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quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Fotografia Cristã Contemplativa

Boa parte dos leitores deste blog não o sabem, mas eu dentre outros atividades, atuo profissionalmente como fotógrafo. Para aqueles que desejarem conhecer um pouco mais sobre o meu trabalho, eu os convido para visitarem meu blog EPIFANIA. Serão todos muito bem vindos por lá e espero que gostem das imagens produzidas. Mas enfim, este post não foi feito com o intuito de me divulgar, mas com o intuito de mostrar uma descoberta que fiz nesta madrugada.

Fotografia miksang: Julie Dubose
Eu estava procurando por livros que trabalhem com a vertente budista da fotografia contemplativa. Por sinal, de fato, eu só conhecia esta linha de fotografia contemplativa. Um destes livros, que possuo aqui comigo é o True Perception: the path of dharma art do Chogyam Trungpa,  famoso monge budista e mestre tibetano, profundamente interessado em artes e fotografia, uma das grandes figuras a disseminar o conhecimento budista no Ocidente. Nesta noite eu estava analisando a compra de um livro mais recente: The Practice of Contemplative Photography: Seeing the World with Fresh Eyes de Andy Car e Michael Wood. Vocês podem encontrar uma galeria dos trabalhos deles por aqui. Enfim, todo este aproach tem a ver com as possibilidades de um despertar da percepção e dos sentidos no sentido de uma abertura sensorial à "realidade" ou à formas não pensadas da "realidade". Coloco, obviamente, tais definições entre aspas porque não existe algo como "realidade" na fotografia (se é que existe tal coisa na vida como um todo). O fato em si, no entanto, é que existe uma tradição meditativo-contemplativa da fotografia conectada aos ensinamentos e à forma de viver budista. Este tipo de fotografia é chamada de Miksang ("olho bom") e é baseada no Dharma Art, conceito introduzido por Trungpa. Não sou um especialista na área da fotografia contemplativa, apenas um interessado. A minha linha fotográfica possui uma outra trajetória, baseada em uma trilha mais agressiva e instintiva. Por outro lado, a contemplação sempre esteve inserida no meu horizonte visual e considero uma área aberta à profunda experimentação.
Fotografia: Christine Valters Paitner

Mas enfim, qual é pois a razão deste post? Não seria a fotografia miksang, dado que nosso título nos leva a outro tema. Trata-se sim da fotografia contemplativa, mas a partir de uma visão que eu realmente não imaginava - a fotografia contemplativa filosoficamente orientada por uma percepção cristã. Descobri nesta madrugada essa vertente ou expoente através do livro de Christine Valters Paintner, chamado Eyes of the Heart: Photography as a Christian Contemplative Practice. Eu certamente não seria capaz de explicar o que seria isso ao certo. Eu tinha conhecimento anterior sobre a vertente budista da fotografia contemplativa, mas esta linha cristã é algo certamente inusitado e novo para mim. Como o tema é ainda uma incógnita, me contento por hora apenas em apresentar essa idéia e trazer a vocês um pouco do trabalho da Christine Paintner em uma viagem sua feita à Irlanda. Como eu tenho lá um grande apreço pela cultura e pela iconografia celta, bem como pela natureza cercada por brumas daquelas terras, fica aí um bom convite à contemplação.


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quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Pesquisa seminal sobre Corpus Hermeticum no Brasil

Tenho muito prazer em compartilhar no AD CUMMULUS este projeto desenvolvido pelo grande camarada David Pessoa de Lira, uma corajosa pesquisa seminal no Brasil, em um tema de interesse primoroso para os fins do biblioblog. De fato o hermetismo é uma névoa insondada pelos estudos em português, e assim, pode estar sujeita a conjecturas sem firme embasamento. David descortina importantes nuances, perspectivas e contribuições para a compreensão do ideário religioso. Abaixo, a notícia de divulgação da Escola Superior de Teologia e uma apresentação do trabalho, oferecida com muita cordialidade pelo próprio David e que aqui socializamos com os leitores.


Doutorando do PPG/EST realiza pesquisa inédita no país 

O título provisório de sua tese é “Ὁ Κρατήρ: Uma Análise do Corpus Hermeticum IV. 3-6a.” O objeto da pesquisa é "O Tratado Hermético Ὁ Κρατήρ na História das Antigas Religiões do Mediterrâneo Egípcio-Helenístico – Uma Análise Exegética do Corpus Hermeticum IV. 3-6a."

