segunda-feira, 10 de outubro de 2011

"Quem Eles Dizem Que Eu Sou?"- Os Historiadores e Jesus, Parte I: Texto e Contexto (L Michael White, Fergus Millar, Gerd Theissen, GEM Ste Croix)


Uma de nossas maiores preocupações aqui no adcummulus tem sido apresentar ao leitor em lingua portuguesa recursos confiáveis para análise histórica dos textos do Velho e (principalmente) Novo Testamento, e refletir a respeito do Jesus Histórico, da origem do cristianismo, no contexto cultural e social da Antiguidade..... No entanto, não há como ignorar o fato de que uma vez que nossa cultura foi impactada, moldada, influenciada decisivamente pelo cristianismo, é díficil agir com distanciamento crítico. Existe o risco do cristão encarar a análise histórica do cristianismo como a defesa de sua fé e identidade, de seu estilo de vida, e talvez, consciente ou subconscientemente, apele por um "tratamento especial" para as narrativas sagradas. Por outro, os que forem céticos ou mesmo críticos do cristianismo e de sua influência, podem igualmente se sentir atraidos com visões que desqualifiquem, apriori, qualquer tentativa de se analisar historicamente o texto bíblico, uma vez que poderia, de alguma forma, "legitimar" a religião cristã.



Então, a busca das origens do cristianismo, não é, e não será, simples. Pois é dificil fugir da condição de parte interessada. É díficil analisar com distanciamento algo que nos cerca. Mas temos exemplos disso em outras áreas da história, que podem nos ajudar a identifcar as armadilhas que nos esperam, e tentar evita-las. A maioria das pessoas que se interessa por "História do Brasil" será de brasileiros, e vemos muitas vezes como a nossa percepção, presente, dos rumos do país, influência decisivamente nossa visão do passado. É interessante ver como a historiografia retratou figuras como D. João VI, Tiradentes ou os Bandeirantes ao longo do tempo.


Por exemplo, nos debates sobre a "Queda do Império Romano" existem os "catastrofistas" e os "continuistas", mas inúmeras teorias já foram propostas, tais como a "ascensão do cristianismo", degeneração moral", "degradação ambiental", "envenenamento por chumbo", "crescimento do governo". Essas teorias, além de se originarem de algumas evidências específicas, frequentemente são motivadas por percepções e preocupações do presente projetadas sobre o passado. Por exemplo, o Professor Guy Halsall, da Universidade de York, observa que houve uma tendência da historiografia alemã e britânica em ver na "Queda" do Império Romano uma transformação em que os povos germânicos em migração trouxeram "sangue novo" ao já decadente Império Romano [1], enquanto isso, seus colegas franceses e italianos muitas vezes viram nesse mesmo processo, a destruição da "civilização", por "bárbaros", provocando a "Idade Negra"[1], assim, estudiosos franceses lamentavam o fim da civilização romana pelas "invasions barbares" , enquanto os historiadores alemães se referiam a "migração" dos povos germânicos em direção ao Império, o "Völkerwanderungen".[1]

Assim, o "problema" do viés, do "bias", como dizem os americanos, esta disseminado na analise histórica. Surge da necessidade, bem humana, de interpretar o passado a luz da nossa percepção, valores e expectivas no presente. O Professor C. Behan McCullough, um estudioso que tem publicado extensamente sobre a natureza do conhecimento histórico, defende a importância da construção de consensos entre estudiosos de variadas perspectivas e visões de mundo para diminuir o "problema" do viés:

"bias in historical argument can only be checked by other historians familiar with the material, but coming at it from another point of view. This is why consensus among historians is important. Not because this guarantees credibility, but because it helps to eliminate individual bias in historical thinking" [2]
(tradução) vies no argumento do historiador somente pode ser contido ao ser confrontar com outros historiadores familiares com o material, mas que o abordam de uma outra perspectiva. Por isso é que o consenso entre historiadores é tão importante. Não porque tenha garantia de certeza, mas porque ajuda a eliminar a viés individual na discussão histórica"

Assim, a implicação disso nos estudos das origens do cristianismo é que a visão de cristãos tradicionais como McCullough, deve ser analisada junto com a de outros estudiosos qualificados ateus, judeus, cristãos liberais, budistas, espitituais mas não religiosos, de todas as "tribos" que a academia se divide. Uma analogia com que o McCullough propõe, seria entender a busca do consenso e/ou maioria no debate histórico como um tipo de "Congresso" em que as proposições são discutidas aprovadas como em uma "Camara de Deputados". No entanto, indo um pouco além nessa analogia, uma vez que existe o risco um grupo ou conjunto de grupos majoritário criar uma "ditadura da maioria", seria interessante também imaginar uma espécie de Senado, onde as proposições majoritárias seriam revisadas considerando os sub-consensos de cada uma das "tribos", uma vez que cada um dos grupos tem representação igual, independente de seu tamanho. Ou seja, é interessante saber não só o que a maioria dos historiadores pensam sobre o Jesus Histórico, por exemplo, mas também quais são as variações na percepções de estudiosos ateus, judeus, cristão conservadores, esquerdistas, direitistas, feministas, humanistas, alemães, franceses, americanos, brasileiros, japoneses....

