfica possui uma outra trajetória, baseada em uma trilha mais agressiva e instintiva. Por outro lado, a contemplação sempre esteve inserida no meu horizonte visual e considero uma área aberta à profunda experimentação.
Fotografia: Christine Valters Paitner

Mas enfim, qual é pois a razão deste post? Não seria a fotografia miksang, dado que nosso título nos leva a outro tema. Trata-se sim da fotografia contemplativa, mas a partir de uma visão que eu realmente não imaginava - a fotografia contemplativa filosoficamente orientada por uma percepção cristã. Descobri nesta madrugada essa vertente ou expoente através do livro de Christine Valters Paintner, chamado Eyes of the Heart: Photography as a Christian Contemplative Practice. Eu certamente não seria capaz de explicar o que seria isso ao certo. Eu tinha conhecimento anterior sobre a vertente budista da fotografia contemplativa, mas esta linha cristã é algo certamente inusitado e novo para mim. Como o tema é ainda uma incógnita, me contento por hora apenas em apresentar essa idéia e trazer a vocês um pouco do trabalho da Christine Paintner em uma viagem sua feita à Irlanda. Como eu tenho lá um grande apreço pela cultura e pela iconografia celta, bem como pela natureza cercada por brumas daquelas terras, fica aí um bom convite à contemplação.


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segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Tesouros Budistas

Arqueólogos encontram 'tesouro budista' na Mongólia

http://www.uai.com.br/UAI/html/sessao_8/2009/08/03/em_noticia_interna,id_sessao=8&id_noticia=121361/em_noticia_interna.shtml

Realmente uma notícia fabulosa lida à luz da história dela e do ato providencial do monge Tudev.

Esse contexto novamente me remete a uma reflexão que sempre faço, para relativizar nosso tempo (eu costumo dizer que não sou um "pré", "pós" nem modernista, mas um amodernista) e podermos nos distanciar um pouco para conseguir ter uma melhor panorama para a ação futura.

Nunca em toda a história se produziu tanta informação em espaços de tempo tão curtos. Mas nunca também se perdeu tanta informação, tanto legado, num espaço de tempo tão curto. Nossa vassoura modernista varreu para lugares ermos importantes legados da epopéia humana, que poderiam propiciar uma geração futura mais sábia, se tivesse sobriedade e sabedoria necessária para refletir a fundo na sua condição e como chegou a ela. Isso, às vezes o estudo histórico mesmo agrava ao abusar do método da analogia (talvez agora as discussões em torno das ciências da complexidade, não linearidade e tempo-irreversível possa nos ajudar).

Eu sugiro um bom livro, de leitura agradável e profundidade de reflexão, que me enriqueceu muito como ser humano, ponderando sobre essas preocupações:

'A destruição do Passado', de Alexander Style.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

O Hino posterior à Ceia

Mateus 26, 30 - "Depois de terem cantado o hino, saíram para o monte das Oliveiras."


Encontrei no apócrifo Atos de João uma referência à continuação possível deste versículo, contendo o Hino anterior à paixão, realizado após a última ceia.

"Antes que fosse preso pelo julgamento dos Judeus, O Mestre nos reuniu a todos e disse:
"Antes que eu seja entregues a eles, cantaremos um hino ao Pai e, em seguida, iremos ao encontro daquilo que nos espera."
Ele pediu que nos déssemos as mãos em roda e colocando-se no meio, disse:"Respondei-me Amém."
Começou , então a cantar um hino que dizia: "Gloria ao Pai". E nós ao redor lhe respondíamos:"Amém".
"Glória á Graça; glória ao Espírito; glória ao Santo; glória a sua glória." - Amém.
"Nós o louvamos, ó Pai; nós lhe damos graças, ó Luz em que não habita as trevas." - Amém.
"Agora direi porque damos graças:"
"Devo ser salvo e salvarei." - Amém.
"Devo ser liberto e libertarei."-Amém.[...]


Segundo as notas da Bíblia de Jerusalém e da Bíblia do Peregrino, o hino cantado se refere aos chamados Salmos do Hallel, sl 113-118, cuja recitação encerravam a ceia pascal.De qualquer forma, trata-se de um momento que deve ter sido de rara beleza, um último canto fraternal entre Jesus e seus discípulos, naquele momento de sabida despedida.Segundo o texto Salmos de Aleluia :"A tradição judaica sugere que os Salmos 113-118 eram cantados na Páscoa. Os Salmos 113 e 114 eram cantados antes da refeição da Páscoa; os Salmos 115-118, depois. O Salmo 136, o Grande Hallel, era cantado no ponto mais alto da festa."Sobre a palavra Hallel, encontramos aqui uma boa explanação.

Elaine Pagels, no livro Além de toda Crença (2004:132), postula que o autor desconhecido dos atos de João tenha incorporado a doutrina joanina (do evangelho de João) para postular conceitos gnósticos normalmente associados ao Evangelho de Tomé:

"É evidente que quem compôs este hino encontrou no Evangelho de João inspiração para o tipo de ensinamento que com mais frequência associamos a Tomé, pois aqui Jesus convida os discípulos a se se verem nele:

'O que estou prestes a sofrer te pertence. Pois de maneira alguma poderias compreender o que sofres se eu não tivesse sido enviado a ti como verbo [logos] pelo Pai [...] se soubesses como sofrer, serias capaz de não sofrer´


Então, na Dança da Cruz, Jesus diz que sofre a fim de revelar a natureza do sofrimento humano e ensinar o paradoxo que o Buda também ensinou: quem ganha consciência do sofrimento simultaneamente se liberta dele."


A passagem é extremamente interessante, pois nos mostra indícios típicos de práticas de ascese mística impulsionadas por canto e dança em comunhão. Tais práticas podiam ser vistas já em textos encontrados em Qumran tais como o Canto dos Sacrifícios do Sabbath no qual os praticantes possivelmente ascendiam a uma dimensão superior povoada por anjos. Tais viagens místicas faziam parte de uma tradição judaica que estava se desenvolvendo ali logo nos primórdios do cristianismo (e muito bem estudada por Gershon Scholen em seu famoso livro A mística judaica, Ed. Perspectiva, São Paulo. 1972.) - os viajantes da Merkabah (ou o carro divino)! Nos é bem factível a visão de uma reunião de um grupo cristão gnóstico, baseando-se neste texto dos Atos de João, realizando a cerimônia da eucaristía e uma dança mística posterior. Eles provavelmente entravam em uma faixa psíquica diferenciada, através do ritmo e repetição musicais, embalados ainda por movimentos da dança. De certa forma, tal especulação me lembrou dos praticantes sufi do Dervish, dançando em círculos (como neste video do youtube).

Aparentemente, nos parece estranha esta associação entre cristianismo e dança, logo ali nos seus primórdios. No entanto, se observarmos, por exemplo, várias das práticas dos movimentos pentecostais hoje em dia, tal estranhamento desaparecerá no mesmo instante.

Ps. Sobre as diferenças e ligações entre as práticas e concepções teológicas dos sufistas e o cristianismo, sugiro este bem detalhado texto escrito por John Gilchrist, como tópico de uma obra maior chamada Muhammad and the Religion of Islam.
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    Este blog tem como objetivo central a postagem de reflexões críticas e pesquisas sobre religiões em geral, enfocando, no entanto, o cristianismo e o judaísmo. A preocupação central das postagens é a de elaborar uma reflexão maior sobre temas bíblicos a partir do uso dos recursos proporcionados pela sociologia das idéias, da história e da arqueologia.
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