De forma variada, seus objetivos são:


  • Analisar a concepção de βαπτίζω [baptizō] no Tratado Ὁ Κρατήρ (C.H. IV.3-6a) e estabelecer sua relação com os textos de Timæus 41 D (de Platão), De somniis II. 183, 190, 249 (Filo de Alexandria) e de Provérbios 9.1-6 (LXX).
  • Apresentar um panorama da Literatura Hermética, inclusive do texto em questão, C.H. IV. 3-6a, no original grego. Buscar-se-á identificar assim as formas de exposição do tema Hermetismo e Literatura Hermética na História das Antigas Religiões Mediterrâneas, principalmente, na História do Mundo Contemporâneo do Novo Testamento e da Igreja Primitiva, Contexto e Substrato do Novo Testamento, a fim de proporcionar ao tema seu devido lugar na disciplina; 

No Projeto, David salienta:

Portanto, a presente pesquisa do Corpus Hermeticum se justifica por se tratar de um objeto de pesquisa da História do Mundo Contemporâneo do Novo Testamento e da Igreja Primitiva, Contexto e Substrato do Novo Testamento, da História das Antigas Religiões Mediterrâneas, da História da Filosofia, além de ser objeto mesmo do estudo da Filologia e da Linguagem e Interpretação. Vários são os estudiosos que fizeram pesquisas acerca do Corpus Hermeticum, os filólogos Richard August Reitzenstein, Arthur Darby Nock, André-Jean Festugière; o semioticista Humberto Eco; os filósofos Giovanni Reale, Garth Fowden; o historiador das religiões Mircea Eliade; o cientista da religião Giovanni Filoramo; os exegetas do NT e Teólogos John Horman, Thomas McAllister Scott; o historiador Charles Flowers; a doutora em língua inglesa Cassandra Cherie Amundson; a pesquisadora Willis Barnstone; entre muitos outros e outras.

A realização desta pesquisa na Área de Bíblia – Especialidade Novo Testamento – torna-se de suma importância pelo fato de que, desde Wilhelm Franz Bousset and Richard August Reitzenstein até os nossos dias, os Escritos Herméticos têm sido estudados no âmbito maior na História das Religiões e da Filosofia e relacionados com Fenômeno Gnóstico. A Escola da História das Religiões (Religionsgeschichtliche Schule) empregou, entre várias fontes, o Corpus Hermeticum para evidenciar a existência das antecedências gnósticas sobre o Cristianismo. Reitzenstein considerava o Corpus como produto final de um movimento que tinha se desenvolvido por um longo período de tempo, cujo início se deu antes da Era Cristã. Neste sentido, ele acreditava que os Escritos Herméticos poderiam ser uma fonte aplicável e confiável para interpretar e aclarar muitos elementos característicos das doutrinas cristãs e sua teologia com certa segurança. Não é raro ver que muitos acadêmicos têm seguido essa teoria. Eles têm colocado ou situado o Hermetismo como uma seção ou capítulo dentro do assunto Gnosticismo para explicar as origens do Gnosticismo, mesmo quando eles estão tratando daquilo que é rotulado como Gnosticismo Cristão. Foi justamente com essa Escola, na metade do século XIX ao início do século XX, que começou um criterioso estudo e uma acurada pesquisa histórico-religiosa na área de Novo Testamento. Os pesquisadores tinham como objetivo situar o NT no ambiente das antigas religiões, estabelecendo comparações histórico-religiosas, com a finalidade de identificar as possíveis relações de dependência entre o cristianismo e as outras religiões de seu mundo assim como conhecer melhor os sentidos próprios dos conceitos e ideias no Novo Testamento.

Sendo assim a pesquisa sobre o Corpus Hermeticum e o Hermetismo tem sua relevância não só na área de uma Teologia Cristã (Novo Testamento), mas também na área da Filosofia, Ciências da Religião (inclusive História das Religiões e Fenomenologia da Religião), Psicologia, Antropologia, Filologia e História. Sendo assim, ela contribui para uma boa compreensão do Movimento Hermético na História das Antigas Religiões Mediterrâneas, e principalmente quando se fala do Mundo Contemporâneo do Novo Testamento.


Esmiúça a seguinte hipótese:

Visto que aparece a palavra baptizo no texto em que procedo a análise e ao mesmo tempo ali, semanticamente, se trata de um texto de banquete, eu digo que baptizo não quer dizer necessariamente imersão, mas mistura, misturar, significa que ali há possibilidade do texto ter sido empregado na festa de Tekh que acontecia no ano novo, no período da cheia do Nilo, quando havia um ritual de beberagem e comensalidade. Então ali não se trata nem de imersão nem de qualquer compreensão cristã.

Quando o texto fala βάπτισον σεαυτὴν ἡ δυναμένη εἰς τοῦτον τὸν ϰρατῆρα no C.H. IV.3-6a ele não quer dizer “batiza-te a ti mesmo na cratera que tu podes”, mas algo para significar “mistura na cratera tu que podes”. O redator/autor deve ter empregado uma alegoria antiga da cratera e deve ter adaptado as palavras ao contexto egípcio, visto que ϰεράννυμι [kerannȳmi] e μίγνυμι [mignȳmi] não poderiam traduzir a palabra “Tekh”, mas encher, mergulhar, transbordar, era o ritual de "Thoth”.