Nas próximas semanas, nós vamos apresentar várias análises de historiadores da antiguidade, classicistas, estudiosos do novo testamento, e arqueólogos com objetivo de apresentar como historiadores de várias formações e convicções abordam a origem do cristianismo, Jesus e os evangelhos, sobre pontos como "texto e contexto das narrativas" (Hoje), "fatos básicos", "métodos" e "esboço de uma narrativa construida a partir dos evengelhos e análise histórica. O título da Série será "Quem eles dizem que eu sou, os Historiadores e Jesus". Citamos esses estudiosos não porque concordemos sempre com eles (até porque eles discordam entre si frequentemente), mas no intuito de identificar pontos de consenso e discordância, e prover ao leitor um senso de "mainstream", posições minoritárias, consenso, quase consenso.... Acreditamos que não "multidão de conselheiros, há sabedoria"(Provérbios 15:22).


Parte 1: Texto e Contexto nas Narrativas Evangélicas

Os evangelhos sinóticos epresentam Jesus e seus díscipulos como pregadores itinerantes, que anunciavam o Reino de Deus, e realizam feitos que eram considerados por seus contemporâneos como milagres, notadamente curas e exorcismos, basicamente nas regiões rurais e no interior da Galiléia, governada por Herodes Antipas. Relatam também a visita de Jesus a Jerusalém, em que ele foi acusado pelos "principais sacerdotes" de se proclamar o Messias e o Rei dos Judeus, sendo crucificado por Pôncio Pilatos. Por fim, eles apresentam sua crença de que Jesus era o Messias pois Deus o ressuscitou dos mortos. O Evangelho de João relata outras visitas de Jesus a Jerusalém, por ocasião dos grandes festivais religiosos judaicos, e grande parte da narrativa é focada nessas ocasiões, mas João concorda com os sinóticos em uma base na Galiléia na atividade de Jesus e na narrativa de crucificação e ressureição.

a) L Michael White

L. Michael White, é Professor de História Classica e Religião, e Ronald Nelson Smith Chair in Christian Origins, da Universidade do Texas (Austin). Em seu livro "Scripting Jesus", apresenta as datas geralmente aceitas para a composição dos evangelhos.




"In turn, references in the gospel of Mark, to be discussed latershow that Mark was written sometime near the end of first jewish revolt against Rome. That means sometime between 70 and 75 CE, the dates used by the vast majority of new testament scholars. The remaining New Testament Gospels come in the following decades: Matthew: ca 80-90; Luke 90-100; John 95-120. Although there is considerable debate by scholars about the dates within each of these ranges, the Gospels on the whole fall at least one or two generations after the death of Jesus [3].


(tradução) Por sua vez, referências no evangelho de Marcos, que discutiremos mais tarde, mostram que Marcos foi escrito perto do fim da primeira revolta judaica contra Roma. Isso se deu que em algum momento entre 70 e 75 DC, as datas utilizadas pela grande maioria dos estudiosos do Novo Testamento. Os outros evangelhos do Novo Testamento teriam sido escritos nas décadas seguintes: Mateus: cerca de 80-90 DC, Lucas 90-100 DC, João 95-120 DC. Embora haja muito debate pelos estudiosos sobre as datas específicas em cada uma dessas faixas, os Evangelhos como um todo teriam sido escritos, pelo menos, uma ou duas gerações após a morte de Jesus [3].

Ou seja, embora haja profundas divergências entre os estudiosos sobre quando, onde, para quem, e com que intenção os evangelhos foram escritos, é (quase) consensual que surgiram entre a I e II Guerra Judaica (entre 66 a 132 DC), mas provavelmente entre 70 a 110 DC, em grego . A maioria esmagadora dos estudiosos acredita que Marcos foi escrito primeiro, que Lucas e Mateus o utilizaram, e que por fim foi escrito o evangelho de João. [4] A posição majoritária é que Lucas e Mateus usaram uma fonte comum formada basicamente de ditos de Jesus, chamada Q (ou Quelle, "fonte" em alemão). João, também segundo a maioria dos estudiosos, constituiria uma fonte independente sobre Jesus. Assim, Marcos, Q, as fontes especificas de Mateus (M), e Lucas (L), o evangelho João, as narrativas de nascimento de Jesus, Paulo, além do evangelho de Tomé (principalmente para os estudiosos ligados ao Jesus Seminar) são assim fontes potenciais para o Jesus Histórico, representando cada um visões diferentes existentes no seio do cristianismo primitivo [4]

Professor White descreve as implicações desse fato. O que significa esse deslocamento temporal (e geográfico) de quarenta a setenta anos entre a morte de Jesus e o relato de sua vida? Teriam os autores evangélicos condição e disposição de buscar tradições orais ou escritas sobre Jesus, ou eles simplesmente inventaram sua narrativa? A resposta é que uma parte significativa é proveniente de uma "tradição oral vibrant esobre Jesus que começou a circular cerca de uma década após sua morte", que entre os estudiosos "ninguem hoje acredita que os evenagelhos foram simplesmente inventados.