David assinala as implicações, em que segundo ele batismo não significa apenas “imergir, mergulhar”, nem só “embebedar”, mas também misturar. Desafia frontalmente as teorias de muitos que diziam que aqui estava vinculado com a prática ritualística grega ou a mistura de dois sacramentos; os herméticos não tinham sacramentos. A “gnose” para os herméticos é comer e beber do conhecimento. Logo, "não se deve fazer a confusão do Hermetismo com qualquer movimento gnóstico-cristão.”



Sobre o autor: 


David hoje estuda na EST, mas seu contato com o assunto "Literatura Hermética" surgiu quando lera “A Interpretação do Quarto Evangelho”, de C.H. Dodd na Biblioteca do SAET (Seminário Anglicano de Estudos Teológicos do Recife). Daí, percebera que não havia muitos materiais em português e quase nada se produzia sobre isso no Brasil, de onde partiu seu interesse em pesquisar sobre a Literatura Hermética e Hermetismo, sendo hoje o pioneiro dessa pesquisa.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Cristologia e Messianologia Centrífuga e Centrípeta no livro de Hebreus


Em uma postagem, “Transculturalismo e retórica nocristianismo nascente”, fiz umas asserções polêmicas em relação a questão da evolução da cristologia e do ideário em torno da figura de Jesus ao longo do período inicial de desenvolvimento do cristianismo.

Ela bate de frente com a perspectiva da formação paulatina através do sincretismo e assimilação de idéias alheias as quais não encontravam fundamento ou ressonância em períodos anteriores, emergindo assim destas incorporações, uma configuração completamente nova em relação à matiz judaica da igreja nascente.

Nesta postagem, trabalhei primeiramente com pontos de retórica paulina, argumentando que ela adotava estratégias e pontes que consistiam em “em reapresentar e/ou confrontar termos e formulações de doutrinas ou pensamentos alternativos e/ou divergentes de maneira a usa-los como apoio ao seu evangelho, como instrumento de demonstração do papel de Jesus num quadro de pensamento mais amplo numa atividade fagocitária.” E mais adiante afirmei que (...)”O autor de Efésios, na linha do ambiente de Paulo, utiliza a mesma estratégia”.

Para poder ter uma visualização mais próxima, nesta postagem agora debruçaremos especificamente em um documento importante no Novo Testamento, emanado de e para um ambiente judaico helenizado. Já fora mencionada na postagem sobre a qual comentara, que “Perspectivas, crenças e expectativas judaicas que eram polêmicas para com o cristianismo poderiam ser sujeitas do mesmo recurso tal como mencionamos em relação às outras linhas de pensamento ou visões de mundo. O livro de Hebreus ilustraria isso através das diversas drashs - 'interpretação; descobrir o significado através da midrash, por comparação palavras e formas e também por ocorrências semelhantes noutros locais'- desenvolvidas envolvendo a figura de Melquisedeque, Moisés, os serviços rituais do Templo...”

Este livro possui datação controversa, variando entre os especialistas de ser dos meados dos anos 60 a última década do século I. Eu me inclino a considerar ser de pouco após a destruição do Templo de Jerusalém. O autor é ainda mais controverso, para o qual temos menos dados aproximativos ainda e o grau especulativo é bem maior. É notório que se trata de algum judeu helenizado e bastante culto, conhecedor de técnicas rabínicas de exegese e exposição.

foi apresentado aqui no blog um importante autor e pesquisador, David Flusser, com um ímpar conhecimento de fontes judaicas do século I a.C., e dos sécs. I e II. Em um importantíssimo trabalho [1],  ele se debruça sobre a retórica e matiz hermenêutica do autor de Hebreus.

Flusser apresenta uma série de discussões presentes em Midrashs (sobretudo de Salmos como o 8, 22, 68, 84, 110), targuns aramaicos (sobretudo do livro de Isaías e Zacarias), comentários presentes nos manuscritos do Mar Morto, Documento de Damasco, Pergaminho de Ação de Graças, debates entre rabinos e escolas rabínicas, em que se debate o papel e o grau do status do Messias; em que são justapostas as figuras do Messias Sacerdotal, de descendência levita e referenciando-se a Aarão, com o Messias de Realeza, referenciando-se em Davi, com escolas diferentes exaltando um a mais do que outro. Discussões envolvendo traduções e interpretações bíblicas, incluindo a versão da Septuaginta, sobre interpretações diferentes dos status dos anjos, ante à figuras importantes no imaginário judaico, como Moisés, Abraão, Davi, Zorobabel, e o Messias, com diversas apontando o status superior deste. Também com Melkizedeque, que é visto como uma figura de expressão de Deus, até mesmo com um ser arquetípico da realeza davídica (Malkhi-Zedek = Rei de Justiça). Essas figuras apareciam em diversas expressões, como mais exaltadas ontologicamente do que qualquer outro ser humano, a nível acima do humano.