"The gap between the death of Jesus and the composition of the Gospels means either that the Gospels were made up out of whole cloth or that they were based on older tradition and stories that had circulated only in oral form until they began to be written down many years later. Frankly, no one today would argue that they were merely made up. Various factors support the view that a vibrant oral tradition about Jesus had already begun to circulate within a decade or so after his death [5]. (tradução) O lapso de tempo entre a morte de Jesus e a composição dos Evangelhos, implica ou que os textos foram completamente inventados ou que foram baseadas em tradições e estórias mais antigas que circulavam oralmente, até que começaram a ser escritas muitos anos mais tarde. Francamente, ninguém hoje em dia acredita que os evangelhos foram simplesmente inventados. Vários fatores suportam a posição de que uma tradição oral vibrante sobre Jesus já tinha começado a circular dentro de uma década ou mais depois de sua morte [5]



Ainda segundo o Professor White a existência dessas tradições orais, e, possivelmente, textos escritos (como Q), implicou que a preservação das memórias sobre Jesus. No entanto, a natureza fluida dessas tradições implicaria, segundo White, que foram moldadas e remodeladas pelos evangelistas para atender as necessidades específicas de evangelização, instrução, edificação, e defesa da Fé, de suas comunidades. As comunidades para qual foram endereçadas eram, provavelmente, urbanas, em cidades como Efeso, Antioquia, Corinto, Roma.


It is also possible that there were earlier written sources that are now lost. Though not likely whole "Gospels" as we think of them, they too represent stages in the development of the oral tradition from which the later Gospel writers could draw. Yet the nature and extent of this oral tradition (to be discussed in greater detail in Act 11 below) ensured preservation of early memories, but within fluid and malleable modes of transmission. The writers of the Gospels who used these oral traditions were also capable of combining and reshaping them to fit their own needs, or more precisely the own perceptions regarding what their audiences needed in order to believe in Jesus. They were promoting their faith by telling and retelling the story of Jesus in new and varied situation.(tradução) Também é possível que tenham existido fontes escritas anteriormente que tenham se perdido. Embora não seja provável que não fossem "Evangelhos" completos, tais como nós temos hoje, eles também representam estágios no desenvolvimento da tradição oral a partir do qual aqueles que posteriormente escreveram os Evangelho poderiam ter utilizado. Ainda que a natureza e a extensão dessa tradição oral (a ser discutido em maior detalhe no Ato 11 abaixo) tenham garantido a preservação das memórias primitivas, isso ocorreu a partir de modos de transmissão fluidos e maleáveis. Os escritores dos Evangelhos que usaram essas tradições orais também eram capazes de combinar e remodelando-os para atender suas próprias necessidades, ou mais precisamente suas próprias percepções sobre o que era mais necessário a suas audiências, a fim de crer em Jesus. Eles estavam promovendo a sua fé contando e recontando a história de Jesus em situações novas e variadas. [5]



Assim, o conjunto de memórias associados a Jesus foi interagindo com as necessidades específicas das comunidades cristãs sendo eventualmente postas em forma escrita, até o desenvolvimento das narrativas sistemáticas que temos hoje nos evangelhos a partir desse "núcleo" de reminiscências do Jesus Histórico e seu Ministério. O debate então se dá, quase sempre, não sobre a existência dese núcleo histórico, mas sua extensão e na forma como foi moldado até chegar nos textos atuais.


b) Fergus Millar

Por sua vez, "Sir" Fergus Milar, Camden Professor of Ancient History, Emérito, da Universidade de Oxford, enfatiza os escritos de Josefo, de um lado, e os evangelhos, de outro, como representando a memória de um mundo, "que o vento (ou melhor, a guerra) levou; o do Segundo Templo do Judaísmo. O Professor Millar observa que Josefo é o ponto de partida para entender e analisar os evangelhos, e ele mesmo, embora escrevendo em Roma anos depois da destruição daquele mundo pela Grande Guerra Judaica de 66-73 DC, traz sua experiência do mundo do Templo, das familias sacerdotais, do governo e das grandes articulações políticas. Mas existe ainda um outro mundo das experiências das vilas e comunidades da Galiléia, e da vida dos judeus mais simples e humildes.


"But of course the most profound testimony to the role of Biblical History in the shoping of popular consciousness is provided by the gospels". For although we cannot state when, where, by who or for whom any of them was written , it is remain beyond question that they emerged out of the same world, the jewish life of Galilee, judean Jerusalem itself, as do the works of Josephus. Indeed those works of Josephus, written far way in Rome between the 70s and the 90s, provide the essential starting point for all discussion of the Gospels. For They are rooted in Josephus experience of a world which had by then disapeared: That of the self government jewish community of Jerusalem, the Temple and the High Priests, the high-priestly families, "the sanhedrim" and the great crowds coming for the major festivals. But there was also another world which was still there, but from which he was now cut off: that of the villages and small towns of the jewish region Gallilee and its neighboring tenets above all" [6]