O autor de Hebreus teria se engajado então em toda essa matiz, em que haviam debates contemporâneos a ele, que permaneceram por tempos, mas também diversos textos atestando controvérsias anteriores, como os Salmos de Salomão, que permaneciam fortes em seu tempo. Ele teria usado um método de argumentação semelhante às discussões rabínicas, pegando o gancho para trazer para discussões internas nas igrejas cristãs judaico-helênicas, com uma noção nova, em que imagens e artes retóricas são tomadas de empréstimo de forma útil para apresentar a superioridade de Jesus Cristo e seu papel elevado exaltado ao lado de Deus. Combinaria já na glorificação de sua missão terrena o papel presente do Mais Alto Sacerdote, junto com Deus, com sua obra presente, ainda a ser consumada, de Grande Juiz e Rei sobre o cosmo. Sua eternidade com a ressurreição, sua preexistência na hipóstase da “Sabedoria” de Deus, seu papel de Filho ante aos ministradores e servos, o testemunho direto de Deus, são motivos invocados ligados com passagens-chave dos debates.

Segundo Flusser (pg 38, 39), 

Por um lado, o tema principal de Hebreus é a tentativa de provar, a partir das Escrituras, que a nova dispensação é superior à antiga e que, para esse propósito, o autor tenta persuadir seus leitores da vantagem de Cristo como Filho de Deus sobre várias personalidades, instituições e criaturas celestiais do Velho Testamento. Por outro lado, a justaposição não se origina de uma luta espiritual entre a nova comunidade cristã e a velha comunidade de Israel, ou um de seus grupos. Pelo contrário, o autor cristão toma, para sua polêmica, material literário do judaísmo de seu tempo. Os próprios judeus, em debates internos ou num esforço comum, estavam então discutindo o grau mais alto ou mais baixo de personalidades bíblicas e criaturas celestiais.(...)
A fusão de idéias e motivos judaicos com a nova perspectiva cristã é típica não apenas da Epístola aos Hebreus, mas também de todos os escritos do segundo estrato do cristianismo.
(...)Temos de lembrar que nem todos os motivos usados no cristianismo do Novo Testamento a fim de descrever o caráter divino de Cristo e sua tarefa cósmica são especificamente cristãos. Muitos deles se originaram de especulações judaicas sobre a pessoa e grau do Messias e figuras bíblicas, bem como de outros theologoumena judaicos.

Outros pesquisadores de formação diversa detêm-se em pontos específicos que ampliam nossa percepção a respeito deste trabalho no livro.

Christopher Richardson [2], PhD pelo Covenant Theological Seminary, argúi a respeito da discussão do autor de Hebreus circundando a figura enigmática de Melquisedeque, que sua discussão visa ao ponto de que “(...)Como Melquisedeque , a quem 'não tem fim de dias' mas 'para sempre permanece sacerdote',  o sacerdócio de Jesus também 'é dependente da....qualidade de vida' que ele possui (78). No caso de Jesus , é vida ressurreta que é decisiva , já que ele se 'tornou-se um sacerdote ... através do poder de uma vida indestrutível' (7:16 , ver também 7:24-25)" .


Tratando da arte argumentativa do autor, Herbert W. Bateman, professor de Novo Testamento no Southwestern Baptist Theological Seminary em Fort Worth, Texas, faz [3] uma contribuição colocando as abordagens das Escrituras pelo autor de Hebreus em paralelo com documentos de Qumrã e as sete regrasexegéticas atribuídas a Hillel, no que frisa a questão messiânica da realeza davídica.

Pamela Eisebaum [4] professora Associada de Estudos Bíblicos e Origens Cristãs,no Center for Judaic Studies da Universidade de Denver, escreveu uma importantíssima dissertação em que ela expõe sobre Hebreus 11, traçando paralelos com listas de heróis da Bíblia Hebraica, da literatura judaica do século I e listas greco-romanas de heróis. Ela entrevê alusões com retóricas em Aristóteles, Quitiliano, Isócrates e Cícero, deixando evidente, contudo, a proximidade bem maior com as listas judaicas, ainda que em sua complexidade, não fica nada a perder com a retórica helênica, que oferece uma caracterização considerável, em sua multidimensionalidade, para o estudo do capítulo, na estratégia de legitimação da comunidade cristã à qual o livro é endereçado.

Análises de pequenas partes-chave do livro servem para assentar de maneira mais opaca este vislumbre.  Craig Keener, Ph.D. na Universidade de Duke, professor de Novo Testamento no  Asbury Theological Seminary, discorre sobre 2.10 [4]:
O termo archçgos, traduzido “autor”, ou “príncipe”, significa “pioneiro”, “líder” ou “campeão”. O termo era usado para heróis humanos e divinos, fundadores de escolas ou aqueles que cortavam um caminho adiante para os seus seguidores.