(tradução) Mas é claro que o testemunho mais profundo para o papel da História Bíblica na formação da consciência popular nos é dado pelos evangelhos ". Pois, embora não se pode afirmar quando, onde, por quem ou para quem qualquer um deles foi escrito, permanece fora questão que surgiram a partir do mesmo mundo, a vida judaica da Galileia, da Judeia própriamente dita e de Jerusalém, assim como as obras de Josefo. Na verdade as obras de Josefo, escritas na distante em Roma entre os anos 70 e década de 90, fornecem o ponto de partida essencial para toda a discussão dos Evangelhos. Pois esta enraizada na experiência de Josefo de um mundo que tinha desaparecido: de uma comunidade judaica que se governava, de Jerusalém, do Templo, e dos sumos sacerdotes, das proeminentes famílias sacerdotais, "do Sinédrio", das grandes multidões que atendiam os principais festivais. Mas havia também um outro mundo que ainda estava lá, mas do qual ele estava agora separado: o das aldeias e pequenas cidades da Galileia e adjacências, acima de tudo " [6]

Os escritos de Josefo (principalmente) - bem como Filo (em menor grau), os manuscritos do Mar Morto, os varios autores que viviam no Mediterrâneo no período, e os dados arqueológicos - nos permitem comparar as narrativa da origem do cristianismo e de seu fundador com a paisagem, a moldura, o background, em que eles emergiram. Isso nos permite fazer juizos quanto a plausibilidade, verossimilhança, e tentar formular hipóteses capazes de fornecer a melhor explicação para a evidência disponível. Por exemplo, se os evangelhos colocam Jesus no ambiente rural e judaico da Galiléia dos anos 20 e 30 DC, e sabemos que eles foram escritos para populações helenizadas, vivendo em cidades como Éfeso ou Antioquia do final do século I e/ou início do II DC, os elementos da narrativa fazem sentido a luz do que sabemos do contexto? Até que ponto a missão de Jesus, conforme as fontes, é coerente com o que sabemos sobre a Galileia dos anos 30 DC, e seus adoráveis profetas, milagreiros e revolucionários (ou ao contrário, Jesus aparece perdido e deslocado do contexto)?

The world which the gospels reflect is precisely the same as that which Josephus experienced, but as it was in the decade before his birth, when Galille was still part of the Tetrarchy of Herod Antipas. The fact that they do genuinely reflect this world with its social division and religion disputes, as it was in the 20s and 30 s, does not mean that they were written either there or then. But They remain authoritative testimony to the concerns and historical consciouness of Jewish Society, in Galilee and Jerusalem above all, before the fall of the Temple. The gospels provide an extremely vivid, and , in geographical terms quite extensive views of what the area of Jewish Setlement was in Jesus time."


(tradução) O mundo que os evangelhos refletem é precisamente o mesmo que Josefo experientou, só que na década anterior ao seu nascimento, quando a Galiléia ainda era parte da tetrarquia de Herodes Antipas. O fato de que eles indubitavelmente refletem este mundo com as suas divisões social e disputas religiosas, como era nos anos 20 e 30, não significa que elae foram escritas nem lá, ou naquela época. Mas eles constituem um testemunho autoritativo das preocupações e consciência histórica da sociedade judaica, na Galiléia e em Jerusalém, acima de tudo, antes da queda do Templo. Os evangelhos fornecem um relato extremamente vívido e, em termos geográficos, bastante extenso do que eram os assentamentos judaicos na época de Jesus. " [6]


Ou seja, o ponto que Millar enfatiza é que os evangelhos, embora escritos para uma outra audiência, em outra lingua, décadas depois, realmente refletem realidades e memórias históricas de um "mundo" galileu e rural dos anos 20 e 30 DC. Nesse aspecto eles são complementares a Josefo como fonte para a vida judaica do século I DC. No entanto, uma vez que foram capazes de preservar uma genuina mémoria histórica, a tal ponto de permitir a "montagem" do cenário, quais são as implicações disso para o seu protagonista?


c) Gerd Theissen


Gerd Theissen , professor de teologia do novo testamento da Universidade de Heidelberg (Alemanha), em livro em co-autoria com a Professora de cultura e literatura do cristianismo primitivo da Universidade de Utrecht (Holanda) Annete Merz, nos oferece um exemplo, entre vários de possíveis, de memória histórica incidental contida nos evangelhos.


"(...) tradições individuais (e complexos de tradição) contêm tanto "colorido local" e tantos "indícios de familiaridade" que devem ter surgido na Palestina.


Mt 11:7-9 o "caniço agitado ao vento" citado no dito é, provavelmente, uma referência irônica as moedas de Herodes Antipas, nos quais era desenhado um "caniço" e que circulavaram apenas em seu reinado "[7]


No texto indicado por Theissen, com versões paralelas em Lucas 7:24-25 e no evangelho de Tomé 78, era parte, provavelmente, da fonte de ditos comum utilizada por Lucas e Mateus chamada Q. Jesus após ser questionado por emissários de João Batista, que estava na prisão, se ele era aquele que havia de vir, diz o seguinte a respeito de João:


"Que saístes a ver no deserto? um caniço agitado pelo vento? Mas que saístes a ver? um homem trajado de vestes luxuosas? Eis que aqueles que trajam vestes luxuosas estão nas casas dos reis". Mas, então que fostes ver? um profeta? Sim, vos digo eu, e muito mais do que profeta;


Mas qual a significância de um dito tão enigmático? Theissen sustenta a sua posição a partir da confluência de evidência numismática, geográfica, literária e contextual, que sumarizamos abaixo


A evidência numismática: No I século, os reis herodianos e governadores romanos na Judéia evitavam a prática usual no mundo antigo de colocarem rostos humanos, deuses ou semi-deuses nas moedas cunhadas, para evitar ferir sensibilidades do povo judeu quanto ao 1° e 2° mandamento. Herodes Antipas, que governou a Galiléia e Peréia por 43 anos cunhou moedas com a imagem de um caniço, que circularam a partir do 23° ano de seu reinado (20 DC) [8]. Theissen, com base no trabalho do arqueólogo Yaakov Meshorer , da Universidade Hebraica, observa que essas moedas, de cobre, foram encontradas em pequeno número e sempre na região norte e nordeste de Israel, na mesma Galiléia e Pereia, em que Antipas reinava[8]. O uso de caniços como simbolo nas moedas judaicas foi, até onde se sabe, uma inovação de Antipas, sendo que outras três séries com a mesma figura foram cunhadas nos anos 33, 34 e 37 de seu reinado (ou 29, 30 e 33 DC) [8][9]. Posteriormente, no ano 39 DC, em sua última série, Antipas substituiu os caniços por palmeiras em suas moedas. No mesmo ano, o Imperador Galigula depôs Antipas, e seu território foi incorporado ao novo reino de seu sobrinho Herodes Agripa I, que após sua morte (44 Dc), foi extinto, sendo a Palestina transformada em provincia romana; Logo, as moedas com a figura do caniço, não existentes na Palestina, foram emitidas por Antipas entre 20 a 33 DC, e substituidas posteriormente, não sendo utilizadas novamente por outros governates. Adicionalmente, a evidência geográfica: Caniços e deserto, a princípio, não combinam. Os primeiros indicam fartura de água e fertilidade, o que é aparentemente incompatível com a desolação dos desertos. Mas o Vale Sul do Jordão, apresenta uma peculiaridade interessante pois oferece as duas coisas; um deserto com um oásis no meio, nas margens do rio Jordão, viabilizando o crescimento dessas plantas, (que podiam chegar a 5 metros de altura) também comum na Galiléia. A utilizar o caniço como seu emblema, Antipas passa uma mensagem a seu povo de união, mesmo com seus domínios separados pelo Rio Jordão e as cidades gregas da Decapolis, um simbolo nativo de seus teritórios, e que respeitava a Lei Judaica [8]; evidência histórica contextual: Antipas governou por 43 anos pela seu "jogo-de-cintura" proverbial, de balançar com o vento, conforme as circunstâncias políticas, sem nunca ser levado por ele, um "caniço". Adicionalmente, as moedas com o caniço foram cunhadas por ocasião da construção de Tiberíades, a nova capital da Tetrarquia, onde ficava o Palácio (e as vestes luxuosas, a casa dos reis) [8]. Flávio Josefo (Antiguidades Judaicas 18:36-38) nos diz que durante a construção de Tiberíades, verificou-se que as fundações da cidade estariam sobre um antigo cemitério, levando os judeus mais piedosos a se recusarem a morar lá. Antipas então levou muitos de seus suditos não judeus para viver lá, fornecendo, em alguns casos, terrenos e casas de graça (desde que as pessoas se comprometessem a permanecer na cidade) e construiu seu palácio, que imitava os palácios imperiais de Roma e da Ilha de Capri (o que deve ter aumentado a insatisfação de muitos com um governante "impio" em seu Palácio "pagão", numa cidade 'impura").

Ou seja, o dito reflete um detalhe de uma realidade histórica e geografica especifica da Galiléia e Pereia, no período em que Jesus teria exercido seu ministério (decadas de de 20 e 30 DC), não se enquadrando no contexto anos anteriores, ou dos anos posteriores, assim como é uma informação de dificil obtenção por alguém que vivia distante daquela região e daquele contexto, como os evangelistas. Assim, o mais provavel é que Mateus (e Lucas) tenha uitilizados fontes (como Q), que, em última instância, retiveram memórias históricas genuinas de eventos do período em que Jesus e João Batista exerceram seus ministérios.

d) Geoffrey Ernest M. de Ste Croix


O historiador britânico Geofrey Ernerst Maurice of Ste Croix, foi Professor da Universidade de Oxford, e um dos principais expoentes de um abordagem marxista para o estudo da História Antiga. Uma de suas principais obras é o livro "The Class Struggle in the Ancient Greek World from the Archaic Age to the Arab Conquests" (1982), em que aplica conceitos como a luta de classes, modo de produção e mais-valia na tentativa de explicar a estrutura e transformações ocorridas em vários períodos da Antiguidade, como as cidades-estado gregas dos seculos V e IV AC, a República Romana, o Principado, o Dominato e a "Queda" de Roma, até a ascensão do Islam no sec VI DC, cobrindo mais de um milênio. O surgimento do cristianismo não passa desapercebido. O Professor Ste-Croix utiliza os evangelhos como fonte, e repreende seus colegas de Novo Testamento por não darem a devida atenção a um padrão interessantíssimo encontrado nos Evangelhos. Apesar deles terem sido escritos fora da Palestina, voltados para Comunidades Urbanas e Helenizadas, o mundo que é refletido nos sinóticos, por exemplo, é o de comunidades e vilas rurais obscuras, destacadas do mundo grego-romano das cidades.