Sobre 1.5, uma passagem-chave, Keener explica:
O autor cita o Salmo 2.7 e 2 Samuel 7.14, textos que já haviam sido ligados a especulações sobre a vinda do Messias (nos Manuscritos do Mar Morto). Os intérpretes judeus frequentemente ligavam os textos por meio de uma palavra-chave comum; a palavra aqui é “Filho”. Como muitos outros textos messiânicos, o Salmo 2 originalmente celebrava a promessa para a linha davídica em 2 Samuel 7; a “geração” se refere à coração real – no caso de Jesus, sua exaltação (cf. similarmente a At. 13,33).

Como ressaltado na postagem “Transculturalismo e retórica”, esta estratégia abre campos de pesquisa ampliados sobre a retórica e apologética no cristianismo nascente, com imensa demanda de pesquisadores e trabalhos.

Há um amplo campo sob o escopo do que se mostra como um espectro de tentativas de pensar o divino e sua relação com o mundo à medida que se busca comunicar as convicções do cristianismo nascente acerca do papel de Jesus para com o a história e com o culto e seu papel redentor, de acordo com as matizes culturais do ambiente de vida da igreja nascente. Um marco em amplitude de abordagem e que abre diversos caminhos a serem explorados, dentro do que trabalhamos nesta postagem espeficicamente, relacionando com um ângulo alternativo, o impacto e reação dos rabinos e os reflexos e reações nos movimentos gnósticos,  é a obra de Alan F. Segal, "Two Powers in Heaven: Early Rabbinic Reports about Christianity and Gnosticism".


[1] Flusser, David. “Messianologia e Cristologia na Epístola dos Hebreus”, captulo II de “O Judaísmo e as Origens do Cristianismo”, volume 2. Rio de Janeiro, Imago, 2001. 

[2] Richardson, Christopher; “The Passion: Reconsidering Hebrews 5.7–8” , em Bauckham, Richard; Hart, Trevor; MacDonald, Nathan; Driver, Daniel. eds. “A Cloud of Witnesses: The Theology of Hebrews in its AncientContexts". Library of New Testament. Studies 387

[3] Bateman, Herbert W. “Early Jewish Hermeneutics andHebrews 1:5-13: The Impact of Early Jewish Exegesis on the Interpretation of aSignificant New Testament Passage”.  American University Studies, Series 7: Theology and Religion 193. New York: Peter Lang, 1997.

 [4] Eisenbaum, Pamela Michelle. “The Jewish Heroes ofChristian History: Hebrews 11 in Literary Context”. SBL Dissertation Series 156. Atlanta: Scholars Press, 1997.

 [5] Keener, Craig S. “Comentário Bíblico Atos – NovoTestamento”. Belo Horizonte. Ed. Atos, 2004. “Hebreus” PPS 669-707.


terça-feira, 13 de outubro de 2009

Matthieu Ricard

Já faz um bom tempo que não posto por aqui. Tempos difíceis e tempos em que lutamos contra o tempo. Espero poder retornar aos poucos a este espaço pelo qual tenho tanto carinho e apreço.

Gostaria hoje de partilhar uma ótima descoberta. Eu sou um apreciador da boa fotografia. E também um apreciador da religiosidade humana. O nome importante é o deste senhor chamado Matthieu Ricard.




Mattieu é doutor em genética molecular pelo Instituto Pasteur na França. Em 1972, logo após ter completado este Phd, ele resolveu largar a vida acadêmica e se dedicar à prática do budismo tibetano. Ele passou anos estudando no Himalaia e se tornou discípulo de Dilgo Khyentse.




Nesta vivência no universo budista, Mattieu se tornou um fotógrafo de primeira, realizando belíssimos trabalhos visuais tais como os vistos nessa página, bem como os que encontramos em seu site oficial. Não deixem de conferir sua galeria. Suas fotos possuem uma beleza estremamente profusa em cores e leveza. Não deixem também de conferir os seus trabalhos impressos: Motionless Journey: From a Hermitage in the Himalayas e Bhutan: The Land of Serenity. É uma viagem garantida por estes universos exóticos e tão belos do budismo tibetano.

domingo, 12 de abril de 2009

A Ressurreição de Hórus


Acompanhamos muitas discussões, sobretudo virtuais, a respeito das diferentes histórias de ressurreições nas religiões mundiais. Comumente se apresentam dentro de diversos comentários, peremptórios que, infelizmente, e descuidadamente, se negligencia apresentar os relatos para os participantes poderem ter uma discussão objetiva. Vemos polêmicas sobre os personagens e relatos, mas não os vemos, propriamente, apresentados.
Apresento um trecho de um dos mais comentados e polemizados: o relato da ressurreição de Hórus. O texto é encontrado na Estela de Metternich, linhas 168-249. Estela encontrada em Alexandria, no início do século XIX. É datada do reinado de Nectanebo II, o último dos faraós da 30º dinastia, próximo a 340 a.C.



A Cura de Hórus

Continuando a trama de
Ísis e os sete escorpiões
,a referida mãe se encontra nos pântanos de Quêmis fugindo das garras de Set com seu filho recém-nascido Hórus. Anteriormente, após ter tido a acolhida rejeitada por uma velha rica, um dos escorpiões da deusa ferroa e mata o filho da anciã, e Ísis invoca magia para curá-lo.