"We must begin with the central fact about christians origins, to which theologians and New Testament scholars have never (as far as I am aware) given anything like the emphasis it deserve: that althought the earliest surviving Christian documents are in Greek , and although Christianity spread from city to city in the Graeco-Roman world, its founder lived and preached almost entirely outside the of Graecó-Roman civilisation proper. Here we must go back to the fundamental distiction which I drew in I.iii above between the polis (the Greek city) and the chora (the countryside)- because, if we can trust the only information about Jesus which we have, that of the Gospels (as I believe in this respect we can), the world in which Jesus was active was entirely that of the chora and not at all that of the polis. Apart from Jerusalem (a special case, as I shall explain presently) his mission took place exclusively in the chora, in its villages (komai), in the rural area (the agroi) of palestine. Mainly it was conducted altogether apart from polis territory, in areas of Galilee and Judaea admnistered not by cities but directly by Herod Antipas the "tetrach" or by the Roman governor of Judea; but it is highly significant that on the rather rare ocasions when we do find Jesus active inside polis territory, it is never in the polis itself, in the sense of its urban area, but always in its country district. As We shall see, whenever we have any specif information (as distinct from vague general statements) the terms used are such as to point unmistakably to the countryside- the komai, komopoleis, agroi, chora, also the mere, horia, paralios, perichoros. There is of course a great dispute about how much reliable historical information can legimately be extracted from the narratives of the Gospels, even the Synoptics, But I would emphasise that in so far as we can trust the specif information given us by the gospels there is no evidence that even entered the urban area of any Greek city. That should not surprise us: Jesus belonged wholly to the chora, the Jewish countryside of Galilea and Judea [10]


(tradução) "É imprescindivel que comecemos com um fato central sobre as origens cristãs, à qual os teólogos e estudiosos do Novo Testamento não (até onde sei) tem dado ênfase merecida: a de que embora os documentos mais antigo cristãs tenham sido escritos em grego, e o Cristianismo tenha se espalhado de cidade em cidade no mundo greco-romano, seu fundador viveu e pregou quase inteiramente fora da civilização greco-romana propriamente dita. Aqui devemos voltar a distinção fundamental que eu esboçei [no capítulo] I.iii acima entre as polis ( a cidade grega) e chora (zona rural) - porque, se podemos confiar na única fonte de informação a respeito de Jesus que nós temos, os Evangelhos (como eu acredito que a este respeito podemos), o mundo em que Jesus foi ativo foi inteiramente o da "chora" e não o da "polis". Além de Jerusalém (um caso especial, como explicarei adiante) sua missão ocorreu exclusivamente na "chora", em suas aldeias (komai), na área rural ("agroi") da Palestina. Basicamente sua missão foi realizada totalmente à parte do território da polis, em áreas da Galiléia e da Judéia não administradas por cidades, mas diretamente por Herodes Antipas o "tetrarca" ou o governador romano da Judéia, mas é muito significativo que, nas rarísimas ocasiões quando nós encontramos Jesus ativo dentro do território da polis, nunca é na polis em si, no sentido de sua área urbana, mas sempre em sua periferia rural. Como veremos, sempre que temos qualquer informação específica (e não vagas declarações gerais) os termos usados apontam inequivocamente para a região rural e periférica, komai, komopoleis, agroi, chora, ou meramente, horia, paralios, perichoros. Há, naturalmente, uma grande disputa sobre quanta informação confiável histórica pode ser legitimamente extraída das narrativas dos Evangelhos, mesmo os Sinópticos, mas eu gostaria de salientar que na medida em que podemos confiar nas informações específicas nos dado pelos evangelhos não há evidências de que Jesus atuou na área urbana de qualquer cidade grega. que não deve surpreender-nos: Jesus pertencia totalmente ao chora, ao interior judaizado da Galilea e Judéia [10].

Ste Croix faz uma observação penetrante. Tomemos as cartas de Paulo; vejamos as cidades que são mencionadas: Roma (capital do império), Corinto (maior cidade da Acaia), Filipos (uma das maiores colônias romanas na Grécia), Tessalonica (a maior cidade da Macedônia), as igrejas da Galácia, além da grandes centros como Éfeso e Colossos (se considerarmos as cartas para o qual a autoria paulina é questionada). Alguns eventos ocorrem em Antioquia (a terceira maior cidade do Império), e, claro, Jerusalém. O Apocalipse de João é endereçado as igrejas de Éfeso, e outros grandes centros urbanos da província da Asia; Sardes (onde o proconsul romano residia) , Tiatira , Pérgamo, Filadélfia, Esmirna. Ou seja, os primeiros centros critãos foram, em sua grande maioria, importantes centro urbanos, em um ambiente cosmopolita e plenamente integrado a cultura helenistica no Império, e nesse contexto se inseriam os primeiros cristãos.


Por outro lado, os pilares da narrativa sinótica, Marcos e Q, bem como bem como as fontes particulares de Mateus (M) e Lucas (L), colocam Jesus na Galiléia, e ignoram completamente as duas únicas cidades (polis) propriamente ditas da região em que Jesus atuou, Séforis e Tiberias. Professor Ste Croix observa que nas unicas vezes em que cidades (polis) são mencionadas, são em lugares fora da Galiléia, e sempre nas redondezas, periferia, arredores, nunca na cidade em si [11]. Vemos Jesus na terra dos gerasenos ou gadarenos (Marcos 5:1), onde encontra um homem endemoniado que circulava nas tumbas e montes (ou seja, fora da cidade), e após expulso o demônio e perdidos os porcos, os habitantes da cidade (polis) vão até Jesus (ainda nos arredores da polis) pedindo que ele se retire [10]. Ou então, quando Cesaréia de Filipe é mencionada, vemos Jesus na periferia ou arredores da cidade (Mc 8:27 e Mt 16:13), onde Pedro faz sua confissão, da mesma forma que ao mencionar as cidades fenícias de Tiro e Sidon (Mc 5:14, Mt 8:34 e Lc 6.23), em que a mulher siro-fenícia pede que seu filho seja curado, os evangelhos falam em "mere", "horia" ou "paralios", periferia, "arredores" ou "distrito costeiro" [11]. Ste Croix faz a ressalva que seu objetivo não é avaliar a historicidade de cada uma dessas pericopes individulmente, (algumas como no caso do endemoniado geraseno ou gadareno tem seus conhecidos problemas), mas demonstrar um padrão e avaliar sua implicações.


I dare say that some New Testament scholars may object that I have made far too much of topographical evidence in the Gospels which they themselves are in general reluctant to press. To this I would reply that I am not using any of the Gospels narratives for any topographical purpose: it is a matter of indifference to me whether, for example, the pericope containing the confession of Peter (Mk VIII.27 ff.; Mt XVI.13ff.) is rightly located near Caesarea Phillipi rather than anywhere else. My one purpose has been to demonstrate that the Synoptic Gospels are unanimous and consistent in locating the mission of Jesus entirely in the countryside, not within the poleis proper, and therefore outside the real limits of hellenistic Civilization. It seems to me inconceivable that this can be due to the Evangelists themselves, who (as we have seen) were very likely to dignify an obscure village like Nazareth or Capernaum with the title of polis but would certainly not down grade a locating by making it a country district if in their source it appeared as a polis. I conclude , therefore, that in this respect the Evangelists accurately reflect the situation they found in their sources ; and it seems to me that these sources are very likely indeed to have presented a true picture of the general locus of the activity of Jesus. [11]

(tradução) Ouso dizer que alguns estudiosos do Novo Testamento pode objetar que eu me fiei demais nas evidências topográficas nos evangelhos que eles mesmos em geral relutam em utilizar. A isso eu respondo que não estou usando qualquer uma das narrativas evangélicas para qualquer finalidade topográfica : é indiferente para mim se, por exemplo, a pericope da Confissão de Pedro foi corretamente localizada como ocorrendo perto de Cesaréia de Filipe, e não em outro lugar. Meu objetivo tem sido um para demonstrar que os evangelhos sinóticos são unânimes e consistente em localizar a missão de Jesus inteiramente no campo , não dentro do polis propriamente dita e, portanto, fora dos limites reais da civilização helenística. Parece-me inconcebível que isso pode ser devido ao Evangelistas, que (como vimos) estavam dispostos a dignificar uma vila obscura como Nazaré, ou Cafarnaum com o título de polis, mas certamente não rebaixariam a condição dos lugares que mencionam, tornando em distrito uma polis que é mencionada em suas fontes. Concluo, portanto, que a este respeito os Evangelistas refletem exatamente a situação que encontraram em suas fontes, e parece-me que essas fontes muito provávelmente apresentam um retrato fiel do locus geral da atividade de Jesus. [11]


Ou seja, existe um abismo entre o mundo que os cristãos primitivos viviam (os grandes centros urbanos helenísticos da Siria, Grécia, Asia Menor e Roma) com o mundo em que os evangelhos retratam (as pequenas vilas e areas rurais, e , no máximo, as periferias e arredores das poucas cidades helenisticas da Galiléia e Pereia). Essa dissimilaridade ou diferença, indica a possibilidade de memória histórica.