Neste agora, um escorpião ataca o menino Hórus, que desfalece. Ísis apela aos outros deuses, e Tot, cruzando a barca de Ra, vem para fazer voltar à vida Hórus, por meio de sua mágica.

Postaremos alguns trechos apenas, que focam mais a morte e a ressuscitação.

Eu sou Ísis, fecundada por seu marido [obs. Disso se infere que não nasceu de uma virgem; na verdade, foi um ato de necrofilia com Osíris] e grávida do deus Hórus. Pari Hórus, filho de Osíris, em um ninho de papiro e disso me rejubilo muito, porque vi aquele que vingaria seu pai. Eu o escondi, ocultei-o com medo dele ser reconhecido. Fui à cidade de Buto, a implorar com medo da perseguição [contra Hórus] e ocupei-me de buscar alimento enquanto a criança brincava. Voltei para abraçar Hórus e o encontrei, o belo Hórus de ouro, a criança indefesa e sem pai.Ele molhava a terra com a água de seu olho e a saliva de sua boca, seu corpo estava prostrado, seu coração parado, nenhum músculo de sua carne se movia mais. Dei um grito: “Estou aqui, estou aqui, criança infeliz, pra te ajudar!


Todos [pescadores] se afligiam muito, mas não havia quem conhecesse a arte de fazer reviver. Então veio a mim uma mulher sábia em sua arte, senhora nobre em sua terra. Veio a mim com uma cruz – ãnkh - e seu coração estava confiante em sua arte.


Mulher:

Não temas, não temas, ó pequeno Hórus! Não te desespere, ó mãe do deus! (....)Set não entra nesta terra, não vagueia por Quêmis. Hórus está protegido contra a maldade de seu adversário e nem os que o seguem podem feri-lo. Procura a causa disto ter acontecido e então Hórus viverá para sua mãe. Com certeza um escorpião o picou ou uma cobra o mordeu.


Ísis, pondo o nariz na boca do menino, descobre o veneno, exclamando que a criança fora picada.

TOT:
não temas mais, não temas mais, ó deusa Ísis! Ó, Néftis, não te lamentes mais! Eu vim do céu com o sopro da vida a fim de ressuscitar o menino para sua mãe.


[Após diversas invocações]:

Para trás, veneno! É a boca de Rá que te exorciza, é a língua do grande deus que te repele! A Barca de Rá parou e não conduzirá o disco solar para além de seu lugar de ontem até que Hórus se cure para alegria de sua mãe Ísis!
(....) Eu sou Tot, primogênito de Rá, portador das ordens de Atum, pai dos deuses, para que Hórus seja curado para sua mãe Ísis!
Ó Hórus, Hórus! Teu ka é a tua proteção, teus seguidores velam em tua defesa. O veneno está morto, sua ardência foi expulsa, deixou de queimar o filho da Poderosa. Ide para vossas casas, Hórus reviveu para sua mãe!

Ísis –
Dá ordem sobre isso aos habitantes de Quêmis, às amas que estão em Buto. Ordena-lhes proteger a criança para sua mãe, fazendo-lhes saber minha situação em Quêmis; uma abandonada, fugitiva de sua própria cidade.


Leia mais: Araújo, Emanuel. Escrito Para a Eternidade: A literatura no Egito faraônico. UNB.Brasília, 2000.pgs 141-151.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

A história de Ciro: Iahweh ou Marduk?



O texto a seguir foi encontrado em um cilindro na Babilônia. Ele se refere à Marduk [principal divindade zoroastriana] e à Ciro [conquistador persa]

"Marduk examinou todos os países de modo aprofundado à procura de um príncipe reto, segundo o seu coração. Ele tomou Ciro, rei de Anshan, pela mão, fez menção dele, pronunciou o seu nome para que ele exercesse o principado sobre o mundo inteiro; submeteu aos seus pés o país de Gutium, todos os medos. [...]"


O texto nos mostra a divindade babilônia escolhendo Ciro para dominar todo o mundo. No entanto, na bíblia encontramos a seguinte passagem do Segundo-Isaías:

Isaías 45:1-3 -

"Assim diz Iahweh ao seu ungindo, a Ciro que tomei pela destra, a fim de subjugar a ele nações e desarmar reis, a fim de abrir portas diante dele, a fim de que os portões não sejam fechados. Eu mesmo irei na tua frente e aplainarei lugares montanhosos, arrebentarei as portas de bronze, despedaçarei as portas de ferro e dar-te-ei tesouros ocultos e riquezas escondidas, a fim de que saibas que eu sou Iahweh, aquele que te chama pelo teu nome, o deus de Israel."



Ao final das contas, quem tomou Ciro pelas mãos?

Foi Iahweh ou foi Marduk?

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

O Hino posterior à Ceia

Mateus 26, 30 - "Depois de terem cantado o hino, saíram para o monte das Oliveiras."


Encontrei no apócrifo Atos de João uma referência à continuação possível deste versículo, contendo o Hino anterior à paixão, realizado após a última ceia.

"Antes que fosse preso pelo julgamento dos Judeus, O Mestre nos reuniu a todos e disse:
"Antes que eu seja entregues a eles, cantaremos um hino ao Pai e, em seguida, iremos ao encontro daquilo que nos espera."
Ele pediu que nos déssemos as mãos em roda e colocando-se no meio, disse:"Respondei-me Amém."
Começou , então a cantar um hino que dizia: "Gloria ao Pai". E nós ao redor lhe respondíamos:"Amém".
"Glória á Graça; glória ao Espírito; glória ao Santo; glória a sua glória." - Amém.
"Nós o louvamos, ó Pai; nós lhe damos graças, ó Luz em que não habita as trevas." - Amém.
"Agora direi porque damos graças:"
"Devo ser salvo e salvarei." - Amém.
"Devo ser liberto e libertarei."-Amém.[...]


Segundo as notas da Bíblia de Jerusalém e da Bíblia do Peregrino, o hino cantado se refere aos chamados Salmos do Hallel, sl 113-118, cuja recitação encerravam a ceia pascal.De qualquer forma, trata-se de um momento que deve ter sido de rara beleza, um último canto fraternal entre Jesus e seus discípulos, naquele momento de sabida despedida.Segundo o texto Salmos de Aleluia :"A tradição judaica sugere que os Salmos 113-118 eram cantados na Páscoa. Os Salmos 113 e 114 eram cantados antes da refeição da Páscoa; os Salmos 115-118, depois. O Salmo 136, o Grande Hallel, era cantado no ponto mais alto da festa."Sobre a palavra Hallel, encontramos aqui uma boa explanação.

Elaine Pagels, no livro Além de toda Crença (2004:132), postula que o autor desconhecido dos atos de João tenha incorporado a doutrina joanina (do evangelho de João) para postular conceitos gnósticos normalmente associados ao Evangelho de Tomé:

"É evidente que quem compôs este hino encontrou no Evangelho de João inspiração para o tipo de ensinamento que com mais frequência associamos a Tomé, pois aqui Jesus convida os discípulos a se se verem nele:

'O que estou prestes a sofrer te pertence. Pois de maneira alguma poderias compreender o que sofres se eu não tivesse sido enviado a ti como verbo [logos] pelo Pai [...] se soubesses como sofrer, serias capaz de não sofrer´


Então, na Dança da Cruz, Jesus diz que sofre a fim de revelar a natureza do sofrimento humano e ensinar o paradoxo que o Buda também ensinou: quem ganha consciência do sofrimento simultaneamente se liberta dele."


A passagem é extremamente interessante, pois nos mostra indícios típicos de práticas de ascese mística impulsionadas por canto e dança em comunhão. Tais práticas podiam ser vistas já em textos encontrados em Qumran tais como o Canto dos Sacrifícios do Sabbath no qual os praticantes possivelmente ascendiam a uma dimensão superior povoada por anjos. Tais viagens místicas faziam parte de uma tradição judaica que estava se desenvolvendo ali logo nos primórdios do cristianismo (e muito bem estudada por Gershon Scholen em seu famoso livro A mística judaica, Ed. Perspectiva, São Paulo. 1972.) - os viajantes da Merkabah (ou o carro divino)! Nos é bem factível a visão de uma reunião de um grupo cristão gnóstico, baseando-se neste texto dos Atos de João, realizando a cerimônia da eucaristía e uma dança mística posterior. Eles provavelmente entravam em uma faixa psíquica diferenciada, através do ritmo e repetição musicais, embalados ainda por movimentos da dança. De certa forma, tal especulação me lembrou dos praticantes sufi do Dervish, dançando em círculos (como neste video do youtube).

Aparentemente, nos parece estranha esta associação entre cristianismo e dança, logo ali nos seus primórdios. No entanto, se observarmos, por exemplo, várias das práticas dos movimentos pentecostais hoje em dia, tal estranhamento desaparecerá no mesmo instante.

Ps. Sobre as diferenças e ligações entre as práticas e concepções teológicas dos sufistas e o cristianismo, sugiro este bem detalhado texto escrito por John Gilchrist, como tópico de uma obra maior chamada Muhammad and the Religion of Islam.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

A inscrição Samaliana e a separação da Alma

Não posso deixar de comentar a notícia publica pelo NY Times sobre a recente descoberta de uma Estela na região da Turquia onde fica a atual cidade de Zincirli (e onde ficava a antiga cidade de Sam´al), contendo uma inscrição mortuária semítica referente à separação da alma do corpo. Uma outra variante da notícia pode ser encontrado no PaleoJudaica. A notícia tem corrido o mundo dos biblioblogs (tais como o Balshanut e o NT Wrong, dentre outros), gerando variados comentários. Eu serei mais um destes.