Esse fato é ainda mais interessante pois os evangelistas, aparentemente, não tinham problemas com a "polis". Eles elevam Cafarnaum e Nazaré, que tudo indica serem pequenas vilas naquele período, a condição de cidade. Certamente, seria interessante para a sua audiência ver Jesus interagindo dentro das cidades gregas, pregando nas "agoras", discutindo com filosofos e autoridades sobre seus ensinos. Não havia porque manter Jesus apenas nos arredores, da periferia dessa instituição do mundo grego-romano, a cidade. Diante disso, Ste Croix conclui que o mais provável é que os evangelistas refeletiram a situação que encontraram nas fontes mais antigas que utilizaram, que apresentavam esse padrão de atuação quase que exclusivo no mundo rural galileu, e que essas fontes mantiveram uma memória histórica acurada do locus de atuação de Jesus em seu ministério.

Referências Bibliograficas


[1] Guy Halsall (2005), "The Barbarian Invasions" , In Paul Fouracre (Ed.) New Cambridge Medieval History, fls. 35-36.
[2] C. Behan McCullough (2004): The logic of history: putting postmodernism in perspective, fl. 15

[3] L Michael White (2010), Scripting Jesus: The Gospel in Rewrite, fls. 05-06

[4] Geza Vermes (2005), A Paixão, fl. 15,; John D. Crossan (1995), Jesus, Uma Biografia Revolucionária, fl. 14; Gerd Theissen (2006), O Novo Testamento, fls. 71-92 e fls. 111-122;.

[5] L Michael White (2010), Scripting Jesus: The Gospel in Rewrite, fls. 05-06

[6] Fergus Millar (1993) The Roman Near East, 31 B.C.-A.D. 337, fl. 342;

[7] Gerd Theissen e Annete Metz (1996) Jesus Histórico fl. 122

[8] Gerd Theissen (2004) Gospel in Context, fls. 26-38, para a analise de Yakoov Meshorer (1967), em Jewish Coins, fls. 66-75; Jonathan Marshall (2008) observa em
Jesus, patrons, and benefactors: Roman Palestine and the Gospel of Luke, fl 187, que a proposta de Theissen foi aceita por muitos estudiosos dentre os quais Sean Freyne (2000, Galilee and the gospels, fls. 201-203), Eckhard Schanabel (2004, Early Christian Mission, Jesus and the Twelve, 1238-1239); John Reumann (2006, Archeology and Early Chistology, 660-682 e 670 a 672). Jonathan Reed (2000) é também receptivo a idéia ( Archaeology and the Galilean Jesus: a re-examination of the evidence, fl. 194).

[9] Morten Horning Jensen (2006) Herod Antipas in Galilee: the literary and archaeological sources, fl 235.

[10] Geoffrey Ernest Maurice de Ste Croix (1983), The Class Struggle in the Ancient Greek World: From the Arcaic Period to the Arab Conquest, fl. 427

[11] Geoffrey Ernest Maurice de Ste Croix (1983), The Class Struggle in the Ancient Greek World: From the Arcaic Period to the Arab Conquest, fl. 429-430

3 comentários:

informadordeopiniao disse...

Chefe Nehemias!

Mas uma excelente contribuição. Você tem proporcionado muitas importantes como esta, para ajudar a divulgar com consistência este campo de estudo no Brasil ainda muito tratado levianamente por diversos espaços.

Tratando de múltiplos aspectos e abordagens, desta vez destrinchou a questão da rastreabilidade histórica. É algo quase análogo a muitas ferramentas para estudar o Big Bang na cosmologia, por exemplo.

Acho que é por aí que o Jimmy Dunn se envereda quando interpela os colegas a focarem na rememorização feita pelos antigos cristãos para apresentarem e firmarem Jesus entre si. O processo e o fenômeno dele ser recordado ante reapresentado, e como vinham as recordações dele.

Muito bom Nehemias, para proporcionar aproximações mais qualitativas, para além das "quantitativas" que os critérios usuais oferecem, porque afinal, estamos falando de uma pessoa e suas múltiplas dimensões e relações...

Parabéns, chapa!

Fernanda Ramos disse...

Conheçam meus blogs:

"Sobre Todas as Coisas", um "Tratado sobre a Experiência Humana em Realismo Fantástico" http://inadvertidamente.blogspot.com/

"Tessituras de Penélope" - de moda e decoração http://tessiturasdepenelope.blogspot.com/

"Inventário de Flores Urbanas - fotos de flores http://inventariodefloresurbanas.blogspot.com/

Ivani Medina disse...

A religião jamis deveria ter-se envolvido com a história. Desde sempre, a nossa cultura cristã se vale desse artifício para justificar a sua suposta origem.

“A verdade histórica é a mais ideológica de todas as verdades científicas [...]Os termos de subjetivo e de objetivo já não significam nada de preciso desde o triunfo da consciência aberta [...]. A verdade histórica não é uma verdade subjetiva, mas sim uma verdade ideológica, ligada a um conhecimento partidário”. (ARON cit. por Marrou, s/ data, p. 269)

Se a fé nunca dependeu da história, porque fazem tanta questão desta última? Por que insistem em preservar essa bruma que envolve os primeiros séculos do cristianismo? Não devia ser assim. No entanto, quando fazemos uma aproximação dos fatos com fatos e não com ideias, é possível outra conclusão.

http://cafehistoria.ning.com/profiles/blogs/paguei-pra-ver

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