Para aqueles que não sabem, a crença corrente entre os povos semíticos sobre o post-mortem era a de que a alma acompanhava o corpo em sua peregrinação para o mundo dos mortos (no caso dos israelitas e judaítas - o sheol)! A estela de Sam´al, no entanto, datada do século VIII a.C. nos fornece uma outra perspectiva e abre um novo campo de investigações sobre o assunto, fazendo com que tal tema seja melhor esquadrinhado. A estela encontrada é basicamente uma lápide mortuária, elaborada ainda no período em que o sepultado se encontrava ainda vivo.

O texto assim diz:

"Eu, Kuttamuwa, servo de [o rei] Panamuwa, sou o único que supervisionou a produção desta estela para mim mesmo enquanto ainda estava vivo. Eu a coloquei em uma eterna câmara [?] E criou um banquete, nesta câmara: um touro para [o deus] Hadad, um carneiro para [o deus] Shamash e um carneiro para a minha alma que se encontra neste estela ".


A tradução para o inglês foi feita pelo Dennis Pardee, um professor de Civilização e Linguagem do Oriente Próximo na Universidade de Chicago. De acordo com ele, a palavra usado por Kuttamuwa em sua estela para alma é a palavra aramaica nabsh. O alfabeto utilizado é o fenício, mas linguagem é aramaica. A representação pictórica da estela é também impressionante, dado que mostra um indivíduo barbado [Kuttamuwa, provavelmente] sentado em uma cadeira se alimentando de pão e tomando vinho. Tal representação nos dá indicações sobre a concepção post-mortem naquela região e contexto histórico. Mais impressionante ainda é o fato de que Kuttamawa afirmar que a sua alma se separou do corpo e agora reside ali mesmo na pedra da estela! O autor da estela faz referência a duas divindades: Hadad e Shamash. O primeiro é o conhecido deus da tempestade, Baal. Já o segundo é o deus semítico do sol.

Tal descoberta é realmente desconcertante para as até então concepções sobre o post-mortem entre os semíticos. A concepção judaica antiga, por exemplo, era a de que os indivíduos, após sua morte, desciam ao reino dos mortos e dos túmulos e ficavam por lá em um estado enfraquecido de existência (perambulando desnorteados ou semi-adormecidos). A idéia de uma vida boa no post-mortem entre os semitas, regada a boa comida e vinho, é realmente um achado inusitado. Mais além, nos dá informações sobre a separação entre corpo e a alma.

Muito do que se fala, por exemplo, sobre as concepções cristãs sobre o post-mortem se referem à hipótese de uma incorporação de conceitos platônicos, quer nas primeiras gerações de cristãos, através da junção entre a filosofia grega e as escrituras, notadamente nos tratados de apologética e posteriores tratados teológicos, quer no próprio repensar conceitual judaico no pós-exilio babilônico, desenvolvido notadamente a partir do século III a.C. sobre as idéias de imortalidade da alma e da ressurreição dos corpos. Supostamente, a helenização advinda do império alexandrino e seus sucessores selêucidas e ptolomeus teria atuado como um melting pot cultural, facilitando a incorporação dos conceitos platônicos sobre a alma.

A estela samaliana introduz todo um novo rumo na pesquisa sobre tais conceitos. Tudo terá que ser revisto, a partir de agora. Encontramos ali, três séculos antes de Platão, em uma cultura tipicamente semítica, a idéia desconcertante de que a alma de um morto se incorporou a uma tumba e lá vive em uma condição de abundância, separada de seu corpo original. É importante frisarmos que aparentemente há ali nesta cidade de Sam´al uma certa herança cananéia misturada com a cultura hitita, por fim sob domínio assírio.

Ps 1 - Uma imagem em alta resolução da estela pode ser encontrada aqui

Ps 2 - A apresentação oficial sobre os dados de Zincirli, feita por Dennis Pardee e David Schloen, acaba de ser comentada pelo blog Biblia Hebraica.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

A Epopéia de Gilgamesh para Macacos!

Eu já estava indo para a universidade quando o meu amigo Perro Hongo me apresentou o blog Social Fiction. Trata-se, a primeira vista, de um curiosíssimo blog a ser bem explorado [coisa que eu o farei neste fim de semana]. No entanto, não poderia deixar de mencionar essa descoberta fantástica. A estória de Gilgamesh sendo transliterada para uma linguagem inteligível aos símios.

Confira então a epopéia de gilgamesh em lexigramas para macacos!
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    Este blog tem como objetivo central a postagem de reflexões críticas e pesquisas sobre religiões em geral, enfocando, no entanto, o cristianismo e o judaísmo. A preocupação central das postagens é a de elaborar uma reflexão maior sobre temas bíblicos a partir do uso dos recursos proporcionados pela sociologia das idéias, da história e da arqueologia.
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